13/02/2012
às 6:00 \ VenezuelaUma oposição oportunista e oportuna contra Chávez
A oposição venezuelana tem uma chance pequena, mas real, de impedir que Hugo Chávez consiga um terceiro mandato consecutivo de seis anos nas eleições de outubro. Num ano de maratona eleitoral global (vamos ficar de olho já agora em março na Rússia de Vladimir Putin) e de insurreições como as que estão em curso no Oriente Médio, o pleito na Venezuela poderá ser uma lição histórica de descrédito, através de uma via gradualista, de gente como Chávez. Claro que ainda não estamos lá, mas a escolha, no domingo, em eleições primárias, do candidato presidencial da oposição, Henrique Capriles, foi um passo neste sentido, com comparecimento acima das expectativas, apesar da intimidação governista. Capriles teve uma vitória espetacular, com 2/3 dos votos dos eleitores nas primárias, batendo por 30 pontos o segundo colocado.
A aliança atual de 20 partidos (da centro-direita à esquerda radical) se inspira no exemplo da Concertacíon, a coalizão que derrubou a ditadura chilena de Augusto Pinochet. Foi abandonado o discurso meramente bombástico, de confronto e de insultos baratos que interessa a alguém como Chávez. A mensagem da oposição não é de mera contestação ou de polarização, mas de esperança e de união nacional.
Obviamente o caudilho verborrágico não é tratado com afago retórico, mas em geral seu nome nem é mencionado em comícios. Merece boas frases de efeito. Chávez, que se diz recuperado do câncer, ouviu esta recentemente de Henrique Capriles: “Eu lhe desejo uma longa vida, para que possa ver as mudanças na Venezuela com seus próprios olhos”.
Existe agora o oportunismo de tentar cooptar parte do eleitorado desencantado com Chávez, especialmente os mais pobres, mas que não odeia o caudilho e que teme o desmantelamento do sistema de clientelismo social, alimentado pelas receitas de petróleo. Por esta razão, existe este ajuste para uma plataforma eleitoral mais centrista. É uma plataforma realmente gradualista, concentrada em reverter o acasalamento de estado e governo, restaurar a autonomia do Banco Central, dar um basta no papel assistencialista da estatal de petróleo, abolir a milícia presidencial e colocar o Exécito a serviço do país e não mais da revolução bolivariana.
Mas nada de restaurar a toque de caixa as propriedades confiscadas pelo chavismo ou abolir de imediato as leis inconstitucionais. Sintomaticamente, Henrique Capriles, com seu perfil de centro-direita, prefere se rotular agora como de centro-esquerda. No seu contorcionismo, ele nem poupa elogios ao nosso Lula, visto por Capriles como uma alternativa a Chávez na América Latina.
O oportunismo está acasalado com as oportunidades. Estas existem com o surgimento de uma nova geração de líderes, que parecem mais empenhados do que anteriores em se unir solidamente contra o inimigo comum. Existem oportunidades devido ao desgaste do chavismo, `a alta criminalidade e à alta inflação. Mas nada de alta expectativas. Capriles é carismático, Chávez muito mais. O caudilho recebeu uma sobrevida de simpatia graças ao câncer. O regime chavista tem uma formidável máquina eleitoral, de mídia e o controle de instituições do estado e dos recursos. E Chávez pode sempre fraudar resultados eleitorais, como Mahmoud Ahmadinejad, seu aliado do peito e de bravatas infames.
O chavismo já foi derrotado matematicamente antes, como nas eleições legislativas de 2010, quando a oposição unida conseguiu uma maioria apertada do voto popular, mas não a maioria de cadeiras, devido a uma reforma eleitoral costurada para favorecer o regime. Teodoro Petkoff, editor do jornal TalCual, ex-dirigente socialista e hoje é um dos mais ferrenhos críticos de Chávez, observa que será preciso transformar uma possibilidade matemática em uma possbilidade política. Para tal, qual o caminho? A oposição precisar roubar pelo menos uns 10% dos votos chavistas em outubro e esperar que o caudilho não roube as eleições.
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Colher de chá para o Ricardo (dia 13, 10:30) por um ponto de vista divergente. E outra para o Angelo (dia 13, 13:11), pela visão pessoal.




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