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Arquivo da categoria Primeira Impressão

21/12/2012

às 6:00 \ Primeira Impressão

Primeira Impressão (Livros do ano)

Meu livro do ano

Mais um ano de promessas não cumpridas. No caso, eu estou falando dos livros que me propus a ler e não li, culpa dos malditos empregos que tanto me ocupam, culpa do vício de ficar lendo o rame-rame do jornalismo diário e culpa dos “prazeres culposos” de ficar como um vegetal (batata no sofá, como se diz em inglês) diante da televisão mais horas do que deveria. Promessa não cumprida em não investir mais na Primeira Impressão, a própria seção da coluna dedicada a resenhas de livros pertinentes por aqui, como política internacional, história e uns pitacos em economia e comportamento.

Algumas das melhores publicações do mundo fizeram a lição de casa, com seus critérios, apregoando os”livros do ano”. Destaco as suspeitas habituais com sua abordagem mais global, como The Economist e Financial Times. Quem clicar no amarelo, terá acesso ao listão das duas publicações. Alguns dos livros escolhidos, eu cheguei a ler ou ao menos folhear, por obrigação profissional ou puro prazer pessoal (algumas vezes existe o casamento entre as duas coisas).

Em economia, um livro campeão nas listas é Por Que As Nações Fracassam (publicado no Brasil pela Elsevier), de Daron Acemoglu e James Robinson, sobre as origens do poder, prosperidade e pobreza. Assunto perene, intrigante, exasperante e frustrante. Acemoglu é economista (MIT) e Robinson é cientista político (Harvard).

Os autores trabalham com variáveis como instituições, regras do jogo e os incentivos que motivam as pessoas. Nações prosperam quando desenvolvem instituições políticas, legais e econômicas “inclusivas” e fracassam quando são “extrativistas”, ao concentrarem poder e oportunidade para alguns privilegiados.

Temas muito urgentes (sempre urgentes) são liderança política e capacidade para negociar. Para mim (ok, muita gente discorda), um gigante (trágico) foi o ex-presidente americano Lyndon Johnson, O biógrafo Robert Caro (um obcecado) publicou em 2012 The Passage of Power (Knopf), o quarto volume do seu épico sobre o sucessor de John Kennedy.

Johnson foi figura-chave em direitos civis, construção de programas sociais e guerra do Vietnã. Caro acompanha sua trajetória de 1958 a 1964 (no Texas e parte de sua passagem pela Casa Branca). Johnson uniu o país na esteira de uma tragédia (o assassinato de Kennedy), insurgiu-se contra sua própria história e geografia (o sul) na questão dos direitos civis e foi destruído pela guerra do Vietnã. Como eu disse, um gigante trágico.

Meu livro de cabeceira por estes dias (e noites) está em várias listas dos melhores do ano, na intersecção de história e lições para sempre. O tema: totalitarismo comunista. É  Iron Curtain, Cortina de Ferro (Doubleday), sobre o esmagamento da Europa Oriental pelo império soviético no período 1944-56.

Não podemos apagar da memória (fechar a cortina) o que foi a Guerra Fria e o pesadelo do projeto do mal soviético. Anne Applebaum, que ganhou o Pulitzer por seu livro Gulag: A History, nos premia novamente. Entre outras coisas, o novo livro é mais uma desconstrução da narrativa de historiadores de esquerda com a tendência de ainda encontrar desculpas para o comunismo soviético ou argumentar que a imposição de Moscou na Europa Oriental foi uma reação a movimentações hostis dos EUA no começo da Guerra Fria.

Foi resultado de ideologia. Foi um processo de subjugação mais rápido do que se antecipara e um dos aspectos mais fascinantes do livro é o relato dos estágios para a tomada do poder pelos comunistas. Havia não apenas a ferocidade da repressão, mas os lances para persuadir a população a aceitar a nova ordem.

Nunca é demais relembrar ou ensinar sobre os horrores stalinistas e o contraste com os beneficios do capitalismo democrático, apesar de suas imperfeições. Iron Curtain é livro para ficar para sempre na cabeceira de pessoas com a cabeça fora do lugar, para ver se a endireitam.

E na virada do ano, eu pretendo descansar um pouco a cabeça de assuntos como Obama, Primavera Árabe e as roses da vida, lendo ficção. A promessa que irei cumprir será a leitura de NW (The Penguin Press), de Zadie Smith, sobre a amizade de duas mulheres que cresceram na zona noroeste de Londres (e onde a autora cresceu), num épico urbano, revelando verdades sobre identidade, dinheiro e sexo (opa!).

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Pessoal, curto & fino, colher de chá, sopa, cidra e mel para os leitores, ótimas festas de fim de ano para todos.

