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Arquivo da categoria Palestinos

15/05/2012

às 6:00 \ Israel, Mundo Árabe, Palestinos

Rabiscos Estratégicos (Israel & palestinos)

Expectativas frustradas

No plano formal, as perspectivas diplomáticas no diálogo entre israelenses e palestinos são desoladoras. Para mais detalhes, os leitores podem dar uma comedida olhada na coluna anterior. É inquietante que isto também esteja acontecendo no plano informal. O israelense Yossi Alpher está azedo, como raramente esteve. Ao lado do palestino Ghassan Khatib, Alpher edita o site bitterlemons.net, que promove a troca civilizada de idéias e busca de soluções para o conflito. O título do seu último texto  é sintomático: “Tristemente, nada mais para conversar”.

Quase 20 anos depois dos acordos de Oslo, consagrado pelo aperto de mão entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, com a benção de Bill Clinton, que estabeleceram as bases para acordos definitivos entre israelenses e palestinos, as expectativas são muito baixas sobre o que pode ser alcançado. Existe inclusive crescente pessimismo sobre a perspectiva da solução dos dois estados.

Neste seu comentário azedo, Alpher observa que interlocutores dos dois lados estão simplesmente cansados diante do cenário pouco promissor. Entre o alastramento das colônias israelenses na Cisjordânia e a insistência palestina em exigências inaceitáveis, como o direito de retorno dos refugiados, está duro ver alguma luz no fim do túnel.

Mas, na advertência de Alpher, nada mais escuro do que a inclinação para se admitir a solução de apenas um estado, que resultaria no apartheid (a minoria israelense dominando a maioria palestina sem plenos direitos) ou em um estado árabe (com uma minoria judaica discriminada). Alpher joga um limão verde, dizendo que é preciso uma direção mais ousada nas conversações informais, com mais contatos entre israelenses e o Hamas, o que pavimentaria o caminho para contatos israelenses com islamistas adicionais do mundo árabe.

Quebra do tabu? Alpher lembra que antes dos acordos de Oslo em 1993 era ilegal o contato de israelenses com a Organização de Libertação da Palestina. Alpher lança o desafio. Diz que israelenses corajosos estão prontos para o diálogo. E quem se habilita do lado do Hamas?

 ***
O leitor “Seu Madruga” chegou apenas no início da tarde de terça-feira com vários argumentos interesssantes e dados históricos. Colher de chá.  E horas antes da madrugada de quarta-feira, colher de chá para o Magno e Amauri, por vários comentários ao longo do dia. Destaco o tom civilizado dos três leitores.  Para mim é um prazer este tipo de debate.

14/05/2012

às 6:00 \ Irã, Israel, Mundo Árabe, Oriente Médio, Palestinos

Em defesa de Israel (de novo) e até de Netanyahu

Netranyahu, por cima, com seu novo parceiro Mofaz

Que coisa! Governos são derrubados por crise econômica (Europa, num jogo de dominó) ou são derrubados porque o prazo de validade expirou (Oriente Médio, como no Egito) ou se aguentam no poder porque expiram a oposição com força bruta (também no Oriente Médio, como na Sïria). E lá em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu mostra que o país está sólido, em uma recado aos inimigos externos e também aos amigos de Israel que temem pela coesão interna do país.

Netanyahu, do partido de direita Likud, deu um golpe de mestre na semana passada, ao aliciar o partido de centro Kadima para a coalizão de governo. Assim, ele não antecipou as eleições gerais de outubro de 2013 para o próximo setembro como estava praticamente decidido e costurou uma supermaioria no Parlamento (3/4 das cadeiras). A jogada maquiavélica de Netanyahu atraiu muita atenção e especulações sobre as ramificações externas.

Uma leitura é a de que o país se uniu como não se unia desde a guerra de 1967. Logo, o terreno está sendo preparado para um ataque às instalações nucleares iranianas. Possível. Há uma leitura também que a incorporação do Kadima, um partido com uma posição mais aberta e sensível à questão palestina, pode movimentar as coisas naquela frente diplomática após tantos anos de paralisia. Menos possível. Basta ver que Israel e palestinos sequer conseguem retomar negociações substantivas, como mostrou a mais recente troca de correspondência entre os dois lados.

As considerações urgentes para o lance de Netanyahu foram mais domésticas e aqui manifesto um pouco de alívio. Nas considerações externas, eu persisto nas dúvidas sobre a sabedoria deste ataque ao Irã (em particular se for uma iniciativa unilateral de Israel) e no caso palestino não vislumbro avanços significativos tão cedo, o que a longo prazo é uma dano ao direito palestino a um estado, à legitimidade de Israel e à busca de um modus-vivendi entre judeus e árabes no Oriente Médio. É  um cenário inquietante e que continua se agravando.

