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Arquivo da categoria Netanyahu

20/03/2013

às 6:00 \ Abbas, Netanyahu, Obama

Oy Vey! O estado de Obama, Netanyahu e Abbas

Obama com Netanyahu e Abbas em Nova York (setembro de 2009)

A expressão em ídiche (língua dos meus avós) do título desta coluna reflete um estado de exasperação. E nada mais natural com esta primeira aparição de Barack Obama como presidente americano em Israel e no território palestino da Cisjordânia (a visita tem escala também na Jordânia). Obama, aliás, escolheu a região para sua primeira viagem internacional no segundo mandato.

Mas a Casa Branca faz questão de baixar as expectativas sobre o processo de paz entre judeus e palestinos. No primeiro mandato, Obama achou que podia. Fracassou na ilusão de que um acordo entre israelenses e palestinos dava para ser negociado rapidamente. Trombou de cara com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ao cobrar um congelamento dos assentamentos judaicos na Cisjordânia e nada arrancou do morno líder palestino Mahmoud Abbas. Não haverá reunião conjunta entre os três nesta viagem do presidente americano.

Exasperante alinhar os pontos de acusações mútuas, envolvendo inflexibilidade e má fé. Netanyahu não quer negociar em termos substantivos a criação de um estado palestino e nem pode, com a participação na sua novíssima coalizão de governo de setores ainda mais indispostos do que ele para a construção de um projeto viável na Cisjordânia. É um pessoal mais interessado em construir mais assentamentos judaicos no futuro estado palestino. E se Gaza, sob o controle de Hamas, entrar na conversa, tudo fica ainda mais exasperante. Portanto, dos lados palestinos, temos da ineficácia de Abbas ao Hamas, que sequer reconhece o direito à existencia do estado judeu.

Eu ainda acho que Abbas é o interlocutor viável para Israel. É com ele ou com ele. Dito isto, o homem não tem capital para negociar agora. Para Obama, sobrou esta missão de baixas expectativas, deixando claro que a única solução no horizonte envolve dois estados: um judeu e um palestino.

Os paràmetros são familiares: divisão territorial em torno das fronteiras anteriores à guerra de 1967, com ajuste e troca de terras permitindo que a maioria dos colonos judeus na Cisjordânia fiquem dentro de Israel, partilha de Jerusalém e o fim da fantasia palestina de que os refugiados tenham direito de retorno para Israel.

Falando em fantasia, é preciso conter uma perigosíssima em torno da ideia de apenas um estado, algo defendido por românticos que botam fé na convivência binacional e também por radicais dos dois lados que acreditam que uma terra santa é totalmente judaica ou é totalmente árabe. Por este maximalismo, os incomodados que se mudem, morram ou se submetam à opressão.

Não há espaço político e emocional hoje em dia para negociações ambiciosas. O processo de paz não existe. No momento, Obama e a comunidade internacional podem ao menos manter vivo o paradigma de dois estados. Quem precisa mais dele é Israel para preservar o caráter judaico e democrático do estado. A demografia é inimiga dos judeus. Ambos atributos (judaísmo e democracia) só podem prosperar em um estado com maioria judaica. Nada, portanto, de anexação ou ocupação permanente de terras do futuro estado palestino.

O paradigma dos dois estados é vital para Obama manter sua razão de ser como mediador americano e pelos interesses estratégicos dos EUA. Mas Netanyahu não quer muito papo sobre os palestinos (vive no seu estado de negação). Ele quer conversar sobre outro assunto crucial: a crise nuclear iraniana. Eu arremato com o tom exasperante de uma declaração de Aaron David Miller, um veterano negociador americano na região: “Será que Obama quer ser o presidente que estava no governo quando a chance de uma solução de dois estados desapareceu ou quando o Irã conseguiu armas nucleares ou nós fomos a guerra contra ele”?

Oy Vey!

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Assunto palestino, como os leitores bem sabem, é repetitivo e desgastante. Colher de chá para a provocação do Jancsi (dia 20, 10:31). 

