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Na Síria de Assad (pai ou filho), tudo igual, tudo pior

Com Bashar Assad, "horror hereditário"

Para parafrasear o jogador pensante de beisebol Yogi Berra e suas frases folclóricas, na Síria, é déjà vu novamente. Vamos começar com o ministro das Relações Exteriores da Turquia (e está tudo tão desolador na Síria, que dou até colher de chá para a diplomacia turca). Ahmed Davutoglu disse que quando russos e chineses vetaram uma resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas, no sábado, condenando a brutalidade na Síria e pedindo a saída do poder do ditador Bashar Assad, estavam agindo com uma mentalidade de Guerra Fria, “baseando os votos, não em realidades existentes, mas em uma atitude mais automática contra o Ocidente”. E, de fato, na Guerra Fria, russos e chineses já apoiavam os massacres praticados por um ditador sírio, mas era Hafez Assad, o pai de Bashar.

Claro que também soa déjà vu novamente, como naquelas cruzadas do mundo livre contra o comunismo na Guerra Fria, integradas por Somoza e Pinochet, quando a secretária de Estado, Hillary Clinton, reage ao anacronismo sino-soviético (oops, russo), dizendo que agora será preciso articular uma coalizão dos “amigos da Síria democrática” a favor da oposição e contra a brutalidade do regime Assad. O que fazer? A coalizão vai incluir a Arábia Saudita.
Diplomacia tem estas ambiquidades e paradoxos, mas alguns casos são bem piores do que outros. Melhor ter a Arábia Saudita contra Assad do que a favor. A Rússia tem o despudor de argumentar que não podia apoiar uma resolução sobre a Síria, pois significava tomar partido de um dos lados. Vladimir, Vladimir, seu veto significa mais do que tomar partido de um dos lados, como você está fazendo na condição de grande sustentáculo internacional de Bashar Assad. Significa dar sinal verde para o ditador avançar na matança, tentar se entrincheirar no poder e dificultar ainda mais uma solução política para a crise, que ganha feições de guerra civil em larga escala.
Só há um argumento plausível a favor de Assad: o day after à sua queda pode ser pior do que o dia de hoje. com guerra de mílícias ou a ascensão ao poder de fundamentalistas sunitas. Talvez. Existe a idéia, portanto, de que seja melhor ficar com o demônio conhecido. Como assim? Sabemos que ele é horrível. Este é consolo? Com uma ditadura como a de Assad vamos justificar o status quo, na lógica russa de venalidade? E, de qualquer forma, o debate é acadêmico. A dúvida é quando Assad irá cair. Ele se tornou carga pesada até para as demais ditaduras da região.

Existem interesses geopolíticos contra o regime Assad (como o empenho de autocracias sunitas do Oriente Médio para enfraquecer o único aliado regional do Irã xiita), mas também os gestos humanitários. E pouca coisa deixa russos e chineses tão horrorizados como gestos humanitários. Afinal, tais gestos podem ser usados para condenar as condutas da semiditadura Putin e da ditadura do politburo chinês contra seus próprios povos e suas minorias. Mas já estamos refletindo com mais profundidade do que Yogi Berra. Há algo mais superficial, imediato e cínico para comentar. Neste episódio do Conselho de Segurança, o Ocidente (e seus aliados suspeitos do Oriente Médio) tiveram uma grande vitória em termos de realpolitik.

Os países ocidentais têm a vantagem moral na crise síria. Russos e chineses agora são cúmplices escancarados da carnificina praticada pelo regime Assad. São co-responsáveis acintosos pela escalada de violência, pois a oposição, que já está militarizada, tem pouco a fazer além de incrementar a luta armada. O que aconteceu no sábado nas Nações Unidas foi um vexame histórico para russos e chineses. Na frase dita à exaustão nos últimos dias, eles deram a Assad permissão para matar (para matar mais ainda).

Moscou e Pequim vetaram uma resolução, que já fora diluída para satisfazê-los, no momento em que as forças de Bashar Assad massacravam inocentes na cidade de Homs (os números de baixas são incertos, variam de dezenas a centenas). Existe ojeriza quase que universal ao regime de Assad. Do lado dos sírios estão os russos (chineses menos ativamente), a desgraça que é o regime iraniano, os asseclas do Hezbollah (até o Hamas se livra da saia justa), as tralhas bolivarianas e relíquias do ativismo terceiro-mundista. Em termos táticos, teria sido mais conveniente para russos e chineses engolirem o sapo. Para que queimar bala diplomática (no caso russo, bala mesmo) por um ditador que dia menos dia será carta fora do baralho? E qual  é o cenário mais provável? Uma intervenção militar americana parece improvável (talvez , assim como um sucesso diplomático. Hillary Clinton alerta sobre uma “brutal guerra civil”. Podemos acrescentar que terá violentas tonalidades sectárias, com apoio de monaquias sunitas à oposição.

Esta coluna está recheada de citações diplomáticas. Vamos terminar com mais uma. O embaixador francês nas Nações Unidas, Gerard Araud, lembrou como tudo é parecido na Síria,. Este massacre em Homs em 2012 teve lugar quando eram lembrados os 30 anos da mortandade em Hama (entre 10 mil e 40 mil mortos),. Em 1982, o responsável foi o ditador Hafez Assad. Agora, é o seu filho. Como disse o embaixador Araud, na Síria o “horror é hereditário”. Déjà vu novamente.

***
Colher de chá para o comentário do Pablo (dia 6, 13:50)  sobre as posturas da Rússia e China. E uma colher de café para a Carmem (dia 6, 15:40),  por sua saborosa advertência contra as estapafúrdias analogias, especialmente as hitleristas.

 

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173 Comentários

  • Anouk

    -

    10/2/2012 às 11:42

    Adoro essas sacadas universais de Churchill e Shaw. Boa Magno.
    Maisvalia, essa do convite eu conhecia. Very British!

  • maisvalia

    -

    9/2/2012 às 8:43

    Magno Adão de Souza – 09/02/2012 às 0:51
    Legal , gostei muito.
    Abs

  • Magno Adão de Souza

    -

    9/2/2012 às 0:59

    “Caro Magno, só esqueceu um detalhe.
    O Churchill NÃO FOI DITADOR.
    ESTADISTA MODERNO NÃO PODE SER DITADOR”.

    O fato de Otto von Bismarck não ter sido um governante democrático não constitui qualquer óbice para que historiadores e jornalistas dos quatro quadrantes do globo o reputem um estadista. Devemos evitar tanto quanto possível analisar o passado com os olhos do presente.