17/09/2012

às 6:00 \ Primeira Impressão, Reinaldo Azevedo

Primeira Impressão (O País dos Petralhas II)

Antes de tudo, Reinaldo Azevedo é meu amigo. Falar bem ou mal de amigo em público me constrange. E depois de tudo, eu poderia sair ferrado se me atrevesse a um duelo com o Reinaldo. Ele é muito bom polemista, excelente. Melhor o ferro do Reinaldo naquela gente no poder no Brasil nada varonil e na esgotoesfera e não contra mim, Aquela gente merece e ainda bem que temos o Reinaldo pontiagudo na tropa de choque.
Não tenho medo de brigas e tenho minhas brigas por aí, mas não sou fanático por briga. Não endosso todas as brigas do Reinaldo brigador (aborto, gays, política americana, “inverno” na primavera árabe e Corinthians), mas endosso sua independência intelectual, sua integridade ética (e falo isto com integral conhecimento de causa, pois ele foi meu chefe na querida, saudosa e finada revista Primeira Leitura) e brilho jornalístico. Eu endosso O País dos Petralhas II, a obra que reúne seus textos publicados entre 2009 e 2011 no blog supercampeão e na edição impressa de VEJA.
Também com conhecimento de causa, eu posso assegurar que Reinaldo não tem clones. Ele é capaz daquela inesgotável produção que faz os “coleguinhas” ficarem com inveja ou raiva. Sei, é claro, de muita gente que tem raiva do Reinaldo pela qualidade do que ele escreve e não pelo mero número de linhas. Mas como ter raiva do essencial do Reinaldo? É aquilo que ele destaca na introdução do livro: ”A defesa dos fundamentos da democracia política, das liberdades de mercado e da economia de mercado”.
Eu estou um pouco distante, confesso, em termos geográficos e emocionais das desgraças brasileiras, como o petralhismo. Mas o Reinaldo diminui o meu distanciamento e alarga minha raiva. Quero terminar destacando algo muito próximo de mim e que me aproxima intimamente do Reinaldo: a denúncia sem tréguas do antissemitismo e a defesa do estado de Israel (aliás, estamos na virada do ano judaico, que 5773 seja um bom ano).
Portanto, leitores, ótima releitura do Reinaldo e para quem não conhece (será que existe esta pessoa no site?), uma primeira leitura essencial.
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Colher de chá para o depoimento pessoal de Sorales (dia 17, 12:53), sobre sua relação com o Reinaldo.

24/08/2012

às 6:00 \ Eleições 2012, Primeira Impressão

Primeira Impressão (Livros Políticos)

O best-seller The Amateur

Pouco antes das convenções partidárias nos EUA, um tema constante no debate político é o maior entusiasmo da base republicana em relação à democrata. A base conservadora se mostra mais motivada para votar e também para comprar livros políticos (e de pensar que uma peça de propaganda conservadora é fazer chacota do intelectualismo liberal).

A Amazon bolou um mapa rastreando os livros políticos que são best-sellers nos EUA, estado por estado. E os títulos conservadores dão de lavada. Em geral, são livros com ataques ao governo Obama. O estado mais “vermelho” (nos EUA, a cor é conservadora) é o Mississippi (72% dos títulos são conservadores). O campeão é uma investida pesada contra o presidente de Ed Klein, com o titulo que diz tudo: The Amateur.

Os liberais derrotam os conservadores em apenas 6 estados (dos 50) e na capital. Em Washington, os campeões são os os dois livros do próprio Barack Obama: Dreams from My Father e The Audacity of Hope. Talvez seja taticamente correto comprar e exibir o livro nas repartições públicas federais. E no mano a mano, o presidente também derrota com folga o rival Mitt Romney. Seu Audacity of Hope destroça nas vendas  o insosso No Apologies, de Mitt Romney. A desculpa para o candidato republicano é que ser escritor nunca foi o forte dele.

O consolo para os republicanos é que os leitores preferem de longe o Young Guns do candidato a vice Paul Ryan ao Promises to Keep, de Joe Biden. Legal ver qual político um dia poderá escrever um best-seller de não ficção com o título Promessas Cumpridas.

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Colher de chá para o Abílio (de Lisboa), sempre um bom comentarista, desta vez sobre os estereótipos europeus a respeito do debate intelectual nos EUA. 

Os passos de Tito Mainardi em São Paulo

Tito, Diogo e Nico (Foto Ruy Teixeira/Divulgação)

Estou em São Paulo. No sábado à noite, eu acompanhei os passos de Tito Mainardi pelas ruas dos Jardins. Por alguns minutos fiz o que Diogo, meu amigo e colega de serviço no Manhattan Connection, no canal GloboNews, faz de sua vida. Diogo faz e conta de forma arrebatadora (qualquer adjetivo emocional positivo envolvendo Diogo me deixa intimidado, pois ele é arredio para tal). Ok, ok, mas Diogo sendo Diogo, também é duro, duríssimo.

