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O regime podre de Assad e a doutrina da cebola

Kofi Annan e Bashar Assad em Damasco - Foto Reuters

Alarmes falsos (e eu já soei tantos) sobre a iminência do fim da ditadura de Bashar Assad e também sobre planos de paz quando a rebelião supera um ano (e a marca de nove mil mortos). Agora, é o anúncio do enviado especial das Nações Unidas, o seu ex-secretário-geral, Kofi Annan, de que Assad aceitou seu plano baseado em cessar-fogo, retiradas das falanges governistas dos centros urbanos, agilidade para ajuda humanitária, libertação de presos, diálogo e direito ao protesto pacífico (na visão do regime, este último ponto deve ser o direito de protestar contra a oposição).

Como sempre duro é duro acreditar na implementação de um plano de paz na Sïria de Assad (pai ou filho). O novo plano sequer estipula um prazo. Natural que as tropas de Assad prossigam na sua política de arrasa-cidade (com uma escalada que chegou à zona fronteiriça com o Líbano). Natural que o anúncio de Annan tenha sido recebido com ceticismo pela oposição e diplomatas ocidentais, pois a prática de Assad é ganhar tempo, discutindo modalidades de um plano de paz, enquanto tenta esmagar a rebelião. No roteiro habitual, depois basta repudiar o plano diante de falta de cooperação da oposição, que, de fato, é confusa e desarticulada, unindo-se para desconfiar da sinceridade do ditador.

Neste impasse em que a repressão não acaba com a rebelião e a rebelião não acaba com o regime, as coisas melhoraram para Assad de algumas semanas para cá (faz semanas que eu não falo de sua queda iminente).  Como diz Marc Lynch, professor da George Washington University, em Washington, “Assad está claramente ganhando em termos militares, mas estes ganhos são vitórias táticas vazias. Em termos mais amplos, ele está perdendo controle, perdendo legitimidade”. Em entrevista à BBC, a comissária de direitos  humanos da ONU, Navi Pillay, disse que o dirigente pode ser indiciado por crimes contra a humanidade, por responsabilidade em atos como tortura de crianças. Claro que Assad está isolado (por exemplo, a Síria está suspensa da Liga Árabe, reunida nesta quarta-feira em Bagdá) e sofre crescentes sanções, embora conte com o respaldo de Rússia, China e Irã. Existem também os vexames com o vazamento de e-mails privados do casal Assad, confirmando venalidade e futilidade no despotismo moderno da era de iTunes.

Mas o tom essencial é que Bashar sobrevive e, para expressar desafio, na terça-feira ele visitou Homs, cidade que por algumas semanas foi um símbolo da resistência ao regime. Ademais, existe esta amarga constatação de que sua remoção do poder (como exigem países ocidentais e árabes) foi removida deste plano de paz. Ficou mais fácil para russos e chineses abençoarem o plano de Kofi Annan, pois ele carece do conceito maldito de “mudança de regime”. É inimaginável, porém, uma solução a longo prazo na Síria que permita a permanência de Assad (ou de algum fantoche) no poder. O regime precisa mudar.

Para constatar o óbvio, cada caso é um caso na primavera árabe (e a estação está de volta na região). Demonstrações em massa no Egito, em particular na praça Tahrir, no Cairo, e o abandono do apoio militar a Hosni Mubarak levaram ao colapso o regime. Na Líbia, a brutal repressão do regime Kadafi radicalizou a oposição, que conseguiu se unir na guerra civil e só ganhou graças à intervenção militar estrangeira. No Iêmen, o ditador Ali Abdullah Saleh participou da transição, mas este país lá nos confins das Arábias não serve de modelo para nada.

Na Síria, existem manifestações populares contra o regime, mas não na escala egípcia. Além disso, Assad tem blocos de sustentação popular (entre alauítas, cristãos e também sunitas). O núcleo duro no aparato militar e de segurança não desintegrou e Assad não é um completo pária internacional, como Kadafi. Seus aliados internacionais estão aí para manter o status quo enquanto der. A oposição que mistura desolação com triunfalismo ainda acredita que o apoio ao regime irá descascar (na doutrina da cebola), com o abandono, camada após camada, de oficiais militares, empresários, funcionários do governo, do partido Baath e já ocorreu uma “deserção mental” da população mesmo nas duas grandes cidades, Damasco e Aleppo, onde nunca ocorreram protestos de grande magnitude.

Infelizmente, eu preciso concordar com o presidente russo Dmitry Medvedev de que a alternativa a este plano de paz de Annan é uma guerra civil sangrenta e prolongada, de ramificações sectárias e na qual haverá um incremento do jogo competitivo envolvendo atores regionais (e não só regionais, é claro). Mas a plena aceitação do plano de paz por Assad é conversa mole. Sua premissa é a de que os grupos de oposição deponham as armas (e não o regime) e como Assad irá aceitar manifestações pacíficas, ao estilo da praça Tahrir? Annan, por outro lado, foi costurando seu plano de paz, enquanto EUA e Turquia confirmavam o fornecimento de ajuda “não letal” à oposição síria.

O mais provável adiante é mesmo uma guerra civil. Eu espero que não seja prolongada, de alta intensidade e com crescente envolvimento de extremistas islâmicos (algo que alimentaria a narrativa de Assad). Bom mesmo seria o sucesso da doutrina da cebola, com as camadas de sustentação do regime sendo descascadas, até que ele caia de podre. Mas basta de alarmes falsos.

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Colher de chá para o Henrique por seus comentários (dia 28, 11:13 e 13:39) por lembrar a coisa boa que seria o regime Assad cair, apesar das ramificações incertas. E outra para a Vania (dia 28, 14:45), pelo depoimento pessoal e político.

05/03/2012

às 6:00 \ Putin, Rússia, Uncategorized

O butim de Putin

Que seja o último voto de Putin em Putin - Foto EFE

Putin rima com democracia de festim, rima com butim. O homem forte que voltará à presidência russa sem nunca ter deixado o poder pratica uma pilhagem das esperanças de renovação, com sua vitória no primeiro turno das eleições no domingo. Putin preside um sistema personalizado, não apenas corrupto, mas cada vez mais anacrônico. É inconcebível que o projeto Putin sobreviva a longo prazo (a idéia é na sequência mais um mandato de seis anos). Se isto se concretizar, Putin ficará no poder até 2024, em um padrão stalinista de tempo de serviço. Está bem, não vou exagerar na rima de Putin com Stálin.

O triunfo eleitoral, sob redobradas denúncias de fraudes e obstáculos para a participação de candidatos oposicionistas, mascara um sistema exaurido. Talvez não haja benefício imediato para uma oposição exasperada que tem muitas palavras de ordem, mas pouco ordem para se organizar. Também não é fácil no regime de semiditadura russa exercer uma plena oposição. E de pensar que o segundo colocado nas eleições foi o veterano líder comunista Gennady A. Zyuganov, um perdedor crônico nesta imitação de democracia na Rússia.
Existem estes protestos impulsionados com a fraude nas eleições parlamentares de dezembro passado e uma manifestação está programada para a noite desta segunda-feira, mas claro que esta mobilização ainda é incipiente, embora seja suficiente para mexer com os nervos do sistema. O apoio a Putin murchou depois da fraude de dezembro, mas aí ele deu uma regada populista com promessas de aumentos salariais para funcionários públicos e incrementou os gastos militares.
Sistemas como este presidido por Putin conseguem legitimidade através da expansão econômica, do nacionalismo estridente e do culto a personalidade. O resto é garantido por intimidação, repressão e algumas válvulas de escape para a atuação da oposição. Este tipo de sistema não tem a legitimidade enraizada em instituições democráticas. A oposição ainda não oferece uma convicta alternativa a este sistema exaurido, mas cada vez mais russos querem instituições democráticas e transparentes, em que o poder possa trocar de mãos, em que o poder vigente não enfie a mão para roubar dinheiro ou votos e que a oposição não seja tratada a pontapés ou pancadas bem mais severas.
De novo, o triunfo de Putin não esconde crescente desencanto com o líder russo e o desgaste de um contrato social entre o povo e o regime: passividade política em troca de crescente prosperidade. Não há mais a conveniente passividade e existe o fato inconveniente de que nesta segunda fase do Putin na presidência será impossível garantir a mesma prosperidade alavancada pelas receitas de gás e petróleo.
Ironicamente, as receitas que reforçaram a autoridade do estado (o putinismo), também foram o fator do amadurecimento político de uma classe média urbana e mais educada, agora mais inquieta. O futuro da Rússia não foi decidido com a democracia de festim que consagrou Putin no domingo. Isto vai acontecer mais adiante com esta classe média mais assertiva e suas demandas pelo fim do sistema. Putin agora será menos convincente com seu argumento de estabilidade acima de tudo.
Um segmento expressivo da população já tem suficiente segurança material para não tanta reclamar de barriga cheia, mas para exigir uma voz cívica. Como o autocrático Putin irá reagir a estas reinvindicações por mais abertura e clima competitivo, sem reprimir ou apelar para a lenga-lenga de que se trata de uma conspiração externa para desestabilizar o seu regime?
Putin está de novo na na presidência, mas esta não é a velha Rússia. O  homem forte assumirá em maio em uma posição mais fraca do que quando deixou o cargo em 2008 para o afilhado Dmitry Medvedev. Hora de começar a campanha contra a reeleição de Putin em 2018.
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Colher de chá para o Henrique (dia 5, 11:23), leitor bem informado, bem lido e que costuma dar boas dicas de textos relacionados com minha coluna do dia.

02/03/2012

às 6:00 \ Primeira Impressão, Putin, Rússia

Primeira Impressão (O Homem Forte)

Vladimir Putin - Foto Alexei Druzhinin/AFP

Está na cara, abaixo dela e no título do livro de Angus Roxburgh que Vladimir Putin é macho, o homem forte da Rússia (The Strongman, editora I.B. Tauris, 338 páginas, US$ 28). Veterano correspondente da imprensa britânica em Moscou, Roxburgh fraquejou na vida quando trabalhou para uma empresa de relações públicas a serviço do Kremlin, mas isto também abre portas para conseguir informações. Seu livro é um esforço para entender como Putin chegou ao poder e os motivos que o levam a ter ainda tanto apoio.

Como vai terminar este poder? Putin, hoje primeiro-ministro, está voltando formalmente ao cargo de chefe de estado com as eleições presidenciais que terão o primeiro turno neste domingo e quem sabe o definitivo.  Para a resposta , eu recomendo a leitura do editorial e da reportagem da capa da edição corrente da revista The Economist com o sintomático título O Começo do Fim de Putin. Não resisto a uma frase lapidar da revista: sob Putin, a Rússia hoje é uma “cleptocracia mal governada”.

Mas, voltando a Angus Roxburgh, o homem forte também é um homem de sorte. E isto ajuda a explicar os 12 anos ininterruptos de poder, pois Roxburgh deixa claro que mesmo na presidência de Dmitry Medvedev, que está terminando de forma melancólica, Putin continuou sendo o manda-chuva. Sorte é uma commodity essencial para um político. Não depende de seu mérito. E a sorte jorrou para Putin com as ainda vastas reservas de petróleo e gás sob o vasto solo russo. O valor nos mercados mundiais aumentou em cinco vezes desde que ele assumiu a presidência pela primeira vez no ano 2000 (teve uma reeleição e pela Constituição, não pôde pegar o terceiro mandato consecutivo).

Outra explicação para o sucesso de Putin é sua capacidade para manipular a nostalgia, convencendo os russos que só ele poderia trazer de volta as glórias do período soviético, sem a carga mais pesada do totalitarismo. De novo, que homem de sorte. Ele comandou depois dos anos tumultuados de Bóris Yeltsin, que se seguiram ao colapso soviético e quando os preços do petróleo caíram. Depois do caos, os russos queriam um durão como Putin para conduzir as coisas, ao estilo minha-turma-rouba-mas-faz.

Putin deu o que os russos queriam. Mas a mão que protege (e rouba), também intimida. O comportamento truculento de Putin se estende ao seu relacionamento internacional. Roxburgh penetra nas complexidades deste relacionamento. Putin é possuído por um exagerado senso de insegurança, aliado a um clássico medo russo de cerco internacional. O Ocidente, especialmente os EUA, feriu as suscetibilidadees russas com decisões como estender a Otan às antigas repúblicas bálticas e até prometer o mesmo a países como Ucrânia e Geórgia. Ferido pelas atitudes ocidentais, Putin passou a se comportar de forma ainda mais rude e nacionalista, fora e dentro de casa.

Roxburgh conta uma história sintomática sobre a natureza truculenta de Putin. Ele soube que a primeira-ministra Angela Merkel morria de medo de cachorros e mesmo assim trouxe Koni para um encontro permitindo que a cadela farejasse as pernas da dirigente alemã. Como diz The Economist, é o começo do fim para Putin. Os russos estão perdendo o medo do homem forte, dono de Koni. Ele poderá reforçar ainda mais sua natureza e sem reformas nesta sua volta à presidência haverá protestos, repressão e estagnação econômica. O ideal seria Putin, pelo menos, prometer não concorrer novamente em 2018, para um segundo mandato. Atitude de homem sábio, de homem realmente forte.

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Pessoal, que tal colher de chá para a Koni. Alguém vota contra? 

16/02/2012

às 6:00 \ Rússia, Turcomenistão

Curtas & Finas (Turcomenistão)

O imbatível Gurbanguly Berdimuhademov - Foto Emmanuel Dunand/AFP

Gurbanguly Berdimuhamedov não chega a ser 100% ridículo na sua autoadoração. Esta semana, ele foi reeleito presidente do Turcomenistão com 97.1% dos votos. O restante foi dividido entre sete candidatos de oposição que passaram boa parte da campanha elogiando o grande líder. Muito abstrato dizer que o Turcomenistão fica na Ásia Central. Visualize o filme Borat com Sacha Baron Cohen. Berdimuhademov é cada vez mais popular. Conseguiu o primeiro mandato em 2007, com apenas 89% dos votos. Afinal, ele não poderia ofuscar o predecessor e mentor, do qual era dentista. Em 1992, Saparmurat Niyazov foi eleito com 99.5% dos votos. Hoje, no entanto, o ex-dentista está bem melhor do que os Borats das redondezas. Islam Karimov  foi eleito no Usbequistão com 90.77% dos votos e Nursultan Nazabayev, do Casaquistão (o verdadeiro país de Borat), com módicos 80.7%.

Estes países da Ásia Central no quintal russo são as “oil republics” ( foram, de fato, integrantes da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), o equivalente às “banana republics” na América Central, no quintal dos EUA. Petróleo e gás valem mais do que banana, o que torna tudo mais tragicômico nos países do ex-dentista e dos Borats. Bem mais importante e sério é o que vai acontecer em março nas eleições presidenciais na Rússia, com o primeiro-ministro Vladimir Putin encenando a volta ao cargo que deixou por uns tempos na mão do afilhado Dmitry Medvedev. Os valorosos protestos engatilhados com a fraude nas eleições parlamentares de dezembro talvem impeçam Putin de se comportar com tanta falta de cerimônia na sala de visitas do ex-império soviético como no seu quintal.
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Colher de chá bem matutina para o Alberto (dia 16, 8:31) por comentário condizente com uma situação tragicômica.

China quer um mundo cheio de harmonia, mas e a Síria?

Os presidentes Bashar Assad e Hu Jintao - Foto AFP

A China quer negócios, não quer confusão. Qualquer encrenca geopolítica em algum buraco do planeta e lá vem o porta-voz do ministério das Relações Exteriores de Pequim com a declaração anódina de que os chineses esperam que tudo seja resolvido de forma harmoniosa, sem interferência externa nos assuntos internos de qualquer país, qualquer ditadura, qualquer regime genocida.

A exemplo da Rússia, a China tem uma uma visão tradicional de soberania nacional, enraizada em princípios diplomáticos do século 19, mas esta postura pode ser um tiro pela culatra, especialmente quando a não-interferência colide com seus interesses econômicos. Estamos falando da Síria, mas nem vamos falar da incoerência que é apregoar não-interferência, enquanto russos e chineses seguram a barra de um governo terrível.
A China secundou a Rússia ao vetar no fim-de-semana a resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas, pedindo uma transição política na Síria, com a saída do poder de Bashar Assad. Pequim também secundou Moscou e anunciou que vai despachar emissários para conversar sobre a tal harmonia com o truculento regime de Assad. Em parte, com o veto na ONU, Pequim não quer endossar o repúdio à brutal repressão de um governo contra o seu próprio povo, pois o feitiço pode se virar contra o feiticeiro em função do tratamento que a ditadura comunista dispensa à sua população e minorias étnicas e religiosas.
Esta crescente preocupação que instabilidade ao estilo da primavera árabe bata nas portas de Pequim fez com as autoridades comunistas batessem prontamente ao menor sinal de protesto político no ano passado. E explica também a disposição chinesa de segurar a barra do regime de Bashar Assad. E aqui precisamos levar em conta que a Síria é um produtor de petróleo de terceira categoria, de pouca importância econômica para a voraz China. Situação bem diferente de um arco de países que vão da costa atlântica da Africa à Ásia Central, com os quais os negócios chineses estão a plena vapor.
 O problema é que muitos países neste arco estão em polvorosa política, alguns ritmo de insurreição, a destacar no mundo árabe. Com sábio oportunismo ou por interesses geopolíticos ou sectários, muitas ditaduras do mundo árabe se afastam da Síria, entre elas monarquias do golfo Pérsico. E aqui a China tem parceiros petrolíferos essenciais. Saia justa para uma China, que não gosta de encrenca com parceiros comerciais.
Na crise líbia, foi relativamente fácil para os chineses se livrarem do dilema. Pequim se absteve na votação no Conselho de Segurança que efetivamente autorizou a intervenção militar internacional. Na verdade, a diplomacia chinesa foi adiante e apoiou sanções contra o regime Kadafi. Mesmo na crise nuclear iraniana, os chineses endossam as resoluções mais diluídas contra o regime de Teerã. Mais do que isto, em situações extremas, a China viola sua política de não-interferência, como no deslocamento de navios para a costa da Somália para combate pirataria.
São passos, porém, tímidos e incompatíveis com as ambições de uma superpotência emergente. As movimentações no seu quintal (especialmente marítimo) já são mais assanhadas, o que assusta a vizinhança. A China abomina o que considera o imperialismo moral do Ocidente e com razão. Sabe que pregação sobre direitos humanos (mesmo quando acompanhada de uma agenda econômica) expõe, em última instância, a falência moral do seu sistema, cujo pilar é o comunocapitalismo autoritário, no qual vale tudo na arena internacional desde que haja um bom negócio.
Mas a ascensão da China irá exigir uma atuação global mais muscular. Isto significará tomar partido em conflitos domésticos. Será uma China mais ativa, para o bem ou para o mal, uma China mais contraditória, a exemplo dos países ocidentais, e não apenas consistente no seu mercantilismo.
PS- Sobre os desafios diplomáticos de uma potência emergente, eu recomendo o artigo sobre o Brasil na edição desta quarta-feira no Financial Times.
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Colher de chá matinal para o Maisvalia (dia 8, 11:17). Cobrou logo cedo dos amantes da nobre causa de Pequim um ataque contra os defensores dos direitos humanos. Mas este pessoal parece que acorda tarde. Colher de chá noturna para a Karen (dia 8, 23:50), pela panorâmica. É um prazer para mim desenhar este arco.  Maisvalia e Karen, leitores com visões de mundo opostas, me acompanham desde o começo da coluna e “aprenderam” a se respeitar.

Na Síria de Assad (pai ou filho), tudo igual, tudo pior

Com Bashar Assad, "horror hereditário"

Para parafrasear o jogador pensante de beisebol Yogi Berra e suas frases folclóricas, na Síria, é déjà vu novamente. Vamos começar com o ministro das Relações Exteriores da Turquia (e está tudo tão desolador na Síria, que dou até colher de chá para a diplomacia turca). Ahmed Davutoglu disse que quando russos e chineses vetaram uma resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas, no sábado, condenando a brutalidade na Síria e pedindo a saída do poder do ditador Bashar Assad, estavam agindo com uma mentalidade de Guerra Fria, “baseando os votos, não em realidades existentes, mas em uma atitude mais automática contra o Ocidente”. E, de fato, na Guerra Fria, russos e chineses já apoiavam os massacres praticados por um ditador sírio, mas era Hafez Assad, o pai de Bashar.

Claro que também soa déjà vu novamente, como naquelas cruzadas do mundo livre contra o comunismo na Guerra Fria, integradas por Somoza e Pinochet, quando a secretária de Estado, Hillary Clinton, reage ao anacronismo sino-soviético (oops, russo), dizendo que agora será preciso articular uma coalizão dos “amigos da Síria democrática” a favor da oposição e contra a brutalidade do regime Assad. O que fazer? A coalizão vai incluir a Arábia Saudita.
Diplomacia tem estas ambiquidades e paradoxos, mas alguns casos são bem piores do que outros. Melhor ter a Arábia Saudita contra Assad do que a favor. A Rússia tem o despudor de argumentar que não podia apoiar uma resolução sobre a Síria, pois significava tomar partido de um dos lados. Vladimir, Vladimir, seu veto significa mais do que tomar partido de um dos lados, como você está fazendo na condição de grande sustentáculo internacional de Bashar Assad. Significa dar sinal verde para o ditador avançar na matança, tentar se entrincheirar no poder e dificultar ainda mais uma solução política para a crise, que ganha feições de guerra civil em larga escala.
Só há um argumento plausível a favor de Assad: o day after à sua queda pode ser pior do que o dia de hoje. com guerra de mílícias ou a ascensão ao poder de fundamentalistas sunitas. Talvez. Existe a idéia, portanto, de que seja melhor ficar com o demônio conhecido. Como assim? Sabemos que ele é horrível. Este é consolo? Com uma ditadura como a de Assad vamos justificar o status quo, na lógica russa de venalidade? E, de qualquer forma, o debate é acadêmico. A dúvida é quando Assad irá cair. Ele se tornou carga pesada até para as demais ditaduras da região.

Existem interesses geopolíticos contra o regime Assad (como o empenho de autocracias sunitas do Oriente Médio para enfraquecer o único aliado regional do Irã xiita), mas também os gestos humanitários. E pouca coisa deixa russos e chineses tão horrorizados como gestos humanitários. Afinal, tais gestos podem ser usados para condenar as condutas da semiditadura Putin e da ditadura do politburo chinês contra seus próprios povos e suas minorias. Mas já estamos refletindo com mais profundidade do que Yogi Berra. Há algo mais superficial, imediato e cínico para comentar. Neste episódio do Conselho de Segurança, o Ocidente (e seus aliados suspeitos do Oriente Médio) tiveram uma grande vitória em termos de realpolitik.

Os países ocidentais têm a vantagem moral na crise síria. Russos e chineses agora são cúmplices escancarados da carnificina praticada pelo regime Assad. São co-responsáveis acintosos pela escalada de violência, pois a oposição, que já está militarizada, tem pouco a fazer além de incrementar a luta armada. O que aconteceu no sábado nas Nações Unidas foi um vexame histórico para russos e chineses. Na frase dita à exaustão nos últimos dias, eles deram a Assad permissão para matar (para matar mais ainda).

Moscou e Pequim vetaram uma resolução, que já fora diluída para satisfazê-los, no momento em que as forças de Bashar Assad massacravam inocentes na cidade de Homs (os números de baixas são incertos, variam de dezenas a centenas). Existe ojeriza quase que universal ao regime de Assad. Do lado dos sírios estão os russos (chineses menos ativamente), a desgraça que é o regime iraniano, os asseclas do Hezbollah (até o Hamas se livra da saia justa), as tralhas bolivarianas e relíquias do ativismo terceiro-mundista. Em termos táticos, teria sido mais conveniente para russos e chineses engolirem o sapo. Para que queimar bala diplomática (no caso russo, bala mesmo) por um ditador que dia menos dia será carta fora do baralho? E qual  é o cenário mais provável? Uma intervenção militar americana parece improvável (talvez , assim como um sucesso diplomático. Hillary Clinton alerta sobre uma “brutal guerra civil”. Podemos acrescentar que terá violentas tonalidades sectárias, com apoio de monaquias sunitas à oposição.

Esta coluna está recheada de citações diplomáticas. Vamos terminar com mais uma. O embaixador francês nas Nações Unidas, Gerard Araud, lembrou como tudo é parecido na Síria,. Este massacre em Homs em 2012 teve lugar quando eram lembrados os 30 anos da mortandade em Hama (entre 10 mil e 40 mil mortos),. Em 1982, o responsável foi o ditador Hafez Assad. Agora, é o seu filho. Como disse o embaixador Araud, na Síria o “horror é hereditário”. Déjà vu novamente.

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Colher de chá para o comentário do Pablo (dia 6, 13:50)  sobre as posturas da Rússia e China. E uma colher de café para a Carmem (dia 6, 15:40),  por sua saborosa advertência contra as estapafúrdias analogias, especialmente as hitleristas.

 

Semicurtas & Finas (Rússia & Síria)

Vitaly Churkin, embaixador russo na ONU - Foto Mike Segar/Reuters

A insurreição na Síria se transforma em uma guerra civil em larga escala. O regime de Bashar Assad resiste a ferro e fogo a uma oposição que se militariza. A batalha diplomática se intensifica. Nas vizinhanças, Damasco pode contar com o regime xiita de Teerã e seu isolamento internacional é suavizado pelo ativismo do seu aliado tradicional, a Rússia, que emperra qualquer resolução mais vigorosa no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Para não vetarem uma resolução, os russos querem uma iniciativa diluída que descarte uma mudança de regime (uma transição para a saída de Assad do poder) ou intervenção estrangeira. Moscou não quer repetir o erro líbio. Não vai dar a mesma margem de manobra que deu aos paises ocidentais e árabes na sua campanha para derrubar Muamar Kadafi. Mais inconveniente para Moscou se descartar de Bashar Assad. Muito mais está em jogo na Síria, país no epicentro de várias questões no Oriente Médio (Iraque, Israel, Líbano e primavera árabe). Na paisagem de ditaduras pró-EUA e da ascensão da Irmandade Muçulmana, Moscou tem poucos pontos de referência.
Com os aiatolás iranianos, o ditador secular Assad, da minoria alauíta, tem uma aliança de conveniência e até de desespero no Oriente Médio de ampla maioria sunita. Em termos regionais, a Síria é  primeiro estágio de uma guerra contra o Irã. No ano passado, o rei saudita Abdullah teria dito que nada enfraqueceria mais o Irã do que perder a Síria.
Acuado, o brutal regime sírio não poder perder a proteção russa. Com os russos do autocrata Vladimir Putin, existem afinidades ideológicas, históricas e estratégicas. Hafez Assad, o pai de Bashar, construiu seu regime tirânico `a imagem da ex-URSS, onde treinou como piloto da Força Aérea. No Conselho de Segurança, os russos ainda podem exercer seus sonhos de grandeza, travando uma batalha diplomática contra os paises ocidentais, digna da Guerra Fria, e recorrendo ao jargão de defesa de soberania de aliados como o sírios.  Lembram-se? Os russos que nunca tiveram pudor para despachar tanques para países da Europa Oriental naqueles bons tempos da União Soviética.
Na Síria, o ex-império soviético mantém resquícios do seu velho poder com a base naval de Tartus,  a única fora da ex-URSS. São também grandes contratos de venda de armas, energéticos e de construção. Moscou compartilha a narrativa de Damasco de está combatendo terroristas islâmicos a serviço de forças estrangeiras. Nada mais irônico que Assad seja aliado de um regime islâmico (Teerã) que apóia grupos terroristas como o libanês Hezbollah e o palestino Hamas.
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Colheres de café para a turma que pegou no meu pé. A destacar, Anouk, Gustavo C, Felipe e Pedro. Pela panorâmica, uma colher de chá para o Queiroz (dia 2, 18:05).

