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Reposição hormonal na menopausa

domingo, 19 de julho de 2009 | 21:52

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A menopausa é um problema clínico importante. Ela marca, com sintomas clínicos, psicológicos e hormonais, o fim do período fértil da mulher. Geralmente ocorre ao redor dos 50 anos. Mas há também a menopausa precoce, antes dos 40 anos, e a menopausa tardia, entre 50 e 55 anos.

A menopausa é precedida por um período de pré-menopausa em que existe irregularidade das menstruações, quase sempre sem prévia ovulação. Neste período praticamente não existem sintomas clínicos ou queixas relativas ao bem-estar. Com a cessação dos períodos menstruais, começam os sinais e sintomas da menopausa: calores noturnos seguidos de ampla sudorese, principalmente na região da cabeça e pescoço, angústia noturna, ansiedade com eventual compulsão alimentar, vontade de chorar por motivos pouco importantes, irritabilidade (o chamado “pavio curto”) e eventualmente sintomas depressivos. Na parte física a mulher pode notar decréscimo da secreção vaginal, diminuição da libido e do desejo sexual, alterações do tegumento cutâneo (pele e cabelos) bem como ganho de peso. Diante de tantos sintomas e sinais, o médico deve optar por uma solução terapêutica.

Filosoficamente, é uma injustiça profunda o fato de o sexo feminino passar por este período tormentoso da menopausa, enquanto os varões continuam, ininterruptamente, a produzir o hormônio masculino até idade muito avançada.

Mecanismos hormonais da menopausa

Os ovários contêm uma quantidade de óvulos em “estoque” para a ovulação mensal desde a primeira menstruação (menarca) até o fim do período fértil (menopausa). O número de óvulos em cada ovário não é o mesmo em todas as mulheres. Assim, as mulheres com maior número de óvulos potencialmente terão a menopausa mais tarde (50 anos e mais), enquanto aquelas com número pequeno de óvulos poderão ter menopausa precoce (antes dos 40 anos).

Com a falta de ovulação, a mulher deixa de ser fértil. No entanto, os ovários podem, ainda, secretar o hormônio feminino – estradiol – por período variável, mantendo o organismo feminino com nível adequado de estrógenos e sem sintomas. Ao fim de meses ou anos, os ovários deixam de “fabricar” o estradiol. Neste ponto, a glândula hipófise, controladora dos ovários, passa a produzir quantidade excessiva de dois hormônios, LH e FSH, os quais são os responsáveis pelos calores e “fogachos” devido à sua ação vasodilatadora. A intervenção médica pode diminuir estes sintomas administrando hormônios femininos à paciente menopausada. Além disso, o uso de hormônios femininos melhora a qualidade do conteúdo de cálcio no esqueleto, aumenta o desejo sexual e influi, beneficamente, nos níveis do “bom” colesterol e na menor possibilidade de doença coronariana, mantendo a mulher rejuvenescida e saudável. Portanto, até recentemente, a terapia hormonal para as mulheres em menopausa era largamente empregada com os benefícios apontados acima.

A terapia hormonal para menopausa é questionada

Em 2002, um amplo estudo clínico chamado Iniciativa para a Saúde Feminina (Women´s Health Initiative, WHI) concluiu, precipitadamente, que a reposição hormonal com os dois hormônios femininos (estrógeno e progesterona) por via oral poderia apresentar alguns riscos para a saúde, inclusive aumentando o risco de doença coronariana e a possibilidade de trombose (coágulo nas veias). Este estudo caiu como uma bomba no meio médico, e muitos deixaram de prescrever os hormônios para as mulheres em menopausa. Após muita discussão e controvérsias, verificou-se que o estudo se referia apenas a uma única preparação combinando estrógeno e progesterona sintética por via oral. Esse tipo de reposição hormonal obrigatoriamente passa pelo fígado, onde o estradiol é transformado em estrona, o qual pode ter efeitos indesejáveis tanto em relação à coagulação quanto à criação de condições para carcinogênese (ou seja, facilitar o aparecimento de câncer de útero e de mama).

Os benefícios evidentes da reposição hormonal

O uso de estrógeno é, sem dúvida, o mais efetivo e completo tratamento para aliviar os sintomas da menopausa, diminuindo os “fogachos”, aumentando a lubrificação vaginal, a libido feminina e o bem-estar psíquico. Outros segmentos do organismo feminino também se beneficiam do uso de estrógeno.
 
