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05/12/2012

às 7:47 \ Ponte Aérea Londres-Rio

Hora de abrir os olhos para os nadadores chineses

Ye Shiwen em Londres-2012: fenômeno (Foto: Martin Bureau/AFP)

Ye Shiwen em Londres-2012: fenômeno (Foto: Martin Bureau/AFP)

O Brasil ganhou sua primeira medalha olímpica de natação em Helsinque-1952, com Tetsuo Okamoto, bronze nos 1.500 livres. De lá para cá, foram apenas treze medalhas em quinze edições dos Jogos. Em seus melhores momentos, o país leva à Olimpíada no máximo dois candidatos a uma medalha. Foram os casos de Atlanta-1996, quando Gustavo Borges foi prata nos 200 metros livre e bronze nos 100 metros livre enquanto Fernando Scherer levou o bronze nos 50 metros livre; e de Londres-2012, com a prata de Thiago Pereira nos 400 metros medley e o bronze de César Cielo nos 50 metros livre. O único ouro da história foi o de Cielo em Pequim-2008 – as outras medalhas foram quatro de prata e oito de bronze, nenhuma delas feminina.

Enquanto isso, o mundo anda de olho na evolução dos nadadores chineses. Os Estados Unidos mantêm a ponta quando o assunto é velocidade nas piscinas – tanto que, em Londres, a delegação americana garantiu nada menos que 31 medalhas, dezesseis delas de ouro. Mas as dez medalhas chinesas, cinco delas de ouro, impressionaram. E também causaram polêmica quando Ye Shiwen, de apenas 16 anos, bateu o recorde mundial dos 400 metros medley ao cravar 4min28s43. Não só pela idade e por ter tirado mais de um segundo do recorde anterior, da australiana Stephanie Rice, mas porque nos últimos 50 metros, a chinesa marcou 28.93, contra 29.10 do vencedor da prova masculina, o americano Ryan Lochte. Ou seja: Ye foi mais rápida do que Lochte na reta final, desencadeando suspeitas e rumores sobre um possível doping da jovem chinesa.

Os exames não acusaram nada. Ye rejeitou as acusações. Seu técnico particular, o australiano Ken Wood, também negou o doping em diversas entrevistas após os Jogos. Três vezes treinador da equipe olímpica australiana, hoje Wood prepara diversos nadadores de ponta de vários países. Entre eles, alguns chineses. E prefere se concentrar no futuro da natação.

“No momento, o governo chinês está oferecendo fundos ilimitados para o esporte chinês, com o único objetivo de ver a China surgindo como nação número um do mundo esportivo. A natação é um dos principais beneficiários deste financiamento. Esses fundos têm sido usados desde 2006 para enviar seus atletas de elite para treinar com técnicos estrangeiros, incluindo os de EUA e Austrália. Agora, com quatro anos para se preparar para os Jogos Olímpicos de 2016, a natação chinesa está em uma posição muito boa”, comenta o treinador.

Ele cita nomes como Sun Yang, nadador que ganhou dois ouros, uma prata e um bronze em Londres, e Jiao Liuyang, ouro nos 200 metros borboleta feminino, além da própria Ye Shiwen. “Os revezamentos são as provas em que os chineses ainda poderiam fazer um grande avanço”, acredita Wood, lembrando que há seis medalhas de ouro disponíveis nesse tipo de disputa. “Os países que têm mais qualidade e variedade de talentos podem descansar seus quatro nadadores principais nas eliminatórias da manhã. A enorme qualidade que se vê nas piscinas da China pode fazer uma grande diferença em quatro anos. Além disso, eles podem melhorar seu sistema de identificação de talentos e identificar e expor esses jovens valores para formação específica, o que também poderia dar frutos dentro de quatro anos”, prevê.

Wood comenta que instalações de treinamento estão sendo construídas em ritmo acelerado, e que os treinadores chineses, liderados por Yao Zhengjie e sua comissão técnica, têm analisado profundamente os programas que são utilizados pelos melhores treinadores de, por exemplo, EUA e Austrália. E conclui: “Não é uma questão de se a China vai se tornar líder mundial na natação. É uma questão de quando”.

Será que veremos a bandeira vermelha no topo já nos Jogos do Rio? É difícil. Seja como for, a briga entre Estados Unidos e China na água tem tudo para ser uma das principais atrações da primeira Olimpíada brasileira. Sem um projeto tão ambicioso quanto o dos chineses, ao Brasil resta torcer para que algum grande talento roube a cena, a exemplo de César Cielo em Pequim. Não faltará torcida para que mais nadadores da casa subam ao pódio. Mas se na China sobram candidatos a medalhas, por aqui as coisas ainda são muito diferentes.