16/12/2011

às 6:00 \ Rússia

Curtas & Finas (Rússia)

Mikhail Prokhorov - Foto Mike Stobe/Getty

Nos últimos dias, os russos puderam viver um pouquinho de primavera política com os protestos que se seguiram `as fraudes nas eleições parlamentares de 4 de dezembro. Mas o homem-forte do país, Vladimir Putin está aí, vigilante, para controlar a temperatura. A classe média urbana protesta. Ao invés da repressão escancarada, melhor para Putin tentar canalizar a frustração. Uma jogada é insistir na competição fajuta nas eleições presidenciais de março, quando ele deve retornar `a presidência, alijando o fantoche Dmitry Medvedev.

Na quinta-feira, Putin disse que o bilionário Mikhail Prokhorov será um “forte concorrente”. Na Rússia, oligarca que desafia Putin acaba no exílio ou na prisão. Prokhorov justamente anunciou sua candidatura esta semana, apregoando ser uma voz desta classe média. Esta mais para ventríloquo do Kremlin. Ele já participou da engenharia de partidos artificiais, que integram o esquema de “democracia administrada” do Kremlin. Obviamente Prokhorov não será presidente russo. O cargo pertencerá a Putin. Putin decidiu. Com fortuna de US$ 18 bilhões, terceiro homem mais rico do país, Prokhorov é dono de patrimônio mineral e do time de basquete americano New Jersey Nets. Não quer liderar nenhuma revolução.

Existe uma especulação que parte da farsa será colocá-lo como primeiro-ministro de Putin depois das eleições de março, numa prova de renovação no país. Pobre Medvedev. Achou que ao menos seria rebaixado para este cargo. Mas a promoção de Prokhorov é improvável. Ele é chegado nas encenações de Putin, de machismos e poses esportivas. A diferença é ter 30 centímetros a mais do que o todo-poderoso. Não pegaria bem na foto do poder. O mais provável é o mais simples: Prokhorov é mais um oligarca fazendo favor ou prestando serviço ao chefe. Se pisar na bola, este homem de basquete (dono de time e jogador) perde seus bilhões.
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Pessoal, o sistema operacional está muito lento, leva muito tempo para eu responder. Portanto, haverá menos interatividade. Mas os comentários serão liberados o mais cedo possível.
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Colher de chá para o Felipe (dia 16, 13:23), o kremlinologista de plantão.

08/12/2011

às 6:00 \ Rússia

Curtas & Finas (Gorbachev & Putin)

Mikhail Gorbachev: alerta contra o inverno russo (Foto: Arben Celi/Reuters)

Há uma dignidade melancólica em Mikhail Gorbachev. O visionário que cultivou uma primavera russa com a “perestroika” e a “glasnost” vive no ostracismo dentro de casa. Muito mais prestigiado no exterior por seu papel histórico para enterrar o comunismo soviético (para a fúria de Vladimir Putin), Gorbachev foi à carga na quarta-feira contra a farsa eleitoral. Disse que a fraude na votação parlamentar de domingo que impediu uma derrota ainda mais humilhante para o governista partido Rússia Unida exige a convocação de um novo pleito. Em caso contrário, na advertência de Gorbachev, será uma crescente onda de descontentamento popular, que pode inclusive desestabilizar o país.

É um cenário terrível para Vladimir Putin, obcecado por controle, o homem da “democracia administrada” e da coreografia para retomar à presidência com a eleição de março próximo. Na metáfora climática, depois da “primavera árabe”, será a vez do “inverno russo”, aquele que derrotou Napoleão e Hitler? Será que pode derrotar Putin, o ex-agente da KGB? Temos, é verdade, protestos com uma moçada gloriosa à frente. No entanto, ficando na metáfora climática, é preciso baixar a temperatura em termos políticos.

Vladimir Rzyhkovi, professor e ex-deputado liberal, proibido de concorrer nas eleições de domingo passado, deu uma entrevista melancólica ao jornal britânico The Guardian. Difícil agitar, mobilizar e organizar protestos nas ruas russas. No mundo árabe sufocado por ditaduras seculares, como a do Egito, havia o espaço da mesquita. Está aí a vitória espetacular dos islamistas na primeira rodada das eleições parlamentares egípcias. No caso russo, observa Rzyhkovi, 85% dos russos não estão envolvidos em nenhum tipo de associação política, social ou religiosa. Existe um estado de quase completa passividade. O comunismo destruiu a fé dos russos, uns nos outros. No lugar do comunismo, um partido-religião que pode motivar é o consumismo. Rússia emergente talvez na economia. E olhe lá.
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Pessoal, boas notícias, os problemas técnicos estão sendo sanados. A faxina está funcionando. Em breve, será possível conversar.