  • Magno Adão de Souza

    -

    9/2/2012 às 0:51

    As óvias discrepâncias políticas entre o estadista inglês Winston Churchill e o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw – o primeiro, um empertigado conservador vitoriano; o segundo, um veemente defensor do socialismo fabiano – jamais os impediram de compartilhar de uma rara e admirável qualidade: eram soberbos frasistas. As máximas e blagues que ambos cunharam ajudaram a eternizar seus nomes nos anais da História. Seguem abaixo algumas sentenças proferidas por ambos:

    “O especialista é um homem que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, e por fim acaba sabendo tudo sobre nada”.
    George Bernard Shaw

    “Uma boa esposa é um grande consolo para o homem em todos os contratempos e dificuldades – que ele nunca haveria de ter se tivesse continuado solteiro”.
    George Bernard Shaw

    “O homem razoável se adapta ao mundo; o irascível tenta adaptar o mundo a si próprio. Assim, o progresso depende do homem irascível”.
    George Bernard Shaw

    “Não faças aos outros o que gostarias que te fizessem a ti. O gosto deles pode não ser o mesmo”.
    George Bernard Shaw

    “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.
    Winston Churchill

    “Você sempre pode contar com os americanos para fazer a coisa certa – depois que eles tentaram todo o resto”.
    Winston Churchill

    “Estou pronto para enfrentar meu Criador. Se o meu Criador está ou não preparado para a árdua prova de me enfrentar, esse é outro assunto”.
    Winston Churchill

    “Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir”.
    Winston Churchill

  • Magno Adão de Souza

    -

    9/2/2012 às 0:47

    As óvias discrepâncias políticas entre o estadista inglês Winston Churchill e o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw – o primeiro, um empertigado conservador vitoriano; o segundo, um veemente defensor do socialismo fabiano – jamais os impediram de compartilhar de uma rara e admirável qualidade: eram soberbos frasistas. As máximas e blagues que ambos cunharam ajudaram a eternizar seus nomes nos anais da História. Seguem abaixo algumas sentenças proferidas por ambos:

    “O especialista é um homem que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, e por fim acaba sabendo tudo sobre nada”.
    George Bernard Shaw

    “Uma boa esposa é um grande consolo para o homem em todos os contratempos e dificuldades – que ele nunca haveria de ter se tivesse continuado solteiro”.
    George Bernard Shaw

    “O homem razoável se adapta ao mundo; o irascível tenta adaptar o mundo a si próprio. Assim, o progresso depende do homem irascível”.
    George Bernard Shaw

    “Não faças aos outros o que gostarias que te fizessem a ti. O gosto deles pode não ser o mesmo”.
    George Bernard Shaw

    “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.
    Winston Churchill

    “Você sempre pode contar com os americanos para fazer a coisa certa – depois que eles tentaram todo o resto”.
    Winston Churchill

    “Estou pronto para enfrentar meu Criador. Se o meu Criador está ou não preparado para a árdua prova de me enfrentar, esse é outro assunto”.
    Winston Churchill

    “Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir”.

  • maisvalia

    -

    8/2/2012 às 22:12

    Churchill X Shaw
    Telegrama do dramaturgo Bernard Shaw a Winston Churchill:

    “Tenho a honra de convidar o digno primeiro-ministro à estréia de minha peça Pigmalião. Venha e traga um amigo, se tiver.”

    Churchill não deixou por menos:

    “Agradeço ao ilustre escritor o honroso convite. Infelizmente, não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver.”

  • maisvalia

    -

    8/2/2012 às 20:09

    Caro Magno, só esqueceu um detalhe.
    O Churchill NÃO FOI DITADOR.
    ESTADISTA MODERNO NÃO PODE SER DITADOR.

  • Magno Adão de Souza

    -

    8/2/2012 às 15:36

    maisvalia,

    Respeito seu ponto de vista, mas não me parece tão simples assim descrever as qualificações necessárias a ensejar a designação do qualificativo “estadista” a um governante. Winston Churchill – considerado um estadista pela quase unanimidade dos historiadores anglo-saxônicos – saudou publicamente o regime fascista de Benito Mussolini na década de 1930, não obstante ele e Anthony Eden terem criticado a passividade do governo britânico – à época liderado por Stanley Baldwin – e da cúpula dirigente do Partido Conservador – do qual eram estrelas de primeira grandeza – ante a invasão italiana à Abissínia, que representou uma inquestionável agressão ao primado da segurança coletiva corporificado pela Liga das Nações – a qual se mostrou incapaz de prestar qualquer tipo de auxílio ao destronado imperador Hailé Selassié, que se autoproclamara “Rei dos Reis” e “Leão de Judá”. Os encômios que Churchill endereçou a Mussolini estão fartamente documentados nos arquivos da imprensa britânica. O próprio Churchill, visivelmente constrangido, teve de admitir nas alentadas memórias que escreveu sobre a Segunda Guerra Mundial – que lhe valeram o Prêmio Nobel de Literatura – os acenos que fizera àquele regime. Churchill não se furtou de tomar partido na Guerra Civil Espanhola, na qual se solidarizou com o general falangista Francisco Franco, com o qual viria a manter cordiais relações nos dois períodos em que esteve à frente do governo de Sua Majestade. As simpatias que Churchill nutria por Mussolini e Franco o tornam desmerecedor do título de estadista? A resposta parece-me ser desenganadamente negativa.

  • maisvalia

    -

    8/2/2012 às 14:20

    …Canadá é um bom exemplo (com a excessão da Bombardier, porque eu sou mais a Embraer. Mas RUSH é Canadense! Yeah! heheh)…
    CARO PEDRO.
    FIZ UM CURSO DE UMA SEMANA NO CANADÁ , EM OTAWA E MONTREAL, E NA VOLTA PASSEI TRÊS DIAS EM NEW YORK, ADVINHA DO QUE GOSTEI MAIS?
    O CANADÁ TEM UM DOS MAIORES ÍNDICES DE SUICÍDIO DO MUNDO.

    DEVE SER POR CAUSA DO RUSH, HEHEHEHEHE
    CANADÁ + RUSH = BORING②
    PS PAÍSES COMUNISTAS NÃO FAZIAM E NEM FAZEM ESTATÍSTICAS DE SUICÍDIO.
    PORQUE SERÁ?
    Ai, ai, ai, Oh Canada! Abs, Caio

  • maisvalia

    -

    8/2/2012 às 14:09

    Caro Magno Adão de Souza
    Meu ponto de vista é outro.
    Um ditador que flerta com o fascismo não pode ser estadista, period.
    Quanto ao carrasco nazista, nem tudo no mundo é perfeito. S eles tentassem pelas vias oficiais, o bom carrasco morreria de velhice.