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27/11/2012

às 7:49 \ Ponte Aérea Londres-Rio

Os hotéis de 2016: construir quartos é só o começo

O projeto do Grand Mercure Riocentro, na zona oeste

O projeto do Grand Mercure Riocentro, na zona oeste

A julgar pela quantidade e frequência dos lançamentos, a impressão é de que a indústria hoteleira no Rio de Janeiro vai de vento em popa. Recapitulando:

- A Odebrecht anunciou a construção de dois hotéis, com total de 450 quartos, no Santo Cristo, local que faz parte do processo de revitalização da região portuária;

- Foi lançada em novembro a pedra fundamental do Grand Mercure Riocentro, hotel quatro estrelas com 360 apartamentos que será inaugurado em 2014, para hospedar profissionais que vão trabalhar no Centro Internacional de Transmissão (IBC) da Copa do Mundo;

- A Infraero publicou edital de licitação para conceder à iniciativa privada uma área de 13 mil metros quadrados do Aeroporto Santos, onde haverá um hotel e um centro de convenções;

- Misto de hotel e condomínio de luxo, o Grand Hyatt Rio, com 436 quartos, será o primeiro da cadeia americana no estado e começa a ser erguido nos próximos dias, de frente para a praia da Barra da Tijuca;

- As duas últimas casas da Avenida Atlântica, em Copacabana, serão transformadas em hotéis – a que abriga atualmente o Consulado da Áustria, no Posto 6, dará lugar a um cinco estrelas da rede Emiliano; e a famosa “Casa de Pedra”, próxima à Rua Santa Clara, comprada por um empresário dono de restaurantes, será substituída por um hotel.

Parece uma corrida. E é. O problema é que no momento, dadas a estagnação dos últimos anos e os entraves de regulação local que inibiram investimentos, o Rio corre atrás do prejuízo. A meta é alcançar a meta estabelecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que exige da cidade 40.000 leitos de hotel com três estrelas ou mais até 2016. Hoje, são pouco mais de 26.000. A comparação com Londres mostra a distância da infraestrutura de hospedagem entre as duas cidades. A capital inglesa dispõe de mais de 120.000 quartos.

A capacidade de hospedagem londrina provocou até uma espécie de anticlímax para os estrangeiros que estiveram na sede dos Jogos de 2012 durante a competição. Quem esperava por hotéis superlotados por causa do maior evento esportivo do mundo surpreendeu-se com a facilidade para fazer reservas. É verdade que o preços às vésperas da Olimpíada também colaborou para esse “esvaziamento”, mas a oferta era tal que falta de leitos nunca foi uma preocupação dos organizadores.

Já para o Rio alcançar seu objetivo, as obras dos novos hotéis precisam começar no máximo até o fim de 2013. Caso contrário, não haverá tempo suficiente para que fiquem prontas a tempo da chegada das delegações, jornalistas, funcionários de empresas ligadas ao evento e, claro, do público. Segundo o último relatório de acompanhamento da situação de hospedagem elaborado pela Secretaria Municipal de Urbanismo, atualmente há 9.116 quartos em construção ou licenciados. Há ainda 8.693 em fase de análise ou consulta. Parte desses corre risco de ficar no papel – afinal, a licença dada pelo município nada mais é que a autorização para construir, algo bem distante da certeza de que há o investidor e de que as obras estão em andamento.

Apesar de a ampliação do número de quartos ser a parte mais complexa, demorada e cara, esta não é a preocupação principal dos organizadores da Olimpíada brasileira. Para 2016, é dada como certa a utilização de alojamentos temporários, como os transatlânticos que devem aportar apenas para funcionar como hotéis. Ou seja: assim como o aperto de prazo e espaço não foi problema para a realização da Rio+20, em junho deste ano, o número de acomodações não deve ser um problema em 2016.

O desafio, no momento, é como qualificar tanta gente em tão pouco tempo para receber bem os turistas. Dobrar o número de vagas em hotéis significa, em tese, um aumento proporcional no número de funcionários treinados para toda a cadeia de serviços, grande parte deles bilíngue.  A oportunidade é proporcional ao tamanho do problema. A partir de 2016, a preocupação do setor hoteleiro será como manter uma taxa de ocupação que sustentem e garantem o retorno do investimento. Mais uma vez, não há motivo para afobação. Como em qualquer corrida, dá-se um passo de cada vez.

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12/11/2012

às 8:05 \ Ponte Aérea Londres-Rio

Ainda à espera de uma estrela no atletismo

O lendário Joaquim Cruz hoje revela atletas... nos EUA (Foto: Gilberto Tadday)

O lendário Joaquim Cruz hoje revela atletas... nos EUA (Foto: Gilberto Tadday)

Com 47 provas – 24 masculinas e 23 femininas -, o atletismo é a modalidade que mais medalhas distribui em uma edição de Jogos Olímpicos: 141, entre ouros, pratas e bronzes. Em Londres, elas foram divididas por 33 países. O Brasil não conquistou nenhuma. Um mau sinal para quem que vai sediar os próximos Jogos, em 2016. O atletismo, afinal, é a estrela máxima de uma Olimpíada. É na hora de ver os corredores mais rápidos, os saltadores que chegam mais longe ou mais alto e os lançadores mais fortes que o mundo prende a respiração. E as marcas de atletas individuais expõem para o mundo esforços coletivos no desenvolvimento de modalidades e na lapidação de talentos olímpicos.