Podemos citar a osteoporose e osteopenia, que se referem à perda de cálcio no sistema esquelético, tornando o osso mais fraco e sujeito a fraturas. A fratura do colo do fêmur é muito mais frequente em mulheres que não fizeram reposição hormonal do que naquelas que foram medicadas com estrógenos.  O câncer coloretal é menos frequente em pacientes tratadas com estrógenos. O risco de câncer de mama é discretamente mais elevado, quando se usam análogos de progesterona, isto é, produtos químicos semelhantes à progesterona natural. Quando se emprega a progesterona natural, este risco de câncer de mama é minimizado.

Modalidades de reposição hormonal

A terapêutica de Reposição Hormonal é geralmente realizada com dosagens relativamente baixas de estrógenos, por via transdérmica (com adesivos sobre a pele), na frequência de duas vezes por semana (por exemplo, na segunda e na quinta-feira). Para as pacientes que já foram histerectomizadas, ou seja, já tiveram seu útero removido (por exemplo, por miomas uterinos), não há necessidade de adicionar o outro hormônio feminino – progesterona. Nas que ainda mantêm intacto o sistema genital, com presença do útero, adiciona-se durante 7 dias por mês a progesterona natural, isto é, aquela produzida pela mulher na idade fértil. Existe oposição de parte dos médicos ao uso de análogos da progesterona.

Outra forma de tratar com estrógenos é o uso de gel estrogênico, o qual é friccionado na parte interna do braço, à noite, diariamente. Alguns médicos também adicionam testosterona ao gel para aumentar a libido (desejo sexual) da mulher. A dosagem da testosterona é mantida em níveis bastante baixos para evitar efeitos colaterais como excesso de pelos. A imensa vantagem de usar a via transdérmica (adesivos, gel) é que o estradiol que entra no corpo, após atravessar a pele, não passa pelo fígado e não se transforma no indesejável hormônio chamado estrona. Alguns ginecologistas preferem utilizar o implante de estrógenos e testosterona, via subcutânea, o qual irá liberando os hormônios citados continuamente durante 6 meses a um ano. Tal terapêutica é mais confortável para a paciente.

Por quanto tempo se deve manter a terapia hormonal da mulher? O assunto é amplamente debatido, mas acredita-se que o tempo médio é de 5 a 6 anos. Outros médicos aconselham a redução da dose de estradiol a valores muito baixos, mas mantendo a terapia hormonal por longo tempo. Qualquer que seja o método utilizado, a mulher sempre ganhará em saúde, disposição, feminilidade, rejuvenescimento e bem-estar com o uso de hormônios após a menopausa.

Por Geraldo Medeiros

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Falta de libido na mulher

segunda-feira, 6 de julho de 2009 | 7:40

Mesmo neste início do século 21, a discussão franca e aberta entre marido e mulher sobre a falta de vontade sexual é rara e difícil. Uma minoria das mulheres casadas ou em vida quase conjugal seja em namoro ou como companheira constante do mesmo homem, estão prontas a declarar “eu não tenho vontade de fazer sexo”.

Por inibição, vergonha, timidez ou medo de perder o companheiro, preferem fingir que tudo está normal. A palavra libido foi introduzida por Freud para definir uma força interior, poderosa e atuante, que exercida tanto pelo homem como pela mulher, leva a um relacionamento harmonioso e permanente. Desde a época dos estudos iniciais de Freud e Jung, no entanto, notou-se que as mulheres queixavam-se de perda do desejo sexual com maior frequência do que os homens.

Na época pela repressão da sexualidade feminina não era de se estranhar que parcela importante de mulheres se queixava desta falta de libido.  Mas com a liberação sexual que ocorreu nos séculos seguintes, com a vinda da pílula anticoncepcional, com a progressiva liberação de se falar e discutir aspectos íntimos da vida sexual é de se estranhar que um porcentual relativamente grande de mulheres não tenha vontade sexual.

As mulheres que exprimem esta queixa são variáveis para cada país, para cada grupo étnico, para cada segmento de classe social. No Reino Unido concluiu-se após extensa pesquisa junto aos Centros de Primeiro Atendimento que cerca de 40% das mulheres se queixam de queda da libido. Seguramente este número é enganoso, pois se baseia somente nas perguntas básicas sobre vida conjugal e não abrange a imensa maioria das mulheres sem um relacionamento permanente. Provavelmente na Itália, na França, no Brasil este porcentual seja menor, embora as estatísticas são restritas a clínicas e consultórios.

