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Respostas a leitores

quarta-feira, 8 de abril de 2009 | 18:28

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados ao colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Geraldo Medeiros. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho 45 anos, 1,63 m, 73 quilos e sou sedentário. Até os 35 anos meu peso era 63 quilos, mas de lá para cá não consigo baixar dos 73 quilos. Não tenho alterado refeições, tomo medicamentos para transtorno bipolar e TOC, e vou duas vezes por semana. Mas o peso não muda.
(João)

Muitas vezes alguns dos medicamentos usados em moléstias de cunho psiquiátrico podem alterar o apetite (para mais) e talvez modificar o gasto energético. O meu conselho é passar a ir três vezes por semana à academia e fazer uma dieta pobre em carboidratos.

Tenho hipotiroidismo e colesterol alto. Recentemente li sobre a farinha de casca de maracujá que seria boa para baixar os níveis de colesterol e a taxa glicêmica. É verdade?
(Rosemary)

Não há nenhuma comprovação científica de que o maracujá tenha influência no nível do colesterol ou da glicemia.

Tenho 29 anos, sou geógrafa e fiz a cirurgia de redução de estômago (Capella aberta com anel) há quase cinco anos. Pesava 210 quilos, cheguei aos 138 e agora estou com 158 quilos. Eu me conscientizei de que sou compulsiva e faço tratamento psicológico e psiquiátrico. Procuro outras formas de cirurgia para pessoas já operadas. E encontrei a técnica chamada Stompahyx. Gostaria de saber se é eficaz. Além disso, gostaria de saber se é estudada a reversão da Capella em Scopinaro para pacientes que não apresentaram a perda de peso desejada.
(Flávia)

A minha sugestão tende a aceitar a nova cirurgia proposta de Capella para Scopinaro. É possível que a sua câmara gástrica tenha aumentado de volume. Por outro lado tenho a certeza de que medicação apropriada pode ser uma solução parcial para o seu problema enquanto não decide pela cirurgia proposta.

Por Geraldo Medeiros

Crescimento infanto juvenil e seus problemas

segunda-feira, 6 de abril de 2009 | 6:37

O período da gestação tem muita importância para a estatura final da criança. Perda da estatura fetal pode levar a criança a se colocar em outra curva de crescimento abaixo do seu potencial genético. O fator nutricional da criança em gestação é primordial para que, ao nascer, ela tenha uma estatura normal. Neste ponto entra a placenta (órgão que transfere nutrientes da mãe para o feto) como fator muito importante.
Uma placenta muito pequena, implantação anômala, alterações vasculares placentárias irão transferir menor quantidade de nutrientes para o feto. Além disso, se a mãe estiver em carência crônica de alimento (fome constante, falta crônica de alimentos) obviamente não poderá transferir ao feto todos os nutrientes que o organismo fetal precisa.

O uso de drogas (cocaína, maconha e outros), o abuso do álcool, o vício do tabagismo, doenças sérias (diabetes, hipertensão) podem causar deficiência ou retardo do crescimento intrauterino. Mas raramente o feto poderá ter alterações genéticas que interferem no crescimento intrauterino. Portanto a criança que nasce já com déficit de crescimento se não for convenientemente tratada poderá não atingir o seu potencial genético estatural.

O crescimento no período pós-natal

Esta fase está extremamente ligada a múltiplos genes (elementos que trazem a herança familiar). Por exemplo, nos gêmeos idênticos (chamados de homozigóticos) pode haver, ao fim do período de crescimento, uma diferença de 3 cm, atribuída a fatores ambientais (tipo de alimento, falta de proteína, doenças contraídas na fase do crescimento). Em gêmeos que não são idênticos (chamados de dizigóticos) a diferença pode ser de 12 cm entre um e outro dependente do sexo feminino/masculino, de aporte de nutrientes, de atividades ao ar livre, do sono noturno contínuo e reparador.

Entre irmãos (do mesmo pai e mãe) a diferença pode ser de 16 cm, devido a menor herança de genes favoráveis a crescimento em um dos irmãos comparativamente ao outro mais baixo. Na população em geral a variação estatural é de 25 a 30 cm (e às vezes maior) por diversos fatores genéticos, nutricionais, moléstias intervenientes. É óbvio que as crianças que vivem em ambiente desfavorável – com baixa nutrição – irão crescer menos que as que têm bom aporte de alimentos.