Ao menos, porém, existe uma frente mais sólida internamente (a noção de solidez, é verdade,  deve ser encarada com ceticismo em Israel e sua classe de políticos tão oportunistas, fisiológicos e corruptos). País mais sólido internamente fica mais preparado para enfrentar desafios externos. E porque o alívio? O Likud nunca foi minha praia, mas o consolo para mim é o fato de ser um partido relativamente secular, como é o caso do Kadima (que é filhote do próprio Likud). Este casamento de conveniência entre pai e filho aumenta a margem de manobra para diminuir o espaço que já é desproporcional de pequenos partidos ultrarreligiosos, que converteram o país em refém de suas causas (ao lado de partidos ultranacionalistas de direita, outro dano para a saúde e o futuro do país).

Com esta nova coalizão, ficou mais fácil a aprovação de reformas nos próximos meses, a destacar a exigência de algum tipo de serviço nacional para os jovens religiosos (hoje isentos do serviço militar obrigatório) e também de reformas do sistema político para reduzir o poder destes partidecos. Eu considero uma maravilha uma freada na aceleração religiosa em Israel, um belo exemplo quando vemos o avanço do fundamentalismo islâmico no Oriente Médio, no lugar de infames ditaduras seculares.

O poder desproporcional destes pequenos partidos religiosos é uma distorção que ameaça a própria coesão da sociedade israelense (muitos destes cidadãos ultrarreligiosos recebem benefícios sociais ou têm isenções e sequer reconhecem o próprio estado). Curiosamente, reformas exigindo algum tipo de serviço nacional, ao invés de militar, para milhares de estudantes de escolas religiosas, tambem terão implicações para os cidadãos árabe-israelenses do país (cerca de 20% da população), hoje também isentos do serviço militar. Se estes cidadãos são parte da sociedade e querem plena igualdade também devem servir ao país, numa dinâmica de mais direitos e deveres.

Na verdade, estas dinâmicas internas e externas Israel devem ser enfrentadas simultaneamente, num desafio que garanta pontos essenciais: um estado judaico, democrático e seguro (e um dia em paz com seus vizinhos). Será um teste histórico para Netanyahu, alguém que eu considero mais hábil para estes lances táticos (como costurar esta surpreendente coalizão) do que uma visão estratégica (no caso palestino, ele foi arrastado ao longo dos anos para aceitar o mero direito palestino a um estado).

Para dar uma medida, o compromisso do Kadima com o cenário de dois estados é mais determinado. Seu líder Shaul Mofaz propôs em 2009 a criação imediata de um estado palestino em 60% da Cisjordânia e aceita, ao contrário de Netanyahu, as fronteiras anteriores à guerra de 1967 como base para um acordo de paz, com entrega de algumas terras israelenses para compensar a perda aos palestinos de blocos de assentamentos judaicos dentro da Cisjordânia. Mas hoje em dia, Netanyahu reflete o país. Ele é um político cauteloso. O seu passo é o passo nacional. Se eleições tivessem sido antecipadas para setembro, o Kadima teria levado uma rasteira do eleitorado.

Não há dúvida que Netanyahu tem agora inquestionável legitimidade política para pressionar os EUA contra arrastadas negociações com o Irã sobre suas ambições nucleares, enquanto ameaça com o ataque preventivo. Vale lembrar que as divergências dentro de Israel sobre o Irã são muito mais sobre quando seria o momento mais adequado para o ataque e se isto deve ser feito sem o apoio ou, pior, contra a vontade americana.

Mas na dinâmica externa, as coisas não estão, é claro, exclusivamente nas mãos de Netanyahu. No caso iraniano, ele não poderá fazer nada até que haja um desfecho das negociações nucleares entre a comunidade internacional e o Irã (a solidez da coalizão de Netanyahu aumenta a urgência destas conversacões).

O dilema para Netanyahu será um acordo com Teerã que ainda permita algum tipo de enriquecimento de urânio. Como ele poderá realizar um ataque num contexto em que existe um acordo indesejável para Israel, mas aceitável para grande parte da comunidade internacional? O primeiro-ministro de Israel também precisa medir se lança um ataque enquanto Barack Obama está no poder ou se arrisca a uma espera eleitoral (nos EUA), no qual poderá ou não assumir o seu amigão, o republicano Mitt Romney, em janeiro próximo.

No caso palestino, resta ver qual será a resposta à nova dinâmica interna em Israel pelas lideranças palestinas (O Fatah do ainda presidente Mahomud Abbas, que controla a Cisjordânia, e o Hamas, que manda em Gaza). As apostas de Abbas não funcionaram (como buscar o reconhecimento unilateral palestino na ONU e não através das tortuosas negociações com Israel).