Em Londres, a notável Jessica Ennis e o incansável Mo Farah, estrelas máximas do atletismo britânico, monopolizaram todos os outdoors e capas de jornais. Ela, a garota de ouro no heptatlo; ele, nascido na Somália, filho de pai inglês com mãe somali, com sua dupla vitória olímpica, nos 5.000 metros e nos 10.000 metros. Os dois levaram os ingleses no Estádio Olímpico às lágrimas e aos gritos, e acabaram contagiando os amantes de esporte de todas as nacionalidades. A Inglaterra ainda conquistou um quarto ouro no salto em distância, com Greg Rutherford, uma prata nos 400m, com Christine Ohuruogu, e um bronze no salto em altura, com Robert Grabarz.

Seis medalhas, o suficiente para alegrar os britânicos e para deixar o país atrás apenas dos Estados Unidos, da Rússia e da Jamaica, potências do atletismo. O torcedor brasileiro – assim como patrocinadores – se perguntam: quem será a alegria da torcida brasileira nos Jogos do Rio, daqui a quatro anos?

“Embora não tenha conquistado medalha em Londres 2012, o atletismo brasileiro tem uma tradição de presença no pódio olímpico. A modalidade integra a expectativa de conquista de medalhas no Rio 2016. Neste momento estamos em discussões com a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) sobre o plano estratégico para o próximo ciclo, quando poderemos identificar mais claramente a capacidade e o potencial de evolução de resultados olímpicos da modalidade”, diz o superintendente-executivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire.

O dirigente se refere às 14 medalhas conquistadas pelo atletismo brasileiro entre os Jogos de Helsinque (1952) e Pequim (2008), incluindo os dois ouros de Adhemar Ferreira da Silva (1952 e 1956) no salto triplo, o de Joaquim Cruz (1984) nos 800 metros e o de Maurren Higa Maggi (2008) no salto em distância. Apesar do histórico, faltam perspectivas. Maurren mostrou em Londres que seu tempo passou. O revezamento 4 x 100 metros masculino, que chegou a conquistar o bronze em Atlanta (1996) e a prata em Sydney (2000), dessa vez não chegou à final. Também não apareceu nenhum jovem que chamasse a atenção, em nenhuma prova.

“Não temos um programa organizado para identificar atletas no Brasil. Não temos treinadores capacitados. Não temos base nas escolas. O COB tem as Olimpíadas Escolares, que é um bom programa. Mas elas deveriam ser o final de um processo de base. Primeiro deveriam ser oferecidos os esportes nas escolas, com estrutura e calendário organizado, para dali serem selecionados atletas bem treinados e talentosos para disputarem as Olimpíadas Escolares. O Brasil não tem isso”, avalia Joaquim Cruz, há sete anos funcionário do Comitê Olímpico Americano (USOC), como membro da comissão técnica do atletismo olímpico e paralímpico (relembre, no vídeo abaixo, sua vitória olímpica em Los Angeles).

A grande maioria das escolas brasileiras sequer possui um espaço para a prática da educação física. Entre as que têm, a maior parte conta apenas com uma quadra, onde basicamente se joga futsal, vôlei e handebol. Para Joaquim, isso precisa mudar já se o país quer reverter esse quadro no atletismo. “Tenho uma sobrinha que tem cinco filhos e uma que tem seis. Nenhum dos 11 pratica esporte em suas escolas. Se a criança não recebe educação esportiva, como vai ter oportunidades de descobrir se é um talento? Temos que dar novas oportunidades para a nova geração. Para 2016, temos que continuar a trabalhar com os atletas que foram em Londres e investir em alguns juvenis, porque não há mais tempo de achar um talento e prepará-lo. Mas há tempo para 2020 e daí para frente”, acredita o medalhista olímpico.

Marcus Vinícius Freire concorda que há uma deficiência na base. “Há vários ‘países’ dentro do Brasil, com estruturas, características e biótipos diferentes de atletas em cada região. Portanto, sabemos que não é fácil integrar em um mesmo projeto todas essas necessidades de treinamento e competição das mais diferentes provas do atletismo. Necessitamos certamente ampliar a base de entrada de novos praticantes da modalidade, e através de uma estrutura consistente de treinadores e equipamentos, e identificar e trabalhar um maior número de potenciais atletas para esse esporte”, afirma.

Uma mudança já vai acontecer, a partir de 1º de janeiro: depois de 25 anos seguidos, Roberto Gesta de Melo deixa o comando da CBAt. No entanto, quem assume é José Antonio Martins Fernandes, candidato único e com apoio total do atual mandatário. É esperar para ver o que o novo presidente conseguirá fazer até 2016.

