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Arquivo da categoria Eleições francesas

Se eu fosse grego, se eu fosse egípcio (segunda parte)

Samaras e a vitória do medo

São tempos tão desoladores na Europa que os velhos clichês eleitorais não se aplicam. Na Grécia, no domingo, não foi o duelo eleitoral entre o medo e a esperança. Foi entre o medo e a fúria. O alto comando europeu e os mercados saudaram com alívio tênue a vitória do medo (a que ponto chegamos), cujo mensageiro foi o desacreditado partido conservador Nova Democracia, de Antonis Samaras, o político que engole com alguns ajustes a pílula da austeridade para o país continuar a receber ajuda e permanecer na zona do euro. Ele agora tem a suada tarefa de formar um governo de coalizão.

A Grécia se afastou alguns passos do precipício (para o qual poderia e ainda pode arrastar o resto da Europa). Lá na borda, continua o arauto da fúria, o jovem carismático Alexis Tsipras, da coalizão da esquerda radical Syriza, que terminou em segundo lugar. Mas sua fúria contra o receituário de austeridade e, ao mesmo tempo, garantindo adesão ao projeto do euro, cativou os jovens.

A fúria, portanto, subsiste, embora um professor da Universidade de Atenas, Thanos Veremis, com sarcasmo tenha definido a coalizão Syriza (com radicais socialistas, comunistas, ecologistas, trotskistas, maoístas, castristas e chavistas) como um “cemitério de idéias mortas”. Com Samaras, existe uma sobrevida e a exígua e melancólica vitória do medo sobre a fúria de alguma forma será recompensada.

Os sinais da cúpula europeia são de que será afrouxada a corda no pescoço grego. O mensageiro desta proposta, o novo presidente francês François Hollande, tem agora um mandato mais forte com o triunfo socialista nas eleições parlamentares de domingo. Não adianta Angela Merkel ficar furiosa.

O poder militar no Egito

No Egito, não existe vitória de nada. São tempos de farsa e fadiga. Mal começou a contagem de votos na disputa presidencial entre duas figuras intragáveis (o herdeiro de Hosni Mubarak, Ahmed Shafik, e o irmão muçulmano Mohammed Morsi) e os militares deram sequência ao golpe, iniciado com a dissolução na quinta-feira do Parlamento, que era dominado pelos islamistas. E  com os resultados ainda não oficializados, os dois candidatos clamam vitória, em uma medida (uma má medida) da encrenca egípcia.

Mas a eleição foi ofuscada pelos “votos” militares. Com a declaração constitucional de domingo à noite, os militares à frente do governo interino afivelaram ainda mais seus cintos no poder. Eles terão autoridade sobre o orçamento, poder de veto sobre a capacidade de qualquer futuro presidente para declarar querra e sobre qualquer artigo de uma futura Constituição, para cuja redação vão nomear os integrantes. O maior poder executivo será o comando militar e não o presidente.

Muito complicado aqui entrar em detalhes sobre os erros táticos dos setores que se engajaram na primavera árabe egípcia. Os militares jogaram habilmente e permitiram que florescessem as divisões entre setores liberais, esquerdistas e islâmicos. Deram espaço para os islâmicos se desgastarem no exercício do poder parlamentar, do qual se apossaram de forma precipitada e gananciosa. Foram cúmplices na deterioração de lei e ordem que levaram vários setores (inclusive cristãos) a se assustarem com a transição.

Os militares nunca partiram do poder depois da queda de Hosni Mubarak (foram eles que puxaram o tapete do faraó). A transição egípcia de certa forma se revela cerimonial. É mais fácil derrubar um ditador do que um sistema ditatorial. Claro que este golpe em etapas pode criar uma nova dinâmica de resistência popular, depois de semanas de fadiga eleitoral (o comparecimento no segundo turno da votação presidencial foi menor do que no primeiro) e confusão sobre os lances dos vários atores, mas a jogada dos militares egípcios também está sendo comparada ao golpe dos militares turcos em 1980. Eles deram as cartas por duas décadas.

Neste começo de semana sou mais grego do que egípcio. Não sei o que serei ao final da semana.

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Colher de chá matinal para o debate grego entre Pedro I e Ricardo Platero.

As lições francesas para o président Obama

O que espera Obama? Foto Kevin Lamarque/Reuters

Em cerca de 350 pesquisas de opinião pública, o socialista François Hollande era o favorito para derrotar o conservador Nicolas Sarkozy. Portanto, foi até uma proeza para o quase ex-presidente francês (mais uma semaninha no cargo) ter perdido por uma margem tão apertada. Antes de tudo, alternância de poder é coisa de uma sólida e saudável democracia (e isto a França é) e, depois de tudo, este é o paradigma na Europa em crise econômica: o governo de plantão paga a conta e é espirrado do poder. Cartas socialistas e conservadoras estão saindo do baralho europeu, de acordo com as circunstâncias do jogo em cada país.

