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Arquivo de novembro de 2009

Dieta do Mediterrâneo é ideal para o verão

segunda-feira, 16 de novembro de 2009 | 11:53

dietlight

Chama-se Dieta Mediterrânea a base nutricional de populações que habitam o litoral de países da bacia do mar Mediterrâneo (Grécia, Itália do Sul, Sicília, Espanha Mediterrânea, Sul de Portugal, e as regiões da França que estão ao sul, no litoral Mediterrâneo). Basicamente o que se entende por dieta Mediterrânea é o que foi descrita por um especialista em nutrição humana, Dr. Walter Willet, da Universidade de Harvard, em 1990. Um padrão dietético que consiste em consumo diário de cereais (trigo, arroz) não refinados, sob forma de pão integral, arroz integral, lentilhas, etc., legumes, saladas, regados a óleo de oliva (principal fonte de gordura). Leite, queijos e iogurte, abundante consumo de peixes e produtos do mar, ocasionalmente, aves e pouca carne vermelha e derivados. Batatas, ovos e doces em proporção limitadas.

A dieta Mediterrânea usa o vinho tinto (1-2 copos por refeição) durante todo o ano, no almoço e no jantar. O vinho tinto é rico em um agente antioxidante e cardio-protetor, chamado resveratrol. Vários estudos metabólicos indicaram que o resveratrol prolonga a longevidade, protege contra a possibilidade de câncer (em animais experimentais), diminui o acúmulo de colesterol em placas arteriais e é um poderoso aliado contra a possibilidade de moléstias mentais degenerativas como a Doença de Alzheimer.

Nesta dieta as gorduras chamadas saturadas e consideradas aterogênicas, isto é, capaz de produzir depósitos em placas dentro das artérias, são muito pouco consumidas. O óleo de oliva, encontrado na mesa de gregos, espanhóis, italianos, portugueses, franceses, além de nutritivo, confere aos legumes, saladas, peixes, etc., um excelente paladar, sendo rico em ácido oleico.

Estudos publicados em importantes revistas médicas como New England Journal of Medicine e o British Medical Journal, em 2008, confirmaram que a Dieta Mediterrânea promove perda de peso comparável a dietas pobres em carboidratos, ao fim de dois anos de observação.  Os estudos ainda indicaram que o uso cotidiano dessa dieta reduziu o risco de morte por câncer bem como de doença coronariana. Mais importante ainda, houve redução significativa da prevalência de Doença de Parkinson (movimentos incoordenados e involuntários dos membros, com tremor digital) e da Doença de Alzheimer, com progressiva deterioração das faculdades mentais.

Mais recentemente, os mesmos pesquisadores ingleses demonstraram que os componentes da Dieta do Mediterrâneo estavam associados a menor índice de mortalidade. Outras pesquisas indicaram que essa dieta induz um risco menor de casos de diabetes e de depósito de gordura no fígado (esteatose hepática) tão comum nos obesos masculinos.

Por que a Dieta do Mediterrâneo é boa para o verão?

O verão no Brasil é associado, quase sempre, a férias e a maioria da população interiorana migra para o litoral, para as praias. É portanto uma oportunidade de deixar de lado a carne vermelha (bovina, suína, caprina), os embutidos e passar a ingerir mais peixes e produtos do mar, grelhados ou cozidos, e regados com óleo de oliva. Muitos legumes cozidos, saladas em profusão, cereais integrais, queijos e iogurte, azeitonas, algumas nozes e vinho tinto nas refeições principais. Teremos assim um verão mais gostoso e, sem dúvida, muito mais sadio.

Por Geraldo Medeiros

Uso de hormônio de crescimento após cirurgia bariátrica

segunda-feira, 9 de novembro de 2009 | 9:46

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Nestes últimos dez anos o número de cirurgias destinadas a diminuir o conteúdo gástrico, com ou sem alteração do trajeto do intestino, aumentou dramaticamente. Criou-se a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica para ordenar, coordenar e veicular dados científicos, alertar colegas a se capacitarem antes de iniciar este ramo da cirurgia abdominal, com intenso treinamento na videolaparoscopia (operações realizadas sem incisão abdominal) e, principalmente, alertar a população de obesos a escolher, com cautela e discernimento, a equipe médica que irá realizar a modificação gastro-intestinal.