Claro que o fator genético é importante contribuindo para 80% da estatura final. Mas se faltar "comida" as crianças não irão atingir o seu potencial de altura. Um dos exemplos mais citados é o Japão do século XIX onde a comida era escassa e não dava para todos. Uma parte dos japoneses imigrou para os Estados Unidos e na geração seguinte, já exibiam estatura bem mais alta que as crianças que tinham ficado no Japão.

Os fatores hormonais normais para crescimento

A glândula hipófise, nossa glândula mestra, secreta vários hormônios importantes entre eles o hormônio de crescimento, chamado pela sua sigla em inglês (GH, growth hormone). O GH é produzido em picos ou surtos, durante o dia dependente de exercícios, de variações de açúcar do sangue, mas primordialmente do estímulo para a hipófise produzi-lo, que vem do cérebro.

Outra característica da produção do GH é que este hormônio é de secreção noturna, isto é, sua maior produção é sempre à NOITE das 21 às 4 horas da manhã. Quando a criança, por vários motivos, não tem aquele sono reparador de 9 até 11 horas, a produção de GH declina e a criança pode crescer menos.

Crianças sob violento estado de stress – exemplo: separação dos pais – fica angustiada, insegura, tem sono interrompido e, portanto diminui a produção de GH, o que será um fator de menor estatura final. O GH age no fígado e este produz um outro fator de crescimento chamado de IGF.
A falta de IGF, por doença hepática (tipo hepatite C, por exemplo) pode ser causa de menor estatura final. Ambos os hormônios GH e IGF estimulam a cartilagem dos ossos longos a produzir mais "osso novo" com o consequente crescimento da criança. Vem daí, a ideia de pedir sempre uma radiografia dos ossos das mãos e punhos para avaliar como estão as cartilagens de crescimento e a chamada Idade Óssea.  O ideal é ter a idade óssea sempre atrasada em relação à idade cronológica — criança com 10 anos e idade óssea de 8 anos tem muito chão para crescer. O oposto, quando a idade óssea está adiantada em relação à idade cronológica, indica menor possibilidade de se atingir a estatura programada.

Testes para avaliar o crescimento

Antes de falar de testes o mais importante para o médico é ter uma ideia de como a criança cresceu durante todos os anos que precede a consulta. Infelizmente muitas mães e pais não marcam a estatura dos filhos, não vão ao médico da Unidade Básica de Saúde, e não têm um histórico do gráfico de crescimento da criança. Para saber se a criança possui bom nível de produção de GH utilizamos vários testes provocativos. O mais simples é pedir para a criança fazer exercícios, isto é, subir e descer um lance de escada várias vezes por 15 a 20 minutos. Colhe-se sangue, antes e após o exercício e avalia-se quanto GH foi produzido e liberado. O teste normal indica que não será necessário tratamento com GH. Mas testes anômalos com baixa produção de GH podem ser indicativos da necessidade de administrar este hormônio.

Outra recomendação muito importante: a criança deve ser levada ao médico ANTES do início da puberdade (8-10 anos para meninas e meninos). Os resultados do tratamento para crescer são muito melhores na criança que, ainda, não tem sinais de puberdade.

Por Geraldo Medeiros

Respostas a leitores

quarta-feira, 1 de abril de 2009 | 17:35

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados ao colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Geraldo Medeiros. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho hipotireoidismo e atualmente estou com muita falta de ar, o que pode estar acontecendo? Uso Puran-T4 há mais de quatro anos. E mesmo com o medicamento, os exames têm sempre dosagens altas.
(Wania)

Quando afirma que a "dosagem" está alta não sei se você está se referindo ao T4 livre ou ao TSH, que são dois exames de sangue totalmente diversos. Portanto sem estes dados laboratoriais não se pode inferir qual a ação terapêutica da L-Tiroxina que está tomando. Converse com seu médico e esclareça todos os detalhes.
 

