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Obama se divorcia dos princípios no casamento gay

Só em 8 estados e em Washington

Eu estou como o vice-presidente americano, o democrata Joe Biden, que se diz “absolutamente confortável” com o casamento gay. Na sequência, esta semana, o ministro da Educação Arne Duncan disse algo semelhante. Mas na sua politicagem eleitoral, o presidente Barack Obama não dá sua benção, embora lá no seu íntimo ele concorde com os subordinados.

Com a prevaricação, Obama frustra a base mais liberal (e gay) e alimenta a ansiedade do país mais jovem, cada vez mais confortável nestas questões sociais e morais. O presidente quer se preservar em um terreno ainda minado. Eleições são ganhas em um punhado de “swing states” (estados oscilantes), como Carolina do Norte, onde na terça-feira foi aprovada uma legislação banindo não apenas o casamento gay, mas a união civil entre pessoas do mesmo sexo (este duplo banimento já acontece em 19 dos 50 estados, sendo que 30 proíbem apenas o casamento).

A emenda constitucional estadual na Carolina do Norte definindo casamento como estritamente entre um homem e uma mulher foi aprovada por margem folgada. Mas uma crescente maioria dos americanos evolui a favor do casamento gay de uma década para cá. É verdade que a pesquisa Gallup na terça-feira mostrou uma queda do apoio de 53%, no ano passado, para 50%, com desaprovação de 48%. Mais ilustrativa é uma outra pesquisa, esta NBC/Wall Street Journal de março: 49% a favor do casamento gay e  40% contra. Era o reverso em 2009.

Basta ver a crescente aceitação de diversas orientações sexuais em programas de televisão. O seriado mais popular  é Modern Family, da rede ABC, onde o casal gay (Cameron e Mitchell), está tentando adotar um segundo filho na atual temporada. O país avança no tema e  Obama diz há tempos que está evoluindo no tema (é a favor de união civil entre pessoas do mesmo sexo). Mas numa merecida maldade, a publicação de esquerda The Nation observou em 2009 que o presidente “evolui para a direita”.

No começo de carreira política, o professor de Direito Constitucional e campeão de direitos civis era um aberto defensor do casamento gay. Mas Obama foi subindo na escada politica e descendo nas convicções. Estimou que não trazia benefício eleitoral tanto liberalismo moral e nos direitos civis. Entre eleitores democratas, há setores que resistem ao casamento gay. Um exemplo é o eleitorado latino, mais conservador em questões morais. O mesmo acontece entre negros. A maior evolução no apoio ao casamento gay acontece entre mulheres, base crucial de apoio aos democratas

Para Obama, até hoje foi conveniente ficar na pista lenta, embora tenha assumido posições históricas como o repúdio ao compromisso “não pergunte, não conte”, em que militares escondiam sua orientação sexual. Mas agora o presidente foi ultrapassado por seu próprio vice Biden, que pertence a uma geração mais velha. Claro que a declaração de Biden também serve como um lance para apaziguar setores que votam nos democratas e que estão decepcionados com a reticência de Obama na questão do casamento gay. Com oportunismo, os democratas tentam se cobrir como podem, tanto com setores mais abertos, como os mais comedidos.

Sei, sei dos cálculos políticos, mas seria legal (em todos os sentidos) que a prevaricação política fosse alijada e o presidente se casasse com seus princípios. Do republicano Mitt Romney não se espera audácia na questão. Ele também está evoluindo, se desviando já para o acostamento à direita da pista. Romney firmou a promessa do grupo antigay Organização Nacional pelo Casamento, cobrando do Congresso, entre outras coisas, a aprovação de uma emenda na Constituição federal banindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Hoje ele é legal em oito estados e na capital Washington.

O estado de espírito do país sobre homossexualismo se desloca na direção certa de mais tolerância (em meio a estes bolsões de resistência principalmente encastelados no Partido Republicano e no universo evangélico), mas um líder (e este é o cargo de Barack Obama) deveria de vez em quando assumir mais riscos, abandonar a pista lenta e fazer a sua parte para acelerar a marcha para uma guinada moral e cultural.

ATUALIZAÇÃO: A evolução do presidente Obama finalmente terminou. Na tarde de quarta-feira, em entrevista `a rede de televisão ABC,  ele deu apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. É o primeiro presidente no exercício do cargo a assumir a corajosa posição. Obama deixou claro que se trata de sua opinião pessoal e que a decisão a respeito cabe a cada estado.  Considero a decisão correta, como cerca de metade da opinião pública americana. O anúncio presidencial obviamente terá implicações na campanha eleitoral, pois o candidato republicano Mitt Romney tem posição diametralmente oposta à opinião do presidente.  O lance de Obama é, repito, correto,  mas também esperto e, ao mesmo tempo, arriscado.