Hora de falar do jogo americano. Será que a mesma sorte do conservador Sarkozy (incapaz de conseguir a reeleição) estará reservada dentro de seis meses para o democrata Barack Obama? Pela lógica do voto punição, voto desabafo, voto frustração, Obama deverá encorpar a legião sem emprego (aposentadoria precoce, à la europeia), mas o presidente  é um coringa.

Ele está no sufoco de um Sarkozy, mas seu discurso populista contra o excesso de austeridade pregado pelos republicanos pode dar para o gasto e garantir a reeleição em novembro. Obama é um Sarkollande  (mistura de Sarkozy com Hollande). No comício que lançou “oficialmente” sua campanha sábado passado (foto acima), ele tinha temas “hollandeses” como justiça, inclusão e mais taxação dos ricos (embora menos draconiana), mas sua inicial mensagem personalista de mudança em 2008 tinha um toque de Sarkô. Qual deles irá sobressair?

Não vamos nos estender aqui, mas a realidade eleitoral americana é diferente da europeia. Obama, por exemplo, ainda é pessoalmente popular (o que não era o caso de Sarkozy). O Partido Republicano está tão desgastado como o Partido Democrata, mas eleitores não têm canais multipartidários para extravazar a fúria (apesar de ensaios como Occupy Wall Street e outras ruas, o circo não pegou fogo). O primeiro turno das eleições já acabou, aconteceu nas primárias republicanas. Dentro de alguns meses, os americanos irão realmente se concentrar no turno final de novembro, no mano a mano entre Obama e o oponente republicano Mitt Romney.

A economia americana se mostra molenga, porém não tão capenga como na Europa. Ressalva:  divisões na zona do euro sobre políticas de austeridade e caos político, como na Grécia, podem agravar a crise. Por extensão, afetariam a economia americana e as chances de reeleição de Obama. Já se a dobradinha Merkel/Hollande segurar o rojão, ponto para o presidente americano. Mas este é um comentário recheado do “por outro lado”. Se um político incolor como o socialista Hollande conseguiu (assim como o conservador Mariano Rajoy na Espanha), por que não o republicano Mitt Romney? Eles compensam a falta de carisma, com o excesso de problemas associados ao ocupante no cargo.

Começamos falando da praga de pesquisas neste comentário, vamos terminar no mesmo tom. Aqui nos EUA, as centenas de pesquisas mostram uma disputa equilibrada, ao contrário da França, onde sempre sinalizaram a vitória de Hollande. Nenhum dos dois candidatos americanos está em uma posição avassaladora ou arrasadora. Podemos torcer por um ou outro ou estimar o favoritismo de um ou outro, mas realmente não sabemos para quem François Hollande telefonará na noite de 6 de novembro para dar os parabéns.

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Colher de chá para Sanidade Republicana (dia 8, 8:38), lembrando a lição básica: a eleição americana ainda está distante, no remoto novembro.

06/05/2012

às 22:44 \ Eleições francesas, Hollande

Bonne chance, président (vai precisar)

Hollande na praça da Bastilha - Foto/AFP

Bonne chance, président Hollande. O desejo não é meramente protocolar. O vitorioso nas eleições francesas de domingo vai precisar de extrema boa sorte. Opa! A palavra extremismo assusta na Europa de hoje. Hollande precisará de muita sorte com os citoyens e de muita habilidade para acertar o casamento com frau Angela Merkel, depois do voto de desabafo que guilhotinou o poder do impopular e esfuziante presidente bling-bling Nicolas Sarkozy.

Hollande pode ir para a praça da Bastilha e prometer uma revolução contra o fiskalpakt, mas vamos ver como irá convencer os aiatolás da austeridade em Berlim e Frankfurt (sede do Banco Central Europeu) a soltar o dinheiro. Frau Merkel tem a chave do cofre. Ela pode adotar um tom camarada com seu novo francês (menos elétrico do que o anterior), para não humilhá-lo em começo de mandato, mas não se deixará seduzir facilmente. E não será apenas ela. Os franceses votaram no domingo contra a austeridade. Os mercados também estão votando. E não adianta denunciar a ditadura dos operadores de títulos da dívida pública francesa. A praça é do povo e deles também.

A revista The Economist fez terror contra Hollande e alertou que ele é “perigoso”. O Libération, jornal francês de esquerda, assim que se confirmou a vitória do candidato socialista no domingo, estampou a manchete “Normal!” Dá para ser perigoso e normal ao mesmo tempo? Vamos tirar a média e esperar que Hollande não seja um idiota. Maluquices podem ficar a cargo dos partidos extremistas, de esquerda e de direita, em alta na Europa, como na Grécia que também teve eleições no domingo ou Marine Le Pen (esta sim perigosa de carteirinha).

