Blogs e Colunistas

Arquivo da categoria Turquia

23/11/2011

às 6:00 \ Primavera Árabe, Síria, Turquia, Uncategorized

Só falta combinar com o Assad como será sua partida

Acenos de partida? Foto/AFP

Muito deprimente e complicado falar novamente do Egito (e sua longa e caótica luta pelo poder, como escrevi na terça-feira), então vamos mudar de assunto e falar um pouco novamente da deprimente e complicada Síria. Há um senso de inevitabilidade que Bashar Assad irá partir do poder. As dúvidas seriam sobre o tipo de viagem. Como Kadafi da Líbia? Mussolini da Itália? Ceaucescu da Romênia? Temos os rumores que pode ser uma viagem de primeira classe, tão típica de ditadores, para evitar a classe executada, tão típica de tantos ditadores, como a turma citada no começo do texto.

Sobre esta viagem de primeira classe, voam as especulações de que Bashar Assad já teria recebido oferta de asilo dos Emiratos Árabes Unidos e comprado propriedade no valor de US$ 60 milhões em Dubai. Em termos concretos, vizinhos, como o rei Abdullah, da Jordânia, e agora o todo-poderoso Recep Erdogan, da Turquia, pediram a partida do dirigente sírio. Erdogan recomendou que Assad renuncie o mais cedo possível para escapar da execução de um Kadafi.

Até partir, obviamente, Bashad Assad pode deixar um rastro de sangue ainda mais escabroso. Na coluna de terça-feira sobre o Egito, eu alertei contra o perigo de preguiça intelectual na análise da primavera árabe. Minha vez de ser preguiçoso. Vou mais ou menos seguir o rastro de Rami Khouri, um analista bem posicionado e bem informado em Beirute, editor do jornal Daily Star e associado da American University, na capital libanesa.

Existe uma escalada de violência na Síria, com ramificações cada vez mais sectárias (basicamente a maioria sunita contra a minoria alauíta, que é a seita do clã Assad), mas a maior responsalidade é do próprio regime. O que começou como um protesto localizado de adolescentes no sul do país, em março, se converteu em uma insurreição nacional que agora busca a derrocada de Assad.

O regime se mostrou incapaz ou avesso a lidar com os protestos de forma política e recorreu a uma repressão brutal. O resultado foi a resistência, cada vez mais militarizada. Houve também a incompetência ou aversão de Assad para se engajar com iniciativas diplomáticas regionais. Temos agora o regime isolado, embora ainda conte com as boas graças de alguns aliados tradicionais, como a Rússia, que evitam sanções duras no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Até a Liga Árabe se insurgiu e suspendeu um dos seus membros fundadores e, quem diria, o regime dos aiatolás em Teerã (sustentáculo do secular regime de Damasco) dá conselhos para que Assad abrande a repressão. Até a assembleia-geral das Nações Unidas condenou a Sïria por violação de direitos humanos na terça-feira, até com o voto do Brasil, com abstenção russa e chinesa, o que é mau sinal para Damasco. A decisão, porém, não tem o mesmo impacto de uma no Conselho de Segurança.

Para a Síria, trata-se de uma vasta conspiração mundial e à primeira vista o regime se entrincheira. Rami Khouri, porém, considera improvável uma guerra civil em larga escala na Síria. Ele acredita que quando as coisas caminharem nesta direção, haverá o colapso ou deserção de um ou mais pilares do regime Assad. A saber: militares, classe empresarial, alauítas, outras minorias (cristãos, por exemplo) e a classe média silenciosa das principais cidades (Damasco e Aleppo).

O desfecho seria um rápido colapso da ordem vigente. Cada transição na primavera árabe tem suas características e uma das novidades no caso sírio é o papel saliente da Turquia (país não árabe), interessada em inspirar transições nas linhas do seu modelo de um partido islâmico no poder, mas com um estado formalmente secular e liberdades democráticas circunscritas. Falta combinar com a filial síria da Irmandade Muçulmana esta conversão ao modelo turco.

