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Função ovariana na vida fértil

segunda-feira, 3 de agosto de 2009 | 11:41

ovulo-utero

Vou iniciar este artigo com um exemplo clínico, relativamente comum, uma mulher de 30 anos, que se queixa de falta de menstruações desde que parou de tomar pílulas anticoncepcionais há 6 meses. Ela conta também que sua menarca (primeira menstruação) foi normal (12 anos), seguindo-se períodos menstruais também normais. Aos 19 anos começou a usar a pílula anticoncepcional. O exame clínico é normal, sem excesso de pelos ou acne e peso normal. O diagnóstico a ser considerado é de insuficiência ovariana primária.

Os ovários são estruturas gonadais que, sistematicamente, a cada mês, têm um óvulo que se matura, secretando, progressivamente, níveis mais elevados de estradiol, até o 14° dia, quando ocorre a ovulação. Com a ovulação, o óvulo após 2 semanas migra para a trompa iniciando a produção de progesterona (o segundo hormônio ovariano). Na ausência de fecundação o óvulo é eliminado junto com a perda de sangue (menstruação) e novo ciclo se repete a cada 28 dias.

Estes ciclos são contínuos durante a vida da mulher (exceto durante a gravidez) até a menopausa, que normalmente ocorre por volta dos 50 anos (mais ou menos 4 anos). É comum, no entanto, mulheres que menstruaram por vários anos acima desta média.

Insuficiência ovariana primária

Este é o nome do quadro que pode justificar uma mulher jovem – como a do exemplo acima – parar de ovular e, portanto, de ter menstruações com idade inferior a 40 anos. Essa situação é totalmente diferente da menopausa (quando não existem óvulos disponíveis), porque 50% das mulheres com insuficiência ovariana podem ter ainda ovulação, mas de ocorrência totalmente imprevisível. Confirmou-se que entre 5% e10% destas mulheres podem conceber e conduzir uma gravidez normal após o diagnóstico ser estabelecido.

Em 90% dos casos de insuficiência ovariana a causa é desconhecida. Alguns defeitos genéticos em determinados genes foram apontados como possibilidade, mas são raros eventos e não explicam porque a maioria das mulheres deixa de ter função ovariana normal. Algumas anormalidades no cromossoma X podem também causar insuficiência ovariana ao lado de outros sintomas e sinais, mas é um fenômeno raro.

Duas possibilidades foram aventadas. A primeira é a disfunção essencial do ovário em que algum agente patológico ou processo interveniente impede a maturação do folículo ovariano e, portanto, não existe a cíclica maturação de óvulos. Outra possibilidade é a teoria de que as mulheres com insuficiência ovariana têm, desde sua concepção, e desde a vida embrionária, uma escassa quantidade de óvulos comparativamente a mulheres normais.

Como é feito o diagnóstico

Inicialmente deve-se verificar o estado geral de saúde da mulher jovem que parou de menstruar. Verificar se existe alguma forma de anorexia, stress excessivo, gotas de leite secretadas pelas mamas, excesso de pelos e acne indicando inadequada presença de hormônio masculino, diabetes não controlado, exercícios extenuantes e falta de função da glândula tireóide (hipotireoidismo).

Para iniciar uma investigação laboratorial completa, as causas indicadas acima devem ser excluídas. Os exercícios extenuantes de atletas profissionais ou de maratonistas amadoras que correm horas por dia como treinamento podem levar à amenorréia.

Convencionou-se que o diagnóstico de insuficiência deve ser considerado quando a mulher jovem deixa de menstruar por 4 a 6 meses sem explicação causal para  o fato. Sintomas de falta de hormônio feminino (estradiol) surgem em algumas pacientes - fogachos e calores acompanhados por sudorese (idênticos aos de menopausa), distúrbios do sono, e dificuldade de relacionamento sexual por queda de libido e falta de lubrificação vaginal adequada.
Curiosamente existe, em boa parte das mulheres, uma história familiar de falta de menstruação enquanto a mulher é jovem. Tal ocorrência foi notada em cerca de 15% das pacientes e possivelmente, o fato está ligado a fator genético ainda não identificado. Estas pacientes devem ter uma investigação mais concentrada em doenças autoimunes.

Exames laboratoriais

É preciso investigar também a possibilidade de secreção anormal de prolactina (um hormônio da hipófise que induz secreção de leite pelas mamas). E ainda: mensurar os hormônios de tireóide (T4 livre, T4 total, T3 total) e o TSH secretado pela hipófise, e mais importante, os dois hormônios da hipófise que são os responsáveis pela estimulação dos ovários, isto é, o LH e o FSH.