Como Obama em Washington, Abbas também apostava (e perdeu) que Netanyahu seria em algum momento espirrado do poder em Jerusalém. Agora precisa aceitar a realidade de um adversário mais forte e decidir se irá se engajar. Quanto ao Hamas, não há muita diferença na sua postura, além de uma suavização da retórica antiIsrael por alguns setores do grupo fundamentalista islâmico. O Hamas se sente mais fortalecido com o avanço da Irmandade Muçulmana no Egito, da qual é filial, e não se dobra aos esforços de Abbas para colocar Gaza sob o seu controle. Nenhum dos três atores tem muito a oferecer para se sair do lodaçal diplomático.

Esta união em Israel é um desafio para os inimigos do país, mas ainda resta saber exatamente o que fará Netanyahu com os frutos de sua vitória, além de ter menos dor-de-cabeça com a caótica política interna israelense.

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Colher de chá para o Caio Blinder, ele merece por ser tão paciente. 

Entre Israel e Gaza, um jogo de tensão e acomodação tática

Escalada de ataques em Gaza e sul de Israel - Fotos Reuters/Getty

De uns dias para cá, ocorreu uma escalada de violência nas bandas de Gaza/Israel, com os ataques aéreos/assassinados seletivos praticados por israelenses contra terroristas palestinos (e nas ações morreram também civis) e lançamento de foguetes contra cidades israelenses por radicais islâmicos mais radicais do que o Hamas. Existe um interesse tanto de Israel como do Hamas de impedir que a coisa se degringole. A disposição mútua é tática, manifestada em negociações indiretas mediadas pelo Egito. Naquelas bandas, tréguas são frágeis. Vamos ver.

O foco de Israel no momento é a questão nuclear iraniana, enquanto o Hamas tenta se ajustar a uma nova realidade regional (em função da primavera árabe). O grupo, ao que tudo indica, se distancia dos seus patronos sírios e iranianos (isolados no mundo árabe-sunita) e obviamente fortalece os laços com a Irmandade Muçulmana, na qual tem suas raízes, e que está a um passo do poder no Egito. No cálculo do Hamas, luta política e o mero reconhecimento tático que Israel existe talvez tragam mais ganhos do que a via armada/terrorista. Entre outras coisas, enfraquece a narrativa israelense de que não dá para negociar com um bando de terroristas que prega a destruição do estado de Israel.

Para o Hamas, e por extensão os palestinos, até que convém a eliminação da ameaça nuclear iraniana e a queda do regime Assad na Síria. Entre as ramificações, estaria a recolocação da questão palestina no centro dos acontecimentos no Oriente Médio. Claro que não podemos prever com precisão os desdobramentos em Gaza e na Cisjordânia caso ocorra um ataque israelense às instalações militares iranianas.

O que aconteceria, por exemplo, se o Hezbollah libanês lançar foguetes contra Israel como parte de uma retaliação iraniana? O Hamas ficaria de braços cruzados, apesar de garantias dadas recentemente por alguns dos seus dirigentes? Um dado importante aqui: nesta última escalada de violência, o estrago apenas não foi maior em Israel  devido à taxa de sucesso (70%)  do sistema de interceptação de foguetes disparados contra áreas povoadas. Maiores estragos talvez resultassem em retaliações mais severas. E vale lembrar que existe um racha no Hamas sobre mais resistência ou algum tipo de acomodação tática com Israel. Em contrapartida, interessa a iranianos e sírios botar lenha na fogueira palestina para desviar as atenções dos desafios que enfrentam.

Na questão palestina em si, um desafio é que o processo de paz, estabelecido com os acordos de Oslo em 1993, está essencialmente morto há três anos com o fracasso de negociações entre o então primeiro-ministro israelense Ehud Olmert e o presidente palestino Mahamoud Abbas sobre um status final em questões como fronteiras, refugiados, segurança e Jerusalém.  Com Olmert e seu antecessor Ehud Barak, Israel fez propostas que os palestinos não deveriam ter recusado. Foram maximalistas e perderam uma chance histórica. O de sempre, os palestinos não perderam nenhuma oportunidade de perder oportunidade. Já o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é minimalista e quer apenas manter um processo diplomático em curso com os palestinos, mas sem avanços substantivos. É o processo pelo processo.

Do lado palestino, tampouco existe algo substancial. Abbas sabe que suas posições em questões como o direito de retorno de refugiados palestinos a Israel são irreconciliáveis com a realidade (este retorno é inaceitável para Israel,  seria um suicídio demográfico) e que a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia (que deve ser contida por si) não é o único obstáculo em conversações. Abbas tem uma posição fraca, pois não controla Gaza e a perspectiva de reconciliação do seu grupo, o Fatah, com o Hamas é duvidosa, apesar de infindáveis negociações. Ironicamente, se isto acontecesse seria até uma desculpa para mais imobilismo diplomático israelense.