29/10/2012

às 19:28 \ Ponte Aérea Londres-Rio

Hospedagem – de graça – para as famílias de atletas

Marcus Vinícius Freire, superintendente-executivo do COB (Foto: Antonio Scorza/AFP)

Além de todo o planejamento de vilas olímpicas e dos investimentos em hotelaria, um grande evento esportivo precisa prever alternativas acessíveis para comportar visitantes, entre eles as famílias dos atletas da competição. Na manhã desta segunda-feira, o superintendente-executivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire, lançou a ideia de uma colaboração entre as famílias brasileiras e a chamada família olímpica, formada por treinadores pessoais e parentes de primeiro e segundo grau dos atletas olímpicos do mundo todo. Para o dirigente, a experiência de Londres foi tão bem sucedida que merece ser replicada em 2016.

Nos Jogos deste ano, a ONG More than Gold, ligada à Igreja Católica da Grã-Bretanha, recebeu o cadastro de famílias londrinas dispostas a receber a família olímpica com cama e café da manhã gratuitos. Com isso, mais de 350 pessoas foram beneficiadas, incluindo quase 30 brasileiros. “Cada família hospeda até duas pessoas. É oferecido principalmente para familiares e treinadores que não teriam condições de ir se tivessem que pagar a hospedagem. Acho que esse é um programa legal de Londres que o Rio pode copiar”, sugeriu Freire durante seminário promovido nesta segunda-feira pelos jornais O Globo e Extra.

Professor de marketing do Instituto Olímpico Brasileiro, departamento de educação do COB para o esporte olímpico, Marcos Felipe Magalhães foi um dos brasileiros que participaram do programa. Ele foi recebido na casa de um casal de ingleses aposentados. Foi tão bem tratado que, quando ganhou alguns ingressos para uma competição esportiva, fez questão de dar um para cada um de seus anfitriões. “Não há necessidade de fazer contribuição alguma. Mas eu quis levá-los a um jogo”, conta Marcos Felipe.

Durante o seminário, Freire reiterou a meta de o Brasil conquistar trinta medalhas em 2016, treze a mais do que em Londres, e ficar em décimo lugar no quadro de medalhas. Mas o Brasil ficaria entre os 10 primeiros seguindo o critério de número total de medalhas conquistadas, adotado pelo COB – diferente do critério do Comitê Olímpico Internacional (COI), segundo o qual as medalhas de ouro têm peso maior.

“Nós achamos que o ouro pode levar um país à frente sem que ele seja uma potência olímpica. A Hungria, por exemplo, ganhou oito ouros, ficou em nono no quadro. Mas a Hungria não é uma potência olímpica. Ela é uma potência de levantamento de peso e de lutas associadas”, explicou ele, afirmando que os problemas de formação de base de atletas no Brasil, especialmente nas escolas, permanecem: “É um gap que nós temos. O COB faz o papel dele com as Olimpíadas Escolares, mas não somos responsáveis pela base. Movimentamos 2 milhões de crianças, mas não as formamos”.

25/10/2012

às 12:18 \ Ponte Aérea Londres-Rio

As arenas de 2016: beleza é fundamental

O belo Velódromo de Londres-2012 (Foto: Anthony Charlton/Getty Images)

O belo Velódromo de Londres-2012 (Foto: Anthony Charlton/Getty Images)

Na terra de Oscar Niemeyer, uma das grandes questões em relação aos Jogos Olímpicos de 2016 tem a ver com a arquitetura das arenas: mais vale apostar no espetacular ou no prático e mais barato? “Dá para fazer as duas coisas”, garante o presidente da Autoridade Pública Olímpica, Márcio Fortes: “Todas as nossas arenas têm que ser funcionais, atendendo a todos os requisitos do Comitê Olímpico Internacional; têm que ser bonitas; e têm que ser espartanas nos custos. Esses três itens são fundamentais”.

A ideia é, a exemplo do que foi feito em Londres, apostar em duas arenas de tirar o fôlego, para se tornarem a cara dos Jogos. Na terra da rainha, o parque aquático e o velódromo foram os escolhidos. Chamavam a atenção pela beleza de sua arquitetura. Segundo Fortes, o Brasil tem que estar atento a um detalhe: “Duas têm que ser icônicas. Mas, em Londres, o velódromo ficava muito distante da entrada do Parque Olímpico, não era visto de lá. Então, só quem foi realmente a competições de ciclismo conseguiu conhecer, poucas pessoas viram”.

O ideal é que as duas arenas escolhidas estejam visíveis para todos. Como estavam o Cubo D’Água e o Ninho do Pássaro, em Pequim. Mas que não se espere algo tão espetacular quanto esses dois símbolos dos Jogos de 2008. “Lá é tudo diferente: orçamento, valor de mão de obra, tudo”, observa Fortes.