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Não consigo me divorciar de leitores. Colher de chá para o Amauri, Felipe e Maisvalia que me cercaram logo cedo (dia 9) para debater o tema da coluna. Pedi um “break”, não para fugir do debate ou por falta de argumentos, mas simplesmente por estar casado com outros compromissos. 

Primeira Impressão (Partidos Americanos)

Paridade entre partidos

O nome do analista eleitoral Sean Trende permite trocadilhos com “trend” (tendência, em inglês) e ele é bom no assunto, tema do seu primeiro livro, Lost Majority, sob medida quando esquenta a corrida eleitoral americana. Um dos negócios de Trende, analista do obrigatório site RealClearPolitics,  é descartar falsas tendências nos EUA., especialmente quando envolvem teorias partidárias de realinhamento. Na época em que George W. Bush governava o país na década passada, seu guru Karl Rove anunciava uma “maioria republicana permanente”. A “sólida” tendência foi substituída com a vitória de Barack Obama em 2008 pela narrativa da “emergente maioria democrata”. Na sequência, os republicanos triunfaram nas eleições para o Congresso em 2010. E o que vem pela frente?

No seu livro de desconstrução dos mitos de realinhamento permanente, Trende caracteriza o atual quadro político, partidário e eleitoral como o “mais difícil de ser entendido em décadas, pois são “tempos de quase paridade entre os partidos”. Um termo muito usado por analistas é de extrema volatilidade eleitoral. Os partidos não conseguem saborear uma vitória, na medida em que ela escorrega rapidamente.

Trende argumenta que não devemos vislumbrar tão cedo maiorias duradouras republicanas ou democratas. Ele não é muito camarada com triunfalismos partidários. Claro que a teoria será colocada `a prova nas eleições de novembro, embora, de novo, não se espere um triunfo avassalador de nenhum dos dois partidos.

Trende descarta estes realinhamentos duradouros, mas argumenta que um cenário plausível na política americana são os “partidos racializados” e também com componentes de guerra dos sexos, algo duplamente preocupante. Homem branco, especialmente de classe sócio-econômica mais baixa, é republicano, enquanto a coloração dos democratas é marrom (negros e latinos), com toque feminino.

As causas são históricas: ressentimento de brancos sulistas, que eram democratas contra os direitos civis, o que resultou em uma longa marcha deles para o Partido Republicano (lembram-se? O partido de Lincoln), a deserção de brancos conservadores (filhos de imigrantes ) do Partido Democrata no norte do país, especialmente quando os republicanos asssumiram posições mais conservadoras e os democratas mais liberais nas chamadas guerras culturais. Em contrapartida, muitas mulheres buscaram refúgio no ninho democrata pelos mesmos motivos. E a agenda democrata favorecendo cotas raciais e subsídios sociais reforçou os laços do partido com minorias e mulheres.

As tendências para um Partido Republicano mais macho e mais branco e um Partido Democrata mais marrom e feminino se cristalizaram ao longo de décadas devido a mudanças constitucionais, sociais e econômicas. E hoje os políticos têm incentivos para seduzir o eleitorado com base nestes traços. No entanto, mudanças sociais e econômicas podem levar, por exemplo, o eleitorado latino a afrouxar seus laços com os democratas. Isto pode acontecer se imigração deixar de ser um cavalo de batalha para os republicanos ou o partido der um “upgrade” a políticos latinos (como candidato a vice-presidente). Já do outro lado, o Partido Democrata não pode se dar ao luxo de alienar o bloco de homens brancos, cada vez mais alinhado com os republicanos.

Partidos “racializados” movidos a guerra dos sexos seriam um péssimo caso de realinhamento político duradouro nos EUA.
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Com meu espírito bipartidário (really), colher de chá para o João Felipe e o Pablo, pelos vários comentários na sexta-feira.

A saúde de Obama e a justiça americana

Maioria conservadora na Corte Suprema, mas... Foto Getty

Para quem está cansado de acompanhar a maratona das primárias presidenciais americanas, existe uma opção a partir desta segunda-feira. São três dias de extenuantes apresentações de argumentos orais na Corte Suprema, em Washington, sobre a lei de reforma de saúde do governo Obama, aprovada há dois anos por uma margem estreita no Congresso. Serão seis horas de argumentos, a favor e contra. Desde 1966, a Corte Suprema não dedicava tanto tempo a um tema individual. E, ilustríssimos leitores e leitoras, vou tratar do tema com a merecida aridez. Fiquem despertos!

A decisão dos nove juízes será em junho, quando -esta é a suposição- os republicanos já terão seu candidato presidencial e assim os desdobramentos da decisão judicial serão cruciais na campanha para as eleições de novembro. Em uma situação extrema, a suprema vitória legislativa de Barack Obama poderá resultar na sua derrota eleitoral (o triunfo no Congreso em março de 2010 já foi fugaz, pois contribuiu para os democratas perderem o controle da Câmara nas eleições de novembro daquele ano). A politização do tema é inevitável e a decisão será histórica, pois irá além da eleição, na medida em que envolve questões como o modelo de relação entre o estado e os cidadãos, a alocação de poder entre o governo federal e os estados e a autoridade do Congresso para lidar com os problemas nacionais.