LH é o hormônio luteinizante e o FSH é o hormônio folículo estimulante. No caso da insuficiência ovariana o FSH se encontra elevado, tal como na menopausa e o hormônio feminino, estradiol, geralmente (mas não sempre) em valores muito baixos.

Como tratar o problema

É óbvio que a falta de menstruações em mulher jovem leva a alterações psicológicas de grau variável e este aspecto não pode deixar de ser considerado. Há imperiosa necessidade de uma assistência clínica e psicológica adequada, principalmente se a paciente em idade fértil estiver pensando em engravidar.

A reposição hormonal com estrógenos é totalmente indicada. Sabe-se que as mulheres que não fizeram reposição (por motivos vários) evoluíram para osteoporose e fraturas ósseas importantes mais tarde na vida. Ambos os hormônios, estradiol e progesterona, devem ser administrados para recomeçar os ciclos menstruais e o restabelecer vida sexual adequada. Além dos hormônios acima indicados deve-se fazer reposição de cálcio e considerar o uso de fosfatos. Se a função tireoidea for anormal deve ser corrigida com o uso de Tiroxina todos os dias.

Por Geraldo Medeiros

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A temida celulite

terça-feira, 19 de maio de 2009 | 14:10

Para muitas mulheres a celulite pode ser definida como o ‘pior pesadelo em vida’ - um verdadeiro e terrível fantasma. A deformação estética - ou aquela aparência de casca de laranja nas coxas e bumbum - é a soma de várias alterações no tecido subcutâneo. Essas alterações podem aparecer por uma nutrição deficiente das células que dão firmeza e sustentam o subcutâneo. O processo de menor oxigenação pode levar a "morte celular" e a célula que morre é substituída por tecido fibroso que irá provocar pequenas depressões no tegumento cutâneo.

Os adipocitos (células que contém gordura) são essenciais para manter a textura do tecido subcutâneo, pois, devido a sua elasticidade, permitem uma pele bem lisa e esticada. Em caso de alimentação exagerada ou ingestão exagerada de bebidas alcoólicas, os adipocitos se multiplicam debaixo da pele, formando verdadeiras ilhas de gordura que irão deformar a pele.

Outro problema é o desequilíbrio hormonal feminino. A falta de ovulação mensal, o excesso de hormônio feminino (estradiol) e/ou a geração de hormônios com ação masculinizante podem alterar a população celular subcutânea e induzir a mais fibrose. Todo esse processo conduz ao aspecto cutâneo irregular.

A celulite classificada em quatro estágios

1º estágio - Há uma alteração das células do tecido adiposo, porém a região afetada não apresenta modificação circulatória nem dos tecidos de sustentação, apenas uma dilatação venosa. Não há sinais visíveis na pele nem dor neste estágio.

2º estágio - A celulite caracteriza-se pela alteração circulatória por compressão das microveias e vasos linfáticos. O sangue e a linfa, líquido que banha as células, ficam represados e, consequentemente, ocorre um edema intercelular. Também há um endurecimento do tecido de sustentação e as irregularidades na pele ficam aparentes, mas ainda não existe dor.

3º estágio - A celulite neste estágio apresenta o aspecto de "casca de laranja" e fica dolorida. A fibrose se instala e a circulação acaba comprometida. Podem aparecer vasinhos e microvarizes e uma sensação de peso e cansaço nas pernas.

4º estágio - É a fase considerada mais grave, com as fibras mais duras, formando nódulos. A circulação fica prejudicada. A pele apresenta depressões e tem aspecto acolchoado. As pernas ficam pesadas, inchadas e doloridas e a sensação de cansaço é frequente, mesmo sem esforço. Neste caso, os tratamentos são demorados e com melhora parcial. O problema exige rigorosa avaliação médica e até intervenção cirúrgica, principalmente se houver gordura localizada e depressões no tecido adiposo.

O diagnostico médico

Para se diagnosticar a celulite existe exames específicos como a videocapilaroscopia por fibra ótica, videotermografia computadorizada e ultra-som. Mas a celulite é uma doença facilmente reconhecida pela textura da pele. Toda mulher sabe identificá-la.

