Rabiscos Estratégicos (Israel & palestinos)
No plano formal, as perspectivas diplomáticas no diálogo entre israelenses e palestinos são desoladoras. Para mais detalhes, os leitores podem dar uma comedida olhada na coluna anterior. É inquietante que isto também esteja acontecendo no plano informal. O israelense Yossi Alpher está azedo, como raramente esteve. Ao lado do palestino Ghassan Khatib, Alpher edita o site bitterlemons.net, que promove a troca civilizada de idéias e busca de soluções para o conflito. O título do seu último texto é sintomático: “Tristemente, nada mais para conversar”.
Quase 20 anos depois dos acordos de Oslo, consagrado pelo aperto de mão entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, com a benção de Bill Clinton, que estabeleceram as bases para acordos definitivos entre israelenses e palestinos, as expectativas são muito baixas sobre o que pode ser alcançado. Existe inclusive crescente pessimismo sobre a perspectiva da solução dos dois estados.
Neste seu comentário azedo, Alpher observa que interlocutores dos dois lados estão simplesmente cansados diante do cenário pouco promissor. Entre o alastramento das colônias israelenses na Cisjordânia e a insistência palestina em exigências inaceitáveis, como o direito de retorno dos refugiados, está duro ver alguma luz no fim do túnel.
Mas, na advertência de Alpher, nada mais escuro do que a inclinação para se admitir a solução de apenas um estado, que resultaria no apartheid (a minoria israelense dominando a maioria palestina sem plenos direitos) ou em um estado árabe (com uma minoria judaica discriminada). Alpher joga um limão verde, dizendo que é preciso uma direção mais ousada nas conversações informais, com mais contatos entre israelenses e o Hamas, o que pavimentaria o caminho para contatos israelenses com islamistas adicionais do mundo árabe.
Quebra do tabu? Alpher lembra que antes dos acordos de Oslo em 1993 era ilegal o contato de israelenses com a Organização de Libertação da Palestina. Alpher lança o desafio. Diz que israelenses corajosos estão prontos para o diálogo. E quem se habilita do lado do Hamas?
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O leitor “Seu Madruga” chegou apenas no início da tarde de terça-feira com vários argumentos interesssantes e dados históricos. Colher de chá. E horas antes da madrugada de quarta-feira, colher de chá para o Magno e Amauri, por vários comentários ao longo do dia. Destaco o tom civilizado dos três leitores. Para mim é um prazer este tipo de debate.










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