Temos, portanto, acomodação tática, negligência, falta de foco, farsa diplomática e ausência de paradigmas que substituam a fórmula dos acordos de Oslo. Este status quo provisório não pode se tornar crônico. É insustentável

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Estou surpreso, assim como alguns leitores, como o tom calmo dos comentários sobre esta coluna. Debates civilizados. Parabéns aos leitores. Portanto uma colher de chá (de cactus do deserto?) para todos.

14/12/2011

às 6:00 \ Israel, Palestinos, Republicanos

Curtas & Finas (Gingrich/Palestinos)

Newt Gingrich, a estrela da corrida presidencial republicana, tem preocupações bizarras e dispara petardos retóricos. Como ele está em evidência, o que fala (e não deveria falar) vira sensação. Vou deixar de lado a obsessão gingrichiana com um ataque com pulsos eletromagnéticos contra os EUA e me concentrar em uma explosão verbal que me deixa mais `a vontade para palpitar. Gingrich disse que os palestinos são um “povo inventado”. Existe a previsível fúria da liderança palestina e de intelectuais de esquerda (e críticas até de Mitt Romney e outros candidatos republicanos) com esta explosiva declaração.

Gingrich está até historicamente correto sobre a invenção (politicamente é outra história). O nacionalismo palestino é uma causa recente. Existem setores que simplesmente negam a legitimidade do nacionalismo palestino, mas é possível remontá-lo pelo menos até os anos 70. Até então, havia muito mais a causa antiisraelense de países árabes e os refugiados palestinos eram massa de manobra dos inimigos de Israel e até arma de genocídio.

Aliás, a tão citada Resolução 242, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, depois da Guerra dos Seis Dias em 1967, não faz referência aos palestinos, mas a refugiados. Ironicamente, antes da partilha em 1947 do território britânico que previamente pertencera ao Império Otomano, a palavra palestina se referia ao judeus que viviam na Palestina. Os árabes eram chamados de árabes ou de árabe-palestinos. E entre a independência de Israel em 1948 e a guerra de 1967, os países árabes que controlavam a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental nunca tiveram a disposição de criar um estado palestino. Isto é apenas história.

Gingrich entra com gosto na polêmica, porque é Gingrich e quer faturar o voto dos judeus americanos que é maciçamente pró-democrata. Mas como diz Michael Kinsley, um veterano jornalista e inverterado polemista, não se pode desinventar o que foi inventado. O nacionalismo palestino é um fato estabelecido. O povo palestino quer um estado e merece ter um estado. Até amplos setores da direita israelense, a destacar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, já aceitam esta aspiração.

Basta ficar com a declaração do ex-embaixador de Israel nos EUA, Zalman Shoval. Ele disse que os comentários de Gingrich podem ser “factualmente” verdadeiros ou falsos”, mas são politicamente irrelevantes (no contexto do atual jogo político do Oriente Médio). Os palestinos “se inventaram nos últimos 50 ou 60 anos como uma unidade nacional separada. A aspiração dos palestinos por uma unidade nacional e seu próprio governo são fatos com os quais devemos lidar”.

De fato, corretíssimo. O resto é Gingrich e ele que invente argumentos melhores caso um dia seja presidente (eu espero que isto nunca aconteça) e precise negociar a crise do Oriente Médio, inclusive com os representantes do povo palestino.
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Pessoal, por razões técnicas, de atualização de dispositivos do site de Veja.com, não será possível postar comentários entre 21 horas de quarta-feira e 5 horas de quinta-feira. Portanto, quem tiver algo para dizer sobre este tema ou os anteriores, chegou a hora.

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Colher de chá para o Carlos Cezar, uma espécie de “dono” da questão palestina por aqui. Antes das 10 da matina, disparou oito comentários.

11/11/2011

às 6:00 \ Israel, ONU, Palestinos

Semicurtas & Finas (Palestinos)

A cena de Mahmoud Abbas na ONU - Foto Stan Honda/AFP

Que papelão! O presidente palestino Mahmoud Abbas fez o jogo de cena em setembro na abertura da assembleia-geral para conseguir apoio no Conselho de Segurança para o pleno reconhecimento palestino como estado nas Nações Unidas. A pressão americana surtiu efeito e aparentemente não existem os necessários 2/3 entre os 15 membros do Conselho de Segurança para a aprovação do pedido. A comissão de admissão deverá reportar nesta sexta-feira aos membros do órgão a impossibilidade de costurar um consenso em torno do pedido palestino.

Não havia como decolar, pois o governo Obama antecipara que vetaria o pedido (os EUA são um dos cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança). Era jogo de cena, teatro diplomático. Os palestinos ainda têm a opção de exigir o voto, mesmo sabendo da derrota, para constranger os adversários e ter o que consideram uma vitória moral. Moral da história é outro: foi o caminho errado. Melhor dizendo, foi o atalho fácil sinalizado por demagogia e desespero, ao invés do caminho penoso de negociações com Israel.