Quais as causas?

As causas psicológicas, sem dúvida, ocupam o primeiro lugar em mulheres com queda da libido. É muito comum a depressão chamada endógena, isto é, que têm origem em conflitos psicológicos não resolvidos e que levam a mulher à tristeza, à falta de ânimo, ao cansaço constante, ao choro por qualquer motivo.

A mulher atual sofre com constante stress, reuniões do nascer do dia até tarde da noite, com metas a cumprir, com objetivos estabelecidos e sob o jugo do esquema que visa resultados, não terá tempo ou disposição para exercitar o seu desejo sexual, estando sempre cansada ou com dor de cabeça. No fundo esta supermulher está exausta.

Outra causa de falta de libido (que espero que seja rara) é o abuso sexual durante os anos escolares, no início da adolescência ou tentativa de estupro. Os psicólogos nos indicam que a falta do desejo sexual na mulher pode vir de trauma nas primeiras relações sexuais com um parceiro totalmente bruto, desagradável, e egoísta. A ansiedade de ter uma performance sexual adequada também pode diminuir a libido e inibir o orgasmo.

Fatores físicos como obesidade, imagem corporal negativa, dificuldades físicas no ato sexual devida ao excesso de peso passaram a ser um fator importante em países como os Estados Unidos com altíssimo índice de obesidade. Obviamente o oposto - a mulher em desnutrição protéico-calórica - não terá condições físicas para ter libido normal.

Na fase pós-parto, em aleitamento, com níveis de hormônio chamado prolactina muito elevado na circulação, há um bloqueio hormonal do desejo sexual. Dentro da mesma linha hormonal a hipófise pode secretar, fora da fase do aleitamento, um excesso de prolactina por um pequeno adenoma (micro tumor). Este excesso de prolactina bloqueia o desejo sexual da mulher. No hipotireoidismo (falta de hormônios da tireóide) existe uma apatia física e mental resultando em queda da libido.

Finalmente todas as mulheres secretam os seus hormônios femininos (estradiol e progesterona). Adicionalmente hormônios tipo masculino (testosterona) são igualmente secretados pela mulher em pequenas quantidades. Aceita-se que a Testosterona na mulher tenha um papel importante no desejo sexual e no orgasmo. A redução da libido pode, também, estar ligada a medicação utilizada, seja por fármacos, antidepressivos, ansiolíticos, bloqueadores da adrenalina e tantos outros. O abuso de drogas ilícitas, obviamente, leva a queda da libido tanto quanto o uso exagerado e constante de álcool.

O tratamento

O aconselhamento psicológico deve ser um primeiro passo. Neste campo as fantasias sexuais, história de abuso sexual, áreas de atrito constante com o parceiro, excesso de trabalho, stress total, fadiga constante, deverão ser percebidos, diagnosticados e, se possível, eliminados.  O aconselhamento conjugal sempre deverá ser realizado em conjunto com o parceiro e uma franca discussão, um amplo entendimento, uma total exposição dos problemas.

O uso de Testosterona para melhorar o desejo sexual na mulher veio com as mulheres menopausadas (que não produzem hormônios) frequentemente exibirem queda da libido. Estudos realizados nos EUA em cerca de 600 mulheres em menopausa já em reposição hormonal com estradiol (ou similar) foram instruídas para usar um adesivo cutâneo contendo Testosterona na dose de 0,3mg, diariamente. A testosterona atravessa o tegumento cutâneo e passa para a circulação.

Cerca de 400 mulheres completaram os seis meses do estudo. Todas notaram melhora na função sexual seja na libido, no prazer, no orgasmo e na satisfação sexual. O nível circulante de Testosterona foi mantido em valores relativamente baixos para evitar efeitos colaterais como excesso de pelos e acne, além de efeitos somáticos (musculatura). Estes dados confirmam que a introdução de testosterona pode elevar o limiar para uma libido mais atuante tanto em mulheres na menopausa com aquelas em fase de vida fértil.