Afinal qual loucura pode fazer o europeista Hollande? Declarar guerra contra Angela Merkel ou erguer barricadas em Paris? A França normal, de direita ou de esquerda está centrada no projeto europeu. É âncora deste projeto e não quer que vá ao fundo em outro sentido. Existe esta revolta contra austeridade, mas é difícil imaginar o que o estado na França mais possa fazer.

Este estado já consome 56% do PIB francês (algo de dar inveja aos suecos), não equilibra o orçamento desde os anos 70 e impõe uma das cargas tributárias mais pesadas no mundo. Tudo bem, dá para pensar em alguns paliativos para minorar a dor (e os alemães precisam exportar, sendo que a Europa ainda é o seu maior mercado), mas nada do elixir venenoso que o povão quer engolir.

O mentor de Hollande foi o presidente socialista François Mitterrand, para o qual ele trabalhou nos anos 80. Depois que ganhou a eleição em 1981, Mitterrand implantou nacionalização, aumentou o salário mínimo, encurtou a semana de trabalho e inchou o estado do bem-estar social. O resultado foi fuga de capital, desvalorização cambial e desemprego. Dois anos mais tarde, Mitterrand deu a guinada. Caso comprove que não seja um idiota, tudo deverá ser mais rápido com Hollande.

Claro que existe o risco político. Em seis meses, a multidão pode voltar para a praça da Bastilha, não para celebrar, mas para pedir a cabeça de Hollande. Portanto, bonne chance, président.

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Colher de chá para o Abilio (de Portugal), por suas perguntas pertinentes e observações sobre a postura alemã (dia 7, 9:31).  E uma colher de chá vespertina para um punhado de leitores que travou um debate muito civilizado sobre Europa e economia nas últimas horas, com destaque para  o Magno, que havia tomado um chá de sumiço e retornou.

Curtas & Finas (França & Alemanha)

Hitler desfila na Paris ocupada em junho de 1940

Um  pouco estranho, em um texto sobre as eleições francesas deste domingo, estampar acima a foto do Monstro, desfilando em Paris quando da ocupação da cidade-luz pelas forças das trevas em 1940. Explico mais ao final do texto, mas antecipo que faz sentido em uma conversa sobre o que está em jogo nas eleições. Na verdade, o que está em jogo para o futuro da Europa. A crise econômica na zona do euro gerou rachaduras no próprio projeto europeu, que tem a aliança franco-germânica como pilar de sua fundação. E a votação neste domingo cria uma nova dinâmica, abalando esta aliança que, para a exasperação dos franceses, é cada vez mais dominada por Berlim.

O provável vencedor da eleição francesa será o socialista François Hollande, mas, mesmo que ocorra a surpresa com o triunfo do presidente conservador Nicolas Sarkozy, teremos uma Franca mais assanhada para mudar o rumo da agenda direcionada por Berlim. Haverá pressões francesas, secundadas por outros países da zona do euro no sufoco, por políticas econômicas de crescimento, ou seja, de afrouxamento da austeridade receitada pela primeira-ministra alemã Angela Merkel. Berlim insiste que o caminho pedregoso é o único viável para restaurar a confiança nas finanças públicas da região, mas desvios macios são exigidos devido ao aprofundamento da recessão e desemprego.

Merkel, uma política mais marota do que aparenta, está ajustando sua retórica, assim como o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, para alguns compromissos com a França para estimular o crescimento, ao mesmo tempo em que se aferra à meta de  disciplina fiscal. Afinal, sem este pacto fiscal de austeridade, ela não consegue apoio da opinião pública alemã para pacotes de resgate.

Hollande, o provável vencedor da eleição francesa, também é mais maroto do que aparenta. Ele sabe que sua margem de manobra para afrouxar a rigidez fiscal na França e na Europa é limitada. Hollande está consciente do clima de terror prenunciado pelos mercados caso seja irresponsável. Não é à toa que semanas atrás, o socialista francês apareceu em Londres, principal praça financeira europeia, e, em inglês, fez questão de anunciar que não era “perigoso”.

Existem graduações de preocupação nos meios financeiros globais com a chegada de Hollande ao palácio do Eliseu. Curiosamente, os dois principais jornais econômicos do mundo, o Wall Street Journal e o Financial Times, têm uma atitude até blasé, avaliando que muito do que Hollande fala agora é mise-en-scène de campanha eleitoral. E acrescentam que Angela Merkel talvez até consiga um casamento decente com o novo parceiro francês, menos serelepe do que Sarkozy. No lugar de Merkozy, será Mellande (combinação que soa mais charmosa).