Os palestinos podem buscar o prêmio de consolação de um upgrade na assembleia-geral de status de missão observadora permanente para estado observador permanente, mas não-membro. Ali é mole, basta maioria simples para conseguir o upgrade. Já houve um prêmio de consolação. Em outubro, aconteceu a aceitação, por voto, da Palestina como estado pleno na Unesco. O preço foi o fim dos fundos dos EUA à entidade, de acordo com a lei americana.

Já no Conselho de Segurança, a favor do atalho palestino, estão Rússia, China, África do Sul, Índia, Líbano, Nigéria, Gabão e aquele país governado por Dilma Rousseff. Curioso: são países bem mais à vontade para impedir duras sanções contra o Irã, indiciado pela Agência Internacional de Energia Atômica, órgão da própria ONU, por ter um programa nuclear que em última instância tem o objetivo de fabricar a bomba e ameaçar Israel. Contra o pedido palestino, através de voto contrário ou abstenção estão os EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Portugal, Bósnia e Colômbia.

Esta semana, houve um certo frisson com a divulgação da conversa indiscreta (microfone aberto em Cannes) dos presidentes Barack Obama e Nicolas Sarkozy, com palavras pouco abonadoras sobre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (mentiroso e insuportável, disse Sarkozy; carga pesada, replicou Obama). Constrangedor para todos. Agora imagine o que Obama e Sarkozy falam nos bastidores sobre Abbas?

O entusiasmo com o lance histórico de Abbas se disssipou junto à opinião pública na Cisjordânia (afinal, dá pretextos para mais paralisia diplomática e não muda a situação no solo). E nunca contou com a benção do Hamas, o grupo terrorista que controla Gaza. Sim, tudo pelo reconhecimento de um estado palestino, mas reconhecendo que isto apenas será possível através de negociações com Israel e não com espetáculo no palco das Nações Unidas.
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Colher de chá bem amargo para o Brenno (dia 11, 8:05), inclusive por banalizar e relativizar o terrorismo. Quero acrescentar o comentário do Rony (dia 11, 11:34). Fiquei sensibilizado. Leitores, leiam.