23/01/2013

às 6:00 \ Israel, Netanyahu

A salada política israelense e o tomate analítico

Lapid é o molho que pode fazer a diferença na salada israelense

Viva Israel! Viva a democracia israelense! Estranho eu manifestar esta vibração, na sequência de uma coluna desoladora, espírito muro das lamentações, sobre os rumos de Israel, com uma direita, imagine, que perde espaço para a extrema direita e uma política que é uma salada. Mas eu e tantos comentaristas pisamos no tomate (ainda bem).

Não erramos no mais óbvio. Na eleição de terça-feira, foi o golpe sofrido pela direita, o bloco formado pelo Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e os ultranacionalistas do Beitenu, que perdeu os votos esperados para a direitona bem pesada do partido Lar Judaico, de Naftali Bennett. É verdade que este partido que prega até a anexação de ampla parcela da Cisjordânia se saiu bem, mas não tão bem como se projetava (e eu temia).

A surpresa foi o avanço de um partido centrista, o Yehsh Atid (Há Futuro), um destes que nascem e morrem de uma hora para outra em Israel. Este partido de DNA secular liderado pelo ex-apresentador de televisão Yair Lapid ficou em segundo lugar. Ainda há outros partidos nesta salada política que é Israel, mas o fundamental aqui foi a ausência de um mandato folgado para a direita e a extrema direita (e aqui estão partidos nacionalistas e religiosos), que poderia detonar de vez o processo de paz com os palestinos e o cenário de dois estados.

O desfecho é a falta de desfecho. Será mais uma daquelas novelas (coisa de semanas, talvez) para a formação de uma coalizão de governo, com Netanyahu à frente, pois seu bloco Likud-Beitenu ficou em primeiro lugar. Mas agora será uma intrincada negociação com setores à direita e à esquerda de Netanyahu. Com o sistema de representação proporcional, aliás, nenhum partido conseguiu até hoje maioria absoluta nos 65 anos da história do estado de Israel, com partidecos ao longo do caminho atuando como os fiéis da balança.

O motivo da minha vibração é que, embora a política seja disfuncional, a democracia funcionou. O comparecimento às urnas foi acima das expectativas, em parte porque muitos israelenses estimavam que era demais dar um mandato da direita para lá do rio Jordão, ofertando tanto força para os colonos judeus. E o freio foi também para o excesso de poder dos religiosos. Este partido-estrela liderado por Yair Lapid quer acabar com os privilégios dos judeus ultraortodoxos, que, por exemplo, não servem no Exército. Lapid reflete um tradicional ressentimento laico em Israel contra o excessivo poder dos ultraortodoxos, Aliás, as eleições foram antecipadas justamente por controvérsias na finada coalizão de governo sobre estes privilégios dos mais religiosos e também orçamentárias.

O partido de Lapid, assim com os trabalhistas (que deram um vexame menor do que na eleição anterior), está também muito engajado em questões não diretamente relacionadas com o drama palestino e a ameaça nuclear iraniana, como educação e custo de vida. Existe até um cenário que eu duvido (olha aí outro tomate analítico), de composição de uma coalizão florescendo da centro-esquerda, diante da dificuldade de Netanyahu forma uma coalizão apenas com a direita e partidos religiosos, que combinados conseguiram 60 das 120 cadeiras do Parlamento.

Netanyahu sofreu uma derrota, mas o sucesso do Yesh Atid (Há Futuro) ao lado do avanço abaixo do esperado do partido Lar Judaico pode facilitar a tarefa do primeiro-ministro para formar uma coalizão mais sóbria que não o faça refém da direitona da pesada.

David Horovitz, o editor do site Times of Israel, e que costume pisar bem menos do que eu no tomate, tem a seguinte sacada: a direita israelense é mais radical do que antes, mas tão radical que Netanyahu hoje é um dos seus políticos mais moderados. Seria conveniente para ele contar com um ingrediente centrista, menos apimentado, nesta salada para que não seja a pombinha na coalizão de governo.

Maior salada, mas tudo poderia ser mais indigesto. Nenhuma surpresa que em breve (no ano que vem?) novas eleições sejam convocadas. Esta é a democracia israelense, mas já dei um viva no começo, não vou repetir no fim. Só perguntar: há futuro para um país com política tão instável, numa região do mundo tão conturbada?

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Por várias razões, algumas muito distantes das duas margens do rio Jordão, colher de chá para o Ivan (dia 23, 10:57).