Khouri avalia que a discussão é cada vez mais como vai ocorrer a transição para uma era pós-Assad. Parece provável, mas ainda falta combinar com o ditador os detalhes da partida.
***
Perdão pela demora. Colher de chá para o Érick (dia 23, 13:19). Assunto Assad é sempre triste.

01/11/2011

às 6:00 \ Irã, Israel, Mundo Árabe, Primavera Árabe, Síria, Turquia

Curtas & Finas (Síria)


Difícil dialogar com ditadores, sem falar desalojá-los do poder. Eles têm sua própria lógica, suas próprias mentiras, suas próprias verdades, sua novilíngua orwelliana. Temos, por exemplo, o sírio Bashar Assad. Até a Liga Árabe pressiona o regime de Damasco a iniciar um diálogo com a oposição. Mas em entrevista à televisão russa, Assad não apenas questionou a legitimidade do recém-formado Conselho Nacional Sírio (legítima é a sua ditadura), mas condicionou qualquer conversa ao fim da violência pela oposição. Na lógica orwelliana de Assad, sua guerra é a paz. A violência, na lógica dele, foi deflagrada pelos opositores e não por forças de segurança. Em pouco mais de seis meses, mais de três mil mortos. Como na Líbia, protestos inicialmente pacíficos foram brutalmente reprimidos e o resultado foi a espiral de violência (esta é a versão mentirosa, conforme a versão verdadeira do regime). Assad denuncia a manipulação de protestos por forças estrangeiras, inclusive Israel, e adverte que qualquer intervenção externa na crise síria irá causar um “terremoto” regional (aqui talvez esteja a única verdade verdadeira). Intervenção militar estrangeira, de qualquer forma, parece ser carta fora do baralho. O risco, de fato, poderia ser uma guerra civil em larga escala, com possíveis ramificações regionais (participação de países como Irã, Arábia Saudita, Iraque, Turquia e, se a coisa degringolar, Israel). Existe um impasse na crise síria. A repressão não dá cabo dos protestos e os manifestantes não têm força para derrubar Assad. O nível de violência é insuficiente ainda para justificar uma ação externa. Na verdade (verdade mesmo), Assad até que tem conseguido manter a matança em um nível tolerável para a comunidade internacional. Esta aí um ditador com uma linguagem cruel e calibrada.

20/10/2011

às 6:00 \ Curdos, Hamas, Terror, Turquia

Semicurtas & Finas (Curdos)

Funeral de militar turco - Foto Adem Altan/AFP

Países têm legítimas preocupações com terrorismo e grupos insurgentes. No zelo para se proteger, podem recorrer a ações desproporcionais, invasões e ocupações de terras. Violam direitos humanos. Seus dirigentes usam linguagem truculenta e maniqueísta. Estamos falando de Israel, só pode ser de Israel. Negativo. Estamos falando da Turquia, aquele país que hoje desfralda a bandeira da “primavera árabe” e aproveita para redobrar sua campanha contra Israel, o ex-aliado. Mas a Turquia também tem estas preocupações legítimas com terrorismo e grupos insurgentes. E recebe apoio e credibilidade do Ocidente na sua campanha contra separatistas curdos.

Na quarta-feira, os militantes do Partido dos Trabalhadors do Curdistão (para os turcos, com razão, são terroristas, ao contrário dos heróicos resistentes do Hamas) mataram dezenas de soldados turcos na fronteira da Turquia com o Iraque, no maior ataque em 18 anos. O presidente Abdullah Gul e o primeiro- ministro Recep Erdogan prometem vingança, anunciam combate sem trégua contra o terror e garantem que não vão recuar um milímetro.

E a escala deste último ataque (na sequência de atentados terroristas dentro da Turquia) afasta a possiblidade de uma rápida solução negociada. No começo do mês, o Parlamento turco renovou a carta branca para as tropas do país lançarem ataques por terra, e não apenas bombardeios aéreos, contra os insurgentes curdos que têm bases dentro do Iraque. Resta saber por quanto tempo o governo iraquiano e o governo autônomo curdo vão tolerar estas incursões.