Não estão em julgamento aspectos da reforma de saúde como a eficiência de serviços ou os custos econômicos, mas sua constitucionalidade. Em termos essenciais, os três dias de audiência vão examinar o desafio legal ao mandato individual da lei de 2010, que força quase todos os consumidores a terem seguro de saúde através de planos privados ou programas públicos (haverá subsídios para quem não puder pagar). Num país com seu DNA individualista, um argumento visceral do desafio é que este mandato universal é uma ameaça à própria liberdade individual. Revogar a reforma de saúde se converteu em uma cruzada conservadora.

Em termos técnicos, o desafio, que tem como ponta- de-lança duas dúzias de procuradores-gerais de vários estados governados pelos republicanos, argumenta que o governo federal excedeu de sua autoridade sob a cláusula de comércio interestadual da Constituição, ao exigir que os cidadãos comprem um produto, o seguro de saúde. Esta cláusula permite que o governo federal regule atividades que afetam atividades comerciais nacionais. Para os oponentes, não comprar um seguro de saúde é uma “inatividade’ e não uma “atividade”. Nas inevitáveis hipérboles, o argumento vai ao ponto de alertar que próximos passos serão o governo decidir quantas vezes um cidadão poderá ir ao médico por ano ou que deve comer brócolis para se manter saudável (esta verdura é sempre campeã de escárnio, uma injustiça, pois eu gosto dela).

Já os defensores lembram que o argumento funciona ao contrário. Se a Corte Suprema derrubar o mandato universal na saúde, poderá abrir um precedente, por exemplo, contra o seguro obrigatório de carro. Em termos mais básicos, os defensores dizem que não há como argumentar que o sistema de saúde nos EUA não seja um comércio interestadual.  Nos últimos 75 anos, a Corte Suprema expressou deferência à autoridade do Congresso na esfera sócio-econômica. Os defensores também argumentam que não há como diferenciar ação de inação. Decidir não ter um seguro de saúde é uma ação financeira ou, por exemplo, a inação de não pagar impostos é sujeita à regulamentação governamental e penalidades.

A Casa Branca se diz confiante na vitória judicial e não tem um plano alternativo (numa pesquisa do equivalente americano da OAB, 75% dos especialistas em Corte Suprema disseram acreditar que a maioria dos juizes irá concluir que a obrigatoriedade do seguro médico é constitucional). Ironicamente, nestes últimos dois anos, o governo fracassou na tarefa de “vender” a reforma de saúde para a opinião pública e o tema impulsionou o Tea Party, além de ter se tornado cavalo-de-batalha para os republicanos e munição para os adversários do favorito nas primárias, Mitt Romney, que, quando era governador de Massachusetts, implantou um programa estadual com mandato individual.

Os democratas não se cansam de lembrar que o Romneycare (a assistência Romney) inspirou o Obamacare, assim como propostas da conservadora Fundação Heritage, delineadas para trazer mais eficiência e menos custos para um sistema de saúde que consome quase 20% do PIB americano. Romney hoje insiste que seu objetivo é revogar o ObamaCare.

Existem um foguetório de lobies e mobilização popular em torno desta audiência na Corte Suprema. Para dizer o mínimo, a opinião pública está polarizada (com republicanos esmagadoramente contra a reforma da saúde nos moldes aprovados e democratas, a favor). Existem, porém nuances, com apoio a alguns componentes, caso da proibição para seguradoras descartarem pessoas com condições médicas pré-existentes, e rejeição a outros, caso do mandato individual.

A corte presidida pelo juiz John Roberts é conservadora (com frequentes votações de 5 x 4), Mas isto não significa que seja fácil prever como ela irá se comportar neste caso. Alguns dos juízes conservadores já defenderam a cláusula de comércio interestadual em decisões similares, embora não desta magnitude. Os juízes podem tanto ratificar a lei, rechaçá-la, acolher parte dela ou decidir que é cedo tomar uma decisão na medida em que a reforma da saúde apenas será plenamente implementada em 2014.

A expectativa é de que os juízes não atuem de forma partidária em uma decisão histórica no calor da campanha eleitoral e tendo como pano de fundo a decisão na Corte Suprema no ano 2000 que assegurou a vitória do republicano George W. Bush contra o democrata Al Gore, após uma controvertida recontagem de votos.

Melhor acreditar na isenção da Corte Suprema. Afinal, a independência do Judiciário é fiadora da saúde da democracia americana.