22/01/2013

às 6:00 \ Israel, Netanyahu, Palestinos

Curtas & Finas (Netanyahu & Bennett)

O extremista Bennett (esq.) e o direitista Netanyahu

Israel é uma salada política, com molhos excessivamente fortes (e literalmente com aquele pepino picante), mas o que está acontecendo nas eleições desta terça-feira é o seguinte: não é tanto o país indo para a direita, mas a direita indo para a extrema direita.

Na sua vibrante democracia, Israel sempre teve partidos extremistas, nas duas pontas, mas a extrema direita nunca se mostrou tão forte como agora, com seus molhos religiosos e nacionalistas. E nada mais picante do que o Partido Lar Judaico, do ascendente político Naftali Bennett, para o qual amplos setores da Cisjordânia, onde vivem a maioria dos colonos judeus, devem ser anexados a Israel. Fim de papo.

Uma questão é como será a conversa de Benjamin Netanyahu, o líder do partido direitista Likud, com Bennett. Netanyahu ganhará um terceiro mandato com estas eleições e o mais provável é a inclusão do partido de Bennett na coalizão de governo. A dúvida maior é se Netanyahu tentará colocar molhos um pouco menos picantes na sua salada política, com algum partido mais centrista, do bloco que ainda acredita no moribundo processo de paz com os palestinos.

Existe uma desilusão generalizada em Israel com a construção da paz com os palestinos, o que ajuda a explicar inclusive um estado de negação na população, que até prefere ignorar a questão, pois agora vive numa bolha com mais segurança do que no começo da década passada, quando pipocavam os atentados terroristas (embora seja presente a ameaça dos foguetes do Hamas, disparados de Gaza).

Para complicar, a própria centro-esquerda virou a salada da salada, com suas picuinhas e vaidades, oportunismo, seus partidos de aluguel e outros que nascem e morrem da noite para o dia. E de pensar que a esquerda foi hegemônica em Israel por 30 anos, depois da independência em 1948.

A centro-esquerda está frouxa e Netanyahu nunca fez muito para fincar pilares diplomáticos com os palestinos. Mesmo sua relutante e estreita aceitação de um estado palestino horrorizou os setores mais conservadores do país. Agora, em função do avanço de partidos mais radicais, como o de Bennett, que está roubando pontos do Likud nas pesquisas, Netanyahu, que hoje no espectro da direita é um moderado, também radicalizou o seu discurso eleitoral.

Curiosamente, pesquisas mostram que a descrença da opinião pública israelense com o processo de paz ainda convive com a aceitação da solução de dois estados. Isto prova mais uma vez que política naquelas bandas é uma salada, mas este molho mais picante, e mais acentuado, do bloco nacionalista-religioso tornará tudo ainda mais indigesto, com suas propostas anexacionistas.

E se juntarmos à tijela o molho palestino que simplesmente nega o direito israelense de ter sua salada, o cardápio é cada vez menos apetitoso naquele atribulado pedaço do Oriente Médio.
Atualização às 19:00 – Como se esperava, a eleição israelense foi uma salada. De acordo com projeções, houve avanço do bloco de centro-esquerda e secular, a destacar do partido Yesh Atid (Há Futuro). O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vai suar para formar uma coalizão apenas com a direita e extrema direita (aqui incluindo partidos religiosos) e para viabilizar um governo talvez precise do apoio deste partido centrista, Há Futuro, de Yair Lapid. Seu avanço foi a grande surpresa. O partido de extrema direita Lar Judaico é um ator importante, mas teve uma votação, de acordo com as projeções, abaixo das expectativas. O comparecimento às urnas, por outro lado, foi acima das expectativas, o que ajuda a explicar as surpresas eleitorais. Preparar a salada de uma coalizão de governo poderá levar semanas. E quem sabe, novas eleições no ano que vem.
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Colher de chá para o Magno, que voltou a comentar, depois de mais uma de suas sumidas. E pelo mesmo motivo, colher de chá para o Victor. Mais sumidos voltarão?

04/12/2012

às 6:00 \ Abbas, Hamas, Israel, Netanyahu, Palestinos

Curtas & Finas (Netanyahu & Abbas)

O que Abbas e Netanyahu devem fazer?