É verdade que a falta – ou a baixa taxa – de cromo induz à necessidade de comer doces na semana que antecede à menstruaçao? E mais: soja ajuda a combater a TPM?
(Celina)

Várias pesquisas já realizadas nos ensinam que a vontade de "comer doces, chocolates, etc" está provavelmente relacionada à queda de serotonina, um importante neurotransmissor cerebral. O uso de medicamentos que estimulam a produção de serotonina têm efeito muito evidente na TPM. Não creio que haja relação com cromo ou soja.

Sou hipertenso e uso medicamento para pressão e para hipotireoidismo. Gostaria de saber se os refrigerantes diet e light, que possuem grandes quantidades de sódio, são desaconselhados no meu caso.
(Jorge)

 
A simples leitura das informações nutricionais dos refrigerantes não indica "grande quantidade de sódio", tanto nos diet ou light, quanto nos normais. Todavia deve-se restringir o uso de refrigerantes por que alguns deles têm alto teor de cafeína.
 

Tenho 39 anos e estou na minha terceira gravidez – meus filhos têm 18 e 14 anos. Sinto muito desconforto na digestão, um estufamento. Eu não como muito e mesmo assim existe este mal-estar. Gostaria de ter uma orientação alimentar também para não engordar muito. Meu peso no início era de 57kg e já estou com 63kg.
(Maria)

A sensação de "estufamento", de compressão do estômago se deve ao aumento do útero principalmente quando a grávida está deitada. O seu aumento de peso é o que julgamos normal no período gravídico. Faça exercícios aeróbicos leves como caminhar, mas converse antes com o seu obstetra.

Por Geraldo Medeiros

Cirurgia bariátrica e hormônio de crescimento

segunda-feira, 30 de março de 2009 | 7:32

Há mais de vinte anos os cirurgiões ligados a especialidade de gastro-enterologia tiveram a ideia de reduzir o volume do estômago com a finalidade de diminuir o peso corporal de indivíduos com grande excesso ponderal. De uma forma arbitrária, mas que se tornou uma regra, a chamada cirurgia bariátrica é indicada somente para obesos com índice de massa corporal (IMC) superior a 40 ( IMC = o peso do paciente em quilos dividido pela altura em metros ao quadrado). Sabe-se que os obesos com mais de 40 kg/m² têm perspectivas de várias doenças concomitantes em futuro próximo.

Por exemplo, estes obesos terão (ou já têm) pressão alta, que necessita medicação constante, problemas de diabetes tipo 2, insulina muito elevada na circulação (levando a quadro de resistência à ação da insulina), muita gordura no fígado (esteatose hepática), tendência à insuficiência das artérias do coração (doença coronariana), depósito de colesterol nas artérias em geral e em artérias do sistema nervoso central, em particular, com alto risco para acidente vascular cerebral.

Além de todos estes problemas de saúde o obeso mórbido tem dificuldade de locomoção por artrose nos joelhos e dores na coluna lombar, o que o faz ser muito sedentário (e cada vez mais gordo).

Os tratamentos clínicos nem sempre dão resultados

O obeso sempre procura, por vontade própria, o auxílio médico para resolver o seu enorme problema. Mas, infelizmente, quando a obesidade chega a nível superior a 40, parece que o "fomestato" – ou o mecanismo que  controla fome e saciedade, está  "quebrado’. Apesar de tentar seguir o regime, de se privar do que gosta, de ver passar à sua frente os doces, sorvetes, chocolates, pizzas e macarronadas, churrascos com os amigos, festas de aniversário, comemorações de formatura, banquetes de casamento, etc., o obeso, mesmo medicado, tem perda de peso inicial (muito elogiada por todos), mas logo volta a ganhar peso.

E o que é pior: ganha peso em valor superior do precedente do início da dieta. Após 4 ou 5 tentativas de corrigir o grande excesso de peso vem o desânimo "eu não tenho jeito mesmo!". Muitas vezes o fator genético é importante e atua no sentido de acumular gordura, em grau crescente.
Várias são as modalidades de cirurgia bariátrica

Diante deste quadro, o obeso passa a pensar na "operação de redução do estômago". Informa-se com seu clínico geral, conversa com pacientes que já foram operados, ouve a opinião da família e procura o cirurgião que lhe foi indicado. Nesta consulta fica sabendo que existem várias modalidades de operação. A mais simples é colocar um balão no estômago, mas as reações colaterais, os insucessos, a azia permanente logo afastam esta modalidade. Pode-se apenas reduzir o estômago (de 150 ml para 20-30 ml) por cirurgia laparoscópica.