Locais preferidos

As partes mais vulneráveis são os glúteos, a lateral, face interna e posterior da coxa, e o abdômen. No caso de haver obesidade (na mulher) não é necessário o uso de metodologia dermatológica para o diagnóstico da celulite, pois, sem dúvida o acúmulo de tecido adiposo no abdômen, nas coxas e quadris, leva a manifestações características da celulite.
 
O tratamento

Existem poucos campos da patologia médica em que se inventou tantos procedimentos, técnicas, máquinas, pílulas milagrosas, injeções miraculosas para eliminar a célula. A classe médica, em geral, se tornou muito pouco entusiasta de tantas alternativas.

No caso de haver obesidade, as manifestações características da celulite serão mais intensas. O excesso de gordura comprime a vasculatura, existe morte celular e substituição por fibrose. O tratamento, obviamente, deve determinar a causa da obesidade, introduzir tratamento adequado nutricional, insistir na atividade física e, sobretudo, mudar o estilo de vida.

Uma vida saudável, um peso correto e exercícios físicos diários ainda são as medidas mais eficientes na prevenção da celulite.

Por Geraldo Medeiros

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Hormônios em homens idosos

segunda-feira, 11 de maio de 2009 | 7:19

A produção do hormônio masculino - Testosterona - diminui com a idade. Estudos conduzidos em milhares de homens saudáveis indicam que a partir dos 40 anos existe declínio do nível de hormônio masculino. Por exemplo, na faixa dos 20 anos o nível médio de Testosterona Total seria ao redor de 500-600 ng/mL e aos 40 anos de 400 ng/mL. À medida que as décadas vão passando, o nível de Testosterona Total permanece na faixa dos 300 - 400 ng/mL. Mas o fenômeno que se observa é que o nível da Testosterona chamada LIVRE, isto é, que já “desceu” do ônibus e está "solta" para executar suas funções, é o que mais declina com a idade.

Explicando melhor: a Testosterona Total pode estar normal, mas o nível de Testosterona Livre (que é a forma ativa do hormônio) pode estar baixo. Portanto em homens acima dos 40 - 50 anos devem sempre solicitar que o laboratório nos forneça ambos os valores: Testosterona Total e Testosterona Livre, para avaliarmos se vale a pena introduzir terapêutica com hormônio masculino.

Níveis de Testosterona e qualidade de vida

Em homens acima dos 60 anos ocorre, com frequência, a queda de Testosterona Livre. Tal fato se acompanha de consequências não de todo desejáveis como declínio da capacidade cognitiva, isto é, de aprendizado de novos conhecimentos, de raciocínio mais apurado, de realizar rapidamente decisões importantes com os fatos que lhe são apresentados. Sabe-se também que o declínio da Testosterona Livre no idoso leva a perda da massa muscular. O músculo torna-se menos volumoso e perde o seu vigor de concentração, e velocidade de resposta ao estímulo.

No exame do músculo nota-se várias alterações microscópicas das fibras musculares indicando uma discreta degenerescência. Por outro lado, o declínio da Testosterona Livre conduz à saída do cálcio do sistema esquelético tornando o osso mais frágil e sujeito a fraturas. Existe, também, aumento de quedas involuntárias durante o andar. Muitos idosos, com baixo nível de Testosterona Livre apresentam anemia, que poderá ser corrigida com terapêutica hormonal. Em resumo: a queda da Testosterona Livre reduz a vitalidade do homem idoso bem como sua qualidade de vida.

O sexo e a queda da Testosterona Livre

A queda da Testosterona Livre leva, com frequência, à diminuição do desejo sexual (queda da libido). Em questionários distribuídos a milhares de idosos 39% deles indicaram, como queixa principal, o decréscimo da libido e motivação sexual muito diminuída.

Existe, no entanto, muito debate e ampla controvérsia sobre a associação da libido diminuída e existência de disfunção erétil. Alguns trabalhos indicam que ambos fenômenos são concomitantes, enquanto outros pesquisadores afirmam que são fenômenos independentes. De qualquer forma não existindo contra indicação formal (por exemplo, câncer de próstata) o consenso é que o idoso pode e deve ser tratado da sua deficiência hormonal.

Várias modalidades de tratamento com Testosterona existem no mercado internacional: adesivos cutâneos com o hormônio que "penetra" por via transdermica; Testosterona em forma de gel, que é friccionada na pele.  Mais comumente é utilizada a Testosterona injetável de longa ação (3-4 meses). Esta última preparação é a mais conveniente (e relativamente mais cara), mas requer apenas uma injeção a cada 3-4 meses. A qualidade de vida e a vitalidade do idoso, além da melhora cognitiva e sexual, são consequências desta terapia hormonal.