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Colher de chá matinal para o Rodolfo (dia 26, 9:54) e uma vespertina para o Pablo (dia 26, 14:06), pelos argumentos opostos apresentados aqui diante do Supremo (eu, hehehe). E mais uma para J.R. (dia 26, 14:59), pelo depoimento pessoal.

Curtas & Finas (Pobre Mali)

Amotinados em Mali - Foto AFP

No mês passado, este colunista tão idealista contou uma história edificante: O Mali, país de vasta maioria islâmica e um dos mais miseráveis do mundo (embora seja o terceiro maior produtor de ouro na África), ao menos, era uma democracia estável há duas décadas. E as eleições no mês que vem poderiam emplacar o primeiro mórmon na presidência de um país no mundo. Se eleito, Yeah Samaké ganharia a parada do republicano americano Mitt Romney (isto, é claro, se ele derrotar o democrata Barack Obama em novembro).

Mas hora de improvisar o roteiro. Temos más noticias sobre o Mali. Militares se amotinaram esta semana contra o governo de Amadou Toumani Touré, aliado dos EUA e da França, a ex-metrópole colonial.  Maior confusão no pobre Mali. O próprio presidente Touré fora um comandante militar que dera um golpe, mas supervisionou a transição para a democracia e se dispôs a cumprir as regras do jogo. Naquele roteiro bem familiar, os amotinados de agora prometem restaurar a ordem democrática, assim que der.  A fúria estava se avolumando desde janeiro na tropa quando uma rebelião de integrantes do grupo étnico tuaregue se disseminou por cidades no norte do Mali.

A rebelião resultou em mais de 200 mil refugiados e foi fortalecida pelo retorno de mercenários tuaregues que estavam na folha de pagamentos do ex-ditador líbio Muamar Kadafi (ganhavam dez mil dólares para topar o trabalho e mil por dia de serviço para o tirano morto e linchado em outubro passado). Os amotinados reclamavam há meses de falta de equipamentos e mesmo comida, acusando o governo de incompetente. Enfrentam insurgentes mais treinados e com armamento mais sofisticado que trouxeram da Líbia. Mais um motivo para lamentar as assombrações de Kadafi.

Ainda torço por estas eleições democráticas em Mali. Imagino que Mitt Romney esteja muito ocupado para se concentrar na crise naquelas bandas distantes, mas ela terá implicações históricas para ele. Repetindo o ponto, se as coisas não se normalizarem no país africano, Romney tem chances de ser o primeiro presidente mórmon no mundo. Só falta combinar com os eleitores americanos, que talvez não se amotinem (nas urnas) contra o status quo.

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Pessoal, a colher de chá vai mesmo para o pobre do Yeah Samaké.

19/03/2012

às 6:00 \ China, Eleições 2012, Republicanos, Romney

Fantasmas maoístas ainda circulam na China

A entrada de Xi Jinping e a saída de Bo Xilai

Na semana passada, David Pilling escreveu no jornal Financial Times que a eleição na China no final do ano será a mais importante no mundo em 2012 e não a nos EUA, com a disputa entre o democrata Barack Obama e o oponente republicano. O assunto de Pilling não é o declínio americano ou a ascensão chinesa, mas o fato de que a troca de guarda no comando do Partido Comunista na China (Xi Jinping no lugar de Hu Jintao) tem implicações mais importantes do que a reposição (ou manutenção) do inquilino na Casa Branca.  Em uma eleição que obviamente não é democrática, a China terá uma transição que supostamente deve consagrar uma liderança que ficará uma década no poder,  em meio a alertas de que são necessárias mudanças, não apenas econômicas, mas também sociopolíticas.

O plano do partidão é fazer uma transição suave (os chineses adoram o termo “harmonia”), em que o caminho da economia de mercado continue pavimentado pelo bulldozer do partido único (que suavidade!), com algumas reformas, basicamente econômicas ao longo da jornada. Terrível para o partidão perder o controle do processo político, inconcebível que a obra não esteja a cargo de uma cinzenta liderança coletiva.

Nada mais de culto a personalidade maoísta, expurgos e reabilitações. A meta é uma ditadura eficiente e profissional. Mas, surpresa, a orquestração tem desafinações. Eleição chinesa nem se compara ao espetáculo de uma primária eleitoral americana, mas tem suas emoções, especialmente quando revela, como escreve Pilling, que o drama do partido está longe de ser monolítico.

Tudo está aparentemente acertado para a coroação de Xi Jinping como secretário-geral do partidão e, na sequência, como presidente, fruto do acordo entre facções. Mas aí apareceu Bo Xilai no meio do caminho. Como Xi Jinping, Bo Xilai é filho de um herói da revolução comunista de 1949. No jargão do partido, é um príncipe, mas se mostrou um príncipe espalhafatoso demais para estes tempos cinzentos.