Na sua bravata, O Partido dos Trabalhadores do Curdistão diz representar 25 milhões de pessoas da etnia, que vivem na Turquia, Iraque, Irã e Síria (onde começou uma repressão da pesada da minoria pela ditadura Assad, inclusive com o assassinato de lideranças). Já são mais de 25 anos de insurgência curda na Turquia, com estimativas de 35 mil mortos no lado curdo (além de 20 mil desaparecidos) e cinco mil baixas turcas. Cerca de quatro mil aldeias curdas foram destruídas. O grosso da matança foi nos anos 80 e 90, mas temos agora uma nova escalada de violência, depois de uma fase de concessões mútuas. De um ano para cá, o governo turco prendeu milhares de curdos, inclusive prefeitos eleitos.

A causa curda não tem a mesma visibilidade da causa palestina (e a conversa é muito mais sobre autonomia do que criação de um estado). Os turcos querem cada vez mais apoio militar, diplomático e moral ocidental (nesta hora é conveniente ser membro da Otan) contra os militantes curdos, enquanto dão cobertura aos radicais islâmicos do Hamas. EUA e União Européia, que condenaram este recente ataque, consideram tanto o Hamas como o Partido dos Trabalhadores do Curdistão organizações terroristas. Os dirigentes turcos concordam com metade desta classificação.

29/06/2011

às 6:00 \ Direitos Humanos, Israel, Oriente Médio, Turquia

A nau dos insensatos e aventureiros de novo rumo a Gaza

Por mares já navegados - Foto/AFP

Como dizia o ex-presidente americano Ronald Reagan, there you go again. Eu, não. Eles vão de novo: centenas de ativistas antiisraelenses (termo mais apropriado do que pró-palestinos) singrando nos mares já navegados pela Flotilha da Liberdade para desafiar o bloqueio de Israel em torno de Gaza.

Em maio do ano passado, a provocação teve um desfecho sangrento. Nove passageiros da embarcação turca Mavi Marmara morrreram quando comandos israelenses tomaram o barco, num incidente em que nem todos ativistas eram pacifistas e ardorosos defensores da desobediência civil. A reedição (felizmente) já enfrenta vários obstáculos (problemas de registro dos barcos, falta do seguro, sabotagem e desistência de muitos ativistas), o que deve adiar o início desta jornada com pretensões épicas.

Com o disfarce de ajuda humanitária e manifestação de solidariedade, a flotilha é um golpe de relações públicas. No ano passado, em meio à deterioração das relações com Israel, o governo turco de Recep Erdogan (que acaba de triunfar nas eleições) esquentou a crise. Desta vez, Erdogan não quer embarcar na provocação da flotilha em meio a ensaios de melhoria das relações com Israel e de deterioração na frente síria, onde há uma crescente crise humanitária com massacre de manifestantes e fuga de milhares de pessoas para a Turquia.

Imagine como o regime de Bashar Assad iria reagir a uma flotilha da liberdade, apinhada de ativistas internacionais rumo ao porto de Latakia? Assad não precisa se mobilizar para este cenário. O negócio deste pessoal é viajar no piloto automático para Gaza. Israel é a mãe de todas as maledicências no Oriente Médio. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que tem sido muito ativo para denunciar violações de direitos humanos na região, insiste que ajuda humanitária a Gaza deve ser entregue pelos canais legítimos (através de Israel e Egito) e deplora mais esta provocação. E vamos esperar que as tropas de Assad não aprontem ainda mais em Latakia se os olhos do mundo estiveram voltados para Gaza.

Gaza não é um paraíso e o ideal seria que num futuro próximo seja parte de um legítimo e viável estado palestino. Sim, existe um bloqueio israelense, justificado para impedir contrabando de armas, e nada contra discutir sua eficácia. É uma discussão estratégica válida (entre outras coisas, porque rende pontos políticos para o Hamas, que controla a faixa de Gaza). Mas a crise humanitária é exagerada pela ingenuidade, desinformação e má fé de muita gente. A flotilha, por exemplo, poderia levar um carregamento de autopeças para carros BMW, cuja venda está em alta em Gaza ou mercadorias para o novo shopping-center. Basta da comparação infame entre Gaza e o gueto de Varsóvia.

