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Arquivo da categoria Tunísia

08/02/2013

às 6:00 \ Primavera Árabe, Tunísia

A Primavera Árabe e os blocos da promessa e da miragem

Protestos na avenida, em Túnis, depois do assassinato de Chokri Belaid

Dura esta conversa de Primavera Árabe, né? Dura, pois é repetitiva e dura pela sensação de que a encrenca anda em círculos. Onde tudo começou há pouco mais de dois anos, a Tunísia, parece que a coisa voltou ao ponto de partida, com o assassinato do líder oposicionista (e secular) Chokri Belaid na quarta-feira. A moçada foi às ruas para protestar, com os salafistas na espreita ou atuando como vigilantes, muitas vezes com a conivência do partido islâmico Nahda (versão local da Irmandade Muçulmana), que lidera a coalizão de governo.
Duro ver o dia-a-dia da história, se a gente acompanha os eventos freneticamente minuto a minuto e não através do arco mais amplo, ao estilo da “longue durée” do historiador Fernand Braudel. Duro diferenciar entre tendências a longo prazo e pressões momentâneas. Sempre mais cômodo e bombástico, pinçar um fato do dia e determinar o destino das coisas ali no ato. Eu que o diga, beneficiado profissionalmente pela era do blog.
Nossa, que papo-cabeca, que folia intelectual. Mas não vamos mudar de enredo, em homenagem ao carnaval. E especialmente para quem não dá bola para os folguedos (gente da minha escola sem sambistas) e terá tempo de folga, deixo aqui dois textos de fôlego para leitura até domingo sobre este enredo da Primavera Árabe.
Digamos que são dois blocos na avenida. Um é o da Promessa e o outro, da Miragem. O patrocínio do desfile é da revista Foreign Affairs e as duas expressões estão nos títulos de dois ensaios.
Porta-estandarte (ok, autor, mas vamos continuar carnavalescos) do bloco Promessa  é Sheri Berman, professora da Columbia University. Ela viaja na história (é especialista em Europa) para argumentar que o pessimismo disseminado sobre o destino da Primavera Árabe é “quase certamente” fora de lugar.
Com as típicas ressalvas acadêmicas, tipo que a caminhada será penosa e o Oriente Médio tem seus próprios atributos, Berman diz que o mundo árabe não será uma exceção permanente às regras de desenvolvimento político. Para ela, os críticos conservadores da democracia estarão errados desta vez, como estiveram sobre outros paises que supostamente estavam em melhores condições sob a tirania.
Já o porta-estandarte do bloco Miragem é Seth G. Jones, professor da John Hopkins University e diretor-associado da Rand Corporation. Ele alerta para “lidarmos com a região que temos e não com a que queremos”. Esperança é uma armadilha analítica.
Para Jones, as insurrreições dos últimos dois anos representam um “desafio significativo” para o domínio autoritário no mundo árabe. Mas, ele arremata que as “condições estruturais” parecem impedir uma liberalização política na região. Ademais, corrupção e estagnação econômica devem minar progressos adicionais.
Leitores podem pedir passagem e avançar na avenida com suas reflexões.
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Colher de chá para os foliões acadêmicos Sheri Berman e Seth G. Jones. 

A Líbia e as estações políticas no mundo árabe

As tintas eleitorais e as tonalidades democráticas

Não vamos fazer muito onda sobre os resultados (ainda preliminares) das eleições parlamentares na Líbia, mas eles são uma brisa acolhedora na Primavera Árabe. Antes de tudo, foi a vitória do processo (perdão por este jargão): a eleição aconteceu, foi bem menos violenta do que se temia e teve comparecimento acima das expectativas (até em bastiões da ex-ditadura Kadafi). Para os padrões de transição na região, é um bom desfecho. Foi a vitória do pragmatismo sobre a ideologia religiosa.

A opção preferencial dos líbios (um país onde os partidos estavam banidos mesmo antes da ascensão do poder do ditador Kadafi em 1969) foi para para a Aliança das Forças Nacionais do ex-primeiro ministro interino Mahmoud Jibril e não para os grupos islamistas ou abertamente jihadistas. A aliança vencedora é liberal, embora o próprio Jibril não assuma o rótulo fácil,  para os padrões dos grupos que emergiram na Primavera Árabe e sua vitória contrasta com o triunfo eleitoral da Irmandade Muçulmana na Tunísia e Egito.

Jibril, educado nos EUA (como o presidente egípcio, Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana), é um favorito das forças ocidentais que se envolveram na rebelião líbia no ano passado. Foi aquele que confrontou os islamistas dizendo: quem são eles para decidir quem é mais muçulmano? Claro que a identidade muçulmana está enraizada no mundo árabe, e vai florescer nesta Primavera Árabe, mas a proposta de Jibril é de um governo de coalizão, funcional, estável, que atraia capital estrangeiro e que faça o melhor uso possível da riqueza petrolífera.