Seu livro A Queda: As Memórias de um Pai em 424 Passos (editora Record) é uma obra (e que obra literária) sobre a caminhada de Diogo e de Tito, o filho que nasceu com paralisia cerebral, numa narrativa enredada na história familiar (na caminhada que tem também a mulher Anna e o filho mais novo Nico), na literatura, na arte e nas ideias. Tudo enredado, mas meu amigo se solta na sua catarse.

Sei, sei, amigo, melhor foi a indenização devido ao crime cometido no hospital de Veneza no nascimento do Tito. Mas agora, nós, leitores, também somos recompensados com este livro sobre os passos cambaleantes de Tito e as rasteiras que Diogo dá na vaidade humana (e bem típico dele, num autogolpe).

Não estou aqui para fazer resenha do livro (para isto recomendo o detalhado e decodificante texto de Mario Sabino na edição corrente de VEJA e publicada no site). Estou aqui para dizer que gosto muito da família Mainardi e recomendar a leitura para todos (sei, sei, os detratores panacas do Diogo vão denunciar o golpe do veneziano para se humanizar e gerar compaixão). Meu amigo deveria processar quem o denuncia por autocomiseração.

Diogo talvez possa ser processado por excesso de resmungos. Além de nossas divergências políticas e sobre qual é a melhor água mineral do mundo, discordamos sobre São Paulo. Ele até me acusa de hipócrita por cantar uma ode à nossa cidade natal (argumenta que eu gosto, mas estou fora há quase 25 anos). Eu realmente gosto de visitar São Paulo. Diogo nem isso.

A gente conversava sobre o assunto (que falta de assunto) andando na rua Bela Cintra, ao lado de Anna, Nico e Tito. No livro. Diogo fulmina que “saber cair tem muito mais valor do que saber caminhar”. Coitado do Tito e de todos nós. Nas ruas de São Paulo, tem muito valor saber caminhar nas ruas. Aqui o resmungo do Diogo é inacatável. As ruas de nossa cidade natal são muito esburacadas.

Diogo, perdão se esta coluna está muito pedestre. 

PS – e por que Diogo e eu viemos para São Paulo? Ele para lançar o livro e também para a participação ontem, no domingo à noite, ao lado do nosso Reinaldo Azevedo (feliz aniversário!), do “Papo de Redação”, promovido pela Federação Israelita do Estado de São Paulo e A Hebraica (foi lá, claro, no clube onde bati muita bola de moleque) sobre Israel, Primavera Árabe, antissemitismo e eleição americana (go Obama?). No papo, dei meus passos familiares, sempre em defesa de Israel e bem menos do governo de plantão. Naquelas bandas do Oriente Médito, está tudo mais esburacado do que nas calçadas de São Paulo.

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Pessoal, hoje está fácil. Colher de sopa, pela vida e pela obra, para Tito, Diogo, Anna e Nico.

 


08/06/2012

às 6:00 \ Eleições 2012, Obama, Primeira Impressão

Primeira Impressão (A história de Obama, mais uma)

O jovem Obama quis transcender em 2004

Tem livro novo na praça sobre a história dele (Barak Obama: The Story). Como diz Michiko Kakutani, na crítica no New York Times, leitores mais preocupados se o presidente pode consertar a economia ou vencer a eleição em novembro irão achar excessivos ou entendiantes os detalhes sobre a trajetória do filho da mãe branca do Kansas e pai negro do Quênia (ou quantas namoradas ele teve e quantos cigarros de maconha fumou quando adolescente). Eu estou entre estes leitores.

A biografia vai até a ida de Obama para a Escola de Direito de Harvard em 1988.  Adiante, uma carreira política para a qual Obama levaria um temperamento analisado pelo autor David Maraniss (também biógrafo de Bill Clinton). Obama ganhou fama quando discursou na convenção democrata em 2004, com a narrativa de que os EUA deveriam realmente se unir, transcendendo as divisões entre democratas e republicanos, entre liberais e conservadores.

Maraniss observa que, por sua criação multicultural, Obama tinha um anseio para “estar acima das divisões culturais, sociais, políticas e econômicas”. Por esta razão, ele tinha dificuldades para o confronto. Esta postura significaria “reconhecer rupturas, imperfeições e as armadilhas da vida que ele queria transcender”.