Se, num milagre, Israel permitisse que as embarcações atracassem em Gaza, os ativistas ficariam frustrados, pois ainda não daria para se hospedar em dois hotéis de luxo prestes a entrarem em operação. Os índices de expectativa de vida e de mortalidade infantil em Gaza são melhores do que na Turquia ou no Brasil. O desemprego de 25% é terrível (na Espanha é um pouco menor), mas indicadores sócio-econômicos decolariam caso não ocorressem disparos de foguetes contra Israel ou o Hamas abandonasse sua mensagem de ódio. O desempenho na Cisjordânia, o outro território palestino, é mais vigoroso.

Mas chega destes números, vamos a letrinhas preciosas. O escritor Howard Jacobson (britânico e judeu), que recebeu em 2010 prêmio literário Booker com A Questão Finkler, escreveu um texto rebatendo a decisão da também premiada escritora americana Alice Walker de embarcar na flotilha. O sábio Jacobson pacientemente explica que mesmo boas intenções (e ele as atribui a Alice Walker) podem causar muito dano.

Começa com a pretensão de Alice Walker de associar sua decisão humanitária a Gandhi, Martin Luther King e mesmo a Jesus Cristo. O paciente Jacobson coloca as coisas no contexto. Existe um bloqueio de Gaza porque o Hamas é um grupo terrorista e foguetes são disparados de lá, ameaçando as vidas de crianças israelenses, que devemos prezar como prezamos as crianças palestinas, sírias, líbias, etc.

Alice Walker diz estar levando cartas expressando amor e solidariedade. E aqui está a questão Jacobson: solidariedade para quem? A parte sentimental é fácil e consensual, mas solidariedade é um termo carregado de política, pois implica em interesses comuns. Vamos admitir, como fazem tantos ativistas antiisraelenses, que o Hamas tem legitimidade para governar, pois foi eleito pelo povo. O Hamas tem como profissão de fé destruir Israel. Então, Alice Walker é solidária a uma população que manifesta hostilidade à existência do estado de um outro povo?

Os passageiros desta flotilha são aventureiros perigosos. Howard Jacobson conclui que o gesto político de ativistas como Alice Walker apenas agrava a situação. As partes envolvidas no conflito precisam ser trazidas juntas e não divididas. Aqueles na flotilha que falam em amor, compaixão e solidariedade estão alimentando o ódio. Prefiro embarcar nas reflexões de Howard Jacobson.

Erdogan triunfou na Turquia. Ufa! Não foi o pior

Erdogan e sua mulher Emine - Mustafa Ozer/AFP

O Partido da Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, triunfou nas eleições turcas em 12 de junho. Poderia ter sido pior. Erdogan, definido como líder de um movimento neoislâmico (moderno e moderado), não conseguiu a supermaioria de 2/3 das cadeiras no Parlamento. Tal resultado permitiria mudanças unilaterais na Constituição para cimentar ainda mais o seu poder e abrir caminho para a criação de uma presidência forte, ao estilo francês. Na verdade, o projeto do neoislâmico Erdogan tem algo do neo-soviético Vladimir Putin, com o poder formal se ajustando aos seus ditames.

A legitimidade política de Erdogan é indiscutível, mas triunfo eleitoral não é o mesmo que democracia, embora seu projeto seja saudado como um experimento em que o islamismo coexiste com a democracia. Por esta razão, é um alívio que seu partido tenha ficado com menos cadeiras no Parlamento, enquanto a divisão tenha se tornado mais diversificada. A oposição secular de centro-esquerda ganhou cadeiras, assim como os nacionalistas de direita e os curdos. No Parlamento, estarão mais mulheres e ativistas dos direitos humanos.