As cirurgias mais eficientes, quanto à perda de peso, são as que reduzem o estômago e, ao mesmo tempo encurtam o intestino, levando uma alça intestinal à pequena cavidade gástrica. É a cirurgia chamada Capella. Neste tipo de ato cirúrgico, além do obeso comer muito menos (a cavidade gástrica é muito pequena), parte do alimento ingerido não é absorvido, pois com intestino menor, os nutrientes são excretados apenas parcialmente digeridos.

Com este tipo de cirurgia pode-se deixar de absorver elementos importantes como Ferro, Magnésio, Cálcio, Vitamina B12, Ácido Fólico entre outros. Mas o problema maior é que a cirurgia bariátrica leva a estado de deficiência calórica, isto é, o que se come é muito menos do que se gasta. Segue-se perda expressiva de peso. Mas o corpo queima tanto a gordura acumulada como o tecido nobre – protéina (o que é totalmente indesejável).

O tratamento com hormônio de crescimento

O hormônio de crescimento (GH) possui qualidades que podem ser utilizadas em obesos, em fase de perda ponderal. Primeiro porque o obeso grau III, frequentemente, apresenta menor secreção deste importante hormônio. Segundo porque o GH é hormônio de efeitos anabólicos conserva a massa muscular e promove a "queima de gordura".
Um grupo de pesquisadores decidiu estudar o efeito benéfico do GH após cirurgia bariátrica em 24 mulheres obesas. Após a cirurgia metade das pacientes (grupo A) recebeu 0,5 mg de GH em dias alternados, enquanto o restante (12 mulheres, grupo B) recebeu placedo. Notou-se que os que estavam sob ação de hormônio de crescimento apresentavam maior perda de gordura e menor perda de massa proteica (massa magra). Ambos os grupos A e B perderam o mesmo peso em 3 e 6 meses. Ao fim deste período o grupo A, tratado com GH, apresentava maior massa muscular e menor grau de tecido adiposo graças às qualidades anabólicas e lipolíticas do GH.

Esta modalidade de terapêutica com GH apenas está se iniciando, mas oferece perspectivas excelentes para o obeso que se propõe a fazer cirurgia bariátrica, levando a melhores condições de composição corporal, qualidade de vida e capacidade energética.

Por Geraldo Medeiros

Respostas a leitores

quarta-feira, 25 de março de 2009 | 13:53

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados ao colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Geraldo Medeiros. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho 21 anos, 1,58m e estou pesando 63kg. Gostaria de perder 6kg. Tento evitar comidas gordurosas, chocolates e coisas do tipo. Malho e faço aeróbica todos os dias, porém não consigo diminuir de peso – só mantê-lo. O que o senhor recomenda para que eu consiga perder esses 6kg?
(Karina)

 
Na ausência de qualquer anormalidade endocrinologica eu lhe aconselharia, por 2 meses, uma dieta hipocalórica, com baixo teor de carboidratos de alto índice glicêmico, isto é, pão branco, arroz branco, batatas (qualquer forma), massas em geral, arroz com feijão, doces, sorvetes, chocolates, etc. Seria interessante falar com uma nutricionista.
 
Tenho um filho de 12 ano com idade óssea de 15 anos e 6 meses (1,55m de altura). Gostaria de saber se o hormônio de crescimento seria indicado no caso dele. E mais: natação e alongamento podem ajudá-lo a ganhar mais alguns centímetros? Ele deveria crescer até os 18 anos, mas como tem idade óssea precoce, a interrupção do crescimento ocorre antes dos 18 anos?
(Valéria)

O avanço de idade óssea sugere fortemente uma intensa ação hormonal nas áreas de crescimento ósseo (epífises ósseas). É necessário uma completa avaliação hormonal, exame de estadeo puberal, e eventual bloqueio de hormônios que aceleram o "fechamento" das epífises. Tal avaliação deve ser realizada por um endocrinologista. Procure um especialista de sua confiança e realize os exames. No entanto creio que o período de crescimento da criança deva ser curto.
 