Oito anos depois do discurso, sabemos que Obama não transcendeu. Pode-se discutir se ele foi ingênuo, messiânico ou meramente oportunista quando vislumbrou um cenário pós-partidário, no qual, na raça, ele cicatrizaria feridas nacionais. O fato é que as divisões hoje são mais acirradas. Para selar a constatação, está aí o novo estudo do Pew Research Center, uma bíblia para aprender sobre tendências na vida americana.

Por 25 anos, o instituto tem realizado pesquisas regulares para avaliar os valores americanos. E o estudo que acaba de ser divulgado confirma a polarização política e partidária. A dinâmica se acelerou no governo Bush e a presidência Obama é marcada pela “mais extrema reação partidária ao governo nos últimos 25 anos. Os republicanos são muito mais negativos e os democratas muito mais positivos”.

Vamos ser menos abstratos: algumas das divisões mais acentuadas envolvem os temas centrais da campanha presidencial de 2012: o papel e o alcance do governo e as redes de proteção social. Neste 1/4 de século nunca houve um fosso tão grande entre democratas e republicanos. Em 1987, 62% dos republicanos e 79% dos democratas diziam que o governo deveria cuidar das pessoas incapazes de fazerem isto sozinhas. Hoje, 75% dos democratas concordam com isto, mas apenas 40% dos republicanos querem um governo tão engajado no social.

Em questões ambientais, a diferença é ainda mais gritante. Em 1987, 93% dos democratas e 86% dos republicanos apoiavam regulamentações mais rígidas para proteger o meio-ambiente. O apoio democrata não mudou, mas despencou para 47% entre os republicanos. Em questões envolvendo política, religião e moral, os republicanos são cada vez mais conservadores e os democratas mais liberais. Os partidos se purificaram, as bases são mais radicais, Moderados foram alijados. Não é à toa que cresce o número de independentes. Citando dados do instituto Gallup, o Pew assevera que provavelmente o país tem o maior número de eleitores independentes dos últimos 75 anos. Sintomaticamente, até os independentes estão mais polarizados, com a maioria deles se inclinando por um dos dois partidos.

O triunfo eleitoral de Barack Obama em 2008 mostrou a capacidade americana de transcender divisões raciais. Este estudo do Pew Research Center pinta um retrato em que algumas das mais significativas divisões nacionais são baseadas na identidade partidária e em não em raça, sexo, religião  e classe. Não existe no momento um político capaz de transcender estas divisões. Resta saber se tão cedo será possível transcendê-las ou ao menos torná-las menos acentuadas.

Existem poucas dúvidas que o próximo presidente americano (Obama ou o republicano Mitt Romney) fará os tradicionais apelos por unidade nacional após a vitória, mas ele irá governar os EDA (Estados Desunidos da América). Esta é a história que mais importa e não mais uma sobre a vida de Obama.

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Bom debate entre Francisco Pintão e Ricardo Platero nesta sexta-feira. Dividem a colher de chá. Tempos de austeridade. Uma para os dois.  E uma colher de chá dominical para a Rubia (dia 10, 7:29), pelo depoimento pessoal e por estar no espírito deste texto sobre o avanço da polarização nos EUA.

Primeira Impressão (Islamistas)

