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07/12/2011

às 12:00 \ Egito, Facebook, Primavera Árabe, Rússia

O que fazer com a geração Facebook?

Protesto contra a fraude eleitoral em Moscou - Foto Mikhail Voskrensky/Reuters

Como escreveu no começo do século 20 aquele infame senhor russo de cavanhaque, o que fazer? Eu tenho um fraco por esta moçada corajosa que agita no começo do século 21, que vai para a rua, que vai para a praça protestar por liberdade e também para denunciar fraude eleitoral e corrupção. Não sou tão ingênuo e emocional a ponto de me comover com a moçada do “occupy Wall Street” (teve até liberdade demais), mas, quando se trata do pessoal que passa o sufoco no centro de Moscou ou na praça Tahrir, no Cairo, é outra história. Sei, sei, há uma longa distância entre Moscou e Cairo, mas nos dois casos existe o que alguns de forma pejorativa chamam de Geraçao Facebook. Eu não.

Pouco conheço, mas em princípio não tenho nada contra o blogueiro russo Alexei Navalnyi, um cruzado contra a corrupção, detido terça-feira em Moscou, assim como centenas de manifestantes, e condenado a 15 dias de prisão. Seu crime? Basicamente popularizar a expressão “partido de escroques e ladrões”, ao se referir ao governista Rússia Unida. Chato é que, no final das contas, embora este partido do poderoso chefão Vladimir Putin tenha sido humilhado nas eleições parlamentares de domingo (sem fraude, o estrago teria sido maior), os comunistas e a extrema direita tenham avançado. A ironia é quando Putin passa a ser uma espécie de centrista.

É chato quando a fadiga com um sistema de lei e ordem (e ladroagem), como o de Putin, possa levar tanta gente a sonhar com outros pregando projetos ainda mais autoritários e nostálgicos. Imagine, Putin quer restaurar glórias passadas do império russo e, ainda por cima, vemos estes avanços de comunistas e da extrema direita? Claro que sobra a solidariedade com a moçada que foi para a rua protestar.

Dá um certo prazer, é verdade, ver o Putin suar um pouco, como qualquer ditador ou semitadator. O senador republicano americano John McCain, que não é exatamente Geração Facebook, tuitou de forma provocativa na terça-feira o seguinte: Querido Vlad (Vladimir Putin), a primavera árabe está chegando a uma vizinhança perto de você”.

Na “democracia administrada” russa, nada aterroriza mais Putin do que o descontrole, este florescimento ao estilo primavera árabe, algo como um inverno russo. Putin nunca se achou um Mubarak (e não é, pois ditador russo embalsamado era Leonid Brejnev). O sistema atual na Rússia oferece algumas controladas válvulas de escape, mas dá para perceber que nem sempre são suficientes. Pena que a explosão de frustração seja canalizada em parte para o Partido Comunista, que dobrou sua representação popular e de cadeiras no Parlamento (tem agora algo como 20%.). Por favor, nem Vladimir Putin, nem (muito menos) Vladimir Lênin.

Em Moscou, como no Cairo, a gente boa vai para a praça e a gente menos boa para o Parlamento. No Egito, foi terrível, pior do que as projeções (as minhas inclusive). Não foi apenas o sucesso da Irmandade Muçulmana, mas o avanço espetacular dos salafistas (ainda mais fundamentalistas), que juntos tiveram 2/3 dos votos. E olha que ainda falta a votação das regiões mais atrasadas do país.

Tem uma história interessante (melancólica) no Financial Times. Pouco depois da revolução de fevereiro no Egito, Wael Ghonim, o executivo da empresa Google, que organizou os primeiros protestos Facebook contra Hosni Mubarak, entrou na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, da revista Time. Uma autoridade anônima do governo americano comentou acidamente que Ghonim pode estar entre as pessoas mais influentes do mundo, mas não influencia muito no Egito.

O que fazer quando salafistas egípcios e comunistas russos são mais influentes do que Wael Ghonim e Alexei Navalnyi? O que fazer quando Putin é poder, assim como ainda um punhado de Mubaraks no mundo árabe? Ora, protestar na praça, no Facebook e nesta coluna.
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Colher de chá para o Rafael (dia 9, 13:25), boas colocações comparando o Brasil com estes outros processos.


 

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