De novo, é preciso reconhecer a proeza de Erdogan. Ele é um dirigente de impressionante carisma e autoconfiança (e arrogância). Erdogan obteve o terceiro mandato consecutivo, algo inédito na democracia multipartidária turca desde 1946. Seu partido terá menos cadeiras no Parlamento, mas ampliou a votação popular (para pouco menos de 50%, em relação a 47% nas eleições de 2007 e 34%, em 2002). E o comparecimento às urnas agora foi de 87%.

Seu governo trouxe prosperidade. No ano passado, o crescimento econômico foi de 8.9%. Erdogan tem uma receita de liberalismo econômico, conservadorismo social-religioso e pendores autoritários. Ele interpretou sua vitória de 2007 como um sinal verde para intimidar jornalistas e oposicionistas. Em 2010, graças a uma emenda constitucional, Erdogan conseguiu o controle da Suprema Corte, colocando juízes sem necessidade de processo de confirmação.

Os eleitores premiaram o Partido da Justiça e Desenvolvimento pela terceira vez consecutiva por trazer mais desenvolvimento e também mais justiça social, mas a recompensa é condicional. O país não quer um cenário de domínio unipartidário. E neste contexto, é importante que a oposição secular do Partido Republicano do Povo se mostre mais viável, menos complacente por seus anos de hegemonia e abafe sua tendência de ir bater na porta dos quartéis sempre que os grupos islâmicos crescem (aliás, Erdogan enquadrou também os militares num país com tradição de tutelagem militar desde a Revolução de Kemal Ataturk em 1923). A oposição secular se mostra competente para ganhar votos, se distanciando do seu modo elitista e cosmopolita. Existe no Partido Republicano do Povo um ranço do tucanato brasileiro.

Eu já elogiei aqui uma entrevista que o historiador Soner Cagaptay deu nas páginas amarelas de VEJA. Ele é um observador atento do turbulento casamento do islamismo político com a democracia. É um arranjo que merece um foco ainda mais preciso diante das turbulências que estão acontecendo no mundo árabe. Afinal, a Turquia, país cada vez mais poderoso, com um pé na Europa e outro na Ásia, é vista como um modelo de inspiração. Num texto nesta semana no Wall Street Journal, Cagaptay lembra que o Partido da Justiça e Desenvolvimento conseguiu vencer, manter e ampliar o poder ao se deslocar para o centro político e empreender o liberalismo econômico. Mas parte da proeza foi esta incompetência política da oposição. Cagaptay está menos pessimista sobre o desempenho dos adversários de Erdogan.

Cagaptay lembra que o o casamento entre o islamismo político e a democracia apenas será bem sucedido em caso de ménage à trois, ou seja, o arranjo precisa de um parceiro liberal. O avanço do Partido Republicano do Povo (rejuvenescido e com mais mulheres) pode ajudar não apenas a proteger a democracia turca, mas, na avaliação de Cagaptay, pode salvar Erdogan dele mesmo. O primeiro-ministro fez acenos humildes e conciliatórios após sua vitória. Mas o fundamental é uma oposição forte para frear seus pendores autoritários Na conclusão de Cagaptay, partidos islamistas podem moderar suas plataformas, mas apenas com eleições livres, imprensa independente e uma forte oposição liberal para lembrar que democracia não é sinônimo de poder sem freios.

Toda vigilância é necessária com Erdogan. Ele tem ambições desmedidas e pode ainda conseguir as mudanças constitucionais costurando apoio político para um referendo. O slogan de sua campanha eleitoral era Meta-2023. ano do centenário da moderna república turca, fundada por Kemal Ataturk. Ele gostaria de estar lá nos festejos, ao final de uma jornada em que terá completado mandatos presidenciais fortes, após ter desempenhado por três vezes o cargo de primeiro-ministro. Ao estilo de Ataturk, Erdogan quer passar à história como o fundador de uma nova Turquia. A melhor meta seria a Turquia selar o casamento entre islamismo e democracia.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados