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29/06/2012

às 6:00 \ Eleições 2012, México

Curtas & Finas (Eleições Mexicanas)

O jovem dinossauro Peña Nieto - Foto Mário Vasquez/Getty

A Irmandade Muçulmana, fundada em 1928, levou 84 anos para conquistar a presidência do Egito. Outra máquina paciente está para voltar ao poder que preservou durante 71 anos (até o ano 2000). Salvo surpresas (clichê de jornalista para se preservar contra surpresas), o Partido Revolucionário Instititucional (PRI) deve reconquistar a presidência mexicana nas eleições deste próximo domingo, com o seu candidato Enrique Peña Nieto (45 anos). No espectro ideológico que vai da esquerda para a direita, o PRI pode ser definido como radicalmente fisiológico. Será que José Sarney é agente infiltrado do PRI no Brasil?

O governista PAN do presidente Felipe Calderón (ok, aqui pode ser definido como de direita) deixará o poder de forma meláncólica. Sua candidata presidencial Josefina Vásquez Mota não decolou (sabotada pelos caciques partidários) e enfrentou o desencanto popular com uma economia que rateou (melhorou nos últimos meses) e a violência da guerra contra as drogas que matraqueou.

O PAN fez pouco para debelar a corrupção e não conseguiu passar reformas no Congresso, graças à obstrução do PRI e do esquerdista PRD (Partido da Revolução Democrática), que neste domingo terá novamente no pleito presidencial Andrés Manuel López Obrador, o seu candidato derrotado por Calderón em 2006.

O PRI nunca foi embora. Manteve seu poder nos estados (hoje controla 20 dos 31) e seu modus-operandi é preferência nacional. Sua máquina eleitoral (azeitada e corrupta) é apenas um dos componentes de um sistema venal, ao lado de outros centros do poder clientelista, como empresários, sindicatos e impérios de comunicação. O México ainda é um país quase que de monopólios. Estes pilares permeneceram basicamente intactos ao longo dos 12 anos da presidência do PAN (Vicente Fox e Felipe Calderón).

Rotavidade no poder claro que sempre é saudável e foi bom ver os dinossauros do PRI afastados por um tempo. Agora o PRI retorna com este jovem dinossauro, Peña Nieto. Resta esperar que o PRI não fique de forma indefinida no poder ao longo do século 21, fazendo justiça à frase do escritor peruano Mário Vargas Llosa de que, no século 20, o PRI exercera o poder como uma “ditadura perfeita”. Pelo menos, o México agora leva jeito de ser uma democracia imperfeita.

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Colher de chá para o Ricardo Platero (dia 29, 13:19), sempre com comentários substantivos. 

19/06/2012

às 6:00 \ Brasil, México

Curtas & Finas (Brasil & México)

Calderón e Dilma no protesto da ONG Oxfam em Los Cabos

No meio da suadeira global, a distinta liderança do planeta foi buscar refresco à sombra das palmeiras no balneário de Los Cabos, no México. Deixo para lá o G-20, aqui vou cuidar de um G-2, um mano a mano entre Brasil e México. Foi assunto da dobradinha de correspondentes do New York Times (Simon Romero, no Rio de Janeiro, e Elisabeth Malkin, na Cidade do México). Terrível para o Brasil perder da Argentina, talvez um pouco mais tolerável se for o México.

O artigo trata da dinâmica do jogo e uma relativa inversão de expectativas (nenhum dos dois é país-maravilha). O México agora está na ofensiva, crescendo mais do que o Brasil. Euforia lulista ficou para trás e o New York Times até se aventura a especular, citando um relatório financeiro, que pode estar ocorrendo uma lenta mudança de guarda na liderança latino-americana.

Mas nossos ufanistas podem fuzilar: e a liderança mexicana na violência? A guerra das drogas tem um custo extremamente sangrento e dantesco. Desde a posse do presidente Felipe Calderón, em dezembro de 2006, foram 55 mil mortes. E são as imagens pavorosas de vítimas enforcadas, penduradas em pontes, ou cabeças decepadas.

Mas mesmo aqui o Brasil tem vitória inglória. A taxa de homicídios brasileira pisoteia a mexicana. De acordo com recentes estatísticas, ao longo de 12 meses, 22 por 100 mil habitantes no México e 25 por 100 mil no Brasil. Há também este preço da militarização na estratégia de combate aos traficantes, mas nos últimos três trimestres, foi queda da taxa de homicídios no México. No anticartão postal mexicano que é Ciudad Juarez, em 2010 eram 263 homicídios por mês, em grande parte devido a guerra entre gangues. Hoje a média é de 100.

Evidentemente, isto está muito longe de ser um refresco. Para tal, melhor estar à sombra das palmeiras em Los Cabos.

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Humor  conciso aqui merece colher de chá. Para o Rodrigo (dia 19, 11:30).  Ninguém,  claro, é obrigado a endossar o comentário, apenas a dose de humor. Outra vespertina para o Helio (dia 19, 15:54), por outro dose de humor. E finalmente para a Babette, que escreveu do México. 

 

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