Portanto, não se espera um derretimento do consenso europeu e muito menos no seu núcleo duro (a aliança franco-germânica). E aqui, ao final, fazemos a ponte com o começo do texto. Estatísticas de dívida, de déficit, de contração e de desemprego claro que são cruciais neste momento tão difícil na Europa. Mas vamos lembrar um outro número: 60 milhões. Esta é a estimativa de gente que morreu na Europa entre 1914 e 1945, em conflitos entre nacionalismos extremados num continente dividido.

O projeto europeu não foi uma trama de burocratas, mas de visionários que queriam concretizar uma coexistência realista na esteira desta imensidão de mortes. Foram décadas de paz e prosperidade. Que o projeto europeu tenha vida longa, muito longa, mesmo que esta crise econômica, política e de identidade seja também muito longa.

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Colher de chá matinal para o Ricardo (dia 4, 9:45), pela abordagem e pelo saboroso jogo de palavras “Mellando”. Leiam para entender.

26/04/2012

às 6:00 \ Crise nuclear, Eleições francesas, EUA, França, Irã

Curtas & Finas (França & Irã)

Os aliados Obama e Sarkozy - Foto/Getty

Uma campeã da campanha contra o que considera islamificação da Europa, a líder da extrema direita francesa Marine Le Pen, não é muito chegada nos aiatolás de Teerã, mas tanto ela como Ali Khamenei estão se saindo bem no jogo eleitoral francês. Marine Le Pen não foi para o segundo turno, mas teve uma grande vitória com quase 20% dos votos dados `a Frente Nacional na primeira rodada.

Com a provável derrota do presidente conservador Nicolas Sarkozy contra o socialista François Hollande em 6 de maio, Marine Le Pen espera pegar o cetro da liderança da direita francesa. A derrota de Sarkozy será também uma vitória para os aiatolás, O presidente francês é complicado, hipócrita e oportunista na sua política externa, exagerando a importância francesa. Mas sua atuação decisiva em crises como da Líbia deve ser reconhecida e sua indignação com a brutalidade do regime Assad na Síria (aliado de Teerã) é louvável.

Sarkozy, conhecido como l’Américain, é bem mais próximo de Washington do que seu antecessor conservador Jacques Chirac (que era inclusive hostil aos interesses dos EUA, como aconteceu na guerra do Iraque). Sarkozy hoje está na linha de frente para unir o Ocidente contra as ambições nucleares iranianas. É verdade que ele compartilha com Barack Obama a antipatia pelo primeiro-ministro israelense Benjamim Netanyahu, mas tem até uma posição mais agressiva do que a do presidente americano sobre o Irã e aqui está mais afinado com Israel, no ceticismo sobre negociações nucleares, pressões por  sanções mais duras e tolerância zero com enriquecimento de urânio pelos iranianos.

Com François Hollande no poder, podemos esperar uma política externa francesa menos exuberante e menos determinada em relação ao Irã. Haverá mais determinação do político socialista para fazer cobrança em cima de Angela Merkel na crise europeia e muito mais foco nas questões domésticas. Tudo será menor com Hollande, a destacar na postura napoleônica, uma marca de Sarkozy.

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Colher de chá bem matinal para o Orlando, que comentou lá dos Pirineus (dia 26, 9:07). E uma vespertina para o Maisvalia (dia 26, 13:57), por um comentário crítico e autocrítico


25/04/2012

às 6:00 \ Eleições francesas, Europa

A malaise europeia e o futuro do estado do bem-estar social

A Europa a meio-pau

Não é apenas a França com suas desoladoras opções eleitorais (o conservador Sarkozy x o socialista Hollande), mas a palavra é francesa. Na Europa, existe um sentimento de malaise. São as profundas ansiedades sobre globalização, políticas de austeridade e identidade nacional. Temos o drama de partidões de esquerda e de direita para convencer a cidadania que eles podem rabiscar a quadratura do círculo: precisam oferecer empregos, salários decentes e preservar o estado do bem-estar social. Ao mesmo tempo, há a necessidade de implementar estes penosos ajustes para sair do buraco. Como conciliar crescimento e austeridade?

Entre as saídas falsas do dilema estão a demagogia e a prática do esporte do bode expiatório, em escapadas pela esquerda ou pela direita. Temos, portanto, o fortalecimento de partidos antieuropeus, antiimigrantes, islamofóbicos, antiglobalização, antieuro, antiestablishment. Uma mensagem mais do contra do que a favor. São mensagens que prosperaram não apenas no primeiro turno das eleições francesas, com destaque para a Frente Nacional, de extrema direita, de Marine Le Pen, mas estão em alta em outras paragens europeias.

Partidos extremistas e populistas ocupam cada vez mais a cena na Holanda (onde esta semana ocorreu a implosão da coalizão de governo), na Áustria, Grécia, Hungria e Escandinávia. É a vida. Com exagero, já são feitos os paralelos com os anos 30. Existe no agora uma profunda crise econômica e a liderança tradicional europeia enfrenta uma crise de legitimidade. A gente conhece a história clássica. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, partidos democrata-cristãos, social-democratas e liberais reconstruíram a sociedade, a economia e a democracia em terras que tinham sido devastadas.