  • Anouk

    -

    8/2/2012 às 9:38

    Magno,
    Sobre a captura de Eichmann:
    ***
    “O governo argentino de então, comandado pelo advogado radical Arturo Frondizi, só não protestou formalmente perante a Corte Internacional de Justiça para evitar expor em demasia a promíscua e comprometedora teia de relações mantida entre criminosos de guerra nazistas e proeminentes políticos e plutocratas ligados ao regime justicialista do general Juan Domingo Perón, que, durante a Segunda Guerra Mundial, a exemplo da maior parte dos oficiais-generais das Forças Armadas da Argentina, nutriu aberta admiração pelos regimes fascistas”.
    ***
    Exatamente este é o meu ponto. Em política nada funciona independentemente de qualquer condicao. Como em todo jogo, “ganha” quem tiver o melhor lance.
    ***
    PS: Valeu a troca de idéias.

  • Pedro Innecco

    -

    8/2/2012 às 7:57

    Caio:
    “Os EUA e seus aliados representam para mim os melhores valores para a humanidade [...]”
    .
    Gosto muito do seu blog mas esse é o meu isóceles (heheh). Tem muito país por aí com valores melhores que os EUA. Canadá é um bom exemplo (com a excessão da Bombardier, porque eu sou mais a Embraer. Mas RUSH é Canadense! Yeah! heheh)
    Pedro, a frase é clara: os EUA e seus aliados, ao que me consta o pais construtor do Bombardier (com suas duas linguas) é aliado dos irmaos do sul, hehehe, abs, Caio

  • Pedro Innecco

    -

    8/2/2012 às 7:45

    Já viram essa?
    Anonymous exposes e-mails of Syrian presidential aides: http://arstechnica.com/tech-policy/news/2012/02/anonymous-hackers-expose-emails-of-syrian-presidential-aides.ars
    possivel assunto para mim, abs, Caio

  • Magno Adão de Souza

    -

    8/2/2012 às 1:29

    Jamais neguei que Getúlio Vargas simpatizasse com teses caras ao fascismo, como a identificação plena entre Estado e sociedade, a exaltação ao nacionalismo e a glorificação da figura de um líder mítico a pairar sobre o bem e o mal. Observei apenas que ele não ostenta todas as características que a ciência política elenca para descrever um líder fascista. Vargas era extremamente autoritário e personalista, dada sua franca adesão ao pensamento positivista esposado por seu mentor, Júlio de Castilhos, mas não era um fascista à moda de Hitler, Mussolini, Franco, Salazar, Horthy e Pilsudski. Vale lembrar que Vargas perseguiu implacavelmente os integralistas – agrupamento político que se notabilizou por defender idéias bastante semelhantes às propugnadas pelo fascismo – após o golpe que implantou o Estado Novo em novembro de 1937, o que fez com que um grupo deles realizasse no ano seguinte um malsucedido ataque ao Palácio Guanabara, residência oficial da Presidência da República.
    Jamais sustentei que o governo israelense deveria ter desistido de seu legítimo intento de levar Adolf Eichmann ao banco dos reús para responder pelos crimes de lesa-humanidade que cometeu ao contribuir decisivamente para a montagem da metódica logística de transporte responsável pela condução de milhões de judeus europeus aos campos de extermínio construídos pelo regime nazista. Ponderei apenas que os agentes do Mossad que capturaram Eichmann num subúrbio de Buenos Aires contrariaram frontalmente preceitos elementares do direito das gentes ao atuarem num território imune à jurisdição do Estado judeu. A recusa do governo de David Ben-Gurion em solicitar a extradição de Eichmann ao Estado argentino decorreu de seu receio de que o ex-oficial da SS nazista pudesse fugir para outro país ou ser entregue ao governo da República Federal da Alemanha, encabeçado então pelo chanceler democrata-cristão Konrad Adenauer – cujo desprezo a Hitler não o impediu de acercar-se de assessores sobre os quais recaíam suspeitas de terem mantido ligações com o regime nazista, como Hans Globke, seu braço direito por dez anos. O governo de Arturo Frondizi dificilmente teria se escusado de entregar Eichmann a Israel alegando a inexistência de um tratado de extradição entre os dois países, pois tal obstáculo legal poderia ter sido facilmente contornado mediante a formulação de uma simples promessa de reciprocidade.

  • Magno Adão de Souza

    -

    8/2/2012 às 1:02

    mais valia,

    Jamais neguei que Getúlio Vargas simpatizasse com teses caras ao fascismo, como a identificação plena entre Estado e sociedade, a exaltação ao nacionalismo e a glorificação da figura de um líder mítico a pairar sobre o bem e o mal. Observei apenas que ele não ostenta todas as características que a ciência política elenca para descrever um líder fascista. Vargas era extremamente autoritário e personalista, dada sua franca adesão ao pensamento positivista esposado por seu mentor, Júlio de Castilhos, mas não era um fascista à moda de Hitler, Mussolini, Franco, Salazar, Horthy e Pilsudski.
    Jamais sustentei que o governo israelense deveria ter desistido de seu legítimo intento de levar Adolf Eichmann ao banco dos reús para responder pelos crimes de lesa-humanidade que cometeu ao contribuir decisivamente para a organização metódica da logística de transporte que conduziu milhões de judeus europeus aos campos de extermínio construídos pelo regime nazista. Ponderei apenas que os agentes do Mossad que capturaram Eichmann num subúrbio de Buenos Aires contrariaram frontalmente preceitos elementares do direito das gentes ao atuarem num território imune à jurisdição do Estado judeu. A recusa do governo de David Ben-Gurion em solicitar a extradição de Eichmann ao Estado argentino decorreu de seu receio de que o ex-oficial da SS nazista pudesse fugir para outro país ou ser entregue ao governo da República Federal da Alemanha, encabeçado então pelo chanceler democrata-cristão Konrad Adenauer – cujo desprezo a Hitler não o impediu de acercar-se de assessores sobre os quais recaíam suspeitas de terem mantido ligações com o regime nazista, como Hans Globke, seu braço-direito por dez anos. O governo de Arturo Frondizi dificilmente teria se escusado de entregar Eichmann a Israel alegando a inexistência de um tratado de extradição entre os dois países, pois tal obstáculo legal poderia ter sido facilmente contornado mediante a formulação de uma simples promessa de reciprocidade.

  • Betty

    -

    8/2/2012 às 0:38

    Tai’, boa idea! Os estados árabes e o Iran reconhecem os Estado de Israel como Estado Judeu, o Estado Independente da Palestina recebe os quarto milhões de descendentes dos originais refugiados que sao mantidos em campos refugiados pelos amantíssimos irmãos , e ai’, os tratados de 1555, 1648 e os que advieram deles serão retrofitted para 2012. Boa noite.

  • Magno Adão de Souza

    -

    7/2/2012 às 23:11

    O direito das gentes reconhece que qualquer Estado tem o direito de lutar por ua autodefesa, mas não ao preço da afronta à soberania de outro. Nenhum doutrinador do direito das gentes admite que um Estado promova guerras preventivas ou preemptivas pelo simples fato de corresponderem em última análise a uma clara afronta ao princípio da soberania nacional, pedra angular do moderno conceito de Estado definido pelos Tratados de Westfália – acordos que puseram fim à sangrenta Guerra dos Trinta Anos.

  • Magno Adão de Souza

    -

    7/2/2012 às 22:40

    Pedro,

    Pertinente sua observação sobre a recusa dos Estados europeus em prestar qualquer forma de ajuda a Israel durante a Guerra do Yom Kippur. Numa reunião da Internacional Socialista havida pouco depois do encerramento daquele conflito, Golda Meir admoestou duramente os governantes europeus – boa parte dos quais filiados àquela confraria – por terem-se negado a permitir o reabastecimento em seu território dos aviões americanos que transportavam armas para Israel, dentre os quais se destacou o social-democrata Bruno Kreisky, que ocupou o cargo de primeiro-ministro da Áustria por cerca de duas décadas. Kreisky, um judeu, vangloriava-se de jamais ter-se dobrado às pressões de Golda Meir e de ter sido o primeiro estadista do Ocidente a defender sem meias palavras a criação do Estado Palestino. A prudente distância que os países europeus mantiveravam frente a Israel naquele período não evitou, porém, que fossem as principais vítimas do vertiginoso aumento no preço do petróleo que as nações árabes reunidas na Opep decretaram em fins de 1973 para retaliar o Ocidente, ao qual culpavam pela derrota sofrida por Egito e Síria na supracitada guerra.

  • carlos cezar

    -

    7/2/2012 às 22:37

    Cara betty, se a Europa não fala essa ou aquela língua, devemos isso à evolução humana. Só na sua cabecinha há outra interpretação para a evolução humana.

  • maisvalia

    -

    7/2/2012 às 22:28

    …justicialista do general Juan Domingo Perón, que, durante a Segunda Guerra Mundial, a exemplo da maior parte dos oficiais-generais das Forças Armadas da Argentina, nutriu aberta admiração pelos regimes fascistas…
    É MAGNO, O ‘ESTADISTA’DITADOR GETULHO (BY EMIR) TAMBÉM.
    E OUTRA COISA, NO SEU PRÓPRIO COMENTÁRIO VOCÊ EXPÕE A ACERTADA DECISÃO DE ISRAEL EM CAPTURAR O MONSTRO ASSASSINO DE NOME EICHMANN. SE FOSSE DE MANEIRA DIPLOMÁTICA/JUSTIÇA INTERNACIONAL NÃO SURTIRIA EFEITO, ENTÃO O QUE FAZER?, DEIXAR O AÇOUGUEIRO VIVENDO NO BEM BOM NOS PAÍS DOS MILONGUEIROS?

  • betty

    -

    7/2/2012 às 22:10

    Desculpe, mas sou eu de novo, porque a memoria da tribo anda meio fraca e sei que o paje quer ir jantar. Se hoje a Europa nao fala alemao, deve-se ao EUA. Se a Europa nao fala uma lingua eslava deve-se a alianca Americana e Israelense, sendo que jamais nenhum soldado que nao Israelense tenha morrido defendendo o Estado Judeu. E se os senhores quiserem beber a sua cervejinha de vez em quando e as senhoras nao terem que sair de burka por ai, e’ melhor abrir o olho. Mais uma coisinha. O direito de legitima defesa putativa nao sao metodos ilegais nao senhores. E’ a mais basica obrigacao do estado para com os seus cidadaos.

  • betty

    -

    7/2/2012 às 21:54

    Caio, juro que voce merece um descanso, mas nao posso deixar passar dois comentarios.Um de “consenso universal”. Deve ser de outra galaxia, pois a resolucao 242 fala em territorios, nao necessariamente fronteiras de 67, pois estas sao indefensaveis. Outra sobre “minoria irrelevante que nao aceita Israel”.Se o fraseado nao tivesse sido escrito num portugues tao bonito e elegante, diria que origem do texto era do falecido Arafat. Essa tal minoria irrelevante brequou o Estado Palestino em 37, 48, 67, 93, 95, 2000, 2007. Pode escolher o AD.

  • Magno Adão de Souza

    -

    7/2/2012 às 21:49

    Anouk,

    Adolf Eichmann não era realmente flor que se cheirasse, mas e daí? Pensei ter sido bem claro quando afirmei que os crimes praticados por ele não justificam a clara violação ao direito internacional consubstanciada por sua captura por agentes do serviço secreto israelense em território argentino. Os agentes do Mossad exorbitaram claramente de sua autoridade ao manter Eichmann sob custódia num território fora de sua jurisdição. O governo argentino de então, comandado pelo advogado radical Arturo Frondizi, só não protestou formalmente perante a Corte Internacional de Justiça para evitar expor em demasia a promíscua e comprometedora teia de relações mantida entre criminosos de guerra nazistas e proeminentes políticos e plutocratas ligados ao regime justicialista do general Juan Domingo Perón, que, durante a Segunda Guerra Mundial, a exemplo da maior parte dos oficiais-generais das Forças Armadas da Argentina, nutriu aberta admiração pelos regimes fascistas.

  • Pedro Innecco

    -

    7/2/2012 às 21:28

    Magno:
    Provavelmente uma das minhas únicas críticas a Israel é o suporte a África do Sul (back then) que foi um mal nescessário para Israel por falta de amigos.
    .
    Sobre 1973 Israel viu seus vizinhos se armando nas fronteiras e sabia do que ia acontecer. Mas mesmo assim EUA advertiu Israel a não atacar preventivamente e como resultado, Israel perdeu uma boa vantagem e muita gente inocente. Só depois de Israel estar em sérios apuros que os EUA chegaram. E a Europa não deixou nenhum avião Americano pousar no seu território, nem mesmo para reabastecer.
    .
    E é por isso que Israel c* e anda para o que os outros pensam. E com razão.

  • maisvalia

    -

    7/2/2012 às 21:27

    Essas verdadeiras ovelhinhas ingênuas que acreditam que no caso da Síria a intervenção será em nome da “população que está sendo massacrada pelo tirano”, não buscam entender o que se passa, já engolem o que a mídia joga. E, diga-se de passagem, a grande mídia brasileira costuma, aliás sempre, só repassar o que já vem moldado de fora.
    É BEM MELHOR DO QUE SER MOLDADO PELO PC DO B, AQUELE QUE MANDOU CONDOLÊNCIAS AO TIRANO MORTO DA COREIA PEAL PROSPERIDADE QUE TROUXE AO SEU POVO E APOIA A TIRANIA DOS CASTRO, ONDE O NOSSO MARXISTA RANCOROSO VAI BUSCAR SUAS PALAVRAS REPETIDAS DE ORDEM.
    DEFENDER O TIRANO ASSAD FAZ PARTE DESTA MENTALIDADE QUE NÃO É MASSA SE MANOBRA. ANTES APOIARAM O GADAFI.
    JÁ DISSE AQUI, ESTE TIPO DE ESQUERDOPATA SE JUNTA E APOIA QUALQUER PORCARIA DE DITADOR OU TIRANO, DESDE QUE SEJA CONTRA UZMERICANUZ.
    ISTO É SER MASSA DE MANOBRA.
    SAQUINHO POR FAVOR!

  • Vera

    -

    7/2/2012 às 21:17

    Nossa…
    Radicais palestinos que não aceitam Israel são fracos e irrelevantes?!!!
    O maledicente Hamas e sua pregação do ódio e intolerância então é irrelevante?
    Sem comentários… devo concordar com o maisvalia (18:16), é triste e patético… e acrescento, espalha-se uma perniciosa ideologia do ódio e do rancor, cujo mal à humanidade, será sentida ainda mais nas próximas gerações do que nós hoje. Lamento pela geração que está por vir sob esse viés.

  • Anouk

    -

    7/2/2012 às 21:14

    Magno,
    O doce Eichmann, ao ser pego de surpresa pelos agentes, grunhiu como todo covarde.

  • Magno Adão de Souza

    -

    7/2/2012 às 20:52

    Pedro,

    Não é veraz sua afirmação dando conta de que Israel nunca pôde contar com o auxílio de outros países nas guerras em que se envolveu. As armas que lhe foram fornecidas pelo governo Nixon desempenharam papel decisivo para a vitória do Estado judeu na Guerra de Yom Kippur, na qual ele esteve a um passo de sucumbir. Nos primeiros dias daquela conflagração, o lendário general Moshe Dayan – que ocupava então o cargo estratégico de ministro da Defesa – confidenciara a membros do gabinete trabalhista da primeira-ministra Golda Meir, bem como a assessores próximos e jornalistas que desfrutavam de sua intimidade, seu receio de que a terceira queda do Templo de Jerusalém estivesse na iminência de acontecer, numa óbvia alusão ao possível colapso do Estado hebreu. Admiro Israel pela tenacidade, dedicação e bravura de sua valorosa gente, mas não coonesto os metodos ilegais de que seus governantes se valeram para garantir a segurança de suas fronteiras nem as posições equivocadas que tomaram no tocante à sua política externa, como a de ter apoiado o regime segregacionista da África do Sul. Abomino fórmulas maniqueístas tão ao gosto de mentalidades tacanhas e autoritárias, como a retratada por George W. Bush, pois não abro mão da minha capacidade de pensar por mim mesmo.

  • Fabricio Juliano

    -

    7/2/2012 às 20:37

    Caio, com o devido respeito, mas você, também, sempre incorre no mesmo erro de contra-argumentar quem critica os EUA, dizendo que esse ou aquele país foi, ou é, pior. No caso dos vetos perante o CS, o fato da Rússia/URSS ter feito mais vetos, de forma alguma exclui o que eu digo todo tempo aqui no blog. O que eu ataco, sempre, é o fato de haver tantas pessoas ditas, cristãs, de bons costumes, de boa família, de moral, éticas etc etc etc, que tem nos EUA uma espécie de refúgio para todas as moléstias do mundo, uma espécie de entidade divina de onde as ações são corretas pois sempre buscam a justiça, democracia, levar os direitos humanos e demais lorotas que, pelo amor de qualquer deus, é um absurdo acreditar. É um país, e tão somente isso, que é movido por interesses econômicos, políticos, assim como os outros vilões da história moldada. Um país que nunca vacilou em matar milhares de inocentes na defesa de seus interesses econômicos. Um país que nunca vacilou em recrutar jovens de sua classe mais pobre, para lutar e morrer em nome, na verdade, da soberania econômica e política. Essas verdadeiras ovelhinhas ingênuas que acreditam que no caso da Síria a intervenção será em nome da “população que está sendo massacrada pelo tirano”, não buscam entender o que se passa, já engolem o que a mídia joga. E, diga-se de passagem, a grande mídia brasileira costuma, aliás sempre, só repassar o que já vem moldado de fora.
    Fabricio, aqui para mim é simples. Discordo de governo A ou B nos EUA, pais faz bobagem, comete atrocidades, faz guerras erradas, toma caminhos que nao deveria, mas todos os paises no mundo nao sao iguais, nao sao movidos pelos mesmos interesses, nao é tudo a mesma porcaria, cuidado com as mesmas equivalencias. No geral os motivos que levaram os russos a usarem veto na ONU sao piores do que os criterios americanos por uma questao de valores. Obviamente que posturas americanas as vezes estao erradas, como o apoio ao apartheid, ao Pinochet, aos Somozas da vida e nao existe uma aliança cega com Israel, os americanos fazem bobagem, Israel faz bobagem, claro que sim. Quem nao faz bobagem é a Coreia do Norte. Os EUA e seus aliados representam para mim os melhores valores para a humanidade, valores da economia do mercado e da democracial liberal, nem sempre sao coerentes, mas é o caminho a ser seguido e corrigido. Acho que uma definicao que usei decadas atras ainda vale, mais do que pro americano sou antiantiamericano, abs, Caio

  • Gustavo C.

    -

    7/2/2012 às 20:19

    OK, boa noite, abs

  • Gustavo C.

    -

    7/2/2012 às 20:12

    Você havia respondido que “quem veta o Estado Palestino com as fronteiras de 67 é o Hamas”, depois a resposta sumiu. Abs
    Eu ia elaborar uma resposta, mas desisti, basta de polemicas hoje, hehehe, abs, Caio

  • Gustavo C.

    -

    7/2/2012 às 20:05

    É, Caio, é o Hamas, sim. Abs
    ????Abs, Caio

  • Pedro Innecco

    -

    7/2/2012 às 20:01

    “general de DEZ (10) estrelas” [sorry!] :)

  • Gustavo C.