E aí entra uma questão complicada: orçamento. O Brasil ainda não definiu o seu. Acredita-se que ele será anunciado somente em março ou abril. Pouco mais de três anos antes dos Jogos. No orçamento da campanha da cidade pelo direito de sediar os Jogos, falou-se em 28,6 bilhões de reais – dados de 2008, que, atualizados, chegariam a cerca de 38,5 bilhões de reais em 2016. A conta inclui projetos para a cidade que já devem estar prontos para a Copa do Mundo, em 2014, como BRTs, aeroportos e obras de infraestrutura.

Segundo Márcio Fortes, os 28,6 bilhões são um número de referência, mas não é o orçamento real. E não ainda há um valor estipulado apenas para as arenas. Não foram definidas sequer quais serão permanentes e quais serão temporárias – apesar de haver um detalhamento a respeito disso no dossiê da candidatura do Rio. O prazo cada vez mais apertado aumenta o temor de que haja um estouro enorme, a exemplo do que aconteceu no Pan-Americano de 2007, orçado em 225 milhões de reais e que acabou custando 3,8 bilhões – e que ainda teve prédios da Vila do Pan construídos sobre terreno pantanoso. “Isso só aconteceu porque não havia o trabalho que estamos fazendo agora, de verificação de custos de produção, de peculiaridades do terreno e de análise de cada detalhe envolvido”, garante Fortes. É o que todos esperamos.

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12/10/2012

às 8:45 \ Ponte Aérea Londres-Rio

O que o esporte pode fazer pelo turismo

Cristo Redentor iluminado (Foto: Reuters)

(Foto: Reuters)

Londres mostrou que o turismo de uma cidade não necessariamente aumenta durante os Jogos Olímpicos. As atrações mais famosas da capital britânica tiveram público menor que o esperado, muito em função da escassez de visitantes “não-olímpicos” no período dos Jogos. Encerrado o evento, o fluxo de turistas voltou ao normal. Ou seja: para esse setor, o melhor efeito de uma Olimpíada costuma aparecer depois das competições. Há vinte anos, Barcelona ensinou que o turismo de uma cidade pode aumentar, e muito, depois das Olimpíadas. Pode ser para conhecer o Bairro Gótico ou os locais frequentados por Picasso e Gaudí, no caso da cidade catalã.

O Rio está na moda – também para o turismo. Mas, como mostra um estudo do IBGE, com dados referentes a 2009, o Brasil ainda se beneficia pouco de seu potencial turístico. O setor responde atualmente por 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e a proporção não se altera de forma substancial desde 2003, quando representava 3,6%. Na agenda brasileira de eventos com grande capacidade de investimento, destacam-se, obviamente, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Por que não proporcionar a quem visita o Rio “por esporte” um passeio pelos endereços da Bossa Nova ou um giro pelos botecos?

Em uma cidade como Londres, um dos melhores programas é flanar. Mas Londres também é cultura pop, e para muita gente é aí é que está o charme. Visitas guiadas levam diariamente hordas de beatlemaníacos a locais marcantes na trajetória dos Fab Four; conduzem fãs de todas as idades a cenários onde os filmes de Harry Potter foram gravados; guiam boêmios pelos mais interessantes pubs da cidade, apresentando tanto as cervejas tradicionais quanto as exóticas.

Na comparação entre as cidades olímpicas de 2012 e 2016, descobre-se uma falha grave da cidade que tem Copacabana, Cristo Redentor e Pão de Açúcar entre seus cartões postais. São poucos e falhos os programas e as informações disponíveis para quem quer conhecer o Rio além das atrações turísticas principais. E a cidade não pode perder a chance de alavancar essa indústria. Há quase um ano, a prefeitura inaugurou, na Zona Portuária, o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que inclui o Cais do Valongo, os Jardins do Valongo, a Pedra do Sal, o Largo do Depósito, o Instituto dos Pretos Novos e o Centro Cultural José Bonifácio. Mas não há horários definidos para visitas guiadas aos locais.

Esse tipo de roteiro não está completamente abandonado graças a iniciativas individuais. “Há anos faço um passeio cervejeiro pelos bares da Lapa que é um sucesso enorme. O roteiro pela Praça 15 e arredores também sempre lota, assim como o dos fortes da cidade e da Zona Portuária. Em dezembro, vou promover o Passeio do Fim do Mundo, pelas tumbas do Cemitério São João Batista”, enumera o historiador e guia turístico Milton Teixeira, que trabalha por conta própria.

Milton ocupa um espaço deixado vago pelo poder público e empresas privadas. Para suas incursões turísticas pela cidade, que não têm dia ou hora certos para acontecer, o historiador depende de patrocinadores. Ele lembra que de 1988 a 1996 a Riotur – órgão da prefeitura – promovia o circuito Conhecendo o Rio a Pé, com passeios todas as quartas e domingos. É um tipo de atração que enriquece a viagem de muita gente e faz o visitante querer voltar.