Nada fácil se movimentar neste espaço exíguo num cenário ocupado de um lado por ditaduras amalucadas, ossificadas e sanguinárias (nas versões seculares e religiosas) e, do outro, por forças com legitimidade eleitoral, porém com pendores iliberais como a Irmandade Muçulmana.

Na Líbia, compromissos inclusive com forças extremistas serão necessários e problemas espinhosos existem, como a persistência de milícias armadas e divisões regionais e tribais, mas até agora o país desafia os prognósticos mais sombrios. Tem petróleo como o Iraque, mas não as mesmas divisões sectárias.

Bobagem qualquer celebração, mas tampouco um obituário desta Líbia pós-Kadafi (alguém ainda com saudades, precisando esbravejar que tudo piorou?). Em termos mais amplos, o cenário no Oriente Médio é fluido e incerto. Em países bem mais importantes do que a Líbia, como Egito e Síria, é dia atrás de dia de marchas e contramarchas.

Já que tantos teimam nas metáforas sobre esta primavera árabe se convertendo no inverno árabe (e o que existia antes das rebeliões?), vamos rebater que nestas transições existem todas as estações ao mesmo tempo.

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Colher de chá para Paulo Boccato e Ricardo Platero, pelas posições opostas. 

22/06/2012

às 6:00 \ Primavera Árabe, Tunísia

Curtas & Finas (Tunísia & Salafistas)

Os salafistas no super-ridículo

Lembram-se da Tunísia, o país da Revolução Jasmim na África do Norte, tiro de largada da Primavera Árabe? Até que é uma experiência decente de governo islamista no poder, com uma agenda pragmática e colaboração de grupos liberais e seculares, mas nem tudo são flores, é claro. O desafio é mostrar se existe conciliaçao entre o respeito à democracia liberal e a identidade islâmica.

Seguramente o negócio de compromisso não é com os extremistas islâmicos, os salafistas (a turba de barba sem bigode). E isto representa um teste para o primeiro-ministro Hamadi Jabali. Falta uma resposta mais vigorosa contra o vandalismo dos salafistas, deflagrado por uma exibição de arte dias atrás. Eles saquearem a galeria onde ocorria a mostra, danificaram um tribunal, atacaram delegacias policiais e tentaram queimar uma academia de arte.

A exibição na galeria privada de arte em um subúrbio de Túnis, de fato, era incendiária, com obras que ridicularizam os salafistas (veja foto) e entrou num terreno mais expolosivo com um trabalho que usa insetos mortos para soletrar a palavra Alá. O governo tem esta promessa de atuar com tolerância, mas ao mesmo tempo teme perder parte do seu eleitorado. E os protestos contra esta exibição foram populares, inclusive junto à base do Nahda, o partido islamista no poder.

O Nahda e o governo não condenaram frontalmente os salafistas e houve empenho para criticar os artistas pela provocação. Enquanto isto, a rede Al Qaeda declarou jihad contra o governo e clérigos salafistas se apossam de cada vez mais mesquitas. Eles pregam contra os princípios democráticos e a liberdade de expressão (dos outros).

É hora dos islamistas moderados da Tunísia serem radicais e firmarem sua autoridade. Momento espinhoso na Revolução Jasmim

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Colher de chá para a Carmem, infatigável para ver as sutilezas e nuances da Primavera Árabe. 

Os camelos de Mubarak e os tanques de Assad

Os métodos de combate a uma rebelião popular - Fotos Getty/AFP

Coluna tem uns rituais. Houve semanas em que toda bendita quarta-feira eu escrevia sobre o circo das primárias presidenciais republicanas (terça-feira foi o bye bye do fervoroso Rick Santorum. Hora de dizer God Bless, Mitt Romney). A maldita crise na Síria está mais para arena sangrenta da primavera árabe do que para circo republicano, mas de uns tempos para cá o assunto é ritual de coluna de quarta-feira. Vamos lá.

Incrédulo, eu vi na televisão o mediador da crise e ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, com aquela cara de quem não dorme há uns 300 anos, dizer que ainda é cedo para anunciar que o seu plano de paz morreu. Annan exige que o cessar-fogo seja implantado, enquanto a ditadura síria exige imediatamente novas condições para que isto aconteça. Ditadura exigente e mentirosa. Em um movimento circular, ela retira tanques de uma cidade, conforme determina o plano de Annan, e aí eles são deslocados para outra.