Esta coluna masoquista está de volta à encrenca entre Israel e palestinos. E o momento é para criticar Benjamin Netanyahu por seus gestos retaliatórios. O primeiro-ministro israelense disparou um foguete diplomático ao autorizar a construção de residências judaicas e assentamentos em Jerusalém Oriental (a parte árabe da cidade) e na Cisjordânia, danificando ainda mais as perspectivas para a construção de um estado palestino.

Sei, sei, eu deveria agora mostrar o outro lado. Mahmoud Abbas não deveria ter ido às Nações Unidas para faturar o status de estado não membro (sem direito a voto) para a Palestina. Mas o que ele poderia ter feito nas circunstâncias? No meu  voto, faço o cálculo de que era crucial uma vitamina para Abbas diante do fortalecimento do Hamas em Gaza.

E, além do voto, tenho o meu gesto quixotesco para contribuir para a retirada do processo diplomático de areias movediças ainda mais profundas. Na verdade, os Quixotes são Peter Beinart e Alan Dershowitz, dois judeus americanos, muito conhecidos por aqui, ativíssimos no debate sobre o Oriente Médio.

Beinart é mais liberal e Dershowitz, mais conservador (no contexto do conflito palestino). Ambos, no entanto, escreveram um texto a quatro mãos. O argumento essencial é sobre a necessidade de retomada das negociações entre Israel e a Autoridade Palestina (Abbas), na esteira do mais recente conflito em Gaza, do qual o grupo terrorista Hamas emergiu fortalecido, enquanto o Likud, de Netanyahu, desanda para a direita, a menos de dois meses das eleições gerais em Israel.

De minha parte, repito que Netanyahu não tem uma estratégia de paz. Beinart e Dershowitz escrevem que o primeiro-ministro israelense, no entanto, deveria aceitar que do outro lado ele só pode contar mesmo com Abbas, que, embora enfraquecido, é um líder que repudiou a violência terrorista e aceita o direito de existência do estado de Israel (ao contrário do Hamas). A favor de Netanyahu, Beinart e Dershowitz dizem que ele é um líder que rompeu os tabus da histórica oposição do Likud ao direito palestino de um estado.

Netanyahu é um líder forte e tem capital para negociar. Existe, portanto, uma “necessidade desesperada” para negociações diretas entre Netanyahu e Abbas antes que os adversários da solução de dois estados tenham mais munição.

O processo diplomático está emperrado. Como engatá-lo? Netanyahu deveria oferecer a Abbas um congelamento da expansão de assentamentos, que ameaçam cada vez mais o cenário de um futuro estado palestino contíguo. De sua parte, Abbas deveria se comprometer com negociações sérias e não apenas teatro.

Sem dúvida, uma proposta quixotesca e ideias semelhantes já estiveram no ar, mas é o único jogo realista em campo. Passos ousados são necessários para superar as pressões exercidas por rejeicionistas dos dois lados.

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Com este assunto masoquista, vamos antecipar colheres de chá para temas mais agradáveis. Peço desculpa pelo atraso, pois deveria ser sido conferida na coluna de ontem. Colher de chá para o assíduo leitor Pedro I, novo papai (go Aaron!). E no embalo, uma para o futuro bebê real, filho da duquesa e duque de Cambridge (e também dos tablóides). 

Da bolha eleitoral para a bolha iraniana

Uma barganha Obama/Netanyahu?

Para a infelicidade de alguns por aqui, viciados em pesquisas, primárias e a presidência americana, mas para a felicidade de muitos vamos, após semanas, finalmente sair da bolha eleitoral e trocar de assunto. Alarme falso. Faremos isto apenas parcialmente.

Vitorioso com a obtenção de um segundo mandato, mas igualmente enfraquecido pela falta de controle no Congresso e manietado para fixar uma ambiciosa agenda doméstica (agenda?), o presidente Barack Obama provavelmente poderá tentar fazer mais em política externa, uma área onde o poder executivo tem mais margem de manobra.