Na semana que vem, teremos o primeiro turno das eleições presidenciais egípcias, mais uma fase de uma turbulenta transição pós-ditadura Mubarak, parte do turbulento processo que é a primavera árabe. Este processo não foi iniciado por partidos islamistas, mas agora eles tiram proveito de oportunidades democráticas ou de rachaduras na velha ordem em diversos países do Oriente Médio e norte da África para adquirir poder.
Portanto, vamos saudar a chegada do livro The Islamists Are Coming, editado por Robin Wright, uma veterana jornalista americana, muito chegada no Oriente Médio e que hoje está no Wilson Center, em Washington. São mais de 50 partidos islamistas no mundo árabe e o livro, com uma introdução de Robin Wright e ensaios de 10 especialistas, rastreia o que está acontecendo na Argélia, Egito, Jordânia, Líbano, Líbia, Marrocos, terrritórios palestinos, Síria e Tunísia.
Rótulos são complicados, mas algumas tendências são detectadas. Exceto Hezbollah, no Líbano, e Hamas (territórios palestinos), estes partidos islamistas não possuem braços armados e não pregam um conflito frontal contra Israel, embora hostilidade ao estado judeu e antissemitismo sejam componentes flagrantes. Ademais, existem condenações da rede Al-Qaeda e de jihadistas armados. que também tentam atuar no meio da encrenca. Basta ver o que está acontecendo na Sïria.
Importantes eventos históricos influenciam a atuação destes partidos, a destacar a revolução iraniana de 1979, a guerra contra os soviéticos no Afeganistão (1979-1989) e a guerra civil na Argélia (1992-1999). São eventos como triunfo de revoltas populares contra ditadores pró-ocidentais (Irã), de resistência à invasão de terras islâmicas (Afeganistão) e da possiblidade de vencer eleições parlamentares (Argélia).
Mas a experiência da Frente Islâmica de Salvação, na Argélia, que venceu o pleito mas foi derrotada por um golpe, mostrou a necesidade de um jogo político astuto e gradualista para permitir a ascendência do conservadorismo religioso. Variantes da Irmandade Muçulmana (Tunísia e Egito, por exemplo) exercem este jogo cauteloso.
A ascensão de partidos islamistas pelo voto gera uma conversa interminável sobre o que significa usar a liberdade para coibir a liberdade. Afinal, eleitos, partidos islâmicos podem reprimir liberdades individuais e perseguir minorias. Podem ser partidos democráticos (refletem a vontade da maioria), o que não é o mesmo que liberalismo.
No paradigma-alerta de Fareed Zakaria,  existem também democracias iliberais. E um corolário interminável desta conversa interminável é se islamismo é compatível com liberalismo, mesmo em países fora da esfera da primavera árabe, onde a democracia já está supostamente consolidada, como o caso da Turquia.
No livro editado por Robin Wright, as variáveis de desempenho econômico e de governança são trazidas para tentar entender vislumbrar o desfecho da primavera árabe. Os partidos islamistas que eventualmente irão adquirir e exercer o poder terão legitimidade através de bem-sucedidas políticas econômicas e governança de resultados. Não basta implementar a lei de sharia ou sonhar com um califato.
Discutir moralidade pode mobilizar a massa e desviar as atenções mas, no final das contas, os islamistas precisarão propor modelos de geração de empregos, baixar a inflação e atrair capital estrangeiro. Bastar que já existe um pouco de fadiga com a Irmandade Muçulmana no Egito, que comanda o Parlamento, e que as eleições presidenciais podem resultar na vitória de Amr Moussa, uma figura proveniente da velha ordem ditatorial.
Há um consenso no livro que desempenho econômico irá determinar o futuro político destes partidos. Mas sempre está aí o exemplo iraniano em que preservação no poder também é devida a outros fatores como repressão, fervor religioso, inimigos externos que desviam as atenções dos problemas internos e nacionalismo.
Também é importante lembrar como nesta primavera árabe, com o foco na Irmandade Muçulmana (vista como mais inclinada à cautela e ao pragmatismo), foi subestimado o avanço de grupos mais fundamentalistas, como os salafistas. São grupos que expressam posições rígidas em questões sociais e oposição ao sistema democrático de governo, embora participem de eleições.
Os ensaios no livro deixam em aberto questões como se os partidos islamistas estão realmente dedicados ao compromisso democrático e à tolerância, embora a prática será o teste (esperamos que não fatal). A linguagem ambígua, vaga e contraditória de partidos islamistas alimenta o ceticismo e o temor de seus opositores, como minorias religiosas, mulheres e liberais, além de integrantes da velha ordem ditatorial.
A história ainda está sendo rascunhada, mas os islamistas já chegaram para participar dela.
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Colher de chá para o Lexikon.

11/05/2012

às 6:00 \ Lyndon Johnson, Primeira Impressão

Primeira Impressão (Caro & Johnson)

O quarto volume do épico

Como tanta gente (de uma certa idade), eu me lembro do dia em que John Kennedy foi assassinado em 1963. Eu tinha 6 anos. Mas meu primeiro presidente americano foi o sucessor Lyndon Johnson, que eu via no Repórter Esso e sobre o qual lia no Estadão. E não dá para deixar de acompanhar até hoje o trígésimo-sexto presidente americano (governou de novembro de 1963 a janeiro de 1969). Culpa de Robert Caro.

Ele acaba de lançar o quarto volume de sua biografia épica sobre Johnson (The Passage of Power), o texano que ascendeu da pobreza para liderar o país mais poderoso do mundo, nos dias tumultuados dos assassinatos dos irmãos Kennedy e Martin Luther King, da guerra do Vietnã e de legislações históricas nos direitos civis e sistema social.

Caro é obcecado pelo objeto do seu estudo. Imagine, quando eu cheguei aos EUA para estudar em 1982, o historiador estava lançando o primeiro volume. As resenhas do novo livro (a no New York Times foi escrita por Bill Clinton) são acompanhadas de intermináveis perfis sobre a obsessão e as manias de trabalho de Caro, que vive enfiado no que chama de “bunker”, seu escritório em Manhattan, atulhado de prateleiras de livros e fichários com dados. Avesso a computador, ela ainda escreve o rascunho a mão e depois, mais moderno, refina na máquina de escrever Smith-Corona.

Intimidador

Caro já publicou mais de três mil páginas sobre Johnson, que no clichê apropriado era maior do que a vida. Com 1m95, era um político que usava do seu tamanho para intimidar e dissuadir. Johnson era vingativo, emotivo, realizador, destruidor, generoso, mesquinho, corrupto, corruptor, cruel e solidário. Era poderoso e inseguro. Herói de causas domésticas (de racista cru se transformou em paladino dos direitos civis) e vilão (Vietnã). Havia o good Johnson, o bad Johnson.

Caro é apaixonado por seu objeto de obsessão, o que não o mesmo que dizer que goste dele. Para Caro, o que fascina em Johnson é o fato de ter sido na segunda metade do século 20 a figura política americana que melhor entendia o poder político.

O épico de Caro sobre Johnson é um estudo sobre o poder, como adquiri-lo e como usá-lo, mas este quarto volume em particular é um estudo sobre o ódio. Era mútuo entre o ex-presidente e Robert Kennedy. E Johnson desprezava John Kennedy, o qual considerava um “diletante”. Sim, o senador diletante que deu uma rasteira na raposa do Senado, faturou a indicação do Partido Democrata nas eleições de 1960 e o seduziu para ser companheiro de chapa, para o desalento do irmão mais novo, que tentou abortar a dobradinha. Bob Kennedy disse que o dia da indicação presidencial do irmão fora o melhor de sua vida. O pior,  quando Johnson se juntou  à chapa.

Foi um casamento arranjado. Kennedy precisava de Johnson para vencer no sul e o político texano fez as contas: nos 100 anos anteriores, cinco em dezoito presidentes tinham morrido no cargo. Logo, sua chance de ocupar o posto principal estava acima de 20%.

O quarto volume começa com a campanha presidencial de 1960, quando Johnson foi manobrado por John Kennedy, e termina com o grande legado do trigésimo-sexto presidente: a assinatura da Lei dos Direitos Civis em 1964. Político inescrupuloso e de princípios, o democrata Johnson estava consciente que enterrar a segregação racial significava perder amplas parcelas do eleitor branco do seu partido no sul do país para os republicanos. Dito e feito.

O quinto e último volume vai cuidar, entre outras coisas, da escalada fatal no Vietnã. Inseguro por natureza e alquebrado pelo choque da guerra, Johnson optou por não concorrer à reeleição no turbulento ano de 1968. Voltou para o rancho no Texas, onde morreu em 1973. Caro tem 76 anos. Promete o último volume de sua saga para dentro de dois ou três anos. Cada volume costuma levar de oito a dez anos para sair daquele “bunker” em Manhattan.

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Colher de chá para Magno (dia 11, 11:09) e Celio (dia 11, 16:35), por comentários que captaram as contradições do Johnson. 

Primeira Impressão (Partidos Americanos)

Paridade entre partidos

O nome do analista eleitoral Sean Trende permite trocadilhos com “trend” (tendência, em inglês) e ele é bom no assunto, tema do seu primeiro livro, Lost Majority, sob medida quando esquenta a corrida eleitoral americana. Um dos negócios de Trende, analista do obrigatório site RealClearPolitics,  é descartar falsas tendências nos EUA., especialmente quando envolvem teorias partidárias de realinhamento. Na época em que George W. Bush governava o país na década passada, seu guru Karl Rove anunciava uma “maioria republicana permanente”. A “sólida” tendência foi substituída com a vitória de Barack Obama em 2008 pela narrativa da “emergente maioria democrata”. Na sequência, os republicanos triunfaram nas eleições para o Congresso em 2010. E o que vem pela frente?

No seu livro de desconstrução dos mitos de realinhamento permanente, Trende caracteriza o atual quadro político, partidário e eleitoral como o “mais difícil de ser entendido em décadas, pois são “tempos de quase paridade entre os partidos”. Um termo muito usado por analistas é de extrema volatilidade eleitoral. Os partidos não conseguem saborear uma vitória, na medida em que ela escorrega rapidamente.

Trende argumenta que não devemos vislumbrar tão cedo maiorias duradouras republicanas ou democratas. Ele não é muito camarada com triunfalismos partidários. Claro que a teoria será colocada `a prova nas eleições de novembro, embora, de novo, não se espere um triunfo avassalador de nenhum dos dois partidos.

Trende descarta estes realinhamentos duradouros, mas argumenta que um cenário plausível na política americana são os “partidos racializados” e também com componentes de guerra dos sexos, algo duplamente preocupante. Homem branco, especialmente de classe sócio-econômica mais baixa, é republicano, enquanto a coloração dos democratas é marrom (negros e latinos), com toque feminino.

As causas são históricas: ressentimento de brancos sulistas, que eram democratas contra os direitos civis, o que resultou em uma longa marcha deles para o Partido Republicano (lembram-se? O partido de Lincoln), a deserção de brancos conservadores (filhos de imigrantes ) do Partido Democrata no norte do país, especialmente quando os republicanos asssumiram posições mais conservadoras e os democratas mais liberais nas chamadas guerras culturais. Em contrapartida, muitas mulheres buscaram refúgio no ninho democrata pelos mesmos motivos. E a agenda democrata favorecendo cotas raciais e subsídios sociais reforçou os laços do partido com minorias e mulheres.

As tendências para um Partido Republicano mais macho e mais branco e um Partido Democrata mais marrom e feminino se cristalizaram ao longo de décadas devido a mudanças constitucionais, sociais e econômicas. E hoje os políticos têm incentivos para seduzir o eleitorado com base nestes traços. No entanto, mudanças sociais e econômicas podem levar, por exemplo, o eleitorado latino a afrouxar seus laços com os democratas. Isto pode acontecer se imigração deixar de ser um cavalo de batalha para os republicanos ou o partido der um “upgrade” a políticos latinos (como candidato a vice-presidente). Já do outro lado, o Partido Democrata não pode se dar ao luxo de alienar o bloco de homens brancos, cada vez mais alinhado com os republicanos.

Partidos “racializados” movidos a guerra dos sexos seriam um péssimo caso de realinhamento político duradouro nos EUA.
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Com meu espírito bipartidário (really), colher de chá para o João Felipe e o Pablo, pelos vários comentários na sexta-feira.

13/04/2012

às 6:00 \ Günter Grass, Israel, Primeira Impressão

Curtas & Finas (Israel & Grass)

Persona non Grass - Foto/Getty

Israel errou. Não deveria ter declarado Günter Grass persona non grata. Para quem ainda não sabe, Grass é ex-soldado da Waffen SS (elite militar do nazismo) e Prêmio Nobel de Literatura. Publicou um pequeno e repelente poema, com o título O Que Deve Ser Dito, na imprensa alemã na semana passada, no qual demoniza Israel e trata o Irã como vítima inocente de agressão, eventualmente alvo de aniquilação pelos israelenses.

Muito já foi dito sobre o poema e o próprio Grass quis desdizer, alegando que seu problema não é o povo judeu ou Israel, mas o governo israelense. Além de tudo, hipócrita e covarde. Aqui, insisto, devo dizer que Israel errou, pois alterou o eixo da discussão, que é um poema fétido, para a decisão de declará-lo persona non grata (num trocadilho abusado, persona non Grass).

O premiado, que levou décadas (só em 2006) para reconhecer que aos 17 anos se alistara na Waffen SS e no meio tempo se tornou consciência moral da nova Alemanha, falou mais bobagem. Comparou o estado judeu `a ex-Alemanha Oriental e ao regime vigente em Mianmar (que, por sinal, patrocina sua versão de primavera árabe). Os dois países citados foram os únicos que até agora tinham vedado a entrada de Grass.

Mas Israel é uma democracia, ao contrário do Irã, e não emite fatwas contra escritores. infelizmente, Israel tem setores altamente obtusos na coalizão de governo, como o partido religioso ultraortodoxo Shas, que comanda o ministério do Interior, responsável pela decisão de proibir a entrada de Grass no país.

Tecnicamente, Israel pode fazer isto, pois Grass é veterano de uma tropa de elite do nazismo (cujos integrantes deveriam entrar no país apenas para serem julgados), mas politicamente permitiu que a controvérsia se arraste e que o escritor encene o papel de mártir. Apenas para repetir o óbvio: críticas à política externa de Israel podem ser legítimas e devem ser feitas. Basta ver  que mesmo dentro do país existe um debate aflito sobre como lidar com o desafio iraniano. Grass não rompeu nenhum tabu, como imagina, mas também se equivoca quem subestima o apoio que ele está recebendo na Alemanha por sua diatribe. Críticas a Israel são corriqueiras e estridentes na imprensa europeia, onde são traçadas falsas equivalências entre Auschwitz e Gaza ou nazismo e sionismo.

Como muitos já disseram, a expiação da culpa europeia (e não só alemã) pelo holocausto é feita através da transformação da vítima em algoz. Nestas horas, Grass sabe o que está dizendo. Por esta razão, é particularmente intolerável que as acusações sejam feitas com a má fé, desinformação  e distorção de alguém como Grass, especialmente por acusar Israel de intenção genocida. Nestes assuntos de genocídio, um ex-soldado da SS deve calar a boca ou se penitenciar pelo resto da vida.

