Curtas & Finas (Sobras Egípcias)
Moussa vagamente lembra nome de sobremesa, mas é o sobrenome de um dos candidatos com chance de garfar a eleição presidencial egípcia. Foram dois dias de votação no primeiro turno (quarta e nesta quinta-feira) e os resultados serão anunciados na semana que vem. Quem sabe Amr Moussa esteja lá, concorrendo no segundo turno em junho. E, na metáfora gastronômica, o site da publicação Foreign Policy tem um perfil saboroso, que aqui eu cozinho, deste ex-ministro das Relações Exteriores da ditadura Mubarak concorrendo nas primeiras eleições democráticas para presidente no país.
O título do perfil escrito por David Kenner é The Good Felool. O termo pejorativo felool significa no Egito “sobras” da ditadura Mubarak. E Moussa é visto por muitos como uma sobra digerível do velho regime. Ele não integrou a ala mais podre (foi inclusive espirrado do centro do poder) e agora se apresenta como uma ponte entre o passado desacreditado o futuro incerto. Moussa é o candidato enfaticamente não-islamista, posa de estadista experiente (75 anos) e sabe circular pelo mundo (chefiou a desmoralizada Liga Árabe). Apesar de sua virulência antiIsrael, tem relações cordiais com o presidente israelense Shimon Peres.
O texto da Foreign Policy não engole Moussa com facilidade. Diz que seu potencial presidenciável mostra a leviandade de se falar de uma revolução no Egito. Na expressão do texto, “Moussa, para o melhor ou para o pior, não é a culminação de nada se aproximando de revolução”. Fica a critério do gosto político de cada, decidir o que seria o melhor ou o pior para o Egito da primavera árabe. Mas deixo bem claro aqui neste espaço que gosto se discute.
Moussa hoje se refaz como um crítico da ditadura Mubarak e se apresenta como uma alternativa ao bloco islamista, que já controla o Parlamento e tem dois candidatos presidenciais (será inacreditável se um deles não estiver no segundo turno da eleição). O fato é que o futuro presidente egípcio precisará realmente construir uma ponte entre um poderoso establishment militar (felool da ditadura) e um Parlamento dominado por islamistas. Para a tarefa se apresenta o bom felool, um mestre-cuca da receita do compromisso político. Nas devidas proporções, Moussa é um José Sarney. Cada país tem as sobras que merece, para o melhor ou para o pior.
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Colher de chá para o Felipe (dia 24, 11:38), pelas comparações, nas devidas proporções, entre a transição democrática no Egito e no Brasil.












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