Estou de férias, não precisam segurar o mundo para mim
Pessoal, eu vou tirar alguns dias de férias a partir de agora, NOW! Espero que vocês realmente segurem o mundo para mim até 28 de dezembro, quando volto ao batente. Após 35 anos de jornalismo, tenho uma certa ojeriza (a palavra dá ojeriza) a retrospectivas e perspectivas, mas quem sabe não resista à tentação e escreva algo neste sentido para 28 de dezembro. Falando em retrô/perspectiva, quem puder, assista ao Manhattan Connection na noite de Natal, um presentão a nossa entrevista (programa inteiro) com o presidente Fernando Henrique Cardoso, com seu seu balanço de 2011 e o que nos espera em 2012 (não dou pistas aqui, assistam!). Com as baterias descarregadas, estou com preguiça de escrever algo mais elaborado neste textinho. Marotamente, republico o que já considero o meu texto clássico de anúncio de férias (saiu inicialmente em julho passado; divido as férias anuais em duas partes). Dei uma relida e vi que algumas promessas renderam frutos. A leitura da biografia de Bismarck resultou em resenha em VEJA, publicada tambem em Veja.com. E somente nos próximos dias vou ler Tiger’s Wife. Bem, tenho alguns compromissos com os leitores e assim tentarei liberar comentários o mais cedo possível, com alguma assessoria (para isto servem filhas, né?). Mas espero que entendam minha falta de vontade para conversar. Ecumenicamente, eu desejo boas festas para todos. Até breve (infelizmente, muito em breve, pois adoro férias).
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O texto abaixo foi publicado originalmente em 20 de julho passado. Não estou de férias até agosto (quisera), retorno em 28 de dezembro.
Férias! O trabalho cansa e o descanso dignifica o homem (este que escreve). Estarei de férias por algumas semanas. Não vou para Marte, mas espero me desligar um pouco dos problemas terrestres. Estes problemas podem piorar ou até serem suavizados sem meus palpites. Aqui me lembro de uma história que preciso confirmar com meu amigo e mestre Carlinhos Brickmann. Paulo Francis, senhor do universo, estava acompanhando alguma reunião de cúpula na época da Guerra Fria. Um outro jornalista brasileiro pediu um favor: “Francis, segura o mundo, enquanto eu vou ao banheiro”.
Pessoal, eu vou por aí. Parte de minhas férias será dedicada a algo fenomenal, Serei turista na minha própria cidade, Nova York (ok,ok, sou suburbano, moro em Nova Jersey, a 40 quilômetros de Times Square). Farei até coisas que deixariam o Francis, senhor do universo, com azia, como pegar o metrô ali mesmo em Times Square e ir até Coney Island. Quero passar uma tarde no Metropolitan Museum (esta o Francis fazia) e novamente curtir a Frick Collection, que fica também na Quinta Avenida. Vou quebrar o meu regime e viajar até o Brooklyn, na Hoyt Street, e participar de uma das mais exaltadas polêmicas culinárias dos últimos tempos: será legítimo o bagel, receita de Noah Bermanoff, de Montreal (de Montreal!), vendido na déli Mile End?
Férias têm outras vantagens, como menos ansiedade para acompanhar o noticiário. Posso ignorar os jogos de palavras nas colunas do Thomas Friedman, no New York Times, mas não sei se terei coragem de não passar os olhos na sabedoria de alguns dos meus gurus como David Brooks, também do NYT. Outro guru, este de economia, o Martin Wolf, do Financial Times, também está de férias. O Wolf é senhor do universo, melhor segurar o mundo (para ele está desabando) enquanto o homem descansa, pois seu último texto foi apocalíptico. E, que injustiça, as férias do Martin Wolf vão até o final de agosto. Fim do mundo.
Aliás, falando em fim do mundo na economia, estou precisando economizar muito para o College Fund da minha filha mais nova, a Ana, mas vou praticar uma folia fiscal (ai, ai, ai, o Tea Party me pega nesta). Passarei alguns dias no Brasil, país caríssimo para meu dólar anêmico. Estar fora dos EUA traz outro drama. Vou perder pelo menos um episódio da nova temporada do Curb Your Enthusiasm, do Larry David, no HBO (preciso checar com minhas filhas se é possível assistir na Internet). Chato no Brasil é que tem Fox News na TV por assinatura. Na hora de surfar posso ver a cara do Sean Hannity. Pelo menos parece que não tem aquela na televisão outra chatice ideológica, a MSNBC.
Além de dar uma passada em Coney Island e tentar escapar do Sean Hannity, tenho outras tarefas na “agenda” de férias. São os livros que comprei com carinho e fiz juras que lerei. Dois de não ficção. Sou fanático por Segunda Guerra Mundial. O primeiro é The Storm of War. O historiador inglês Andrew Roberts persegue uma questão: por que o Eixo não ganhou? (ufa!). Passei na Barnes & Noble (terrível o fechamento da rival Borders) e com o livro na mão, escutava de outras pessoas que era imperdível, embora um leitor tenha reclamado que seja eurocêntrico. Depois de ler uma cirúrgica resenha escrita por doktor Henry Kissinger, também decidi comprar Bismarck, de Jonathan Steinberg, sobre a vida do estadista alemão do século 19.
O novo livro do Francis Fukuyama (The Origins of Political Order) fica para o futuro. Em ficção, as escolhas foram State of Wonder, de Ann Patchett, que o Lucas Mendes pediu para eu elogiar num recente programa Manhattan Connection. Não li e gostei. Vou tirar a prova. Trata-se de uma odisséia envolvendo o desaparecimento de um cientista, uma tribo na Amazônia, fertilidade e a indústria farmacêutica. E se tiver tempo, ainda há o fenômeno literário Téa Obreht (The Tiger’s Wife), a moça de 25 anos, nascida em Belgrado e que ganha um prêmio literário atrás do outro. Triste apenas que não poderei cumprir um ritual no Brasil. Comprar um novo livro de Moacyr Scliar. O amigo partiu.
Dá para ver que, mesmo se quisesse, não poderia sentir saudades do trabalho. Estarei muito ocupado nas férias. Bem, pessoal, volto a publicar coluna em 10 de agosto. Espero resistir à tentação das breaking news. Afinal, não sou senhor do universo. O mundo quebra ou tem conserto sem minhas pensatas. Comentários de leitores serão liberados, mas sem a agilidade habitual. Um abraço, tudo de bom para todos e até breve (muito breve para mim).



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