Me chamo Bruno Guimarães recentemente li algumas coisas sobre o DHEA e achei interessante por todos os benefícios que ele pode trazer para nós. Eu sou triatleta vou fazer 27 anos em março. Gostaria de saber qual a idade certa para começar a tomar o DHEA e se na minha idade é aconselhado ou não?
(Bruno)

 
Não há a menor indicação para uso diário de DHEA na sua idade (27 anos), pois todos os seus hormônios devem estar "em plena forma". É ainda controverso o uso de DHEA em pessoas mais idosas. Portanto não aconselho o uso deste hormônio a você.

Tenho uma dúvida, todo dia pela manhã bato uma vitamina com água, duas bananas, aveia, linhaça semente, gérmen de trigo, gergelim/semente. Devo variar a fruta, se fizer só com banana vou engordar?
(Jair)

Acho, pessoalmente, que você deveria variar a fruta, pois a banana é muito calórica, e, potencialmente, poderia levar a leve ganho de peso. Acho, também, que variando a fruta você só tem a ganhar em sabor, calorias e nutrição adequada.

Tenho 19 anos e sempre tive problema com o aumento de peso, hoje tenho 1,72m de altura e 86kg. Minha alimentação é muito balanceada, faço a dieta dos pontos e consumo aproximadamente 1.300 calorias/dia, divididas em 5 a 6 refeições. Pratico caminhada três vezes por semana por aproximadamente 40 min. Não tenho nenhum problema de saúde e não tomo nenhum remédio para inibição de apetite, pois não sou ansiosa e não como em excesso. Existe algum exame para saber o motivo da minha dificuldade para emagrecer? Ou algum remédio para acelerar meu metabolismo? Fico muito chateada pois acabo me privando de algumas coisas.
(Bianca)

O problema que você expõe é aquele extremamente difícil de responder adequadamente. Em algum ponto do seu metabolismo algo pode estar errado levando à dificuldade em perder peso. O meu palpite é a possibilidade de haver menor GASTO ENERGÉTICO mesmo com sua excelente atividade física. Muitas vezes, empiricamente, aconselho uma dieta de BAIXO TEOR de carboidratos, indico o uso de sibutramina (não é moderador de apetite) e, eventualmente, ativadores de gasto energético. Mas somente um endocrinologista experiente poderá orientá-la nestas mudanças nutricionais e metabólicas. Procure um de sua confiança.

Por Geraldo Medeiros

Obesidade e dietas: uma difícil escolha

segunda-feira, 23 de março de 2009 | 7:32

Não existe uma só modalidade de excesso de peso ponderal, ou seja, obesidade. Devemos sempre falar em "obesidades" no plural, porque, sem dúvida, leve ganho de peso da adolescente que brigou com o namorado e comeu uns quilos de chocolate a mais (à guisa do consolo) nada tem a ver com o insaciável obeso, cujo excesso de peso vem da infância, progrediu pela adolescência e ganhou força de obeso mórbido (ou grau III) ao redor dos 30-40 anos. Obviamente a adolescente, que brigou com o namorado em breve terá novos amores e vai baixar ao peso normal enquanto o robusto obeso grau III irá lutar toda sua vida para tentar baixar o peso, com alguns sucessos, mas muitos fracassos, passando a ser o tipo gangorra ou sanfona que engorda-emagrece-engorda.

A ciência genética indica que este exemplo de obeso tem enorme probabilidade de estar ligado a vários genes que induzem obesidade. A maior recente descoberta neste controverso campo de pesquisa é que o gene FIO (fator de indução de obesidade) quando modificado, gera uma vontade enorme de comer quantidades enormes de alimentos altamente calóricos (bolo de chocolate com calda) e de beliscar a toda hora, principalmente à noite.