Por Geraldo Medeiros

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Calvície masculina

segunda-feira, 4 de maio de 2009 | 7:10

A lenda de que as mulheres gostam mais dos carecas surgiu com uma marcha carnavalesca da década de 50. Verdade ou não, o fato é que nos dias de hoje, com tantos tratamentos para calvície, implantes, perucas, ninguém mais precisa ficar careca.

A descoberta da relação entre o hormônio masculino (testosterona) e a progressiva queda de cabelos nos homens (a partir dos 30 anos) tem base científica com origem em estudo de adolescentes com um problema específico ao nascer. Eram bebês com a área genital ambígua, isto é, não dava para dizer se era menino ou menina.

Na realidade estas crianças nascem com um aspecto genital que é muito semelhante ao de uma menina. Passa ser educada, com vestidos, bonecas e demais atributos das meninas. No entanto, na puberdade começam a ter pelos no rosto, nos membros inferiores e superiores, a ter voz de timbre mais grave e os pais logo procuram o endocrinologista. Este através de exames constata que os testículos estão no abdômen inferior ou na região inguinal e que são produtores de hormônio masculino -testosterona.

Com pesquisas clínicas e laboratoriais os médicos começaram a descobrir que havia, no corpo desta criança, muita testosterona, mas o organismo não produzia uma enzima importante chamada de 5-alfa-reductase (5-AR). Sem este produto enzimático a testosterona não pode ser convertida no hormônio mais ativo (chamado Dehidro Testosterona). Um pouco mais tarde notaram que a falta da 5-alfa reductase teria um efeito benéfico para o couro cabeludo. Não gerando a Dehidro testosterona, o couro cabeludo deixa de apresentar aquela oleosidade comum aos homens, e os adolescentes com falta de 5-AR jamais apresentaram calvície.

Os cientistas iniciam a busca de um inibidor de 5-AR

É óbvio que se conseguirmos bloquear o efeito da 5-AR no couro cabeludo, a ação da testosterona não se efetua, pois não há geração de dehidro testosterona. Com esta nova situação os folículos pilosos produzem menos oleosidade, menor quantidade de secreção sebácea, o fio do cabelo não cai por excesso de oleosidade e a calvície não se instala. O melhor de tudo é que esta ação é mais perceptível e restrita ao couro cabeludo. Como é fácil de perceber os homens com predisposição para a calvície têm excesso de função de 5-AR e produzem muito dehidro testosterona que, além dos efeitos na secreção sebácea, diminui o período de crescimento dos cabelos.

Como resultado o cabelo não atinge maturidade total. Por exemplo, a calvície se inicia pela parte posterior do crânio, naquela área chamada de "coroa do padre", onde os pelos vão se transformando em penugem. A perda de cabelos ou queda dos fios capilares também pode ocorrer independentemente do mecanismo hormonal citado. Por exemplo, altas doses de Vitamina A, excesso de hormônios da tireoide, alguns agentes quimioterápicos e imunidade dirigida ao fio capilar (alopecia) podem induzir calvície.

Influência da genética na calvície masculina

Existem famílias nas quais a calvície se estabelece desde muito cedo (ao redor dos 20-30 anos). Portanto uma constituição genética é intuitivamente pensada como agente causal. Inicialmente se notou que um determinado gene responsável pela formação do receptor para a testosterona teria um papel importante na calvície. Em homens calvos, o gene é superativo e produz, no couro cabeludo, um excesso relativo de receptores para a testosterona. Decorrente deste fato existe maior ação deste poderoso hormônio no couro cabeludo. O resultado é mais dehidro testosterona e menos cabelos.

Mais recentemente, cientistas ingleses verificaram que existe uma relação altamente significativa entre carecas e duas regiões genéticas no cromosoma 20. Estudaram um grupo de 1.125 homens com calvície precoce e notaram que as tais variantes genéticas estavam presentes em mais de 80% dos casos. Os cientistas alertam que a descoberta não implica, no momento, em uma cura da calvície masculina, mas oferece excelente possibilidade no futuro.

O tratamento da calvície masculina

O objetivo de tratamento pode ser a neutralização do excesso de dehidro testosterona, inibindo-se a 5-AR. Existe, no mercado, a Finasterida que é uma possante inibidora da 5-AR. Sem esta enzima não se forma a dehidro testosterona e o folículo piloso fica livre da oleosidade e da inibição do crescimento. Deve-se usar sempre, anos a fio, para ter resultado positivo. Não existe, repito, não existe nenhum efeito colateral quanto às outras funções masculinas, notadamente, em função erétil, a libido e a potência masculina. Outra forma de se tratar a calvície é o uso de Minoxidil, substância que aumenta a vascularização dos folículos pilosos e propicia um crescimento mais rápido e permanente. Mas sempre é bom consultar um dermatologista experiente para ter resultados duradouros.

 

Por Geraldo Medeiros

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Respostas a leitores

quarta-feira, 29 de abril de 2009 | 18:20

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados ao colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Geraldo Medeiros. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho 61 anos, 1.60m e peso 64kg. Gostaria de pesar 58 ou 59, mas é difícil. Meu problema é que durante o dia eu me alimento de forma bem moderada, mas à noite, depois das 18hs, eu tenho uma fome de leão. Sinto uma necessidade quase incontrolável de alimentos quentes e calóricos.
(Marlene)

Muitas pessoas apresentam queda de glicemia (açúcar no sangue), geralmente, ao fim da tarde, como é o seu caso. Isso se deve a um possível componente genético e eventualmente nível de insulina (produzida pelo pâncreas) acima do normal. Aconselho-a a comer três refeições proteicas (queijo light, gelatina sem açúcar, peru defumado) entre as refeições principais. É importante se antecipar à fome das 18h com um lanche de queijo e fruta (exceto banana e abacate).

Tenho 25 anos, 1.73m e 125kg. Meu IMC é 43. Já tentei diversas dietas e muitos medicamentos, mas não obtive sucesso. Gostaria de saber mais sobre os benefícios e contraindicações que a cirurgia bariátrica oferece.
(Misael)

No seu caso, existe, sem dúvida, indicação médica para cirurgia bariátrica do tipo Capella (por laparoscopia). Os benefícios são melhor qualidade de vida, perda de peso substancial, autoestima elevada, ausência de complicações futuras da obesidade mórbida. No entanto, você deve entender que é imprescindível mudar de estilo de vida tanto na alimentação, como nos exercícios físicos obrigatórios pelo menos três vezes por semana. É importante ter supervisão do seu médico quanto à necessidade de vitaminas, ferro, cálcio, vitamina B12, etc.

Minha filha de oito anos menstruou neste mês. Médicos dizem que a menstruação pode ser retardada. Esse tratamento é muito caro? Também dizem que uma menstruação cedo pode causar futuramente endometriose, câncer de útero, dores abdominais terríveis… e tem ainda o problema da altura. Quem devo procurar - um pediatra ou um endócrino?
(Libéria)

Vou iniciar pelos seus comentário finais: todas estas "complicações" citadas por causa da menarca precoce são totalmente inverídicas e não existe na literatura médica comprovação de que irão ocorrer. Você deve procurar um endocrinologista para bloquear os ciclos menstruais, pois a sua filha tem um problema muito conhecido que se chama "puberdade precoce". Esse problema deve investigado e tratado, para possibilitar crescimento normal para a criança. As injeções (uma vez por mês) podem ser pagas pelo poder público mediante relatório médico e receita adequada.

Eu notei algo que outros perto de mim também notaram: quando termino uma refeição começo a ficar um pouco inchado. Minha face fica rosada e inchada. Realizei alguns exames há 3 meses, pois estou 11 kg acima do peso, mas a única coisa que os exames revelaram foi colesterol um pouco alto e um pouco de excesso de gordura no fígado. Existe algum outro exame que eu deveria fazer?
(Ronald)

O fenômeno de reação de "inchaço" e vermelhidão no rosto é chamado de Reação Neuro Vegetativa pós-prandial. É relativamente comum e se deve à chegada do "bolo alimentar" ao estômago e intestino, que liberam produtos químicos na circulação. Aconselho-o a fazer almoço e jantar mais leves e em menores porções e tentar comer proteína (queijo, gelatina, peru defumado, com frutas) nos intervalos entre as refeições. Obviamente a perda de peso ajudará a eliminação dos sintomas referidos. 

Por Geraldo Medeiros

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A cirurgia bariátrica em adolescentes

segunda-feira, 27 de abril de 2009 | 7:34

A terapêutica medicamentosa em obesidade infanto-juvenil é amplamente debatida nos meios médicos. Já existem estudos que demonstram que o uso de alguns fármacos é muito útil para as crianças acima de 12 anos e, principalmente, em adolescentes. Mas a farmacoterapia para o controle da fome e saciedade não pode ser longa, raramente ultrapassando os seis meses contínuos. Neste período ocorre substancial perda de peso, aumenta a autoestima, os elogios vêm das professoras, dos colegas, dos familiares. 