19/10/2011

às 6:00 \ Israel, Palestinos, Terror

Com soldado solto, Israel continua prisioneiro do seu dilema

O que farão os "heróis" palestinos libertados? Foto Abbas Momani/AFP

Há uma visão otimista relacionada com a troca de mais de mil prisioneiros palestinos pelo soldado israelense Gilad Shalit, que fora sequestrado pelo grupo islâmico Hamas em 2006. Como parte de uma mudança estratégica e pelas vias indiretas das negociações para a libertação de Shalit, Israel está reconhecendo o Hamas e vai afrouxar o cerco de Gaza, o território controlado pelo grupo islâmico, que fora endurecido com o sequestro do soldado.
E o Hamas, apesar de sua retórica militante e instransigente, começa a cair na real e se converterá em um ator efetivo no processo de negociações de paz. Ganhará assim legitimidade internacional, além do seu círculo de suspeitos habituais: gente como o aiatolá Ali Khamenei, no Irã, e o presidente sírio Bashar Assad, ou grupos como a Irmandade Muçulmana, no Egito, e o Hezbollah, no Líbano. O Hamas já está mais próximo das novas autoridades (autoridades?) egípcias pós-Hosni Mubarak e da Turquia.
A fresta que permite a passagem desta esperança é muito pequena.  Muito precisa acontecer para Israel e Hamas ajustarem os ponteiros pelo menos para um afrouxamento do bloqueio em Gaza e conseguirem algum tipo de modus-vivendi. Vamos, portanto,  a uma visão ampla “realmente” mais realista. O maior responsável (e o maior perdedor no jogo)  por esta troca assimétrica é o rival do Hamas, o líder do grupo Fatah e presidente palestino Mahmoud Abbas, baseado na Cisjordânia. Ele, tão desacreditado, ficara vitaminado com o seu lance em setembro de buscar o pleno reconhecimento do estado palestino nas Nações Unidas. Mostrara vigor com uma diplomacia teatral, ao invés de penosas negociações bilaterais com Israel ou o uso do terrorismo.
O Hamas precisava também de sua vitamina. Conseguir a libertação dos prisioneiros palestinos, muitos condenados por participação direta em terrorismo, ofusca Abbas. Nos últimos meses, crescera a inquietação do Hamas com o sufoco na vida dos seus patronos, o Irã e a Síria. Para o Hamas, havia, portanto, timing para o acordo depois de tantos alarmes falsos nesta caso Shalit. O grupo abriu mão de alguns nomes na lista dos prisioneiros em Israel e agilizou as negociações. Havia timing também para o primeiro-ministro israelense Benjamim Netanyahu, às voltas com populares protestos sociais em casa e com a jogada de Abbas.
O que vimos na terça-feira  foi a prova que alguns atores pagam qualquer preço para alcançar os seus objetivos. Num tortuoso compromisso moral com sua sociedade, Israel libertou gente com as mãos sujíssismas de sangue para trazer um soldado para casa, passando por cima de considerações de segurança. E o Hamas mostrou que é uma força a ser reconhecida, uma força determinada e capaz de conquistas efetivas, como a libertação dos prisioneiros. Algo conveniente quando a popularidade do Hamas está em baixa em Gaza, com clamores por reformas ao estilo da “primavera árabe”.
O sucesso, claro, pode motivar o Hamas a continuar com suas táticas inescrupulosas. Sobre isto adiante. Antes outro ponto importante. Num relato do repórter do jornal britânico The Guardian, em Gaza, as famílias de prisioneiros libertados expressaram sua alegria com o desfecho, mas evitavam falar dos motivos que levaram os parentes a serem presos e condenados em primeiro lugar: muitos praticaram hediondos atos de terrorismo. Não há uma conversa aberta na massa nas ruas de Gaza se o terrorismo é uma estratégia falida (sem falar, obviamente, do componente moral), que provocou e provocará tantas vítimas israelenses e resultou e resultará em sofrimento para a população palestina.
Apologistas da causa palestina costumam argumentar que aqueles que praticaram terrorismo estavam apenas resistindo à ocupação israelense, mas como justificar as mortes de inocentes em atentados suicidas dentro das fronteiras de Israel anteriores à guerra de 1967? Em Gaza e na Cisjordânia, na terça- feira, terroristas foram recepcionados como heróis e simplesmente absolvidos na corte popular.
Os relatos mais abomináveis sobre os prisioneiros palestinos libertados envolvem atos de terrorismo na segunda intifada, no começo desde século 21. São relatos que nos fazem mergulhar novamente nas profundezas da degradação da cultura política palestina naquela época. O assassinato em massa por si já é um chocante instrumento de guerra, mais grave ainda quando se torna a carteira de identidade de uma sociedade, um motivo de orgulho de sua cultura política.
Não estamos vendo reflexões a este respeito por estes dias em Gaza e mesmo na Cisjordânia. É verdade que Mahmoud Abbas não é Yasser Arafat e formalmente renunciou à violência como arma política. Já o Hamas promete manter um “cessar-fogo” e  não parece interessado de imediato em impulsionar a carnificina em larga escala como dez anos atrás. Há outros grupelhos radicais capazes de melar este precário e volátil modus-vivendi.
Há tantas estatísticas nesta guerra assimétrica entre Israel e os palestinos, além de um soldado trocado por 1027 soldados. Efraim Inbar, do Centro Sadat -Begin para Estudos Estratégicos, em Israel, tem estatísticas mostrando que 60% dos terroristas libertados em trocas anteriores voltaram à prática terrorista. Existem os incentivos, portanto,  para capturar mais soldados israelenses devido ao alto preço pago pelo outro lado. Este tipo de ação o Hamas não considera terrorismo,  mas um mero ato de guerra.
Evidentemente,  as autoridades de Israel trabalham com estes cálculos. Por esta razão, o governo Netanyahu faz um jogo arriscado com a decisão envolvendo Shalit. Um ato de terrorismo praticado por um destes “heróis” trocados por Shalit pode ser fatal para o primeiro-ministro,  mas tomar decisões é isso aí.  Um dos 1.150 prisioneiros palestinos trocados em 1985 por três soldados israelenses capturados no Líbano foi então o responsável pela morte de 178 israelenses.
Em termos mais amplos, a troca de agora vitaminará o Hamas, em particular sua ala mais militante.  Irá minar seriamente os moderados palestinos (os que sobraram). Neste cenário, fica no ar a pergunta: como será possível alguma abertura diplomática com a ala mais radical do Hamas mais segura de si? No entanto, apesar deste fatalismo, foi correta a decisão de fazer a troca, que,  aliás, contou com maciço apoio da opinião pública israelense (4/5 a favor,  embora metade espere mais terrorismo agora)
Quanto aos “heróis” palestinos só podemos esperar que a maioria desafie as estatísticas e sejam heróis de verdade, não retornando ao terrorismo. Quem sabe, então,  será possível ampliar a fresta de esperança.
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Questão palestina sempre é explosiva.  Colher-de-chá para os leitores Devildom Voyeur (dia 19, 10:20) e Érick (dia 19, 10:35). Não concordo com todas as avaliações, mas valem pela visão abrangente. Registro também para o comentário de Viviane (dia 19, 12:28), diretamente de Israel.