    -

    7/2/2012 às 19:55

    Caio, quando você tenta distinguir os vetos russos/soviéticos dos americanos, e mesmo os americanos para proteger a AFS dos americanos para proteger Israel, está esquecendo um dado fundamental: o mais importante não é se Israel é um país melhor que a África do Sul dos anos 80 ou os países árabes de hoje, mas que há um consenso na humanidade e na comunidade das nações de que deve ser estabelecido um Estado Palestino com as fronteiras de 67. Não adianta caricaturar isso como ódio islâmico, nem discutir se é justo ou não – é consenso universal. Há, sim, radicais palestinos que não aceitam Israel, mas são tão fracos que a posição deles é irrelevante, o status quo só se mantém, na verdade, por oposição de Israel e dos EUA. Neste sentido, o ato de usar reiteradamente o poder de veto para manter uma situação a qual quase toda a humanidade (inclusive a maior parte do povo americano) se opõe, é realmente um arbítrio abusivo do governo americano. Abs

  • Pedro Innecco

    -

    7/2/2012 às 19:55

    Caio:
    Também não. Mas para que não aconteça o ataque, o mundo tem que (citando o Renato Russo) parar de dar uma de “general de 7 estrelas, que fica atráz da mesa…” (vocês conhecem o resto) e peitar o Irã. Principalmente a Europa com esse papo podre de “multiculturalismo”, que não tem nada a ver com integração ou cosmopolitanismo.

  • Pedro Innecco

    -

    7/2/2012 às 19:49

    Magno:
    ” As declarações absurdas de Ahmadinejad acerca do Holocausto e as ambições nucleares do Irã não justificam sob hipótese alguma a violação de leis internacionais pelo Estado judeu, que não tem o direito de fazer justiça com as próprias mãos [...]”
    .
    Vou citar Douglas Murray e Pat Condel: Israel pouco se importa com os seus “achismos”, e tem mais é que não se importar mesmo. Pois durante o holocausto, ninguém se importou com os judeus. Nas olimpíadas de 1972, tinha gente jogando pingue-pongue e tomando um sol a só alguns metros de onde a delegação Israelense estava sequestrada. E quando o estado foi ameaçado com aniquilação em 1973, também ninguém fez nada. E agora com o louco do Ahmadinejad, também ninguém faz nada. Israel aprendeu que no final das contas, só pode cotnar com Israel.
    .
    E quando Israel finalmente colocar um fim no planos planos nucleares do Irã, o mundo todo estará secretamente dando graças a deus por Israel. Pois qualquer pessoa em sã consciência sabe que o Irã é uma ameaça, não só para Israel, mas para o mundo civilizado.
    Estou enrolado e cansado para entrar na conversa, caro Pedro, mas um eventual ataque é uma decisao historica sobre a qual devemos roer as unhas. Espero que nao ocorra o ataque, abs, Caio

  • Magno Adão de Souza

    -

    7/2/2012 às 19:30

    Ao ter atribuído a Andrei Gromyko – o sagaz diplomata que exerceu o cargo de chanceler da extinta União Soviética por quase três décadas – o epíteto de “Mr. Niet”, a imprensa americana teve por objetivo ironizar em tom jocoso a irrefreável tendência que aquele país tinha de exercer seu direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas para barrar propostas de resolução patrocinadas pelas potências ocidentais, boa parte das quais destinada a intermediar soluções de paz para conflitos regionais e guerras civis em países africanos.
    É inegável que a nação israelense cometeu atrocidades contra populações árabes, mas não é menos verdadeiro que ela vive sob um Estado Democrático de Direito, no qual distintas forças políticas podem manifestar livremente suas posições e participar de eleições, ao contrário do que infelizmente ocorre em quase todo o mundo muçulmano. A rala credibilidade desfrutada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU deve-se em grande medida ao fato de ter abrigado em seu seio países como Líbia do coronel Kadafi e a Síria de Bashar al-Assad. Ao se abster na votação que apreciou uma proposta de resolução que foi apresentada naquela comissão nos idos de 2006 para censurar o governo sudanês pelos massacres que milícias sob seu comando perpetraram na região de Darfur, a delegação brasileira debilitou sobremaneira a imagem de nossa diplomacia perante as nações democráticas.
    Bom acrescimo, caro Magno, ao que eu disse para o Fabricio, abs, Caio

  • Pedro Innecco

    -

    7/2/2012 às 19:22

    Carlos Cezar:
    O modelo do CS da ONU é falho. Veja também a Russia (e antes a URSS) e a China vetando tudo que é do interesse deles. Em um mundo perfeito o CS não deveria ter esse veto de membros permanentes. Só que na minha definição de mundo perfeito, não existe aiatolás ou qualquer outro retardado pregando a destruição de um país ou de um povo. O Brasil deveria brigar para que o CS não tenha veto de membros permanentes, ao invéz de querer entrar com poder de veto e potencialmente se transformar em outro truculento.
    .
    Em outra nota, este vídeo me lembrou o seu debate colorido de ontem com MV: http://www.youtube.com/watch?v=nG4NYnQ4Q_M

  • carlos cezar

    -

    7/2/2012 às 19:07

    Caro Caio, a lista de vetos no CS apresentada pelo Fabrício é uma vergonha à humanidade. Em todos os sentidos. Está claro, aliás, como sempre foi, que, por trás de cada veto, há o interesse específico de algum país favorecendo outro país. Não há um interesse geral pelo respeito aos direitos humanos. Quanto a Israel ser visto como a um tumor, como você diz, acredito não ser uma verdade literal. Eu mesmo, a despeito de minha revolta com as invasões e desapropriações na Cisjordânia levadas a cabo por Israel, não vejo o estado judeu como a um câncer, ao contrário, sei que existe ali uma população de pessoas inteligentes que têm contribuído bastante ao desenvolvimento humano.
    Abs.
    Carlos, este treco do cancer quem falou por estes dias foi o “lider espiritual” do regime iraniano, o aiatola Khamenei, abs, Caio

  • Pedro Innecco

    -

    7/2/2012 às 19:06

    Vera:
    Da forma que eu vejo, Hitler é um passado do qual não devemos esquecer jamais. Mas enquanto tem gente aí “beating a dead horse”, há imãs no Reino Unido chamando para a matança de judeus. Não há 60 anos atráz, mas AGORA. Evidentemente que não minimizo Hitler, mas tento chamar a atenção para os “falsos amigos” do povo judeu.
    .
    Veja o Galiano por exemplo. Evidentemente que os comentários antisemita dele são totalmente abusurdos e ele deve serpunido SIM. Mas enquanto os europeus ficam se demonstrando indignados com esse um tia bêbada e mal educada em um restaurante na frança, tem um monte de loucos como Ahmadinejad, Anjem Choudary, Hamas, o (atual) Mufti de Jerusalem, incitando o assassinato e judeus e ninguém faz nada ao respeito! Estou cansado deste multiculturalismo Europeu perverso.