A suspensão total de hostilidades supostamente deve acontecer agora na quinta-feira. O editorial do Wall Street Journal define a mediação de Annan como farelo diplomático. O editorial do Washington Post diz que o plano não passa de cobertura para o regime sírio massacrar o seu próprio povo. Até os russos, benfeitores de Assad, expressam desconforto com a enrolação do afilhado, mas vão segurar a barra. O primeiro-ministro turco Recep Erdogan, que já foi irmão de Bashar, mas se cansou e deserdou o vizinho, não tem papas na língua. Acusa Bashar de ser pessoalmente responsável pela morte de civis sírios. Desde o anúncio do plano de paz de Kofi Annan, no começo do mês, morreram cerca de mil pessoas na Síria, na maioria civis. São mais de nove mil desde que a rebelião começou em março do ano passado.

Exasperado, pois tropas sírias atacaram até acampamentos de refugiados sírios dentro da Turquia, Erdogan disse que Assad “continua matando 60, 70, 80, 100 cada dia. Tropas sírias atiram sem piedade nas costas de mulheres e crianças em fuga”. No jargão do regime, quem se move integra gangues armadas de terroristas, a serviço de forças estrangeiras. Falando em gangues terroristas, até o Hamas palestino, que já foi afilhado de Assad, tirou o corpo fora e foi buscar a benção das autocracias sunitas do golfo Pérsico. Em breve, a TV estatal síria irá enfiar o Hamas neste balaio de gangue terrorista, finalmente concordando com alguma coisa dita pelas autoridades israelenses.

Em meio à confusão e à exasperação, o esfarrapado plano de paz foi adotado pelo Conselho de Segurança da ONU e a Liga Árabe diante da impossiblidade de aceitação de um plano I (intervenção). Força militar estrangeira num conflito interno é uma decisão atroz. Pode funcionar, como nos Balcãs na década de 90 ou na Líbia no ano passado, mas as condições sírias são mais espinhosas, com as ramificações sectárias regionais. Um outro caminho, igualmente atroz, envolve a determinação e sacrifício de movimentos internos por liberdade, secundados por apoio global. Mianmar da briosa Aung Sang Suu Kyi sinaliza esta via.

As ações brutais do regime sírio chocam, mas, na verdade, não devem surpreender. Este é o seu modus operandi desde os anos 80. Irrompe uma revolta popular e a resposta é esmagar a oposição e punir cidades com o intuito de que nunca mais se levantem. A política de arrasa-cidades, porém, não impede a retomada do ciclo.

Rami Khouri, da American University, em Beirute e que escreve coluna no jornal libanês Daily Star, lembra a diferença essencial entre a insurreição em curso na Síria e o que aconteceu no ano passado na Tunísia e no Egito. O presidente Ben Ali fugiu quando a coisa engrossou e Hosni Mubarak despachou asseclas montados a camelo contra os manifestantes na praça Tahrir. Bashar Assad solta os cachorros no sentido figurado. Espalha tanques, artilharia, franco-atiradores, gangues de assassinos e estupradores pelo país. A prioridade é a barbárie, secundada pela encenação diplomática. Há relatos de brutalidades praticadas por rebeldes e atos terroristas (sobre os quais é difícil atribuir responsabilidade), mas nem de longe é possível equivalência com os crimes contra a humanidade praticados pelo regime Assad.

A ditadura síria dizima civis e as esperanças de reconciliação. Sem repressão, esta ditadura simplesmente não sobrevive. No processo, o regime Assad militariza a oposição. Rami Khouri ainda acredita que uma insurreição não militar em larga escala possa dar conta do serviço, mas depende de apoio unânime do Conselho de Segurança da ONU (algo ilusório diante da cumplicidade russa e chinesa com a ditadura em Damasco).

Os camelos de Mubarak não foram páreo para o levante popular (especialmente quando os militares egípcios decidiram não atirar na massa). Na Síria, os tanques de Assad não resolvem a parada, mas a questão é se o regime poderá ser apeado do poder sem tanques do outro lado ou intervenção estrangeira.

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Colher de chá para Felipe e Pablo, com os quais tive troca de idéias sobre a situação síria.

24/10/2011

às 6:00 \ Egito, Mundo Árabe, Mundo islâmico, Tunísia

Vamos desejar os melhores votos para a Tunísia, até por nós

Dia histórico na Tunísia - Foto Anis Mili/Reuters

Para os histéricos com um discurso erva daninha sobre esta “primavera árabe” e para os eternamente floridos, aqui vai uma mensagem de alguém que devemos cultivar. O nome dele é Salman Rushdie, o escritor que sabe dos perigos do fundamentalismo islâmico. Afinal, ele foi alvo de uma fatwa, mais especificamente, de uma sentença de execução ordenada por aquela flor de pessoa que era o aiatolá Khomeini. Rushdie está vivo e é vivo para falar coisa com coisa sobre as eleições deste último domingo na Tunisia para uma assembléia constituinte.