07/12/2011

às 12:00 \ Egito, Facebook, Primavera Árabe, Rússia

O que fazer com a geração Facebook?

Protesto contra a fraude eleitoral em Moscou - Foto Mikhail Voskrensky/Reuters

Como escreveu no começo do século 20 aquele infame senhor russo de cavanhaque, o que fazer? Eu tenho um fraco por esta moçada corajosa que agita no começo do século 21, que vai para a rua, que vai para a praça protestar por liberdade e também para denunciar fraude eleitoral e corrupção. Não sou tão ingênuo e emocional a ponto de me comover com a moçada do “occupy Wall Street” (teve até liberdade demais), mas, quando se trata do pessoal que passa o sufoco no centro de Moscou ou na praça Tahrir, no Cairo, é outra história. Sei, sei, há uma longa distância entre Moscou e Cairo, mas nos dois casos existe o que alguns de forma pejorativa chamam de Geraçao Facebook. Eu não.

Pouco conheço, mas em princípio não tenho nada contra o blogueiro russo Alexei Navalnyi, um cruzado contra a corrupção, detido terça-feira em Moscou, assim como centenas de manifestantes, e condenado a 15 dias de prisão. Seu crime? Basicamente popularizar a expressão “partido de escroques e ladrões”, ao se referir ao governista Rússia Unida. Chato é que, no final das contas, embora este partido do poderoso chefão Vladimir Putin tenha sido humilhado nas eleições parlamentares de domingo (sem fraude, o estrago teria sido maior), os comunistas e a extrema direita tenham avançado. A ironia é quando Putin passa a ser uma espécie de centrista.

É chato quando a fadiga com um sistema de lei e ordem (e ladroagem), como o de Putin, possa levar tanta gente a sonhar com outros pregando projetos ainda mais autoritários e nostálgicos. Imagine, Putin quer restaurar glórias passadas do império russo e, ainda por cima, vemos estes avanços de comunistas e da extrema direita? Claro que sobra a solidariedade com a moçada que foi para a rua protestar.

Dá um certo prazer, é verdade, ver o Putin suar um pouco, como qualquer ditador ou semitadator. O senador republicano americano John McCain, que não é exatamente Geração Facebook, tuitou de forma provocativa na terça-feira o seguinte: Querido Vlad (Vladimir Putin), a primavera árabe está chegando a uma vizinhança perto de você”.

Na “democracia administrada” russa, nada aterroriza mais Putin do que o descontrole, este florescimento ao estilo primavera árabe, algo como um inverno russo. Putin nunca se achou um Mubarak (e não é, pois ditador russo embalsamado era Leonid Brejnev). O sistema atual na Rússia oferece algumas controladas válvulas de escape, mas dá para perceber que nem sempre são suficientes. Pena que a explosão de frustração seja canalizada em parte para o Partido Comunista, que dobrou sua representação popular e de cadeiras no Parlamento (tem agora algo como 20%.). Por favor, nem Vladimir Putin, nem (muito menos) Vladimir Lênin.

Em Moscou, como no Cairo, a gente boa vai para a praça e a gente menos boa para o Parlamento. No Egito, foi terrível, pior do que as projeções (as minhas inclusive). Não foi apenas o sucesso da Irmandade Muçulmana, mas o avanço espetacular dos salafistas (ainda mais fundamentalistas), que juntos tiveram 2/3 dos votos. E olha que ainda falta a votação das regiões mais atrasadas do país.

Tem uma história interessante (melancólica) no Financial Times. Pouco depois da revolução de fevereiro no Egito, Wael Ghonim, o executivo da empresa Google, que organizou os primeiros protestos Facebook contra Hosni Mubarak, entrou na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, da revista Time. Uma autoridade anônima do governo americano comentou acidamente que Ghonim pode estar entre as pessoas mais influentes do mundo, mas não influencia muito no Egito.

O que fazer quando salafistas egípcios e comunistas russos são mais influentes do que Wael Ghonim e Alexei Navalnyi? O que fazer quando Putin é poder, assim como ainda um punhado de Mubaraks no mundo árabe? Ora, protestar na praça, no Facebook e nesta coluna.
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Colher de chá para o Rafael (dia 9, 13:25), boas colocações comparando o Brasil com estes outros processos.


 

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