  • Fabricio Juliano

    -

    7/2/2012 às 18:38

    Perdão pela extensão do comentário Caio, mas é de grande valia para o debate.
    Fabricio, nos ultimos dez anos os EUA tem vetado mais (deve haver uma correlacao com o governo Bush), mas nao se compara ao uso de veto sovietico/russo na historia da ONU. Nao tenho tempo para checar agora, mas como te falei, os EUA exercem muito poder de veto ao longo das decadas devido ao excesso de resolucoes contra Israel. Nao li esta lista que voce compilou, mas imagino que haja muita coisa relacionada com Israel, visto como um tumor cancerigeno no mundo arabe, islamico e terceiro mundista.
    Since the Security Council’s inception, China (ROC/PRC) has used its veto 6 times; France 18 times; Russia/USSR 123 times; the United Kingdom 32 times; and the United States 82 times. Pode estar desatualizada.
    Abs, Caio

    Fabricio, de resto, meu foco no momento é o fato de russos e chineses facilitarem o massascre do povo sirio por seu proprio Exercito, abs, Caio

  • Fabricio Juliano

    -

    7/2/2012 às 18:36

    Vetos dos EUA às resoluções do Conselho de Segurança da ONU entre 2006 e 2011:

    2006 – Calls for an end to Israeli military incursions and attacks on Gaza.
    2006 – Calls for an end to the financial embargo against Cuba.
    2007 – Calls for peaceful uses for outer space.
    2007 – Calls for a convention against female descrimination.
    2007 – Concerning the rights of children.
    2007 – Concerning the right to food.
    2007 – On the applicability of the Geneva Convention to the protection
    of civilians in time of war.
    2007 – Calls for the protection of the Global Climate.
    2007 – Calls for Indian Ocean to be declared a zone of peace. Calls for
    a nuclear weapon-free South East Asia.
    2007 – Calls for the right of self determination for the Palestinian
    people. Other resolutions regarding the Palestinians and their rights.
    2008 – Calls for progress towards an arms trade treaty.
    2008 – Banning the development of new weapons of mass destruction.
    2008 – Assuring non-nuclear states they will not be attacked or
    threatened with nuclear weapons.
    2008 – Prevention of the development of an arms race in outer space and
    transparency in outer space activities.
    2008 – Calls to decrease the operational readiness of nuclear weapons
    systems and to ban nuclear weapons.
    2008 – Calls to end the use of depleted Uranium in weapons.
    2008 – Concerning the trade in illicit small arms.
    2008 – Calls for a nuclear free Central Asia and a nuclear free Southern Hemisphere. Prevention of proliferation in the Middle East.
    2008 – Calls for a comprehensive (nuclear) test ban treaty. Calls for a
    nuclear weapon free world.
    2008 – Calls for a treaty on children’s rights.
    2008 – Condemns racial descrimination.
    2008 – Affirms the soverignty of Palestinians over the occupied
    territories and their resources.
    2008 – Affirms the right of the Palestinians to self determination.
    2008 – Calls on Israel to pay the cost of cleaning up an oil slick off
    the coast of Lebanon caused by its bombing.
    2008 – Calls for a new economic order.
    2008 – Calls for a right of development for nations.
    2008 – Calls for a right to food.
    2008 – Respect for the right to universal freedom of travel and the
    vital importance of family reunification.
    2008 – Concerning developments in information technology for international security.
    2008 – Resolutions concerning Palestine, its people, their property, and Israeli practices in Palestine, including settlements.
    2009 – Calls for an end to the twenty-two-day-long Israeli attack on Gaza.
    2011 – Calls for a halt to the illegal Israeli West Bank settlements.
    2011 – Calls for Israel to cease obstructing the movement and access of
    the staff, vehicles and supplies of the United Nations Relief and
    Works Agency for Palestinian Refugees.
    2011 – Calls for the immediate and complete cessation of all Israeli
    settlement activities in all of the Occupied Palestinian Territory,
    including East Jerusalem, and in the occupied Syrian Golan.

  • maisvalia

    -

    7/2/2012 às 18:16

    Triste e patético como existem tantos colonizados que defendem tão avidamente esse país. Pura massa de manobra.
    TRISTE É VER QUE A IDIOTIA DO PC DO B FLORESÇA NA BANANIA COM ESTES TERMOS REPETIDOS E RANCOROSOS, INVEJOSOS E DE BAIXO NÍVEL.
    SÓ UMA ESCOLA COM PROFESSORES MARXISTAS PODER GERAR ENERGÚMENOS DESTE PORTE.
    DEVEMOS ESTE RAIAR DE IMBECILIDADE SOBRETUDO AO GRANSCI E AO BANANEIRO FREIRE, POR DIFUNDIREM A IDEOLOGIA DO ATRASO, DA TIRANIA COMUNISTA.
    ARGH, PARA LER OS SEUS COMENTÁRIOS SÓ COM SAQUINHO DE AVIÃO À MÃO.
    ISTO É TRISTE, MUITO TRISTE

  • Magno Adão de Souza

    -

    7/2/2012 às 18:04

    Anouk,
    Referi-me aos assassinatos que agentes do Mossad cometeram por ordem expressa do Estado judeu, que obviamente não se limitaram ao recente atentado que ceifou precocemente a vida de um físico nuclear iraniano. O Mossad viola tratados e convenções internacionais desde sua criação, fato claramente evidenciado pela captura ilegal do ex-oficial nazista Adolf Eichmann em território argentino. A circunstância de Eichmann ter sido um dos principais arquitetos da macabra máquina da morte engendrada para dar concretude à “Solução Final” não torna seu rapto por agentes do Mossad menos acintoso à luz do direito internacional. Os homicídios que o Mossad perpetrou contra dirigentes e soldados rasos da organização terrorista “Setembro Negro” fizeram tábula rasa das mais elementares normas que informam o direito das gentes, pois foram executados em nações estrangeiras à revelia de seus respectivos governos. A responsabilidade criminal dos agentes do Mossad implicados direta ou indiretamente no assassinato de membros daquela entidade terrorista não foi atenuada pelos delitos levados a cabo pelos últimos – como os que resultaram no seqüestro de integrantes da delegação israelense na Olimpíada de Munique, cujo trágico desfecho acirrou as desinteligências e ressentimentos que têm colocado árabes e judeus em campos diametralmente opostos.
    A minha suposição acerca do envolvimento do Mossad na morte de um cientista iraniano ocorrida dias atrás é mais que razoável, pois se baseia em elementos factuais e circunstanciais bastante sólidos.