A mensagem via Twitter, que eu vou traduzir de forma liberal, é a seguinte: dia de eleição, primeira eleição livre depois da “primavera árabe”. Os islamistas vão ganhar? Se isto acontecer, eles serão moderados como prometeram? Grande momento.

Aí, perguntado por um seguidor no Twitter se ele continuaria a dar pancada no Nahda se o partido islâmico “moderado”, como se projeta, tiver uma sólida vitória, Rushdie responde: depende se o partido se tornar opressor. Muitos regimes opressores foram levados ao poder pelo voto. Vamos ver e esperar.

Eu vou esperar com Rushdie, naquela mescla de esperança e apreensão. Ambiguidade é o sentimento adequado quando se trata destes partidos “moderados” islâmicos, com mensagens dúbias, com um discurso para a imprensa internacional e outro para a base, que também esperou um tempão e agora quer a sua vez. Já escrevi um texto na sexta-feira sobre a Tunísia. O pequeno país na África do Norte merece um segundo na sequência, enquanto aguardamos os resultados desta eleição histórica, que podem sair nesta segunda-feira ou na terça.

A promessa de Rachid Ghannouchi, o líder do Nahda, é uma composição com outros partidos, inclusive seculares, como única forma de governar o país. Este veterano político que passou mais de 20 anos no exílio (não em um paraíso islâmico, mas na Grã-Bretanha) disse aos jornalistas que sua meta “é estabelecer fundações de um sistema democrático, sólido, sustentável e irreversível na Tunísia”. Alguém vota contra? Vamos torcer contra o sucesso do casamento entre democracia e islamismo para provar que a região é um caso perdido? Eu não, embora não tenha gostado do discurso da “libertação” (que não é sinônimo de democracia) feito em Bengazi no domingo pelo líder do Conselho Nacional de Transição, Mustafa Abdul Jalil, sinalizando que a lei islâmica será a base na Líbia pós-Kadafi.

Apenas um pouquinho de contextualização: políticos veteranos como Ghannouchi, assim como os companheiros da Irmandade Muçulmana no Egito, onde haverá eleições no final de novembro, sabem que precisam ir devagar com o andor. Ghannouchi já perdeu quando os islamistas se saíram bem em um ensaio de eleição na Tunísia em 1989. Acabou no exílio. Na mesma época, o Exército na Argélia resolveu intervir quando um partido islâmico venceu eleições. O resultado foi uma década de sangrenta guerra civil. Para Ghannouchi, interessa ganhar, mas não ganhar de muito. E ele vai ganhar com o appeal da mensagem que mistura o caminho do islamismo com a promessa de justiça social. Mais do que promessa, partidos como Nahda são craques no assistencialismo e na redenção dos pobres.

E partidos como o dele ganham numa fase inicial. Estão mais organizados e aprenderam a sobreviver na luta contra a ditadura. Quem sabe, inclusive a ambiguidade seja genuina. Políticos como Ghannouchi podem realmente estar divididos entre a necessidade de assegurar o respeito às liberdades civis, como deseja o mundo civilizado, e a promessa de uma lei islâmica mais rigorosa, como deseja a base. Ademais, é preciso distinguir quem é quem no espectro político. Na “primavera árabe”, Nahda e Irmandade Muçulmana emergem no centro, entre os ultraconservadores salafistas (que pregam uma interpretação literal do Corão) e os liberais. Por contingência e posição no espectro, alguém como Ghannouchi pode acabar atuando de forma pragmática. Como disse o mestre Rushdie, é preciso ver e esperar.

De qualquer forma, Ghannouchi e os “moderados” islâmicos não têm como monopolizar na assembléia constituinte. Esta é uma realidade política da Tunísia e será assim no Egito, um país obviamente muito mais importante. A realidade é uma oportunidade para grupos não islâmicos montarem uma base mais sólida de apoio, mesmo que numa fase inicial o desempenho eleitoral seja pífio.

Muitos vão dizer que está tudo escrito, não precisamos esperar, como o escritor Rushdie. O que querem afinal? Voltar na história? Reler o livro de trás para frente? Isto outros já fazem.
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Na colher de chá sobre a eleição no país da revolução jasmim, assumo minha parcialidade e premio o comentário do Érick (dia 24, 11:04), por seu arco histórico e por pensar nas linhas deste colunista (hehehe).

 

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