Mas deve ser seguido por mudanças no estilo de vida, isto é, deve ser implantada uma vida esportiva, de exercícios diários, sempre dentro das preferências do adolescente. Na minha opinião, é o pai o principal responsável por esta modificação de vida, levando o adolescente ao ballet, à natação, ao futebol ou ao clube. Somente com esta vida esportiva é que se poderá manter o peso dentro dos padrões normais.

As recomendações para uma cirurgia bariátrica (cirurgia para obesidade) incluem várias restrições e normas de conduta, já estabelecidas por associações médicas:

- O adolescente não consegue manter perda de peso duradoura com um programa multidisciplinar, incluindo farmacoterapia, preparador físico, psicóloga, nutricionista, durante 6 meses a um ano.

- O adolescente possui maturidade psicológica e não apresenta quaisquer indícios de transtorno psiquiátrico.

- O tipo de classificação da obesidade é de grau III ou superior (ou seja, IMC superior a 35 kg/metro quadrado).

- Obrigatoriamente o candidato deve ser avaliado por psicóloga e por médico endocrinologista, no sentido de diagnósticos que, eventualmente, possam ser corrigidos antes do ato cirúrgico.

- No caso de meninas de grupo etário acima de 16 anos deve-se pensar em programa anticoncepcional pelo menos 12 meses após cirurgia.

- E essencial que o adolescente concorde em programa nutricional pós-cirúrgico com firme propósito de realizar, igualmente, atividade física compatível.

- A família do paciente deve se comprometer a ter o suporte necessário (psicológico, nutricional, atividade física).

- Algumas restrições se impõem para indicar cirurgia bariátrica no adolescente: abuso de drogas ou álcool no ano precedente à cirurgia, doença psiquiátrica diagnosticada e em tratamento, possibilidade de gravidez, progenitores (casados ou separados) que não têm o menor interesse em entender a importância do apoio parental e da necessidade permanente de cooperar com a fase pós-cirúrgica.

Modalidades cirúrgicas bariátricas para adolescentes

As duas cirurgias bariátricas mais indicadas para adolescentes são a banda gástrica ajustável, que progressivamente diminui a capacidade do volume da câmara gástrica), e a cirurgia chamada de Capella a que além de reduzir-se o estômago, realiza-se um encurtamento do tubo digestivo delgado, levando uma alça intestinal ao estômago reduzido. Desta forma, além de comer pouco (por redução da câmara gástrica) existe menor absorção de nutrientes no sistema digestivo pela redução do tubo intestinal (chamado de cirurgia disreabsortiva). Nos Estados Unidos esta cirurgia tipo Capella (ou Roux-in-Y modificada) é a única aprovada pelas associações médicas para adolescentes desde 1980.

Após a cirurgia o adolescente necessita ter assistência médica e psicológica permanente, pois existem algumas deficiências de nutrientes que são preocupantes. As mais comuns são as vitaminas solúveis como A, D, E, e K, o potencial de queda de cálcio, falta de ferro (com possibilidade de anemia). Obviamente se não houver um seguimento adequado cerca de 10 a 20% dos adolescentes que fizerem cirurgia bariátrica poderão voltar a ganhar peso. As perspectivas para o futuro apontam para o fato de quanto mais conhecermos as causas genéticas da obesidade melhor a chance de tratarmos adequadamente os adolescentes sem os riscos da cirurgia bariátrica.

Por Geraldo Medeiros

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Alimentos diet e light. Há diferença?

segunda-feira, 20 de abril de 2009 | 7:02

Existe uma confusão natural entre o alimento tipo diet e os que são denominados de light. Ambos os vocábulos são emprestados do idioma inglês, mas a tentativa de traduzir para ‘alimento dieta’ e ‘alimento leve’ não pegou. Todos falam diet e light e a maioria dos consumidores associa essas denominações como sendo produtos de baixas calorias e, consequentemente, recomendados para pessoas que desejam perder peso.