  • Vera

    -

    7/2/2012 às 17:07

    OK Pedro e Alexandre
    Acho que entendí a posição de vcs, mas não vejo tanta relevância assim. No fundo todos sabem que alí se via um ser humano com aspectos normais físicos, porque morais haveria de se desconfiar da austeridade de seus discursos que beirava a uma anomalia congênita, como devemos desconfiar de alguns líderes de agora.
    O mundo não está livre de um outro déspota catatônico disfarçado de paladino de um povo, duma etnia ou nação. A lição que fica, olhos bem abertos com os líderes atuais, como o do Irã por exemplo.

  • Fabricio Juliano

    -

    7/2/2012 às 17:04

    Para todos os que tem os EUA como uma verdadeira “entidade” gloriosa, de onde emana a verdade e a justiça e exemplo para o mundo, e, na atual discussão sobre o veto de Rússia e China, trazem argumentos humanitários e etc para criticar o veto, aqui vai um dado: de 1972 até 2006 os EUA utilizaram seu poder de veto em nada menos do que SETENTA ocasiões. Fonte: http://www.advivo.com.br/node/777200 Não irei descrever todas (porém no site estão todas as 70), porém vejamos algumas bastante interessantes: 1972 Condemns Israel for killing hundreds of people in Syria and Lebanon in air raids.(VETOU A RESOLUÇÃO QUE CONDENAVA ISRAEL POR ESTAR BOMBARDEANDO CIVIS NA SÍRIA E LÍBANO)
    1976 Condemns South Africa’s attempts to impose apartheid on Namibia.(VETOU A RESOLUÇÃO QUE CONDENAVA O APARTHEID NA AFRICA DO SUL);
    1981
    Condemns activities of foreign economic interests in colonial territories.
    Calls for the ending of all test explosions of nuclear weapons.
    Calls for action in support of measures to prevent nuclear war, curb the arms race and promote disarmament.
    Urges negotiations on prohibition of chemical and biological weapons.
    Declares that education, work, health care, proper nourishment, national development, etc are human rights.
    Concerns changes to the United Nations accounting methods. (SOMENTE NO ANO DE 1980 VETOU RESOLUÇÕES QUE PEDIAM O FIM DOS TESTES NUCLEARES E O FIM DAS ARMAS QUÍMICAS E BIOLÓGICAS) – E segue a lista imensa de vetos dos EUA, vale conferir. Vejamos mais alguns bem peculiares: 1983
    Afirms the right of every state to choose its economic and social system in accord with the will of its people, without outside interference in whatever form it takes. (ESSA É CLÁSSICA); 1988
    Condemns Israeli practices against Palestinians in the occupied territories. (VETADO PELOS EUA); 1990
    To send three UN Security Council observers to the occupied territories. (VETADO PELOS EUA); 1999
    Calls on the USA to end its trade embargo on Cuba. (VETADO PELOS EUA); E segue a lista das 70 (setenta) resoluções que os EUA, com voto único, vetaram. Triste e patético como existem tantos colonizados que defendem tão avidamente esse país. Pura massa de manobra.
    Fabricio, hoje que voce esta tao amigo das estatisticas, voce saberia precisar quantas resolucoes foram arquitetadas nas Nacoes Unidas contra Israel por suas violacoes de direitos humanos? O pais é recordista, deve ser a maior mazela da humanidade (para o Khamenei é um tumor cancerigeno), pelo visto, condenado inclusive pela Siria no Conselho de Direitos Humanos, uma das razoes que os EUA exercem tantos vetos envolve tantas votacoes contra Israel. Sobre Africa do Sul, pleno acordo: Reagan/ Thatcher e quem quer que estivesse no poder em Israel nos anos 80 agiram de forma vergonhosa, abs, Caio

  • Anouk

    -

    7/2/2012 às 16:28

    Magno,
    Você entendeu bem muito bem o meu ponto.
    ***
    Segue o que você afirmou sobre o governo de Israel:
    “Para além de terem escarnecido das leis internacionais, os homicídios premeditados que agentes do Mossad praticaram por ordem do Estado judeu aviltaram os preceitos éticos e morais inerentes ao Estado de Direito, que não aceitam que um ente estatal sentencie indivíduos à morte sem lhes garantir o direito ao contraditório e à ampla defesa”.
    ***
    Nesta, a afirmacao transforma-se numa suposicao razoável:
    “É mais que razoável a minha suposição de que agentes do Mossad tenham tramado e executado o atentado que cobrou a vida de um jovem cientista nuclear iraniano semanas atrás. Não me parece plausível imaginar que o governo iraniano tenha dado cabo da vida daquele pobre rapaz de modo tão espalhafatoso”.
    Você possui um talento admirável para desdizer o que foi dito.

  • Felipe Goltz

    -

    7/2/2012 às 16:08

    “Acreditar que o ditador Bashar al-Assad pretenda cumprir as promessas de liberalização política que fez a um preposto de Vladimir Putin é de uma ingenuidade comovente.”

    >> Magno, não se trata de ingenuidades aqui. Pelo contrário. A barra está pesando a cada dia para Assad na Síria que está, oficialmente e diplomaticamente falando, isolado. A jogada da Rússia, que tem amplo canal de comunicação com aquele regime, pode ser de gênio. Mostra que está disposta a negociar algo honroso para Assad, que não tem mais como ficar no poder. E os EUA sabem disso. Se Assad topar a proposta russa, que é muito boa para o sírio e para a Síria, nas atuais circunstâncias, bye bye Obama…

    “Vladimir Putin não passa de um reles oligarca ávido por poder…”

    >> Putin um oligarca? Acho que não. Se for um oligarca a favor, fica solto com os seus bilhões. Se for do contra, faz companhia a Khodorkovsky na prisão.

  • carlos cezar

    -

    7/2/2012 às 16:01

    Um trilhão para o governo americano. A Halliburton e outras centenas de empresas do setor privado obtiveram lucros espetaculares em oito anos no Iraque.

  • Magno Adão de Souza

    -

    7/2/2012 às 15:39

    Vladimir Putin não passa de um reles oligarca ávido por poder, prestígio e influência, como tantos na Rússia pós-soviética. Ele haverá de ser lembrado pela posteridade como um déspota leniente com a corrupção endêmica que perpassa as instituições públicas de seu país.

 

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