Mas aqui os cenários também são inquietantes e encarar algumas questões tem um senso de urgência. Pronto, de cara, voltamos para a bolha iraniana deste coluna. Obama em breve precisará fazer escolhas históricas sobre como lidar com as ambições do regime de Teerã de construir a bomba atômica. Uma grande barganha no final do seu primeiro mandato foi fazer com que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyhau não se aventurasse a lançar um ataque contra o Irã antes das eleições. 

Obama tem agora diante de si alguns caminhos a trilhar (e esperemos que não levem a algum abismo). Existem as habituais pressões, especialmente de aliados europeus, para mais sanções e esforços diplomáticos para impedir que o Irã avance no programa nuclear sem a necessidade de um ataque.

No ar está a possibilidade de que Teerã inclusive possa seguir com um baixo nível de enriquecimento de urânio, em troca de inspeções mais rigorosas. Os iranianos vão tirar oportunidade para acenar com concessões e ganhar tempo. O dilema para Obama é que esta jogada iraniana não irá satisfazer Israel, aliados árabes, como a Arábia Saudita, e o lobby pró-Israel no Congresso em Washington. 

Também ali no Oriente Médio, a encrenca continua em outras partes, a destacar a Síria em guerra civil: intervir o não intervir militarmente? O caldeirão no Oriente Médio mostra a dificuldade de Obama de recalibrar suas prioridades estratégicas para a a região Ásia-Pacifico e aqui a tarefa espinhosa será refinar a relação com a China, diante do crescente poder econômico e militar da nova superpotência do século 21, que está em transição na sua cúpula de poder por estas semanas (sai Hu Jintao, entra Xi Jinping e continua o monopólio de poder da ditadura comunista).

Na campanha eleitora, Obama precisou pegar carona na retórica mais agressiva de Mitt Romney contra a China e os burocratas comunistas em Pequim também têm carregado no discurso mais nacionalista e uma postura mais beligerante (em particular com vizinhos asiático em controvérsias sobre posse de ilhas). São atitudes comuns em fase de transição de poder na cúpula. Neste cenário, será exigida mais habilidade de ambas as partes para encontrar um melhor modus-vivendi numa relação marcada por cooperação e confronto.

Não dá para imaginar Obama nos próximos quatro anos simplesmente negligenciando o Oriente Médio em nome deste foco estratégico na região Ásia-Pacífico. Como eu já disse, o desafio Irã é especialmente urgente e de novo podemos especular se haverá esforço de Obama para costurar uma grande barganha com Netanyahu: eu endureço com o Irã e você amolece com os palestinos. 

Por protocolo (sou um jornalista brasileiro que escreve de geopolítica), devo  tomar nota das perspectivas de um genuino empenho de Obama no segundo mandato para um engajamento na América Latina, especialmente México e Brasil. A América Latina foi praticamente ignorada na campanha eleitoral, exceto por alguns acenos vagos do candidato republicano Mitt Romney de incrementar relações comerciais. Tomei nota. Nada mais a dizer.

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Colher de chá para o nosso Felipe Goltz, leitor de primeira hora, que saiu de alguma bolha e voltou a comentar após um tempo (dia 8, 13:48).

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Pessoal, dois recados:

1) ainda não posso anunciar o resultado do bolão da coluna, pois falta a decisão sobre os votos da Flórida (coisa aterradora, hehehe), que provavelmente será feita no sábado. Quatro apostadores estão no páreo, talvez um, dependendo do resultado da Flórida, crave o resultado preciso no colégio eleitoral.

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2) Como era de esperar, o deputado meu distrito eleitoral em Nova Jersey, o atual deputado republicano Scott Garrett, venceu de lavada na terça-feira. Para quem quiser entender melhor do que estou falando, volte para minha coluna de terça-feira. Abs, Caio

Curtas & Finas (Obama & Israel)

Como Obama pode convencer Netanyahu?

Pessoal, não se trata de preguiça para trabalhar, mas, como estou em trânsito, era mais prático para mim, como na semana passada, pegar carona com meu guru para a crise nuclear iraniana Jeffrey Goldberg, que, por sua, vez, pegou carona com Amos Yadlin, ex-chefe da inteligência militar israelense e um dos pilotos do ataque israelense ao reator nuclear iraquiano em 1981.