18/10/2011

às 6:00 \ Israel, Palestinos, Terror

Curtas & Finas (Israel/Hamas)

O soldado Shalit, que nunca matou (Foto: AFP)

O soldado Shalit, que nunca matou (Foto: AFP)

Esta é curta e grossa. Israel está pagando um preço exorbitante (intolerável para as famílias de vítimas do terror) para trazer de volta o soldado Gilad Shalit, sequestrado pelo grupo terrorista palestino Hamas em 2006. O preço são 1027 prisioneiros palestinos. Entre os libertados, estão militantes com as mãos sujíssimas de sangue (de acordo com Israel, entre os mais de cinco mil presos por razões de segurança, cerca de 70% têm “sangue nas mãos”). Está havendo uma troca, mas cuidado com equivalências entre combatentes. O soldado Shalit, recruta compulsório, nunca matou mulheres e crianças. Nunca matou. Eis a ficha resumida de alguns palestinos inseridos no acordo para a libertação de Shalit:

Hussan Badran: comandante militar do Hamas na Cisjordânia, condenado à prisão perpétua pelo planejamento de vários ataques terroristas, entre eles o atentado suicida na pizzaria Sbarro, em Jerusalém, em agosto de 2001, na qual morreram o brasileiro Giora Balazs, de 68 anos, e outras 14 pessoas.

Abdul al-Aziz Salaha: garoto-propaganda do terror. Entre seus crimes, esteve a participação no linchamento de dois soldados israelenses capturados em 12 de outubro de 2000, uma das imagens definitivas da segunda intifada (insurreição) palestina

Yehya Sinwar: um dos fundadores do braço militar do Hamas, as Brigadas Izzedin al-Qassam. Começou sua vida de assassino executando palestinos suspeitos de colaborar com Israel. Deverá ocupar alto cargo no Hamas, após 23 anos na prisão.

Walid Anajas: condenado a 36 sentenças de prisão perpétua por envolvimento em dois atentados terroristas. Um deles provocou 12 mortes no Moment Cafe, no coração de Jerusalém Ocidental em 2002, perto da sede da presidência israelense. O ataque no auge da intifada é considerado marca registrada do Hamas, motivo de júblilo para os simpatizantes do movimento. Eu espero que motivo de muita tristeza para os leitores.
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PS: Um dos fichados do texto acima, Yehiya Sinwar, não perdeu tempo. Assim que foi libertado, disse na TV do Hamas, al-Aqsa, que as Brigadas Izzedin al-Qassam, devem sequestrar mais soldados israelenses para conseguir a libertação de prisioneiros palestinos.

29/09/2011

às 6:00 \ Israel, Mundo Árabe, ONU, Palestinos

Curtas & Finas (A Obsessão)

O Conselho de Segurança da ONU já concordou de forma unânime que nesta sexta-feira um comitê comece a avaliar o pedido palestino para integrar o organismo de forma plena. Faz parte do lance do líder palestino Mahmoud Abbas para conseguir um estado sem estabelecer um acordo de paz com Israel. E nenhum lugar é pior do que a ONU para cicatrizar as feridas do conflito árabe-israelense. Cá estou na minha obsessão para relatar a obsessão da ONU para tratar da questão palestina em detrimento de outras crises. Somente agora, eu tive acesso a uma narrativa do jornal Jerusalem Post sobre como o primeiro-ministro japonês, Yoshihoko Noda, foi recebido na assembléia-geral, na semana passada, depois do discurso ovacionado de Abbas: “A energia e a concentração dos diplomatas congregados caíram de maneira súbita. Grupos de diplomatas partiram, sem escutar Noda falar do trágico terremoto que assolara o seu país e os esforços do seu povo para se reerguer do horror e do desastre”.

28/09/2011

às 6:00 \ Israel, Mundo Árabe, Mundo islâmico, Palestinos

Enquanto isto, no mundo islâmico…

E a comoção com a Somália? Foto - Dai Kurokawa/Efe

Dia deste colunista ser cabotino, autocentrado. Ele (malandrão, escreve na terceira pessoa) não deveria mais se impressionar com estas coisas. No entanto… Expressões como Israel e palestinos geram frenesi entre leitores. Duas colunas na semana passada em torno do pedido de reconhecimento palestino como estado pleno nas Nações Unidas (o desfecho poderá ser um desastre ou um fiasco) foram um triunfo para o colunista. Os dois textos renderam mais de 500 comentários, um recorde na curta história de pouco mais de um ano desta coluna. E comentários foram vedados por antissemitismo ou insultos raciais contra palestinos e árabes.

O colunista já escreveu sobre assuntos palpitantes como Donald Trump e Kate Middleton, mas nada gera tanta paixão como a dobradinha Israel-palestinos (a favor e contra, com alguns mais salomônicos). Tem dia em que o colunista cheio de prosa acha que vai emplacar com uma sacada sobre algum assunto e a reação é abaixo das expectativas. Coitado, nem Barack Obama comove tanto como antigamente. Houve um tempo em que os arautos das conspirações que o havaiano-nasceu-no-Quênia se insurgiam contra a tal ingenuidade do colunista ou suposta atitude chapa branca de endossar a certidão de nascimento de Obama. Que nada, estes conspiradores se cansaram do colunista ou do presidente americano.