Mais recentemente, houve o salto quallitativo (sem tanta qualidade assim) para fazer tudo isto junto, à la europeia, com as estrelas na bandeira. Mas a paisagem está mudando. Está difícil garantir o bem-estar generoso e a população mal-acostumada é avessa a sacríficios. Ainda por cima, o projeto europeu tem esta coisa de diktat (a palavra alemã é apropriada) impulsionado por tecnocratas. A União Europeia é fundamentalmente antidemocrática, pois, para integrar o clube, os países precisam abrir mão de soberania nacional, a destacar em política econômica e controle de fronteiras.

E não deixa de ser frustrante para países tão orgulhosos e inflados na sua identidade nacional, mesmo quando a economia murcha, reconhecer que na crise a união faz a força. Sozinha, por exemplo, uma França é uma mera França, embalada pela nostalgia. E existe esta frustração mais na pele com a política de austeridade. Claro que os países europeus são internamente democráticos. E com a perda de apoio popular à austeridade, existe menos disposição de governos para adotar medidas agressivas e penosas para sair da crise e preservar a zona do euro e o projeto mais amplo de União Europeia, à moda alemã. Somos unidos, sob o comando de Berlim.

É um cenário apropriado para o sucesso destas mensagens mais demagógicas e nacionalistas (contra os tecnocratas de Bruxelas, contra o diktat de Berlim, contra os bancos de Wall Street, contra algum Ahmed que toma o emprego ou a grana do seguro-desemprego, contra sei lá o que). No caso da direita, é a ascensão de um populismo iliberal (tão representado pelo Partido da Liberdade de Geert Wilders, na Holanda ou a Frente Nacional de Marine Le Pen, na França), onde a proposta é de preservação de benefícios para os cidadãos mais puros, rechaço da austeridade, de protecionismo comercial e de um estado forte. No caso da esquerda, é uma mensagem igualmente vociferante, com propostas estapafúrdias para resolver a crise, como mais impostos e mais benefícios sociais. As vozes extremistas (e muitas vezes nem tanto) se afinam para praguejar contra eurocratas e a conspiração dos mercados.

As divisões hoje na Europa não são meramente entre esquerda e direita (com os extremos inclusive se tocando), mas também entre abertura e fechamento, num debate sobre os prós e contras da globalização e integração continental. Não supreende portanto, que uma bíblia do pensamento conservador, o Wall Street Journal (ah, a conspiração dos mercados) ataque com fúria, em editorial, medidas de fechamento de fronteiras dentro da Europa supostamente unida, agora defendidas pelo acuado presidente conservador Nicolas Sarkozy, na sua ansiedade para seduzir eleitores de extrema direita e antiimigrantes no turno final das eleições francesas.

Na conclusão lapidar do editorial: “Não devemos nos surpreender que políticos sem a coragem ou as idéias para consertar os problemas econômicas peguem bodes expiatórios estrangeiros, mesmo quando eles sejam vizinhos”. Quando há malaise, doente é o outro

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Bons comentários sobre o tema desta coluna. Mas a colher de chá vai para dois comentários do Pablo, que os demais leitores não sejam acometidos de malaise.  Mas, num adendo, colher de chá também para o Reynaldo, cujos comentários renderam ricas discussões.

23/04/2012

às 6:00 \ Eleições francesas

Estado de negação na França e do choque Le Pen

Uma vencedora em terceiro lugar

Na sexta-feira passada, numa entrevista ao jornal Le Figaro, o ainda presidente francês Nicolas Sarkozy paraferaseou o rei Luís 15 (aquele do après moi, le déluge), afirmando que “eu não estou dizendo, depois de mim, o caos”. Claro que estava. Mas já temos agora um dilúvio, um caos na política francesa. O conservador Sarkozy sobreviveu ao primeiro turno da eleição presidencial no domingo, chegando em segundo lugar, algo patético para  um presidente de plantão. O socialista François Hollande, como se esperava, venceu, mas quem venceu mesmo chegou em terceiro lugar, a candidata de extrema direita, Marine Le Pen. Ela teve votação acima das expectativas, enquanto o incendiário de extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon teve abaixo.

As chances de Sarkozy permanecer no poder são muito remotas. É verdade que teremos em 6 de maio uma nova eleição, com uma nova dinâmica, e Sarkozy é bom de campanha, um brigador. Algumas pesquisas já no domingo mostravam que a diferença que o separa de Hollande não está nos dois dígitos. Crucial será o papel dos eleitores da vencedora de domingo, Marine Le Pen, mensageira da xenofobia, da islamofobia e de fobias em geral. Marine Le Pen, uma política tão provinciana numa eleição de provincianos, como o caso do provável futuro presidente Hollande, avesso à globalização, uma fobia que parece unir os franceses, mesmo quando beneficiados pelo mundo lá fora e que foram grandes impulsionadores do projeto europeu. Tudo bem, não vamos exagerar, Hollande é europeísta, mas, chegado no estado inchado, quer refazer o contrato para o desolação da frugal Angela Merkel, da divisão panzer da austeridade.

O ponto chave aqui para discutir é o dilema de Sarkozy. O cenário para ele já é diluviano. Ele fracassou com suas demagógicas guinadas para a direita para roubar votos de Marine Le Pen. Para que a demogagia fajuta? Um em cinco franceses prefere a demagoga original, Marine Le Pen, hoje menos escandalosa com suas diatribes do que papai e que conseguiu uma votação recordista para a Frente Nacional no domingo.

O caos está no cálculo eleitoral de Sarkozy, o presidente mais impopular na história moderna da França. Ele precisa assustar o eleitor sobre o que significa Hollande com seu atraso social para o futuro econômico da França e da Europa, mas ao mesmo tempo precisa cativar o eleitor de Marine Le Pen (por algumas pesquisas, até 30% dos seus eleitores preferem Hollande a Sarkozy no segundo turno, enquanto a massa de eleitores de Mélenchon vai dar o voto de qualquer modo ao socialista). A parcela de eleitores de Le Pen que votar em Hollande ou se abster será crucial para as chances de Sarkozy.

Pelos cálculos, o presidente para ter uma chance no segundo turno precisa de mais de 50% dos eleitores que votaram domingo na Frente Nacional. O que fará o presidente para aliciar o eleitor de extrema direita? Prometer deportar todos os suspeitos habituais e não apenas alguns ciganos romenos como fez há dois anos? Prometer um divórcio da primeira-ministra alemã Merkel e o fim da dupla Merkozy? Já Hollande não precisa paparicar tanto a extrema esquerda, pois Mélenchon saiu menor do que a encomenda.

A revista The Economist roubou a cena com sua capa recente, dizendo que existe um estado de negação na França, pois os políticos e a cidadania se recusam a encarar de frente os problemas do país. Uma medida desta negação foi a melancólica votação do candidato centrista François Bayrou, que terminou em quinto lugar neste primeiro turno, conseguindo menos de 10% dos votos (metade do que obtivera em 2007), com sua mensagem de que os franceses precisam fazer escolhas difíceis para sair da crise.

Estado de negação e também de choque com o desempenho de Marine Le Pen. A festa da vitória de Hollande no domingo foi contida pelos números da extrema direita. A banda de esquerda sabe que seu candidato é em parte mero depositário de frustração popular com o estado de coisas e sabe também que a surpreendente votação de Marine Le Pen no primeiro turno sinaliza um dilúvio de fúria para o futuro presidente.

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Colher de thé matinal (dia 23) para o Queiroz, tivemos um bom debate nesta segunda-feira. Ele está sempre atento aos affaires na França.

20/04/2012

às 6:00 \ Eleições francesas

Curtas & Finas (França & Jovens)

Jovens em comício de Jean-Luc Mélenchon

A palavra-de-ordem dos jovens franceses nesta temporada de eleição presidencial é uma variação de imaginação no poder ao estilo 68, com seu ressentimento contra o poder, contra as elites tradicionais representadas pelo conservador Nicolas Sarkozy e o socialista François Hollande – que devem liderar o primeiro turno neste domingo e disputarem sozinhos no segundo em 6 de maio. E tudo mostra que vem aí Hollande no Palácio do Eliseo.

Entre os jovens, existe esta crescente hostilidade contra le establishment. Uma recente pesquisa no jornal Le Monde mostra que a candidata da extrema direita Marine Le Pen (Frente Nacional) é a favorita da moçada entre 18 e 24 anos (com cerca de 1/4 de preferência). Se acrescentarmos o apoio ao candidato da extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon (Frente de Esquerda), estamos falando de uns 40% dos jovens eleitores.

Marine Le Pen floresce na juventude com seu ressentimento contra imigrantes, o islamismo e o euro. Sua mensagem é de proteção de uma identidade nacional em meio`as ameaças variadas de globalização. Ela rega muito bem nesta horta de medo. Seu apoio entre jovens dobrou desde o final de 2011. O avanço de Mélenchon também é espetacular, triplicou para uns 15% no mesmo período. Este surto impressiona, pois mostra que partidos extremistas são tão populares entre os jovens como os partidos do centrão (`a direita e `a esquerda do meio de campo). E todos os partidos, na expressão consagrada pela revista The Economist, estão em estado de negação, na eleição da frivolité, em um país no qual se prefere a imaginação no poder e não a necessidade de cair na real com difíceis reformas do sistema social e trabalhista.

