Curtas & Finas (Eleições Mexicanas)
A Irmandade Muçulmana, fundada em 1928, levou 84 anos para conquistar a presidência do Egito. Outra máquina paciente está para voltar ao poder que preservou durante 71 anos (até o ano 2000). Salvo surpresas (clichê de jornalista para se preservar contra surpresas), o Partido Revolucionário Instititucional (PRI) deve reconquistar a presidência mexicana nas eleições deste próximo domingo, com o seu candidato Enrique Peña Nieto (45 anos). No espectro ideológico que vai da esquerda para a direita, o PRI pode ser definido como radicalmente fisiológico. Será que José Sarney é agente infiltrado do PRI no Brasil?
O governista PAN do presidente Felipe Calderón (ok, aqui pode ser definido como de direita) deixará o poder de forma meláncólica. Sua candidata presidencial Josefina Vásquez Mota não decolou (sabotada pelos caciques partidários) e enfrentou o desencanto popular com uma economia que rateou (melhorou nos últimos meses) e a violência da guerra contra as drogas que matraqueou.
O PAN fez pouco para debelar a corrupção e não conseguiu passar reformas no Congresso, graças à obstrução do PRI e do esquerdista PRD (Partido da Revolução Democrática), que neste domingo terá novamente no pleito presidencial Andrés Manuel López Obrador, o seu candidato derrotado por Calderón em 2006.
O PRI nunca foi embora. Manteve seu poder nos estados (hoje controla 20 dos 31) e seu modus-operandi é preferência nacional. Sua máquina eleitoral (azeitada e corrupta) é apenas um dos componentes de um sistema venal, ao lado de outros centros do poder clientelista, como empresários, sindicatos e impérios de comunicação. O México ainda é um país quase que de monopólios. Estes pilares permeneceram basicamente intactos ao longo dos 12 anos da presidência do PAN (Vicente Fox e Felipe Calderón).
Rotavidade no poder claro que sempre é saudável e foi bom ver os dinossauros do PRI afastados por um tempo. Agora o PRI retorna com este jovem dinossauro, Peña Nieto. Resta esperar que o PRI não fique de forma indefinida no poder ao longo do século 21, fazendo justiça à frase do escritor peruano Mário Vargas Llosa de que, no século 20, o PRI exercera o poder como uma “ditadura perfeita”. Pelo menos, o México agora leva jeito de ser uma democracia imperfeita.
***
Colher de chá para o Ricardo Platero (dia 29, 13:19), sempre com comentários substantivos.




Netinho volta para UTI em São Paulo
Oposição anuncia morte de 45 milicianos do Hezbollah em Al Qusair
Félix, de 'Amor à Vida': a perfeita fusão de Carminha e Crô






