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13/02/2012

às 6:00 \ Venezuela

Uma oposição oportunista e oportuna contra Chávez

O discurso ajustado de Capriles - Foto David Fernández/EFE

A oposição venezuelana tem uma chance pequena, mas real, de impedir que Hugo Chávez consiga um terceiro mandato consecutivo de seis anos nas eleições de outubro. Num ano de maratona eleitoral global (vamos ficar de olho já agora em março na Rússia de Vladimir Putin) e de insurreições como as que estão em curso no Oriente Médio, o pleito na Venezuela poderá ser uma lição histórica de descrédito, através de uma via gradualista, de gente como Chávez. Claro que ainda não estamos lá, mas a escolha,  no domingo, em eleições primárias, do candidato presidencial da oposição, Henrique Capriles, foi um passo neste sentido, com comparecimento acima das expectativas, apesar da intimidação governista. Capriles teve uma vitória espetacular, com 2/3 dos votos dos eleitores nas primárias, batendo por 30 pontos o segundo colocado.

A oposição, hoje reunida na Mesa de Unidade Democrática, se movimenta com oportunismo e tira proveito de oportunidades. Lições foram aprendidas. Ao ser reeleito em 2006, Chavez enfrentou uma oposição desconjuntada, na essência eram partidos manchados pela associação com o fracassado golpe antiChávez de 2002 e que tinham cometido o erro de boicotar as eleições legislativas de 2005.  Em 2012, está claro que ficaram para trás as jogadas maximalistas que serviram para maximizar o poder do caudilho. Para frente, está uma proposta moderada de reconciliação nacional.

A aliança atual de 20 partidos (da centro-direita à esquerda radical) se inspira no exemplo da Concertacíon, a coalizão que derrubou a ditadura chilena de Augusto Pinochet. Foi abandonado o discurso meramente bombástico, de confronto e de insultos baratos que interessa a alguém como Chávez. A mensagem da oposição não é de mera contestação ou de polarização, mas de esperança e de união nacional.

Obviamente o caudilho verborrágico não é tratado com afago retórico, mas em geral seu nome nem é mencionado em comícios. Merece boas frases de efeito. Chávez, que se diz recuperado do câncer, ouviu esta recentemente de Henrique Capriles: “Eu lhe desejo uma longa vida, para que possa ver as mudanças na Venezuela com seus próprios olhos”.

Existe agora o oportunismo de tentar cooptar parte do eleitorado desencantado com Chávez, especialmente os mais pobres, mas que não odeia o caudilho e que teme o desmantelamento do sistema de clientelismo social, alimentado pelas receitas de petróleo. Por esta razão, existe este ajuste para uma plataforma eleitoral mais centrista. É uma plataforma realmente gradualista, concentrada em reverter o acasalamento de estado e governo, restaurar a autonomia do Banco Central, dar um basta no papel assistencialista da estatal de petróleo, abolir a milícia presidencial e colocar o Exécito a serviço do país e não mais da revolução bolivariana.

Mas nada de restaurar a toque de caixa as propriedades confiscadas pelo chavismo ou abolir de imediato as leis inconstitucionais. Sintomaticamente, Henrique Capriles, com seu perfil de centro-direita, prefere se rotular agora como de centro-esquerda. No seu contorcionismo, ele nem poupa elogios ao nosso Lula, visto por Capriles como uma alternativa a Chávez na América Latina.

O oportunismo está acasalado com as oportunidades. Estas existem com o surgimento de uma nova geração de líderes, que parecem mais empenhados do que anteriores em se unir solidamente contra o inimigo comum. Existem oportunidades devido ao desgaste do chavismo, `a alta criminalidade e à alta inflação. Mas nada de alta expectativas. Capriles é carismático, Chávez muito mais. O caudilho recebeu uma sobrevida de simpatia graças ao câncer. O regime chavista tem uma formidável máquina eleitoral, de mídia e o controle de instituições do estado e dos recursos. E Chávez pode sempre fraudar resultados eleitorais, como Mahmoud Ahmadinejad, seu aliado do peito e de bravatas infames.