Bo Xilai acaba de ser expurgado da chefia de Chongqing, a cidade que mais cresce no mundo. Ele vagamente pode ser rotulado como integrante de uma “nova e velha” esquerda do partidão. Carismático e populista (sempre autoritário, é claro), Bo Xilai inclusive recorreu ao kitsch maoísta de slogans e cantorias (ele está mais para vermelho do que cinzento), em sua campanha de reformas para minorar desigualdades sociais que se agravaram com a abertura econômica (antes a penúria era mais igualitária). Ele também combateu o crime organizado (máfias de prostituição, jogo e negociatas de alguma forma associadas a funcionários do partido), num combate agilizado por métodos extrajudiciais e execuções.

Com seu estilo brusco e popular, Bo Xilai fazia campanha para ganhar uma das nove cadeiras do comitê permanente, a instância máxima do partidão. Ser tão popular já é um pecado, ainda por cima falando diretamente às massas. Quer dizer que a linha oficial ganhou? A linha que tenta abafar as rivalidades e assegurar que a única fonte de legitimidade seja a burocracia em si do partidão? Não necessariamente. O expurgo de Bo Xilai lembra que nada sobre a transição de liderança no final do ano está tão garantido como se estimara.

O establishment ganhou esta rodada dos insurgentes, mas Bo Xilai mostrou que os fantasmas maoístas ainda circulam pelos opacos corredores do poder, ameaçando a própria unidade (de fachada) do partido forjada desde a repressão ao movimento pró-democracia em 1989. O avanço das experiências de Bo Xilai em Chongqing confirma a dificuldade do sistema para conter, tanto experiências liberais mais ao agrado ocidental, como estas aventuras populistas que lembram os delírios ultraesquerdistas dos anos 60 e 70. Bo Xilai se apresentava como uma alternativa, talvez um big brother mais sofisticado, sem a túnica maoísta e os banhos de sangue.

Bo Xilai foi encostado, mas a China comunista tem esta marca registrada de reabilitações. Se o desempenho econômico nos próximos anos tiver um declínio mais acelerado e a instabilidade social se acentuar, talvez haja espaço para líderes carimáticos e autoritários como Bo Xilai, arautos da ação direta das massas, emergirem do ostracismo. Muito complicado e remoto acompanhar esta saga chinesa, né? Em breve, a gente volta a falar novamente das mais familiares primárias republicanas, onde está duro expurgar os concorrentes espalhafatosos de Mitt Romney, o homem cinzento de um dos dois partidões americanos.

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Colher de chá para o sinólogo Waldorf (dia 19, 13:56 e 14:28).

Curtas & Finas (Barack Hussein Obama)

Obama na Mesquita Azul em Istambul - Foto Getty

Eu admito que fico ligeiramente irritado quando alguém escreve ou diz que o atual presidente dos EUA se chama Barack Hussein Obama. Por que a ênfase no nome do meio? Há ainda a provocação de meramente tratá-lo como “Hussein”, ele, o presidente eleito democraticamente. A mensagem é que Barack Obama é o outro? Um muçulmano suspeito? O anterior na Casa Branca era George Bush, no máximo se acrescenta o W do nome do meio para diferenciá-lo do pai também presidente. Não se menciona o Walker. Para ficar nos mais recentes: William Jefferson Clinton, George Herbert Walker Bush, Ronald Wilson Reagan, James Earl Carter, Gerald Rudolph Ford, Richard Milhous Nixon e Lyndon Baines Johnson. Poucos conhecem os nomes do meio destes ex-presidente. No entanto, o Hussein do Barack Obama está consagrado. O único desconto que dou é o fato de ser realmente um nome mais “exótico” para os americanos.

Bem, parágrafo do meio desta pensata, vamos ao que interessa: antes das primárias republicanas na terça-feira no Mississippi e Alabama foi divulgada uma pesquisa reforçando os piores preconceitos contra os habitantes destes dois estados sulistas. Uma boa maioria dos republicanos não acredita na teoria da evolução e em número expressivo acham que Obama seja muçulmano. Vamos ficar com a segunda parte. Sites e blogs liberais estão fazendo a festa com estes dados da firma Public Policy Polling (que é ligada ao Partido Democrata), mostrando que 52% dos republicanos no Mississippi acreditam que Obama seja muçulmano e 45% no Alabama.  A chacota é uma bobagem (embora eu mesmo tenha feito piada sobre a ignorância dos rednecks, os caipiras sulistas). A pesquisa estimula a resposta. A pergunta é perniciosa. Se o objetivo fosse combater preconceito,  é um método errado.