Engano! Alguns alimentos diet surpreendentemente podem ter mais calorias que o produto original. Para que esta confusão, tão comum e difundida, possa ser esclarecida é necessário que voltemos às Resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) na qual se reserva o termo diet para dois tipos de alimentos:

1-Alimentos para dietas de diabéticos, obesos, hipertensos, com doença renal ou cardíaca crônica (entre outros tipos de moléstias) nos quais existe restrição de algum nutriente importante nos produtos alimentícios indicados para a saúde dos pacientes acima referidos. Por exemplo: alimento no qual se retirou o açúcar e se adicionou o adoçante não calórico. Este alimento pode ser receitado ou recomendado para diabéticos. Os que têm doença renal crônica irão precisar de alimentos com baixo teor de proteína e sódio. Os hipertensos precisam controlar a ingestão de sódio.

2-Ainda dentro dos alimentos diet se colocam os que são destinados às pessoas com excesso de peso e desejam ter alimentos com restrição de alguns nutrientes tais como carboidratos e açúcares. Os alimentos diet restritos em carboidratos (pães, balas, chocolates) podem ter, no máximo 0,5 grama de açúcar por 100g de alimento. Os alimentos restritos em gordura, como o iogurte desnatado, devem ter 0% (zero) de gordura. Os restritos em proteínas devem, também, ser isentos deste nutriente. É importante que fique bem claro que nem todos os alimentos diet apresentam diminuição significativa de calorias e, portanto, são uma armadilha nutricional para quem quer emagrecer. Um exemplo clássico é o chocolate diet no qual o açúcar foi substituído por adoçante. Muitas vezes para torná-lo mais palatável o fabricante adiciona gordura o que o faz mais calórico do que o chocolate normal. O chocolate diet é indicado para os diabéticos, mas não há vantagem para quem quer perder peso.

Os alimentos light têm redução de algum nutriente

A definição de alimento light se refere a produtos comestíveis, industrializados, nos quais houve retirada mínima de 25% de algum nutriente ou de calorias comparado com o alimento normal ou convencional. Em outras palavras: não há retirada total do nutriente ou redução completa de calorias. Os alimentos light podem não ser indicados para pessoas que têm colesterol elevado (a gordura não foi totalmente afastada). Alguns pacientes que não podem comer determinados nutrientes como o aminoácido que é a base do adoçante aspartame (fenil-alanina). Outro esclarecimento a respeito de alimentos light: podem ter redução de 25% de gordura, ou carboidrato, mas conservam teor elevado de sódio (o que não será saudável para hipertensos). Um tipo de bebida light muito difundida é o refrigerante no qual o açúcar foi totalmente removido e substituído por adoçante. Tal bebida é recomendada tanto para obesos(as) como diabéticos.

Outro grande engano das pessoas preocupadas com o peso é a quantidade do alimento light a ser consumida. Por se tratar de um alimento light, com nível mais baixo de calorias, julga-se que a ingestão deste produto dietético é livre. É uma falha muito grande no caso da pessoa desejar emagrecer, pois se houver consumo superior ao decréscimo de calorias indicado no rótulo, obviamente, não haverá nenhuma vantagem em se deliciar exageradamente com o alimento light.

A confusão entre diet e light é comum

Embora a descrição do que é diet e o que identifica o alimento light é relativamente clara para médicos e nutricionistas, os consumidores têm a tendência natural de confundir os dois nomes e respectiva condição nutricional. Assim na época da Páscoa, a publicidade dos ovos de chocolate diet provoca um incrível bem estar no gordinho, pois tira a sensação de culpa. ‘Só comi um pouquinho de ovo de Páscoa diet que tem poucas calorias e não tem açúcar’.  É verdade que não há açúcar, mas como já vimos a gordura do cacau persiste no ovo de Páscoa (bem como um pouco mais de gordura adicionada pelo fabricante).

A indústria alimentícia, fértil em recursos lançou, nesta Páscoa, o ovo de chocolate preparado com soja, isto é, um alimento totalmente light, pois a gordura do cacau foi substituída pela proteína da soja e o açúcar trocado pelo adoçante. Neste caso há redução de calorias e do carboidrato (açúcar) podendo ser ingerido pelos que estão sob dieta hipocalórica para perder peso bem como pelos diabéticos que não podem ter açúcar em suas dietas. Não sei se o produto é gostoso, mas é uma boa ideia!

Outros exemplos de alimentos light que são muito compensadores para quem está em regime hipocalórico. O requeijão de copo comum tem 28 calorias/colher chá e o tipo light apenas 13 calorias. A maionese comum tem 199 calorias e a light, apenas 50 calorias. O iogurte de morango comum tem 172 calorias e o tipo diet, apenas 72 calorias. O consumidor deve ler atentamente as informações nutricionais nos alimentos que irá adquirir para não ter surpresas em sua dieta.