A oportunidade está aberta: de agora até 2016, milhões de visitantes passarão pela cidade com algum tempo livre para descobrir, no mínimo, boas razões para voltar. Se até lá a cidade for capaz de causar ao turista a sensação de quem tem transporte e segurança, além de uma boa lista de atrações, o dever de casa estará pronto.

Leia também: A decepção do turismo na Londres olímpica

01/10/2012

às 7:50 \ Ponte Aérea Londres-Rio

A gente não quer só comida

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, no restaurante da Vila Olímpica de Londres (Foto: Scott Halleran/Getty Images)

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, no restaurante da Vila Olímpica de Londres (Foto: Scott Halleran/Getty Images)

Quando o assunto era comida, os atletas que disputaram os Jogos Olímpicos de Londres não tinham do que reclamar. O refeitório da Vila Olímpica funcionava 24 horas, uma inovação em relação a edições anteriores, o que permitia que cada atleta pudesse respeitar seu próprio relógio biológico. Dividido por estações, cada uma representando a culinária de um continente, o modelo londrino respeitou também os diferentes paladares. Havia ainda barraquinhas espalhadas pela vila – além de um polêmico McDonald’s, alvo preferencial dos críticos da junk food, que oferecia sanduíches de graça aos atletas olímpicos, maiores símbolos mundiais da saúde. O contraponto curioso com o bom sistema de alimentação era o seguinte: havia só uma balança na academia de ginástica da vila, e a fila para a pesagem era permanente, com atletas de ponta tentando perseguir o peso ideal no momento mais importante da carreira.

Em Londres, o público não deu a mesma sorte. Comida de estádio não costuma mesmo ser grande coisa. Mas numa Olimpíada de tamanha qualidade como a de 2012, esperava-se que as opções oferecidas ao público também fossem de altíssimo nível. Não eram. As opções variavam entre sanduíches naturais com gosto de nada e sanduíches quentes gordurosos, passando por pizzas que não mereciam esse nome e pelo clássico fish and chips londrino. Quem não bebe refrigerante teve que se contentar com um suco de laranja de caixinha de sabor abaixo da crítica – embora houvesse também uma vitamina de morango com banana que, apesar de industrializada, salvava o dia.

Em arenas como o Excel, onde aconteceram as provas de judô, esgrima, boxe e tênis de mesa, entre outros esportes, só havia lugar para sentar na parte interna dos locais de competição. No grande saguão central do local, contavam-se nos dedos os bancos disponíveis. A solução era se acomodar no chão – idosos e grávidas incluídos.

Ver Usain Bolt despedaçar recordes, Michael Phelps colecionar medalhas e as vitórias do judô brasileiro ou das meninas do vôlei são experiências únicas, arrepiantes. Mas boa comida – com um mínimo de conforto e cortesia – antes, durante e após as competições torna qualquer experiência mais agradável.

O Brasil pode fazer melhor. Um cachorro-quente decente é o mínimo que se espera das lanchonetes das arenas em 2016. Numa cidade repleta de boas casas de sucos, uma possibilidade viável é colocar uma delas nos estádios olímpicos. E banquinhos, por favor. Muitos banquinhos. Ninguém merece sentar no chão depois de pagar caro por um ingresso.

Para os espectadores das competições noturnas, o quesito alimentação em Londres foi ainda pior. Não pela falta de qualidade dos restaurantes da capital britânica, que nos últimos anos virou meca gastronômica. O problema era outro. Se os principais jogos de vôlei, vôlei de praia e basquete, que normalmente terminavam tarde da noite, tinham emoção de sobra até o fim, faltava o que comer na hora de voltar para o hotel ou para casa. Isso porque, com exceção de uma ou outra lanchonete de fast food, quase todas as cozinhas fecham por volta das 23 horas em Londres. Muitos restaurantes poderiam ter se preparado para o evento e faturado bastante com o público noturno – e nesse quesito se faz necessária uma das muitas ações do poder público junto ao setor privado, para preparar comerciantes e provedores de serviço a se adequarem a um evento de grandes proporções. No Rio isso não é problema, em princípio. A cidade já possui lugares tradicionais que funcionam madrugada adentro, como os tradicionais Cervantes, Lamas, Nova Capela e tantos outros redutos da boemia. Mas outras opções mais leves e próximas dos locais dos jogos são bem-vindas.

