01/08/2012
às 12:28 \ London CallingTomorrow Never Knows
Odiados por uns e amados por muitos, os tabloides são uma parte importante da vida cotidiana de Londres – e até para quem não os lê. Suas manchetes exageradas e primeiras páginas escandalosas acabam servindo como uma espécie de termômetro da cidade, medindo o humor de seus habitantes e retratando o estado de espÃrito londrino. Nesta quarta-feira, o quinto dia da OlimpÃada, todos dedicavam suas capas à longa espera britânica pelo primeiro ouro a ser conquistado pelo paÃs-sede. E os dois principais concorrentes do mercado, The Sun e Daily Mirror, tiveram a mesma ideia bizarra: apostando numa vitória do ciclista Bradley Wiggins, publicaram fotos de suÃças ruivas para o leitor recortar e grudar na cara. Muito mais contidos, os tradicionais diários Guardian e Telegraph também se espelharam ao tratar da escassez de ouros britânicos: ambos usaram o bordão keep calm and carry on, frase de um cartaz espalhado por Londres em nome do rei George VI, no inÃcio da II Guerra, para elevar o moral da população em meio à blitz nazista. A frase virou uma espécie de bandeira alternativa dos britânicos, por resumir bem alguns dos traços mais marcantes desse povo, com o estoicismo e resiliência. A torcida local, no entanto, nem teve de esperar Bradley Wiggins competir para ouvir o hino britânico numa cerimônia de premiação olÃmpica. O primeiro ouro da equipe da casa saiu no remo, com a dupla formada por Helen Glover e Heather Stanning, diante de 30.000 torcedores em Eton Dorney, perto do palácio de Windsor.
Wiggins confirmou o favoritismo e também faturou o ouro (na foto acima), transformando-se no maior medalhista olÃmpico britânico. Mas as grande façanha do dia foi a vitória das remadoras. Na última edição dos Jogos, em Pequim-2008, a dupla nem sequer existia. Helen e Heather só começaram a competir juntas há três anos. Há cinco, Helen remou pela primeira vez na vida. Professora de primário, era atleta de fim de semana – gostava de tênis, natação e hóquei. Praticou remo pela primeira vez através de um programa público de incentivo aos esportes olÃmpicos. Sua parceira também tem uma trajetória improvável. Formada na academia de Sandhurst, onde o prÃncipe William foi submetido a seu treinamento militar, Heather é capitã de um pelotão de artilharia do Exército britânico. Foi autorizada a tirar uma licença para treinar para a OlimpÃada, mas terá pouco tempo para comemorar: em setembro, retorna ao seu quartel – e poderá fazer parte do próximo contingente enviado para compor as forças da Otan no Afeganistão. Ao dedicar a medalha à s tropas britânicas em missões no exterior, Heather contou: “A carreira militar me deu força e determinação”. A dupla precisou de boa dose de ambas para conseguir o ouro. Mesmo com a resistência de quem encarou o curso de Sandhurst, Heather quase não suportou o esforço fÃsico exigido para manter a liderança da corrida. “Meu corpo parece querer desligar. Estou feliz, mas também totalmente moÃda. Quero desmaiar, mas estou feliz demais.” Na reta final, a poucos metros da glória olÃmpica, Helen e Heather parecem ter seguido o mantra do velho cartaz de guerra: keep calm and carry on.

.
.
..
Tomorrow Never Knows - Beatles, Revolver (1966)
.
Tags: bradley wiggins, ciclismo, daily telegraph, grã-bretanha, Heather Stanning, Helen Glover, londres, olimpÃada de londres 2012, remo, the guardian, the sun












Deixe o seu comentário
Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.
» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA
1 Comentário
cintia
-01/08/2012 às 15:09
RIIIIDICULO !!! E o Brasil , quantas vezes ja comemorou ?