Uma blogueira liberal esperta, Anne Marie Cox, falou coisa com coisa. Disse que muita gente gosta destas histórias pois elas confirmam suspeitas que os críticos de Obama sejam uns broncos, gente racista e islamofóbica (claro que estas espécies existem).  Mas acreditar que Obama não seja cristão (ou terráqueo) não torna alguém fundamentalmente contrário a ele.  Conservadores se opõem a Obama por razões variadas. Um eleitor com algum tipo de ressentimento ou frustração sobre a economia, o plano de saúde do governo ou o projeto sobre métodos anticoncepcionais, quando perguntado se acredita que o presidente seja muçulmano, pega no embalo de uma pergunta maliciosa. Pesquisas que contam envolvem perguntas sobre o desempenho do presidente ou se preferem se ele fique na presidência e não Willard Mitt Romney ou John Richard Santorum.

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Colher de chá matinal para o Ronaldo por seu vigor logo cedo e observações vigilantes.   Fui menos vigilante e o Celio fez uma correção apropriada (dia 15, 16;12). Colher de café.

Homens são de Marte e mulheres são de Vênus e Obama

Obama faz discurso para mulheres - Foto Kevin Lamarque/ Reuters

Vamos falar de sexo, mas só um pouco. Eu não tenho muito a dizer sobre o assunto em público, como é o caso de candidatos republicanos à presidência americana. Eles cometeram pecado politico e agora que paguem. Não adianta culpar a mídia liberal, o politicamente correto e o presidente democrata Barack Obama, em campanha de reeleição. Seria estupidez política da parte de Obama não tirar proveito da carolice republicana. Obama, movido a populismo, já investiu em guerra de classes (os 99% contra 1%, entre eles, Mitt Romney). Agora ele fatura com a guerra dos sexos.

Os candidatos republicanos, a destacar Rick Santorum, ressuscitaram as guerras culturais, em temas como métodos anticoncepcionais (meu Deus, o assunto já está sacramentado). Aborto é um assunto mais complicado, que divide inclusive as mulheres (ao contrário de métodos anticoncepcionais), mas o radicalismo partidário (a palavra correta é reacionarismo) em questões sociais e morais incomoda mulheres, mesmo republicanas moderadas, sem falar as independentes. Quem são estes homens republicanos para dar lição de moral e ditar regras em assuntos reprodutivos da mulher?

A Casa Branca esteve por um momento na defensiva quando enfureceu a hierarquia da Igreja católica, ao insistir que hospitais católicos oferecessem seguro médico que cobrisse métodos anticoncepcionais. Precisou alterar a política, ainda batendo na tecla de que se trata de uma questão de saúde da mulher e não de guerra à religião, como apregoam os republicanos. Mas, sortudo como de hábito, Obama foi abençoado pela cafajestice do papa do talk-radio conservador, Rush Limbaugh, que chamou de vadia e prostituta uma estudante da Universidade de Georgetown (católica), que advoga esta cobertura médica.

O debate sobre religião e exorbitância do papel do estado se converteu em uma conversa sobre falta de civilidade e mulheres. E também sobre falta de macho entre os republicanos. Um cardeal dos colunistas conservadores, George Will, perguntou: se Mitt Romney não teve coragem de encarar para valer Limbaugh por sua cafajestice, como vai enfrentar os aiatolás iranianos numa crise nuclear? Ok, meio folclórica a analogia de George Will. De qualquer forma, ela mostra a exasperação mesmo de gente conservadora com o primarismo republicano nestas primárias.

Em questões de mulher, o partido dá o palco para o coro evangélico e tem um tom pré-revolução feminista. Rick Santorum chegou a lamentar o “feminismo radical” que encoraja mulheres a trabalhar fora de casa, sem falar de suas perorações que sexo deve ter função reprodutiva e não de prazer. Bem, agora é hora dos republicanos sofrerem na pele. Basta ver a pesquisas recentes. A situação de Obama ficou um pouco mais confortável neste primeiro trimestre, com alguns sinais de melhoria na economia e o desgaste republicano na guerrra civil das primárias. Mas é simplesmente escandalosa a vantagem do presidente entre mulheres.

Há duas décadas existe o fosso dos sexos nas eleições. Mulheres votam mais nos democratas e os homens, nos republicanos. Mulheres são receptivas a um governo mais intervencionista, porém acolhem com menos ardor intrusões na vida privada. No geral, mulheres são mais liberais do que homens em questões sociais e menos fogosas para apoiar guerras. Este fosso diminui ou desaparece numa crise econômica. Nas eleições para o Congresso em 2010, os republicanos trucidaram os democratas, mesmo entre mulheres. As pesquisas das últimas semanas recolocaram as coisas nos eixos (para os democratas).  Se as eleições fossem hoje, Obama massacraria qualquer oponente republicanos no voto feminino. Em alguns pesquisas, diferença na faixa de 20 pontos. O consolo republicano é ter um bastião entre homens, a destacar brancos de nível econômico e educacional mais baixo.

Meu conselho para os republicanos: falem menos de sexo (se quiserem, façam bastante). O fosso entre sexos em eleições é um problema muito mais grave para os republicanos. Não se trata apenas desta radicalização para a direita do partido, que ficou ainda mais flagrante na atual temporada das primárias. É mera demografia eleitoral. Mulheres são maioria e votam mais do que os homens. Ganharam este direito bem antes da revolução feminista.