No Brasil cerca de 65-70% das cirurgias bariátricas são do tipo Y-de-Roux – o estomago é reduzido a um pequeno volume (cerca de 20 a 30 centímetros cúbicos) e a alça intestinal chamada de jejuno une-se à pequena bolsa gástrica. Desta forma, após a cirurgia, o alimento deve ser ingerido em pequenas porções, pois a nova configuração do estômago não suporta muita comida sólida. Os especialistas em cirurgia bariátrica e nutricionistas com experiência no pós-operatório recomendam uma dieta líquida – pastosa para não forçar a pequena bolsa gástrica.

A perda de peso é rápida (cerca de 6 – 8 kg por mês). Pouca energia ingerida leva à queima do excesso de gordura acumulado. A situação seria ideal se não houvesse, simultaneamente, perda pequena, mas constante de massa magra – musculatura. Além disso, este tipo de cirurgia é também considerada disabsortiva, ou seja, ela leva a contínua e constante espoliação de vários macro e micro-nutrientes que devem ser repostos para não afetar a saúde do paciente.

O sistema relacionado a hormônio de crescimento

O hormônio de crescimento (GH = growth hormone) é o agente hormonal que na infância e adolescência promove o crescimento infanto-juvenil. Age diretamente nas cartilagens de ossos longos induzindo aumento destes ossos e, igualmente, promove no fígado, a geração de outro fator de crescimento chamado de IGF-1. Este, por sua vez, é parceiro do GH no ato de promover crescimento ósseo e outras ações metabólicas.
Atualmente, quando se fala de ações do GH estamos indicando ações metabólicas do dueto GH e IGF-1. Ambos têm intensa ação anabólica: promovem queima de gordura e poupam eventual utilização de material nobre como músculo.

Os obesos de grande porte (IMC = 40) já são considerados como funcionalmente deficientes na produção de GH/IGF-1. Depois de considerável perda de peso, a produção de GH volta a níveis normais na maioria dos pacientes obesos. É importante saber que logo após a intervenção bariátrica o obeso está com baixa secreção de GH/IGF-1. Assim, existe a possibilidade de, além de queimar gordura o corpo queime igualmente a massa magra.

Em estudo realizado em obesos mórbidos submetidos à cirurgia bariátrica notou-se que cerca de 20% ainda estavam com secreção baixa de GH/IGF-1 decorridos seis meses da data da cirurgia, independentemente da perda ponderal.

Tratamento de obesos operados com GH
Um grupo de médicos endocrinologistas associados a cirurgiões bariátricos iniciou projeto no qual mulheres obesas (IMC =  44,4) apresentavam moderada deficiência de GH, comprovada por testes específicos. As pacientes foram divididas em dois grupos:

- Grupo A (12 mulheres) que após a cirurgia bariátrica passaram a receber injeções diárias de GH em dose relativamente baixa (0,5 mg diariamente), além de serem instruídas a seguir dieta apropriada e realizarem exercícios aeróbicos leves.

 - Grupo B (12 mulheres) que após a cirurgia apenas receberam instruções para dieta e exercícios (não foram medicadas com GH).

Ao fim de 3 meses – e em nova avaliação depois de 6 meses – notou-se que o Grupo A (com GH) havia perdido cerca de 41% do peso inicial enquanto o Grupo B perdeu 32% do peso inicial. No entanto, o emagrecimento caracterizou-se por uma perda significantemente MENOR de Massa Muscular nas pacientes com tratamento com GH.

Em outras palavras, a terapêutica com hormônio de crescimento fez com que as pacientes poupassem os tecidos nobres (como músculo) do processo de queima favorecendo o uso de gordura como fonte principal de material energético.

 Além disso, vários parâmetros metabólicos foram significantemente melhores nas pacientes que tomaram GH: a resistência à insulina decresceu, colesterol melhorou, IGF-1 se elevou, houve decréscimo de cansaço, fadiga, notou-se maior disposição para realizar exercícios. Serão necessários maiores estudos a respeito, mas este trabalho revela um uso terapêutico de GH altamente promissor para o obeso após cirurgia bariátrica.

Por Geraldo Medeiros