Muitas dietas e poucos resultados

Em artigo publicado recentemente, em importante revista médica, os autores estudaram os resultados de quatro diferentes dietas em 881 obesos, altamente motivados, inteligentes, cultos indivíduos que recebiam instruções mensais sobre nutrição – em grupos ou individualmente. Eles tinham acesso aos médicos e nutricionistas para esclarecer dúvidas e aprender os fundamentos científicos da composição dos alimentos e das bebidas que lhes eram oferecidas. As dietas foram, basicamente, de quatro tipos: baixa em carboidratos, ricas em proteínas, baixa de gorduras, e as chamadas balanceadas.

Ao fim de seis meses todos os participantes tinham perdido 6 kg (não importando a dieta), mas ao fim de um ano começaram a ganhar peso. Ao fim de dois anos os gordinhos tinham uma perda ponderal de apenas 4 kg. Os autores do trabalho concluíram que qualquer que seja a dieta a perda de peso é a mesma e relativamente irrisória. Não concordo em nada com esta conclusão apressada e aparentemente pouco lógica. É importante, adaptar a dieta ao obeso, é essencial a participação do médico, é crucial a mudança do estilo de vida (sedentarismo).

Centenas de dietas vêm sendo propostas

Aproximadamente 20 ou 30 anos atrás, nos EUA, iniciou-se um período de verdadeira "neurose quanto as gorduras" por se julgar que toda a culpa das coronariopatias era devido ao elevado consumo de gordura animal.

Louvava-se os óleos vegetais poli-insaturados, abolia-se a manteiga, satanizava-se os ovos. Foi a época das dietas com elevado teor de Carboidratos (pães, massas, batatas) devido ao fato de se acreditar que as calorias dos farináceos eram menos "engordativas" que as fornecidas pelos presuntos, bacon, linguiças, carnes gordas, etc.

Nos anos 70 o popular Dr. Atkins lançou a dieta que se contrapunha a todos os preceitos da época: muita gordura, ovos fritos com bacon, queijos em profusão, presuntos, etc., e nada de carboidratos. Os gordinhos deliravam, pois comiam do bom e do melhor e perdiam muito peso pelo fato de, rapidamente, entrarem em estado de "cetose", isto é, substâncias derivadas do metabolismo de gordura que dão um hálito peculiar que lembra a acetona.

Mais recentemente surgiu com grande êxito a dieta das proteínas em que se estabelece "sinal verde" para proteínas animais (carnes, aves, peixes, queijos magros, ovos) e reduz a ingestão de carboidratos de alto índice glicêmico — os que viram rapidamente açúcar no corpo humano. Nestes últimos 12 meses, vimos publicados artigos defendendo a dieta de proteínas, a dieta do Mediterrâneo e a dieta balanceada.

O fato é que os obesos NÃO são iguais sob o ponto de vista metabólico. Na mesma dieta alguns perdem mais peso que outros. Quando existe uma profunda e excelente relação médico-paciente o resultado é sempre melhor. O que se pode concluir deste estudo de dois anos é que os fatores comportamentais são mais importantes que alterações em carboidratos, gorduras ou proteínas.

 A incapacidade de pessoas obesas, que são voluntárias a participar destes estudos a longo prazo (dois anos), é algo próprio da condição humana: ninguém aguenta ficar dois anos em disciplina alimentar severa e restritiva, mesmo com permanente assistência médica, psicológica e nutricional. Neste ponto pergunta-se: qual a solução para a enorme crise de Obesidade (sempre crescente) que assola o planeta?

Uma cidade do sul da França talvez tenha a solução

Nesta pequena cidade francesa notou-se que os escolares estavam se tornando obesos, isto é, cerca de 18% das crianças eram bem gordinhas. Deliberou-se que toda a comunidade deveria tomar parte em um projeto para resolver o problema. Portanto, o prefeito. como os donos de lojas, os professores, donos de farmácia e de restaurantes, associações esportivas, o jornal e rádio locais, médicos, enfermeiras e nutricionistas, TODOS se empenhariam no sentido de motivar as crianças a perder peso e a ter um programa de exercícios.

A cidade construiu mais centros poli esportivos, indicou itinerários para caminhadas e contratou vários instrutores de esportes variados. As famílias fizeram concursos de cozinha mais leve e dietética e fizeram rodízio de crianças para almoço e jantar.