22/09/2012

às 16:40 \ Ponte Aérea Londres-Rio

Tamanho não é documento

A Vila do Pan, na Zona Oeste do Rio, em março de 2012 (Foto: Alessandro Costa/Agência O Dia)

A Vila do Pan, na Zona Oeste do Rio, em março de 2012 (Foto: Alessandro Costa/Agência O Dia)

A Vila Olímpica de Pequim, em 2008, tinha cerca de 660.000 metros quadrados. A de Londres, deste ano, era bem menor, com menos de 400.000 metros quadrados. Numa prova de que tamanho não é documento, as dimensões mais modestas dos Jogos de Londres agradaram mais aos atletas. “A gente andava menos para se deslocar dos apartamentos para o refeitório, a academia e o ponto dos ônibus que levavam às arenas. A vila de Pequim era mais luxuosa. Mas a de Londres era mais aconchegante e prática. Gostei muito”, avalia o judoca Leandro Guilheiro, bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas (2004) e Pequim. “Em Londres, a gente chegava com muito mais rapidez de um ponto ao outro, foi bem melhor para os atletas”, diz o nadador Daniel Dias, que conquistou 15 medalhas, dez delas de ouro, nos Jogos Paralímpicos de Londres e Pequim.

Um bom exercício para os organizadores dos Jogos do Rio é ouvir os atletas. Com cerca de 600.000 metros quadrados, a área em que será instalada a vila do Rio está mais próxima das dimensões de Pequim do que das de Londres. Será grande, mas as distâncias podem ser encurtadas por uma distribuição inteligente das instalações nesse espaço. Uma boa ventilação nos prédios também é fundamental – e esse foi um dos pecados de Londres. “O calor nos corredores dos prédios era enorme. Nos quartos, com todas as janelas abertas, melhorava um pouco”, conta Leandro.

No Rio, serão 31 prédios de 17 andares. Espera-se, com ar condicionado. “Acho que ar condicionado é fundamental, depois cada atleta decide se liga ou não. Lá em Londres, podia estar frio na rua, e ainda assim os quartos eram quentes. Não havia nem mesmo ventiladores de teto”, lembra Daniel. Outro ponto importante para o nadador é a acessibilidade: “Alguns apartamentos podiam ser acessíveis, mas o meu não era. Para mim, não foi um problema. Mas meu companheiro de quarto é paraplégico. Embora tenha boas condições de locomoção mesmo assim, ele teria a vida facilitada se o banheiro fosse construído de forma a receber cadeirantes. Não era. Num evento desses, todos os apartamentos devem ter condições de acessibilidade”, defende. (Nas últimas imagens do projeto para 2016, divulgadas na sexta-feira, a promessa é de que todos os banheiros atenderão a portadores de deficiência.)

Pensar no que será a vila depois dos jogos também é fundamental. Os imóveis precisam ser atraentes para o consumidor, e pensados na lógica do momento do mercado imobiliário. Após os Jogos os prédios da vila se transformarão em um condomínio residencial. Em Vancouver, no Canadá, que sediou os Jogos de Inverno de 2010, a pouca atratividade do local pode provocar um prejuízo de 750 milhões de dólares à cidade. No Pan de 2007, no Rio de Janeiro, a vila foi construída em cima de um pântano na Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade. Surgiram crateras em volta dos prédios e há calçadas e ruas cedendo. Um enorme problema para os moradores e para a cidade.

Em Londres, a vila foi construída em Stratford, uma área antes degradada, mas que foi revitalizada. “Fica ao lado de uma estação de trem e de uma de metrô, grudada num shopping center enorme. Um local muito interessante de se morar. Não é isolado, como a vila de Atenas, que ficava no meio do nada”, analisa Leandro.

O desenho dos jogos de 2016 já deixa a certeza de que uma característica desejável não estará contemplada: não haverá metrô ou trem ao lado da Vila Olímpica do Rio. Em vez disso, o serviço de transporte da vila no Rio será o sistema de BRT, os ônibus rápidos com faixa segregada. A preocupação deixa de ser o volume de passageiros durante a competição, mas como será a vida naquele local depois de 2016.

Galeria de fotos: Novas imagens do projeto da Vila, divulgadas na sexta-feira

10/09/2012

às 13:18 \ Ponte Aérea Londres-Rio

A torcida pode ser o espetáculo

Brasileiros em meio à torcida na arena de vôlei de praia da Olimpíada de Londres

A piada do “Bronzil”, ironizando os resultados brasileiros nos Jogos Olímpicos de Londres, reforça a máxima: tirando o futebol, brasileiro não gosta de esporte, gosta de vencer. Se a medalha não é de ouro, não serve. Viramos fã de automobilismo na época em que Nelson Piquet e Ayrton Senna dominavam o circuito internacional, de tênis quando Gustavo Kuerten venceu Roland Garros, de vôlei nos últimos 20 anos. Mas se a sequência de vitórias é quebrada, atletas e modalidades são esquecidos. Quem hoje em dia se diz torcedor de tenistas brasileiros?

O Brasil ficou apenas no 22º lugar no quadro de medalhas em Londres, com 17 medalhas, só três de ouro – e nove de bronze, o que motivou o apelido engraçadinho. Atletas favoritos que não conquistaram pódio, como os judocas Leandro Guilheiro e Rafaela Silva, chegaram a ser agredidos nas redes sociais – com direito a perseguição racista, no caso de Rafaela.