Por Geraldo Medeiros

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Respostas a leitores

quarta-feira, 10 de junho de 2009 | 14:29

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados ao colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Geraldo Medeiros. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Raramente como chocolate. Mas quando como, prefiro o amargo com 70% de cacau. Isso é bom?
(José)

O cacau amargo é excelente como fonte de flavanol um poderoso antioxidante que combate os radicais livres. Além disso, tem Teobromina (semelhante a cafeína) que dá mais vigor e energia. Com todas estas vantagens, você pode continuar a consumir o seu chocolate com alto teor de cacau.

Minha filha fará 11 anos no próximo mês. Ela tem 1.53m e menstruou pela primeira vez há três dias.  Gostaria de saber se ela ainda vai crescer e com que altura poderá ficar?
(Mara)

 A estatura é dependente do “fechamento” das áreas de crescimento ósseo. Isto ocorre, mais intensamente, com altos níveis de hormônio feminino (estradiol), que a menina pubera passa a secretar. Por outro lado, a estatura final (altura alvo) é dependente da genética paterna e materna. Muitas vezes é interessante interromper as menstruações com medicamentos para que a menina possa crescer mais. Fale com um endocrinologista de sua confiança.

Existem pessoas que tentam de tudo e não conseguem engordar. O que explicaria esta situação? Predisposição genética? Ingestão menor que o necessário? Hormônios em excesso?
(Laércio)

O fato de não conseguir ganhar peso está ligado a um excessivo gasto energético. O indivíduo é agitado, nervoso, movimenta-se muito, pode ter insônia, enfim, gasta muita energia. Existe, também, um componente genético que daria maior expressão de tecido adiposo marron, que é extremamente eficiente na “queima” de gordura. Qualquer que seja a causa metabólica o individuo “magro” gasta mais energia do que ingere.

Por Geraldo Medeiros

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A gordura que emagrece

segunda-feira, 1 de junho de 2009 | 7:56

A gordura no corpo humano, assim como em todos os vertebrados, não pode ficar “solta” no meio dos tecidos. Para que isso não ocorra a natureza criou um tipo especial de célula chamada adipocito (adipo = gordura, em grego).

Os adipocitos, no corpo humano, são totalmente diferentes quanto a sua distribuição, localização, variando de acordo com o sexo feminino ou masculino. A distribuição de gordura no sexo feminino é bem característica, localiza-se no abdômen inferior, nas áreas laterais das coxas (culotes) e nos glúteos. Essa disposição de gordura envolvendo toda a bacia do corpo feminino tem como finalidade a proteção de uma eventual gravidez, pois forma um “colchão protetor” em torno do útero.

No corpo masculino a gordura, quando excessiva, se acumula no abdômen. Aí encontramos dois tipos de células gordurosas. Uma facilmente palpável que é a gordura subcutânea e outra que se encontra entre as alças intestinais, formando cordões de células adiposas -chamadas de gordura visceral.

Esta gordura visceral é a mais perigosa, pois produz colesterol e lipoproteínas que irão formar placas de gordura dentro das artérias coronárias. É consenso unânime entre cardiologistas e endocrinologistas que o acúmulo de gordura abdominal do tipo masculino é aquela que oferece maior risco de futuro problema coronariano, ou seja, o infarto do miocárdio.

As células adiposas secretam vários hormônios e produtos químicos
Dados muito recentes de pesquisas médicas indicam que as células adiposas formam um sistema de secreção de várias substâncias, ligadas à coagulação do sangue, à manutenção do peso, à interligação entre o tecido adiposo e o cérebro, além de hormônios.

Um exemplo é o fato de que as células adiposas femininas na época da menopausa passam a formar um hormônio feminino chamado estrona (que é muito semelhante ao estradiol, clássico hormônio feminino). A produção de estrona pelo tecido adiposo irá aliviar os sintomas desagradáveis da menopausa feminina, aliviando os fenômenos de sudorese noturna e calores.

Por outro lado, as células adiposas em ambos os sexos produzem uma substância muito importante chamada leptina. A leptina se dirige ao cérebro onde atua em área especial chamada hipotálamo, avisando que já existe um excesso de gordura acumulada e que o indivíduo deve moderar a ingestão de comida. Esse circuito bioquímico entre a gordura acumulada e o cérebro funciona muito bem para aqueles felizes seres humanos que são, por natureza, sempre magros.

No gordinho parece que a leptina não consegue ter muito sucesso no sentido de comunicar-se com o cérebro, induzindo menor ingestão de calorias. Isso se deve à ausência ou defeito no receptor de leptina no hipotálamo.