Após três anos o índice de obesidade infantil decresceu para 8% (comparativamente a uma comunidade vizinha onde a obesidade infantil permanecia em 17%). O sucesso desta ação comunitária foi tão grande que hoje cerca de 200 cidades europeias estão seguindo o mesmo modelo. A conclusão é que muitas vezes a obesidade não pode ser resolvida individualmente, mas necessita apoio comunitário – uma medida, mais importante, creio eu, que o tipo de DIETA. 

Por Geraldo Medeiros

Respostas a leitores

quarta-feira, 18 de março de 2009 | 14:26

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados ao colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Geraldo Medeiros. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

É verdade que o chá de canela, duas vezes ao dia, reduz o nível de açúcar no sangue em 10%?  A canela emagrece?
(Feitosa)

Não existe nenhuma informação científica que comprove o fato da infusão de canela ter efeito na glicemia. 
 
Eu gostaria de saber quais são os efeitos do uso frequente do medicamento Budecort spray. Eu já o uso há pelo menos três anos.
(Sérgio)

 
O Budecort spray é um glico corticoide (semelhante à cortisona) e indicado para uso local. É empregado em rinites (inflamação das vias nasais), pólipos nasais ou prevenção de pólipos nasais (tumores benignos das vias nasais). O Budecort não apresenta efeitos gerais (somente ação local).

Gostaria se possível que me orientasse em relação à reeducação alimentar correta e duradoura. Há algum tempo, eu procurei uma nutricionista e consegui eliminar 20kg – só com dieta e caminhada. Agora acho que não consigo, gostaria de perder com uma certa urgência 30kg para engravidar. O que o senhor me sugere?
(Karla)

 
O excesso de peso de 30 kg, em mulher jovem, deve ser investigado sob o ponto de vista nutricional (o que ingere), qual o seu gasto calórico (o que gasta), bem como eventual retenção hídrica, problemas hormonais, atividade física, labilidade emocional, etc. Em conclusão: o objetivo de emagrecer 30 kgs demanda consulta endocrinológica e exames. Você precisa ter supervisão médica.

Me tire uma dúvida: quem tem prolactina alta deve evitar que tipo de alimento?  Já fui em alguns médicos e me disseram para não comer derivados de leite e bebidas alcoólicas. É isso?
(Rosangela)

 
É importante saber o por que seu nível de prolactina está elevado. Pode ser excessiva secreção por parte da hipófise, provocada por alguns medicamentos. Não há nenhuma comprovação científica de que o álcool contribua para elevar a prolactina. 

Após cirurgia de câncer da tireoide não poderei mais consumir carne vermelha?
(Fátima)

Não existe nenhuma comprovação científica de que a carne vermelha tenha qualquer vinculação com o câncer de tireoide.
 

Por Geraldo Medeiros

Suplementação de iodo durante a gravidez

segunda-feira, 16 de março de 2009 | 7:37

A glândula tireoide possui um sofisticado mecanismo de retirar minúsculas quantidades de iodo da circulação (captação de iodo) para iniciar os processos metabólicos de síntese de hormônios tireoideos. Estes hormônios são conhecidos por siglas T4 (tetra iodo tironina) e T3 (tri iodo tironina). O T4 possui quatro átomos de iodo enquanto o T3 tem apenas 3 átomos de iodo. A natureza da fisiologia tireoidea é tão engenhosa que quando o iodo nutricional é escasso (falta permanente de iodo na alimentação) a máquina tireoidea passa a produzir mais T3 (com três átomos de iodo) do que T4 (quatro átomos de iodo).

Desta forma a glândula tireoide economiza um átomo do escasso iodo que provem da alimentação e consegue manter o corpo em condições quase normais de metabolismo – mesmo com menos iodo.

 Por outro lado, a tireoide deve se preparar para enfrentar outros sistemas que também captam iodo: as glândulas salivares captam a substância e a lançam na saliva. Mas esta, quando deglutida o iodo volta a entrar no metabolismo interno. Os rins são poderosos captadores de iodo e competem com a tireoide nesta atividade. Quando há deficiência crônica de iodo, a tireoide aumenta o seu poder de captação acima do normal para competir com o sistema renal que elimina o iodo através da urina.

