Curtas & Finas (Somália)
Vamos dar um fecho para duas semanas de colunas e comentários mirins obssesivos sobre a obsessão da ONU, em particular do mundo islâmico, com a questão palestina, numa postura antiisraelense, e que desvia a atenção de outros problemas urgentes. De novo, o foco é a muçulmana Somália, na África do Norte, vítima de todos os problemas possíveis e urgentemente da fome, que pode matar 750 mil pessoas nos próximos meses. Ao longo das décadas, o mundo árabe-islâmico contribuiu para perpetuar o status de refugiados palestinos, discriminados no Oriente Médio (e não apenas nos territórios ocupados por Israel). E o que faz o mundo islâmico pelos refugiados da Somália?
Por cortesia de Akbar Ahmed e Frankie Martin, da American University, em Washington, alguns dados ilustrativos e pouco ilustres. Potentados do golfo Pérsico gastam bilhões de dólares para construir versões de Las Vegas, ilhas artificiais e pistas cobertas de ski lá no deserto. Mas a fome na Somália é mais uma miragem. O único dirigente islâmico que visitou a Somália desde o início da fome foi o primeiro-ministro turco Recep Erdogan.
Tudo pela causa humanitária, tudo pela causa islâmica, tudo pela causa da hegemonia regional. A Turquia sozinha já doou US$ 300 milhões para os refugiados. A generosidade árabe foi bem mais módica (Arábia Saudita, por exemplo, US$ 50 milhões). Em um ensaio na publicação Foreign Policy, Ahmed e Martin, perguntam? Será que os muçulmanos se importam com a fome na Somália? Eles lembram que os líderes islâmicos, com exceção de Erdogan, estão ignorando o Corão, que determina caridade e compaixão pelos pobres e necessitados.


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