Entre os jovens franceses, a taxa de desemprego é de 22% (em paises como a Espanha é muito pior). É fácil empregar promessas fáceis. Le Pen e Mélenchon prometem mundos num país sem fundos (nada muito melhor lá no centrão). A candidata de extrema direita promete reindustrializar a França, acenando com empregos para jovens franceses. Estrangeiros, au revoir.

Mélenchon, em comum com a rival do outro extremo que ele qualifica de semidemente, concorda por inteiro ser uma loucura a França apostar na globalização (nunca houve paixão popular por isto) e na União Europeia. Mélanchon apenas não compartilha o delírio xenofóbico de Le Pen (que se recusa a aceitar que a sociedade já é mista), mas sua visão de futuro, que seduz os jovens franceses, é igualmente anacrônica, recusando-se a aceitar que interesses econômicos estão interconectados. Em alguns discursos, é difícil diferenciar os dois, por exemplo, quando investem contra o capitalismo financeiro ultraliberal e pedem uma política econômica dirigista.

Le Pen e Mélenchon, em um linguagem juvenil que deixa a moçada enfeitiçada, são contra o sistema. O vetusto Le Monde não resistiu e publicou uma caricatura dos dois lendo o título de um mesmo discurso sobre os outros políticos, os outros partidos, as elites, o sistema: todos são podres. Sejamos cínicos e ressentidos ao extremo: todos podres, de ponta a ponta na França.

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Colher de chá para o João Felipe, que percebeu meu erro na grafia  do nome do candidato Mélenchon. Estou meio podre, como os políticos franceses.  Já corrigido. Espero que os franceses também façam suas reformas.

22/03/2012

às 6:00 \ Eleições francesas, França, Nicolas Sarkozy

Curtas & Finas (Sarkozy & La Patrie)

Sarkozy no enterro do paraquedista- Foto AFP

C’est la vie. Nicolas Sarkozy é presidente-candidato em uma hora dramática. Uma crise como esta da chacina (das chacinas) em Toulouse coloca o inquilino do Palácio do Eliseu em campanha de reeleição intensamente no centro dos acontecimentos, ofuscando os demais candidatos. Sarkozy, o chefe da pátria, se enrola na bandeira em nome da união nacional. É o seu papel. Em um momento de extrema violência, de extrema comoção, como agora, o poder de plantão tem uma legitimidade acima da conta. Aconteceu com George W. Bush, depois dos atentados do 11 de setembro, aconteceu com Bill Clinton depois do atentado em Oklahoma City.

Claro que Sarkozy já desfraldou vária vezes a bandeira da demagogia contra imigrantes e muçulmanos, inclusive até dias atrás, para se resguardar dos avanços da extrema-direita e sua porta-bandeira Marine Le Pen (em terceiro lugar nas pesquisas, bem atrás de Sarkozy e do ainda favorito, o socialista François Hollande). Mas o incendiário Sarkozy agora se comporta como bombeiro e baixa a temperatura política. Comporta-se com dignidade. É o líder da nação. Hollande não tem como ocupar este espaço. Ele é apenas o líder da oposição, pretendente ao cargo de Sarkozy.

Já a moderna líder da extrema direita não se conteve, no seu papelão. Marine não consegue tirar o Le Pen da pele dela (filha daquele pére meio fascistão). Foi a primeira a romper a trégua na campanha eleitoral para denunciar que a ameaça dos fundamentalistas islâmicos está sendo subestimada. Está bem, debate legítimo sobre terrorismo doméstico, embora explosivo (menos de complacência, como ela acusa, e mais de incompetência das forças de seguranças nas chacinas de Toulouse), mas Marine estava quieta naquelas horas em que a especulação mais forte apontava para um neonazista como o responsável pela morte de quatro judeus e de três paraquedistas norte-africanos. Agora ela fala que é preciso “travar guerra” contra o fundamentalismo islâmico, enquanto Sarkozy recebe líderes muçulmanos e judeus no Eliseu.

Sarkozy precisa no segundo turno (6 de maio) dos votos de Marine Pen no primeiro (22 de abril). O desafo é garanti-los enquanto permanece postado no centro, como porta-bandeira da união nacional. Mas a dinâmica é ainda mais tortuosa. O candidato Sarkozy é o presidente que se protege com a bandeira, mas e se prevalecer junto à opinião pública a noção de fiasco da polícia, que sabia do fundamentalista islâmico, o francês de origem argelina Mohammed Merah, e não impediu o terceiro ataque (contra a escola judaica) depois dos dois primeiros contra os paraquedistas? E existe o pesadelo espanhol para Sarkozy. Em 2004, o primeiro-ministro conservador José Maria Aznar acusou primeiramente terroristas bascos pelos atentados aos trens praticados por terroristas islâmicos. Também foi vítima do terror. Dias depois, ele perdeu as eleições para os socialistas.