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Colher de chá matinal para o infatígável cabo eleitoral republicano Maisvalia (dia 12, 9:25). E uma colher de chá vespertina para a Vera (dia 12, 15:15), pelas colocações sobre religião.

Curta & Finas (Santorum & Gingrich)

Santorum e Gingrich no osso de Romney - Foto Joe Raedle/Getty

Para o desgosto de Mitt Romney, os outros não largam o osso que ele achou que já era dele, afinal pagou uma fortuna. Metáfora da Super Tuesday é corrida de cão. Foram mais 10 disputas nas primárias republicanas na terça-feira. Romney acumula delegados, mas também o desgaste. E realmente não triunfa na corrida da percepção.

Na expressão de um cardeal do colunismo político conservador, Charles Krauthammer, Romney avança, mas se enfraquece na sua trajetória. Ele não se fortalece quando supostamente se prepara para a brutal batalha contra o democrata Barack Obama em novembro. Romney não consegue selar o pacto com a base conservadora. A noiva faz beiço e muita careta antes do casamento com o riquinho.  As paixões da noiva são reservadas para outros pretendentes republicanos à presidência e para o presidente democrata.

Os outros segurando o osso nesta corrida de cão são Rick Santorum e Newt Gingrich (Ron Paul é outro bicho nesta metáfora). Santorum e Gingrich ganharam prévias na terça-feira e vão continuar por um tempo na corrida. Com suas esperadas vitórias em outros estados e a dura disputa no lendário Ohio (onde Romney ganhou por um punhado de votos), o teólogo-chefe Santorum pode até apregoar uma vitória moral. O consolo para Romney foi a vitória de Gingrich na Geórgia, o que assegura a continuação do racha entre os candidatos mais conservadores.

Seguramente não existe um caminho para a vitória de Gingrich nesta corrida. Só devem crescer as pressões, as súplicas e a reza na paróquia de Santorum para Gingrich largar o osso. Tampouco existe um caminho plausível para Santorum, mas com seu fervor e na condição de mais autêntico representante das hostes conservadores, ele deve seguir adiante, competindo. Em um momento, provavelmente em um par de semanas, haverá o esperado mano a mano entre Romney e Santorum. Estaremos livres das arengas intermináveis de Gingrich na televisão.

Serão meses de agonia para Romney até sua desajeitada coroação. Ele deixou ser ser inevitável. Passou a ser, well, passável, embora todo machucado, pois permanece como a pinãta da direita. Por enquanto, Barack Obama nem precisa bater pesado. O presidente está apanhando um pouco menos da economia e apronta suas travessuras, como realizar uma coletiva de imprensa na Casa Branca, justamente na Superterça. Ao final, o maroto Obama desejou boa sorte para Romney na corrida de cão. Sortudo é ele.

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Uma colher de café bem matinal (no meu fuso horário) para o Ronaldo (dia 7, 9:15), pelo slogan “é a piora da economia, estúpido!, tão necessário para os republicanos.

Curtas & Finas (Caciques & Índios)

Romney precisa selar o casamento com a base - Foto Brian Snyder/ Reuters

Com calculismo, com relutância e com alarme, cada vez mais caciques republicanos se alinham com Mitt Romney. Eles esperam que as prévias desta terça-feira em 10 estados, a Super Tuesday, sele o casamento desconfortável, porém, definitivo (até que a vitória na eleição presidencial de novembro os separe) entre a base partidária e um candidato que durante meses (inclusive por este colunista) foi definido como inevitável, até que obstáculos inevitáveis em qualquer campanha surgiram. Obstáculos como gafes, surpresas, volatilidade e a radicalização para a direita da base do Partido Republicano.

Estão aí os números da pesquisa Wall Street Journal/NBC News. Romney recuperou a liderança nas prévias republicanas (em termos nacionais). Mas a má noticia para ele é que sofreu ferimentos graves, na percepção da opinião pública, devido à guerra civil republicana e o tom negativo da campanha. A taxa de aprovação do presidente democrata Barack Obama alcançou a marca de 50%, a mais alta desde maio, com maior confiança popular na economia e também mais desconfiança dos candidatos republicanos. Por esa pesquisa, Obama venceria Romney por seis pontos (50 a 44)). Se o adversário fosse Rick Santorum, a diferença seria de 14 pontos (53 a 39). No caso de Newt Gingrich, de 17 (54 a 37). Depois de Romney, o adversário mais forte contra Obama seria Ron Paul (8 pontos  de diferença, 50 a 42), uma mostra do appeal deste político iconoclasta entre eleitores independentes e democratas desencantados com o presidente. E mesmo entre eleitores republicanos existem sinais de fadiga com a maratona das prévias presidenciais, com queda de interesse para participar da eleição de novembro.

