Curtas & Finas (Obama & Bush)
Para o presidente democrata Barack Obama, o predecessor republicano George W. Bush representa uma herança maldita. No entanto, as lições da campanha de reeleição de Bush em 2004 podem ser uma benção para Obama, que não quer ser amaldiçoado pela história como presidente de um mandato só. Antes de tudo, existem algumas similaridades no ambiente politico: a esta altura do primeiro mandato, Obama tem uma taxa sofrível de aprovação, para os padrões americanos, semelhante a de Bush na mesma época (algo como 47%). A intensa polarização política em torno de Bush e Obama contrasta com sentimentos pessoais mais positivos do que negativos sobre os dois. A tal história: os americanos topariam tomar uma cerveja com Bush (com Obama, um vinho).
E as similaridades vão adiante. Na campanha de reeleição, do outro lado, candidatos de Massachussetts, Mitt Romney e John Kerry, experientes, inteligentes, milionários, mas com dificuldades para se conectar com o eleitor zé mané. O ponto essencial está em uma análise do especialista eleitoral Willliam Galston, do centro de estudos Brookings, em Washington. Existem eleições em que, no ponto essencial da campanha, o candidato precisa persuadir os indecisos, oscilantes ou independentes. Em outras, crucialmente, trata-se de mobilização da base, ou seja, levar para votar quem já está inclinado por um determinado candidato.
Bush prevaleceu sobre Kerry em 2004 ao moblizar a base republicana (a destacar brancos evangélicos), em parte com uma campanha muito negativa e personalizada sobre o oponente. Agora para Obama será crucial animar seu núcleo eleitoral formado por jovens, hispânicos, negros e mulheres, em parte tratando Romney como um vampiro capitalista, que, por sua vez, precisa mobilizar a base composta de evangélicos e uma classe média branca empobrecida e de menor nível educacional. Para Obama, será o desafio maior, com sinais de menor entusiasmo da base em relação à campanha de 2008. Mas funcionou em 2004 para Bush. Herança bendita?
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Pessoal, muito bolão eleitoral, análises da economia e torcida por Obama ou Romney nos comentários da sexta-feira. A colher de chá vai mesmo para o William Galston, do centro de estudos Brookings, por destacar a variável da mobilização da base para sinalizar o rumo da eleição.












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