Função da tireoide na gravidez

No início da gravidez a captação de iodo pelo sistema renal aumenta e ‘rouba’ da tireoide parte razoável do iodo necessário à função glandular de produzir os indispensáveis hormônios T3 e T4. Em reação, a tireoide eleva o seu poder de captação do precioso iodo, neutralizando, em parte, a perda renal de iodo. Mas o feto a partir da 12ª a 16ª semana de gestação entra neste esquema por iniciar a tireoide fetal a captar iodo.

Estudos recentes em tireoide fetal mostram que o sistema de captação de iodo é o primeiro mecanismo fisiológico a surgir na vida tireoidea fetal. Enfim, a partir da 16ª semana de vida intrauterina temos três sistemas lutando pelo escasso iodo na gestação: a tireoide materna, a tireoide fetal e o sistema renal. É  óbvio, que o período gestacional necessita de aporte maior de iodo para atender as necessidades da gestante e do feto.

 Consequência da falta de iodo para o feto

A deficiência crônica de iodo afeta cerca de 2 bilhões de pessoas ou seja 30% da população mundial. em algumas áreas do planeta – África, Ásia, Indonésia e Leste Europeu – , a menos que haja suplementação de iodo por ação governamental, a criança irá receber muito pouco iodo na vida intrauterina. Consequentemente a geração de hormônios da tireoide (T3 e T4) será insuficiente e o sistema neurológico fetal, muito sensível à falta de hormônios da tireoide, apresentará, na vida uterina e pós-natal, danos consideráveis em sua estrutura e possivelmente disfunção cerebral mínima.

Estudos populacionais em mulheres em vida fértil,  realizados em 2003-2004, nos Estados Unidos, mostrou que a excreção urinária de iodeto (que corresponde ao iodo ingerido) era de 128 microgramas de iodo por litro de urina, quando o recomendado seria de 250 microgramas de iodo/L de urina. No subgrupo, com baixa de ingestão de iodo, notou-se que 37% apresentavam ioduria abaixo de 100 mcg de iodo por litro de urina, o que indica carência de iodo para o binômio materno-fetal e risco neurológico para a futura criança na vida pós-natal.

As multivitaminas para as grávidas

Os pesquisadores foram mais além. Examinaram quase todos os produtos farmacêuticos tanto aqueles que necessitam prescrição para serem vendidos, como os que são adquiridos sem necessidade de receita. Do total de 127 tipos, 114 continham iodo e a maioria dos fabricantes indicava no rótulo ’150 mcg de iodo por drágea’. No entanto quando o teor de iodo foi medido por métodos analíticos de precisão, notou-se que o iodo, em média, não passava de 119 mcg / drágea, bem abaixo do exposto no rótulo.

No Brasil os estudos realizados, recentemente, em escolares mostraram que cerca de 12% das crianças apresentavam excreção de iodo abaixo de 100 mcg de iodo por litro de urina. Extrapolando para a população adulta poderíamos aceitar que 10% das mulheres em idade fértil teriam certa deficiência de iodo antes e durante a gravidez.

Seria útil analisarmos a ioduria de mulheres em período gravídico para termos uma ideia mais precisa do que ocorre nas várias regiões do Brasil. Admite-se pelos inquéritos realizados no passado que as regiões mais pobres do país, Nordeste, Norte, Brasil Central, podem ter sub populações com baixa ingestão de iodo.

De qualquer forma a mensagem é bem clara: a grávida necessita de, pelo menos 250 mcg de iodo por dia para atender à sua tireoide e a manter a tireoide fetal em funcionamento desde a 16ª semana. O melhor e mais fácil caminho é proporcionar o binômio materno-fetal com o mínimo de 250 µg de iodo por dia. Para tanto, aconselha-se o uso de produtos manufaturados contendo o mínimo de 150 mcg de iodo por drágea. Pesquisamos na internet e em livros de especialidades farmacêuticas e encontramos sete produtos multivitamínicos comumente receitados para grávidas. Dos 7 frascos seis indicavam no rótulo a presença de iodo na dose de 150 mcg por drágea. As grávidas, portanto, precisam ser orientadas a ingerir suplementação de iodo durante a gestação.

Por Geraldo Medeiros