Mesmo influentes senadores e deputados conservadores, como Eric Cantor, o líder da maioria republicana na Câmara, já se alinham com Romney. Os cálculos dos caciques republicanos fazem sentido. Só falta combinar com os caciques dissidentes e os índios rebeldes.

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O cacique aqui dá colher de chá matinal para o Ricardo (dia 6, 10:04), pelo comentário sobre os índios republicanos. E um prêmio especial para o Carlos Cezar. Ele  merece uma chaleira pela profusão de comentários na manhã desta terça-feira. Nossa, quanta premiação hoje, parece o Golden Globe. E uma colher de café para a Karla (dia 6, 11:14) por inflar meu ego e elogiar os títulos criativos desta coluna.

29/02/2012

às 1:32 \ Eleições 2012, Obama, Republicanos, Romney, Santorum

Romney volta a vencer em uma corrida sem triunfos

Santorum quase tirou o primeiro plano de Romney

Poderia ter sido pior para Mitt Romney. Ele poderia ter perdido em Michigan, sua terra natal e onde seu pai foi um popular governador. Ah, sim, Romney também ganhou no Arizona, o outro palco de primárias presidenciais republicanas na terça-feira. Uma dupla derrota não teria sido fatal para o candidato que, por uns tempos, era visto como inevitável, até por este escrivão. Mas a dupla vitória tampouco deve ser vista como espetacular.

Ela apenas estabiliza um pouco as coisas, depois de derrapadas e derrotas em etapas anteriores da corrida. Persistem as dúvidas sobre Romney, persiste a falta de entusiasmo da base e persiste o temor dos caciques partidários de que ele não seja páreo para o democrata Barack Obama em novembro. Romney venceu estas duas etapas depois de dias em que ele foi tão associado a gafes de menino rico (falando dos Cadillacs da mulher e que tem muitos amigos entre donos de carros do circuito Nascar). Existe uma incapacidade já folclórica de Romney para se conectar com o eleitor. Ele é “Robô-Romney”, na expressão da sempre maldosa Maureen Dowd, do New York Times.

Seu principal rival, Rick Santorum, o teoconservador, tem mais ginga de comício e não está pregando no deserto. Seu problema não é a gafe, mas a autenticidade, algo que nem sempre é uma virtude. Santorum gera muito perplexidade e até inquietação em partes da paróquia eleitoral, como em declarações de que teve vontade de vomitar depois de reler o discurso do ex-presidente John Kennedy, em 1960, sobre separação absoluta estado/igreja. Em contraste à pose de Romney de sócio de country club, o tom populista de Santorum cativa a base, embora ele passe da conta ao dizer coisas do gênero que o presidente Barack Obama é um ”esnobe” por incentivar os jovens a fazer faculdade.

Por estes dias, já existe muito atestado de óbito eleitoral de Romney circulando na praça. Prematuro, mas não custa deixá-lo pronto. A guerra civil republicana continua. Na semana que vem é a super terça-feira. Prévias em dez estados, alguns deles com um expressivo contingente evangélico afinado com o coroinha Santorum. Até Newt Gingrich (lembram-se dele?) poderá ter uma sobrevida, a destacar sua  base, a Geórgia.

Romney é tenaz, Santorum também. Ainda é mais fácil ver Romney vencendo a maratona do que Santourm, mas a corrida até agora se mostrou volátil, imprevisível e até bizarra. Provavelmente, o teoconservador Santorum irá ajustar sua mensagem e veremos menos sua ladainha sobre questões morais e mais um discurso sobre as aflições econômicas de uma base formada por gente branca e de nível educacional mais baixo.

Aliás, falando em aflições econômicas, por coincidência, Romney, que veste o traje engomado de melhor gerente da economia do que o democrata Barack Obama, venceu duas primárias no dia em que o Índice Dow Jones voltou a superar a marca dos 13 mil pontos, algo que não acontecia desde maio de 2008. Tudo bem, houve inflação neste período, mas o simbolismo é importante. Foi recuperado o terreno perdido para a Grande Recessão, uma prova de volta do precipício, algo martelado por Obama.

O Dow Jones atingiu esta marca em parte impulsionado pelo mais alto índice de confiança de consumidor em um ano. Obviamente, a economia tem uma contabilidade atroz (déficit e dívida) e poderá amargar nos próximos meses tanta volatilidade como as primárias republicanas. Ademais, existem tantos fatores capazes de intervir no jogo, desde Angela Merkel, com a crise europeia, ao aiatolá Khamenei, na crise nuclear iraniana. Mas Barack Obama tem motivos neste momento para elevar o seu índice de confiança.

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Colher de chá para o Queiroz (dia 29, 10:52), pela panorâmica eleitoral. Parabéns, levará um tempinho para outra colher de chá em 29 de fevereiro.


 

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