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23/12/2011

às 9:52 \ Diário Olímpico

Um balanço de Londres 2012

Às vésperas da chegada de 2012, Londres tem diversos motivos para comemorar em relação aos preparativos dos Jogos Olímpicos. As imagens aéreas divulgadas ontem pelo comitê organizador mostram um Parque Olímpico bem mais atraente que o das fotos anteriores, de julho deste ano. Ainda que pareça um enorme canteiro de obras na zona leste da capital, a imensa mancha de concreto aos poucos começa a ganhar os primeiros contornos verdes.

Segundo a organização, 90% das obras já estão concluídas, sendo que algumas já sediaram eventos-teste. O risco de que algo não fique pronto é praticamente zero; é improvável que algo não seja testado antes dos Jogos. Londres vem cumprindo seu cronograma de maneira invejável, ainda mais se comparado aos percalços da preparação do Brasil para 2014 e 2016.

Londres 2012 tem tudo para ser a melhor Olimpíada da história em termos de organização e tecnologia. Os Jogos já são um sucesso de público – o que frustrou milhares de pessoas que não conseguiram ingressos. Mas seguramente não será a Olimpíada mais espetacular de todos os tempos, especialmente quando se tem no retrovisor Pequim 2008. Basta comparar o modesto Estádio Olímpico londrino ao impressionante Ninho do Pássaro chinês. Também nisso, Londres merece aplausos. Em tempos de recessão, o mais sensato é fazer uma Olimpíada possível, condizente com a realidade do país.

Mas um dos maiores trunfos da Olimpíada de Londres aos poucos se mostra seu grande calcanhar de Aquiles. Todo o projeto foi feito para que a Olimpíada deixasse um legado para a cidade. O Parque Olímpico inevitavelmente levará algum desenvolvimento à região leste da capital – embora até o momento se resuma à presença de um enorme shopping e de um leve aumento nos preços dos imóveis.

Mas até hoje o comitê não conseguiu definir quem usará o estádio após os Jogos. O West Ham, clube de futebol da região esteve próximo de um acordo, mas todo o processo voltou ao zero após ameaças de processos na justiça por parte de outros clubes. O futuro do estádio virou até caso de polícia, com a prisão de suspeitos de espionagem. A escolha de Londres para sediar o Mundial de Atletismo em 2017 garantiu um evento a mais no estádio e deu fôlego ao comitê.

O aumento de alguns custos também pressionou o orçamento, que por ora permanece em 9,2 bilhões de libras. O comitê teve o mérito de cortar custos anteriormente e deixar uma margem para despesas de contingência, mas a opinião pública tem sido implacável com alguns gastos – como o acréscimo de 41 milhões de libras apenas para a cerimônia de abertura, ou o erro inicial no cálculo do número de seguranças.

As melhorias no transporte londrino são de fazer inveja a qualquer cidade brasileira. A estação de Stratford, ao lado do Parque Olímpico, tornou-se um grande hub de transporte público. O aeroporto de Heathrow, por exemplo, terá um terminal provisório exclusivamente no dia após a cerimônia de encerramento. Mas ainda assim, os londrinos estão especialmente pessimistas em relação ao caos que a cidade se tornará durante os Jogos. E eles têm lá sua razão: apesar de eficiente, o sistema de transporte é mesmo sobrecarregado nos horários de pico. Nada que se compare à estação da Sé, em São Paulo, mas esta jamais deveria servir de parâmetro.

Os londrinos se dividem entre a expectativa de organizar os melhores Jogos da história e o temor de que se gaste dinheiro demais. Entre a ansiedade de receber os maiores atletas do mundo e a frustração de não poder vê-los ao vivo. Entre a satisfação de ver melhorias no transporte público e o medo de que a cidade se torne um verdadeiro caos no próximo ano.

Para quem acompanha do Brasil, tudo parece perfeito. A grama do Parque Olímpico vizinho é sempre mais verdinha.

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