Ao invés de declará-lo persona non grata, teria sido até mais interessante convidar Grass para aparecer em Israel e participar de debates sobre as intenções do regime islâmico do Irã, cujo presidente nega o holocausto. Claro que, quem quisesse, poderia protestar com muito barulho contra a presença de Grass, talvez recrutando um bando de meninos tocando tambor em frente ao seu hotel.
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Colher de chá para os lúcidos comentários do Felipe e os comoventes da Betty, com sua solidariedade tribal.
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Pessoal, a liberação de comentários nesta segunda-feira deve levar um tempinho para dar o ar de sua graça, será lenta e a conversa com os leitores não terá o dinamismo habitual. Perdão, mas o espaço, como sempre, aberto.

02/03/2012

às 6:00 \ Primeira Impressão, Putin, Rússia

Primeira Impressão (O Homem Forte)

Vladimir Putin - Foto Alexei Druzhinin/AFP

Está na cara, abaixo dela e no título do livro de Angus Roxburgh que Vladimir Putin é macho, o homem forte da Rússia (The Strongman, editora I.B. Tauris, 338 páginas, US$ 28). Veterano correspondente da imprensa britânica em Moscou, Roxburgh fraquejou na vida quando trabalhou para uma empresa de relações públicas a serviço do Kremlin, mas isto também abre portas para conseguir informações. Seu livro é um esforço para entender como Putin chegou ao poder e os motivos que o levam a ter ainda tanto apoio.

Como vai terminar este poder? Putin, hoje primeiro-ministro, está voltando formalmente ao cargo de chefe de estado com as eleições presidenciais que terão o primeiro turno neste domingo e quem sabe o definitivo.  Para a resposta , eu recomendo a leitura do editorial e da reportagem da capa da edição corrente da revista The Economist com o sintomático título O Começo do Fim de Putin. Não resisto a uma frase lapidar da revista: sob Putin, a Rússia hoje é uma “cleptocracia mal governada”.

Mas, voltando a Angus Roxburgh, o homem forte também é um homem de sorte. E isto ajuda a explicar os 12 anos ininterruptos de poder, pois Roxburgh deixa claro que mesmo na presidência de Dmitry Medvedev, que está terminando de forma melancólica, Putin continuou sendo o manda-chuva. Sorte é uma commodity essencial para um político. Não depende de seu mérito. E a sorte jorrou para Putin com as ainda vastas reservas de petróleo e gás sob o vasto solo russo. O valor nos mercados mundiais aumentou em cinco vezes desde que ele assumiu a presidência pela primeira vez no ano 2000 (teve uma reeleição e pela Constituição, não pôde pegar o terceiro mandato consecutivo).

Outra explicação para o sucesso de Putin é sua capacidade para manipular a nostalgia, convencendo os russos que só ele poderia trazer de volta as glórias do período soviético, sem a carga mais pesada do totalitarismo. De novo, que homem de sorte. Ele comandou depois dos anos tumultuados de Bóris Yeltsin, que se seguiram ao colapso soviético e quando os preços do petróleo caíram. Depois do caos, os russos queriam um durão como Putin para conduzir as coisas, ao estilo minha-turma-rouba-mas-faz.

Putin deu o que os russos queriam. Mas a mão que protege (e rouba), também intimida. O comportamento truculento de Putin se estende ao seu relacionamento internacional. Roxburgh penetra nas complexidades deste relacionamento. Putin é possuído por um exagerado senso de insegurança, aliado a um clássico medo russo de cerco internacional. O Ocidente, especialmente os EUA, feriu as suscetibilidadees russas com decisões como estender a Otan às antigas repúblicas bálticas e até prometer o mesmo a países como Ucrânia e Geórgia. Ferido pelas atitudes ocidentais, Putin passou a se comportar de forma ainda mais rude e nacionalista, fora e dentro de casa.

Roxburgh conta uma história sintomática sobre a natureza truculenta de Putin. Ele soube que a primeira-ministra Angela Merkel morria de medo de cachorros e mesmo assim trouxe Koni para um encontro permitindo que a cadela farejasse as pernas da dirigente alemã. Como diz The Economist, é o começo do fim para Putin. Os russos estão perdendo o medo do homem forte, dono de Koni. Ele poderá reforçar ainda mais sua natureza e sem reformas nesta sua volta à presidência haverá protestos, repressão e estagnação econômica. O ideal seria Putin, pelo menos, prometer não concorrer novamente em 2018, para um segundo mandato. Atitude de homem sábio, de homem realmente forte.

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Pessoal, que tal colher de chá para a Koni. Alguém vota contra? 

 

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