Um dos textos da semana passada salientou que existe uma obsessão patológica com Israel nas Nações Unidas, chega a ser hilária, até satírica. Numa reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, em 2010, o delegado sírio denunciou que as crianças israelenses aprendem canções sobre beber o sangue dos árabes. Nenhum país é alvo de tantas resolucões ou moções de repúdio como Israel (o colunista está se repetindo). Algumas merecidas. Matemática ajuda a explicar a obsessão. São quase 50 países com maioria islâmica na ONU. É verdade que Israel pode contar com o apoio de todos os estados judeus no organismo. Ao que tudo indica, existe também obsessão patológica de leitores sobre o tema.

O colunista e muitos dos seus leitores ficaram obcecados com a questão palestina nas Nações Unidas na semana passada. Por cortesia de outro colunista, Jeffrey Goldberg (ai, ai, ai, mais um judeu), aqui está uma relação do que acontecia na semana passada no mundo islâmico quando tanta gente estava enfeitiçada pelo espetáculo nas Nações Unidas. São dramas que deveriam merecer também debates exaustivos na assembléia-geral.

Na Síria, continuou a contagem de vítimas da repressão governamental. A rebelião já causou quase três mil mortes, inclusive de 100 crianças. Países no Conselho de Segurança das ONU, como o Brasil, lépidos para apoiar a resolução pró-palestina, travam moções mais duras contra a Síria, com o argumento de que irão desestabilizar a situação. E a resolução palestina?

No Iêmen, as forças de segurança mataram mais de 70 pessoas nos protestos contra a ditadura de Ali Abdullah Saleh. Na Líbia, foram descobertas as valas com os restos mortais de 1.270 prisioneiros massacrados pelas tropas de Muamar Kadafi em 1996. No Afeganistão, o Talibã assassinou o ex-presidente Burhanuddin Rabbani, num atentado suicida.

No Paquistão, 26 peregrinos xiitas foram tirados de um ônibus e massacrados, em mais um lance de violência de muçulmanos contra muçulmanos. Na Indonésia, o país com a maior população muçulmana do mundo, um ataque suicida feriu mais de 20 fiéis em uma igreja. Foi mais um incidente de violência muçulmana contra cristãos, que se agravaram desde a eclosão da primavera árabe, em particular no Egito.

Na Somália, o grupo Al-Shabaab, inspirado pela Al-Qaeda, continuava a impedir que doações chegassem à zona de seca. Por estimativas de organizações humanitárias, até 300 mil crianças podem morrer caso não recebam suprimentos em breve.

E, finalmente, temos a Turquia, país hoje campeão da causa palestina. Para o primeiro-ministro Recep Erdogan, é imperdoável o que Israel faz com Gaza. Para Erdogan, o Hamas é um grupo de libertação nacional (não terrorista) e os palestinos têm direito a um estado. Enquanto isto, terroristas separatistas curdos (são terroristas, sim) mataram três pessoas e feriram mais de 30, num ataque em Ancara. Os militares turcos prosseguiam com seus bombardeios aéreos de campos de separatistas curdos dentro do Iraque. Não consideram que estas ações sejam uma tática desproporcional na luta contra o inimigo do estado.

De volta ao nosso território, de obsessão patológica. Nas duas colunas sobre o tema, o colunista recebeu a visita de muitos leitores que nunca tinham escrito e estavam indignados com os argumentos dele ou com Israel. Nunca compareceram (e não se indignaram neste espaço) quando o tema da coluna eram massacres na Síria, repressão no Irã ou violações de direitos humanos em tantos países por este mundinho afora.

Agora realmente falando na primeira pessoa, eu pessoalmente me canso de escrever sobre Israel e palestinos. As posições são, em geral, manjadas, os talking points repetidos ad nauseam e o resultado emocional deixa qualquer um exaurido, mas infelizmente não dá para fugir do tema. E infelizmente deveremos retornar em breve à barafunda.

Mas, antes disso, feliz ano novo judaico, 5772, longa história, certo? E que um dia, que parece distante, os palestinos sejam felizes no seu estado, em paz, ao lado de um seguro estado de Israel. Shalom/Salaam!
***
Colher-de-chá para o infatigável leitor Carlos Cezar, que nesta coluna empenhada quixotescamente em lamentar a obsessão com Israel e palestinos, disparou três comentários seguidos lamentando as ações de Israel ou dos EUA (dia 28, 10:29, 10:31, 10:40). É verdade que antes da construção deste muro das lamentações, o Carlos mandou um e mail apenas desejando feliz ano novo, shalom e salaam. Bacana. Nada a lamentar aqui, da parte dele ou da minha.


 

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