Gordura acumulada é reserva de energia

O tecido adiposo é a nossa reserva de energia. Ele fornece “combustível” para que o músculo possa se contrair, utilizando a gordura liberada pelo tecido adiposo.  É o que chamamos de “queima de gordura”, ou em linguagem médica o gasto energético. A comunidade médica que lida com o problema do excesso de peso está muito interessada em que haja maior gasto energético para propiciar maior “queima” de gordura. O esquema é bastante simples: quanto mais gastarmos energia acumulada e diminuirmos a ingestão de calorias, maior será a perda ponderal.

Existem medicamentos que aumentam o gasto energético, mas com alguns efeitos colaterais inconvenientes. A ciência tem procurado descobrir medicamento que seja bastante eficiente no aumento do gasto energético, mas que não atrapalhe os outros sistemas ou órgãos. Esses produtos (em estudo) são muito semelhantes aos hormônios da glândula tiroide e já estão sendo empregados em pesquisas com pacientes.

O tecido adiposo marrom é um gastador

Em roedores (ratos e camundongos) existe grande quantidade de um tecido adiposo muito especial de cor marrom, que se localiza no dorso do animal. Quando o animal é colocado em temperaturas muito baixas, como por exemplo, a 4ºC, imediatamente o tecido adiposo marrom é ativado de forma a gerar calor de forma extremamente eficiente.

Em humanos, o tecido adiposo marrom é encontrado em recém-nascidos e durante o primeiro ano de vida. Da mesma forma que nos animais experimentais, a criança tem nesse tecido uma forma rápida de gerar calor se, por ventura, estiver em ambientes frios. Com o passar do tempo, o tecido adiposo marrom aparentemente se atrofia, sendo raro encontrá-lo em adultos.

No começo deste ano, três grupos de cientistas, com trabalhos independentes, confirmaram que o tecido adiposo marrom está presente em todos nós, mesmo na fase adulta da existência. Da mesma forma que nas crianças, os métodos de imagem capazes de indicar a presença de tecido marrom confirmaram que ele aumenta a sua atividade quando o indivíduo é exposto ao frio.

Compararam também as imagens da presença de tecido adiposo marrom em indivíduos de peso normal e em obesos. Verificaram, com grande surpresa, que os obesos tinham quantidades muito pequenas de tecido adiposo marrom, mesmo quando submetidos por algum tempo a temperaturas baixas.

Como o tecido adiposo marrom é uma excelente e eficiente máquina de “queimar gordura”, os gordinhos estão em grande desvantagem em relação aos indivíduos magros, pois esses têm uma arma muito poderosa para transformar gordura em calor e, desta forma, manter o peso.

Como o tecido marrom queima gordura

As células do tecido adiposo marrom possuem um “maquinário celular” preparado para gerar energia armazenada. No caso de ser acionado, o maquinário se modifica para que essa dissipação de calor seja a mais eficiente possível.

Nesse processo, entram em cena os hormônios da tiroide e a formação de uma proteína especial que dirige a energia obtida da gordura corporal para gerar calor. O processo é tão eficiente que um porcentual enorme da gordura acumulada no corpo é conduzido para a geração de calor. Isso significa um gasto energético excepcional, que se for associado à ingestão calórica diminuída levará a uma perda natural do peso.

O problema é que somente os indivíduos de peso normal têm um sistema adiposo marrom altamente competente, enquanto que os gordinhos possuem poucas células deste maravilhoso queimador de gordura.
O passo seguinte, naturalmente, é saber por que os obesos teriam uma relativa atrofia do tecido adiposo marrom. Se nós conseguirmos desvendar este mistério, poderemos passar para o passo seguinte: induzir o aparecimento desse sistema eficiente de queimar gordura.
Essas pesquisas recentes nos dão uma excelente perspectiva para a terapêutica da obesidade, seja em crianças ou em adultos, utilizando um mecanismo natural e fisiológico que o nosso corpo já possui.

As áreas escuras correspondem ao Tecido Adiposo Marrom em um indivíduo de peso normal. Ao lado encontra-se indivíduo obeso com escassa presença de Tecido Adiposo Marrom.
O Tecido Adiposo Marrom aumenta sua atividade de produzir CALOR a partir de gordura em temperaturas frias, como se vê na figura à esquerda, comparativamente, ao mesmo indivíduo e
m condições ambientais de temperatura de 25° graus centígrados.

Por Geraldo Medeiros

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