A cobrança por pódios é legítima, principalmente considerando a expectativa e os investimentos para a próxima Olimpíada. Mas em matéria de torcida não é exagero afirmar que ainda não temos “índice olímpico”. Podemos começar a aprender olhando para Londres. O competidor da casa era aplaudido e incentivado do início ao fim. Se ganhava ouro, claro, as arquibancadas vinham abaixo. Se vinha com prata ou bronze, também. Para quem esperava frieza dos britânicos, foi de arrepiar.

Alguém pode argumentar que é fácil comemorar até último lugar quando se conquista a terceira colocação geral no quadro de medalhas, com 65 no total, 29 delas de ouro, como fez a Grã-Bretanha. Mas o fato é que a torcida britânica deu um show de fair play, em todas as modalidades. Um detalhe: atletas de outras as nacionalidades eram igualmente aplaudidos.

O desempenho das arquibancadas em Londres não deixa dúvida: assim como nas grandes finais do futebol no Brasil, em um evento olímpico a torcida deve fazer parte do espetáculo. A vibração de quem assiste também mexe com as emoções de amantes do esporte no mundo inteiro. E em 2016 estaremos sendo ainda mais observados. Afinal, pelos próximos quatro anos a tecnologia de dispositivos móveis e as formas de transmissão ainda darão alguns saltos. De agora até a Olimpíada no Rio, o brasileiro, conhecido por sua animação sem par, mas acostumado a vaiar os jogadores do próprio time de futebol, vai ter que decidir que tipo de torcedor olímpico vai ser: o que vaia ou o que se torna parte do espetáculo.

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Este post inaugura uma nova seção – e uma nova fase – de VEJA nas Olimpíadas. A partir desta segunda e pelos próximos quatro anos, o blog acompanhará todos os passos da caminhada até os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. A série Ponte Aérea Londres-Rio dá início a esse processo, apresentando alguns dos melhores exemplos da Olimpíada de 2012 – e mostrando como o Brasil pode tentar fazer ainda melhor.

09/09/2012

às 17:54 \ Heróis Paralímpicos

Brasil faz sua melhor Paralimpíada – e quer mais em 2016

Se a delegação brasileira na Olimpíada de Londres decepcionou – não pelo número total de medalhas, mas pelo desempenho apagado em algumas das principais modalidades dos Jogos -, a equipe do país na Paralimpíada brilhou. Os atletas brasileiros portadores de deficiência estiveram entre os destaques do atletismo e da natação, roubando a cena em algumas das provas mais concorridas dos Jogos. Neste domingo, o corredor Tito Sena, da maratona, categoria T46, fechou a campanha brasileira em Londres com mais uma medalha de ouro, levando o Brasil à sua melhor colocação na história das Paralimpíadas: sétimo lugar, logo abaixo dos Estados Unidos, com 21 ouros, 14 pratas e oito bronzes, 43 medalhas no total (a China liderou o quadro, com 231 medalhas, seguida pela Rússia, com 102). Em Pequim-2008, o Brasil conquistou até mais medalhas (47), mas conseguiu menos ouros (16) e terminou os Jogos na nona colocação. Os atletas paralímpicos fizeram o que a equipe olímpica sonhava fazer mas não conseguiu: ao invés de mirar na quantidade, focar na qualidade, conseguindo ir a mais finais e faturando mais ouros. De acordo com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), as metas para Londres foram cumpridas. “A avaliação é a melhor possível”, disse o presidente do comitê, Andrew Parsons.

Para o dirigente, os Jogos mostraram que o Brasil deve apostar na diversificação para 2016, no Rio de Janeiro, aumentando o número de competidores em categorias diferentes. O comitê ainda não preparou sua meta para daqui quatro anos – mas acredita que é possível melhorar ainda mais o desempenho da delegação paralímpica no evento disputado em casa. E aposta, desde já, em alguns nomes que ajudaram a colocar o Brasil entre as equipes mais competitivas dos Jogos. A começar pela dupla de ouro da natação: Daniel Dias, com seis ouros, fez mais uma Paralimpíada espetacular e transformou-se no maior medalhista do Brasil nos Jogos; André Brasil conquistou outras três, também aparecendo como um dos protagonistas das provas disputadas no Centro Aquático. O atletismo, que não deu nenhuma medalha para o Brasil na Olimpíada, registrou sete vitórias brasileiras na Paralimpíada, com destaque para o maratonista Tito Sena, a velocista Terezinha Guilhermina (dois ouros) e o jovem Alan Fonteles (ouro nos 200 metros, derrotando Oscar Pistorius, o grande astro dos Jogos). Se faltam atletas de ponta para levantar a torcida e levar o Brasil ao topo do pódio na primeira Olimpíada realizada no Brasil, a promessa é de grandes triunfos nos Jogos Paralímpicos – cuja abertura está marcada para daqui a exatos 1.459 dias, no feriado de 7 de setembro de 2016.

 

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