Por Geraldo Medeiros

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Tratamento da baixa estatura

segunda-feira, 13 de abril de 2009 | 6:16

A baixa estatura pode ser consequência de fatores intrauterinos. Quando o feto não recebe nutrientes em volume e qualidade adequada nasce com certo déficit de estatura. Para repor a criança na sua curva normal de crescimento alguns endocrinologistas pediátricos esperam a passagem da infância (até 3 - 4 anos) para fase escolar (4 e mais anos).  É essencial saber que cada criança tem uma herança genética que determina uma estatura final específica. O médico pode estabelecer esta estatura final (chamada de estatura ALVO) por meio de uma formula matemática na qual entra a estatura do pai e da mãe. Outros parentes próximos têm pouca ou nenhuma influência genética na estatura alvo. Não adianta dizer: o avô é muito alto ou o tio materno tem mais de um 1.80m. Repito: a estatura ALVO é determinada pelos pais, e com os genes que eles transmitiram ao filho. Resumindo: o retardo de crescimento intra-uterino e os fatores genéticos são importantes fatores de baixa estatura.
 
 Fatores ambientais são importantes

É obvio que as crianças que vivem sob constante e crônica má nutrição protéico-calórica (pouca proteína, comida insuficiente) não irão atingir o seu potencial genético de crescimento. A estatura final também depende de boa alimentação (incluindo aporte diário de proteínas de boa qualidade), ausência de doenças infantis, que eram comuns mas hoje com vacinações preventivas são raras, ausência de problemas respiratórios, como bronquite asmática (as crianças com este problema pulmonar crescem menos), e ausência de doença do fígado, como hepatite C ou doença renal crônica. Enfim ter saúde razoavelmente boa, alimentação sadia, boa atividade esportiva (o exercício estimula o aparecimento do hormônio de crescimento) e, essencialmente, ter sono profundo e reparador por  9 a 11 horas todas as noites. Nestas condições ambientais excelentes a criança atinge o seu potencial genético e atinge a estatura alvo programada.

O problema de puberdade prematura

A puberdade prematura é muito mais comum nas meninas do que nos meninos e cada vez mais vemos meninas de 8 anos já com mamilos salientes, pelos na região genital e axilar, e corpinho desenvolvido.  A mãe precisa estar atenta a estes fenômenos físicos, pois tais fatos são indicativos de que a menina pode ter a primeira menstruação (menarca) muito cedo aos 9 ou 10 anos. A menarca nessa idade ‘fecha’ as áreas de crescimento dos ossos longos e interrompe o crescimento pelo alto nível de hormônios femininos que são secretados no organismo.
 
Há a possibilidade de bloquear esta puberdade prematura por meio de medicamentos. Resumidamente o medicamento usado irá ‘envolver’ os ovários com uma camada protetora que faz com que estas gônadas fiquem ‘adormecidas’, não avançando para dar início à menstruação. Mantém-se a criança por 2 a 3 anos sob tratamento e, a cada ano, ela irá crescer 5 - 6 cm. Na idade que julgar apropriada o médico suspende a medicação e a menarca ocorre normalmente, sem nenhuma alteração imediata ou transtorno futuro (fertilidade, hormônios femininos). 

A falta relativa de GH pode ser tratada

A produção de GH (hormônio de crescimento) é contínua desde a primeira infância. Na baixa estatura chamada de ‘constitucional’ pode-se verificar, por meio de testes, se a criança está com secreção de GH suficiente para atingir a estatura final que lhe foi programada. O consenso dos médicos indica que existe vantagem em tratar crianças com baixa estatura com doses relativamente altas de GH, pois ao fim do tratamento (após a puberdade completada) a estatura final é mais elevada que as crianças que optaram por não serem tratadas. O problema é que o GH deve ser injetado, mas hoje existem ‘canetas’ que a própria criança pode aprender a manejar. As ‘canetas’ são ajustadas para a dose diária de GH recomendada pelo médico e a criança aplica o GH com a caneta, à noite, antes de dormir, com maior facilidade. O sacrifício vale a pena, pois a estatura alvo é, freqüentemente, atingida. É óbvio que fatores nutricionais devem ser fornecidos e exercícios físicos são altamente recomendáveis.

Por Geraldo Medeiros

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