Sarkozy, ex-ministro do Interior que se movimenta bem em crises de segurança,  é um político muito habilidoso, mas o jogo da  bandeira é perigoso.

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Colher de chá bem matinal para os leitores Maisvalia (dia 22, 7:49) e Antonio (dia 22, 9:20), que apontaram um trecho realmente mal escrito nesta coluna, comparando a França de hoje com a Espanha de 2004. Primeiro pensei em remover o texto, mas como sou transparente, vou deixar.

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Pessoal, talvez eu leve algumas horas para começar a liberar comentários nesta sexta-feira por problemas logísticos. Mas escrevam, é claro.  

20/03/2012

às 6:00 \ Eleições francesas

Curtas & Finas (Dementes na França)

Mélenchon e Le Pen jogando pelas pontas- Fotos AFP

Nas primárias americanas, eleitores da base impõem o ritmo, jogando nas pontas. Como agora são disputas republicanas, o jogo é na ponta direita, o que deixa atarantados os Romneys da vida. Na França, o jogo mais pelas pontas em geral acontece no primeiro turno de eleições presidenciais. Uma história dos últimos dias, ofuscada é claro pela chacina na escola judaica de Toulouse na segunda-feira, que levou à suspensão da campanha,  é o avanço nas pesquisas do presidente conservador Nicolas Sarkozy, em busca de reeleição.

Por algumas pesquisas, Sarkozy até derrotaria o socialista François Hollande no primeiro turno em 22 de abril (não no segundo, em 6 de maio). Mas outra história é o avanço de Jean-Luc Mélenchon, o carismático e incendiário candidato da extrema-esquerda, falando em “insurreição cívica” (todo apoio aos gregos, nenhum apoio às políticas de austeridade em curso na Europa). Mélanchon considera Hollande uma espécie de suflê político. Ex-trotskista e ex-socialista (foi senador e ministro pelo partido), Mélanchon agora està à frente de uma coalizão de grupos esquerdistas, inclusive o velho partidão comunista.

Malandrão, Sarkozy elogia o discurso apimentado de Mélanchon em contraste à falta de sal no suflê Hollande. O apimentado já superou a marca de 10% nas pesquisas no primeiro turno, o que forçou Hollande a ter um cardápio mais de esquerda, como a proposta de um imposto de renda de 75% para os milionários. Sarkozy também cozinha mais para a direita, com uma retórica anti-imigrante mais picante,  devido à ameaça da candidata da extrema-direita Marine Le Pen, com 17% dos votos no primeiro turno, na pesquisa do Journal du Dimanche. Em quarto lugar na pesquisa ainda está, coitado, o bem-intencionado centrista François Bayrou.

A bronca mesmo de Mélanchon é com Marine Le Pen (os extremistas que se desentendam). Bom de debate na televisão, ele acusou Le Pen de ser semi-demente. Ela protestou contra o insulto e aí Mélanchon replicou que “você ainda tem uma boa metade”. Na verdade, Mélanchon é a outra metade da demência. Conversa louca (a minha) na semana em que um demente por inteiro praticou o assassinato de quatro seres humanos em Tolouse, meramente por serem judeus, entre eles três crianças.

É difícil ainda medir o impacto eleitoral desta chacina em Toulouse, mas será interessante ver como irá afetar Marine Le Pen, que tem o discurso mais xenofóbico e anti-imigrante na campanha, denunciando a “ditadura das minorias”. Em um primeiro momento da tragédia em Toulouse,  a suspeita caiu sobre islamistas, mas as indicações (e falo isto em meio à fluidez dos eventos)  conduzem agora para neonazistas, com a possibilidade de que tenha sido um ataque praticado pelo mesmo ex-paraquedista, que na semana passada matou e feriu soldados de origem árabe e caribenha.

A França está em estado de choque (com judeus, muçulmanos e negros, coisa rara, unidos na dor e no temor de mais ataques), a campanha eleitoral suspensa e o presidente-candidato Sarkozy e o candidato Hollande apareceram na escola judaica. É uma tragédia em meio a uma  campanha que, além da previsível discussão sobre a crise econômica e o futuro de programas sociais, acentua o debate sobre o papel de religião, minorias étnicas e identidade nacional, assuntos capazes de levar qualquer sociedade à loucura. As crianças mortas em Toulouse talvez levem os supostos adultos políticos a baixarem a temperatura,  já neste primeiro turno  da eleição.

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Colher de chá matinal para o Praetor (dia 20, 9:06) pelo conciso apanhado histórico de retórica inflamada na França. E uma rara colher de sopa, na hora do almoço, para o Ricardo (dia 20, 12:16). Leiam para entender o motivo da premiação.

 

 

 

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