O negócio é o seguinte: existem estes “jogos de guerra”", com as especulações febris se Israel vai ou não atacar as instalações nucleares iranianas em termos iminentes. Não sabemos se é um senso de urgência ainda mais “urgente” ou se é blefe do primeiro ministro Benjamin Netanyahu e seu ministro da Defesa Ehud Barak.

Sabemos que Obama e muita gente, mas muita gente, até o presidente israelense Shimon Peres, não querem esta ação em termos imediatos, enquanto transcorre a temporada eleitoral americana ou lançada isoladamente.  A linha oficialesca americana é a de que Netanyahu e Barak deveriam ter fé em Obama e suas garantias de que o Irã não poderá cruzar uma “linha vermelha” e fabricar a bomba. Mas o poder de persuasão do grande orador presidencial está cada vez mais falho.

Até agora, Obama não convenceu isralenses e regimes árabes conservadores que temem o regime xiita iraniano de que adotará medidas militares preventivas. E aqui vem a proposta de Yadlin. Obama deveria viajar e expressar sua firme disposição em discurso no Parlamento israelense, deixando claro que impedir a bomba iraniana é vital para a segurança nacional dos EUA.

Obama está ocupado em campanha de reeleição. Melhor ainda para ele. Será uma boa ocupação. Combina o útil ao necessário: um gesto ousado durante a campanha. Obama poderia estender a visita a outros aliados vitais dos EUA na região, como Jordânia e Arábia Saudita. Nada mais presidenciável do que se preparar para a guerra, mas impedindo que ela aconteça quando ainda não é conveniente ou nos termos que interesse para Obama.

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Assunto sempre quente. Colher de chá para posições antagônicas do Lexikon (dia 22, 10:00) e do Emerson (dia 22, 10:47). 

05/07/2012

às 6:00 \ Irã, Netanyahu, Romney

Curtas & Finas (Netanyahu & Romney)

Encontro eleitoral

A retórica beligerante iraniana aumentou nos últimos dias (sim, isto é possível), com o início do embargo petrolífero europeu e a falta de perspectivas nas negociações nucleares com a comunidade internacional (com as acusações de propósitos militares, o que é negado por Teerã). Temos as promessas iranianas de lançar mísseis e destruir 35 bases americanas no Oriente Médio e Ásia Central, em questão de minutos. Também foram realizados novos testes com mísseis, capazes de atingirem Israel. E na fuzilaria de bravatas, há as renovadas ameaças de fechamento do estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo comercializado no mundo. Tudo isto se houver um ataque dos EUA ou de Israel às instalações nucleares iranianas.

E o ataque vem ou não vem? Existe a teoria de que o presidente Barack Obama (que de vez em quando lembra que todas as opções estão na mesa) faz o que pode para conter os ímpetos israelenses pelo menos até a eleição de novembro (e sua reeleição). E o que o oponente republicano Mitt Romney acha de tudo isso?

Meu guru para assuntos nucleares iranianos, Jeffrey Goldberg, da revista e site The Atlantic, diz que o anúncio de Romney de que estará em Israel, provavelmente no finalzinho de julho, para se encontrar com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o coloca numa posição esquisita. Se Israel atacar na sequência da visita, pode cheirar conspiração (não é segredo que Netanhyau prefere um republicano como Romney na Casa Branca). Sendo menos sinistro,  a visita pode pelo menos significar um aval de Romney aos planos mais beligerantes de Israel.

Estas visitas eleitorais de presidenciáveis americanos ao exterior são de praxe. Há quatro anos, Barack Obama e o então candidato republicano John McCain também estiveram em Israel durante a campanha (Obama nunca voltou ao país como presidente, o que é motivo justo de alfinetadas da parte de Romney). E com a visita agora, o candidato republicano quer cortejar o eleitorado judaico nos EUA, maciçamente a favor dos democratas.

Goldberg ainda considera improvável que ocorra um ataque israelense tão cedo e avalia que esta visita de Romney inclusive bloqueia Netanyahu. Mas claro que ele se protege com o clichê “tudo é possível”. Eu também.

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Colher de chá para Maisvalia, Anouk, Amauri e Ronaldo, que captaram pontos frouxos na sacada do meu guru Goldberg e obviamente no meu texto. 

 

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