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Rabiscos Estratégicos (Energia no Oriente Médio)

Policiamento americano no Estreito de Hormuz

A Primavera Arabe não é a única revolução no Oriente Médio. Outra mudança histórica, menos visível, mas também profunda, está em curso. Por cálculos de especialistas de energia, os EUA devem diminuir de forma substancial sua dependência energética do Oriente Médio no final da década e ela pode praticamente secar por volta de 2035, devido a fatores como menor demanda e novas fontes no hemisfério ocidental, aliadas à exploração de reservas de petróleo de gás de difícil acesso (petróleo arenoso canadense, pré-sal brasileiro e gás de xisto nos EUA).

Pelas projeções do governo americano, por volta de 2020 quase metade do óleo cru que o país consome será produzido em casa e 82% serão provenientes do próprio hemisfério. Claro que turbulências econômicas e políticas não vão desaparecer (a Venezuela continua no hemisfério ocidental), mas a região é menos volátil e explosiva do que o Oriente Médio. Já a superemergente China compra quase metade do seu petróleo da área em torno do Golfo Pérsico.

Como observa o Wall Street Journal, obviamente, o Oriente Médio irá por muito tempo ter uma influência crucial nos preços globais do petróleo e sua importância estratégica é indiscutível. Com isto, o ativismo militar americano para garantir o funcionamento das rotas de suprimento de petróleo (estreito de Hormuz, por exemplo) deve continuar ao mesmo tempo em que, por seu próprio interesse econômico e estratégico, a normalmente refratária China terá uma atuação geopolítica e militar mais desenvolta. Esta dinâmica chinesa também impedirá uma retração espetacular dos americanos.

Mas a tendência é de uma carga menos pesada de responsabilidade dos EUA  no Oriente  Médio, em contraste a décadas de dependência energética que levaram o país a um engajamento profundo no conflito entre árabes e Israel, aliança com países impalatáveis como a Arábia Saudita, apoio ao Iraque na guerra contra o Irã e uma presença militar na área que alimentou anti-americanismo e forças transloucadas como a rede terrorista Al-Qaeda.

E não podemos esquecer que o peso da carga será sentid com intensidade enquanto existir o desafio dos aiatolás nucleares. No final das contas, energia (qualquer tipo dela, econômica ou militar) sempre está na equação do combustível Oriente Médio.

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 A coluna gerou bons debates (energéticos), mas destaco para a colher de chá um comentário logo cedo do João Silva (dia 28, 9:25)

 

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