 

O chavismo já foi derrotado matematicamente antes, como nas eleições legislativas de 2010, quando a oposição unida conseguiu uma maioria apertada do voto popular, mas não a maioria de cadeiras, devido a uma reforma eleitoral costurada para favorecer o regime. Teodoro Petkoff, editor do jornal TalCual, ex-dirigente socialista e hoje é um dos mais ferrenhos críticos de Chávez, observa que será preciso transformar uma possibilidade matemática em uma possbilidade política. Para tal, qual o caminho? A oposição precisar roubar pelo menos uns 10% dos votos chavistas em outubro e esperar que o caudilho não roube as eleições.

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Colher de chá para o Ricardo (dia 13, 10:30) por um ponto de vista divergente.  E outra para o Angelo (dia 13, 13:11), pela visão pessoal.

12/01/2012

às 6:00 \ Crise nuclear, Irã, Venezuela

Curtas & Finas (Irã/Venezuela)

Qual é a graça? Foto Juan Barreto/AFP

Uma boa notícia nesta semana foi o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad não ter dado o ar de sua graça em Brasília durante o seu giro pela América Latina. O Brasil não precisava de um Irã para se coçar. Para que uma sarna diplomática? O Irã é um país-pária e que apenas não está completamente isolado no mundo devido a regimes delinquentes como o da Venezuela e cumplicidade de países importantes como a China (sobre China, mais observações adiante).

A má notícia é justamente a solidez das podres relações iranianas com Caracas e seus satélites (Cuba, Nicarágua e Equador), escalas da viagem de Ahmadinejad. Estas ligações perigosas justamente prejudicam os esforços ocidentais para isolar Teerã. Tivemos a piada de Chavez: “Aquela colina vai se abrir e uma grande bomba atômica surgirá”. Quando o líder bolivariano apontou um gramado perto do Palácio Miraflores, o negador do Holocausto deu risadas. Sabemos que as ambições nucleares iranianas não são motivos para brincadeiras.

E a visita de Ahmadinejad foi séria não apenas pelo apoio moral (e humorístico) de Chavez ao regime iraniano. Além do uso da força para conter o programa nuclear (e sabotagem, como os assassinatos de cientistas nucleares – mais um na quarta feira), a única efetiva forma de pressão é um embargo de importações de petróleo iraniano. E esta visita de Ahmadinejad lembrou que seu regime tem aliados que podem ajudá-lo a suavizar o impacto das sanções, especialmente quando os europeus finalmente parecem determinados a adotar este embargo.

E agora voltamos para a China. Por anos, o regime comunista de Pequim tem dado uma mão para Teerã, minando os esforços para isolar o regime islâmico e castigá-lo por suas ambições nucleares. Mas há sinais de que os chineses estão reavaliando a parceria estratégica com os iranianos. Houve uma diminuição das importações de petróleo nas últimas semanas e indícios de que esta redução irá adiante. O Irã é o segundo fornecedor de petróleo para a China  e a Arábia Saudita é o primeiro. O primeiro-ministro Wen Jiabao inicia no sábado visita aos pequenos países produtores do golfo Pérsico e também a Riad para aprofundar ainda mais os laços energéticos. Teerã não é escala da viagem. Ainda bem.

Parte da recalibragem chinesa é que o Irã pode se tornar um ônus geopolítico. As bravatas iranianas de que podem fechar o estreito de Ormuz, por onde passa 1/5 do petróleo mundial, não têm graça em Pequim. O lance ocidental é realmente convencer os chineses que laços muito íntimos com os iranianos são essencialmente um mau negócio. Sem ilusões que Pequim irá se distanciar de forma significativa de Teerã.  Mas tudo que contribua para a implosão deste regime iraniano antes de uma explosão nuclear é lucro.

Como o Brasil, até a China calcula que muita proximidade com o Irã é encrenca da pesada. Más e algumas boas notícias na frente iraniana.

PS: Em um rápido comentário sobre o assassinato de cientistas nucleares iranianos, ora, sem comentários.

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Colher de chá para todos que aqui, em tons diferentes, lembram o perigo da política externa iraniana.

 


 

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