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Arquivo da categoria Eleições 2012

25/05/2012

às 6:00 \ Bush, Eleições 2012, Obama, Romney

Curtas & Finas (Obama & Bush)

Herança maldita ou bendita? Foto/Reuters

Para o presidente democrata Barack Obama, o predecessor republicano George W. Bush representa uma herança maldita. No entanto, as lições da campanha de reeleição de Bush em 2004 podem ser uma benção para Obama, que não quer ser amaldiçoado pela história como presidente de um mandato só. Antes de tudo, existem algumas similaridades no ambiente politico: a esta altura do primeiro mandato, Obama tem uma taxa sofrível de aprovação, para os padrões americanos, semelhante a de Bush na mesma época (algo como 47%). A intensa polarização política em torno de Bush e Obama contrasta com sentimentos pessoais mais positivos do que negativos sobre os dois. A tal história: os americanos topariam tomar uma cerveja com Bush (com Obama, um vinho).

E as similaridades vão adiante. Na campanha de reeleição, do outro lado, candidatos de Massachussetts, Mitt Romney e John Kerry, experientes, inteligentes, milionários, mas com dificuldades para se conectar com o eleitor zé mané. O ponto essencial está em uma análise do especialista eleitoral Willliam Galston, do centro de estudos Brookings, em Washington. Existem eleições em que, no ponto essencial da campanha, o candidato precisa persuadir os indecisos, oscilantes ou independentes. Em outras, crucialmente, trata-se de mobilização da base, ou seja,  levar para votar quem já está inclinado por um determinado candidato.

Bush prevaleceu sobre Kerry em 2004 ao moblizar a base republicana (a destacar brancos evangélicos),  em parte com uma campanha muito negativa e personalizada sobre o oponente. Agora para Obama será crucial animar seu núcleo eleitoral formado por jovens, hispânicos, negros e mulheres, em parte tratando Romney como um vampiro capitalista, que, por sua vez, precisa mobilizar a base composta de evangélicos e uma classe média branca empobrecida e de menor nível educacional. Para Obama, será o desafio maior,  com sinais de menor entusiasmo da base em relação à campanha de 2008. Mas funcionou em 2004 para Bush. Herança bendita?

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Pessoal, muito bolão eleitoral, análises da economia e torcida por Obama ou Romney nos comentários da sexta-feira.  A colher de chá vai mesmo para o William Galston, do centro de estudos Brookings, por destacar a variável da mobilização da base para sinalizar o rumo da eleição. 

Obama se divorcia dos princípios no casamento gay

Só em 8 estados e em Washington

Eu estou como o vice-presidente americano, o democrata Joe Biden, que se diz “absolutamente confortável” com o casamento gay. Na sequência, esta semana, o ministro da Educação Arne Duncan disse algo semelhante. Mas na sua politicagem eleitoral, o presidente Barack Obama não dá sua benção, embora lá no seu íntimo ele concorde com os subordinados.

Com a prevaricação, Obama frustra a base mais liberal (e gay) e alimenta a ansiedade do país mais jovem, cada vez mais confortável nestas questões sociais e morais. O presidente quer se preservar em um terreno ainda minado. Eleições são ganhas em um punhado de “swing states” (estados oscilantes), como Carolina do Norte, onde na terça-feira foi aprovada uma legislação banindo não apenas o casamento gay, mas a união civil entre pessoas do mesmo sexo (este duplo banimento já acontece em 19 dos 50 estados, sendo que 30 proíbem apenas o casamento).

A emenda constitucional estadual na Carolina do Norte definindo casamento como estritamente entre um homem e uma mulher foi aprovada por margem folgada. Mas uma crescente maioria dos americanos evolui a favor do casamento gay de uma década para cá. É verdade que a pesquisa Gallup na terça-feira mostrou uma queda do apoio de 53%, no ano passado, para 50%, com desaprovação de 48%. Mais ilustrativa é uma outra pesquisa, esta NBC/Wall Street Journal de março: 49% a favor do casamento gay e  40% contra. Era o reverso em 2009.

Basta ver a crescente aceitação de diversas orientações sexuais em programas de televisão. O seriado mais popular  é Modern Family, da rede ABC, onde o casal gay (Cameron e Mitchell), está tentando adotar um segundo filho na atual temporada. O país avança no tema e  Obama diz há tempos que está evoluindo no tema (é a favor de união civil entre pessoas do mesmo sexo). Mas numa merecida maldade, a publicação de esquerda The Nation observou em 2009 que o presidente “evolui para a direita”.

No começo de carreira política, o professor de Direito Constitucional e campeão de direitos civis era um aberto defensor do casamento gay. Mas Obama foi subindo na escada politica e descendo nas convicções. Estimou que não trazia benefício eleitoral tanto liberalismo moral e nos direitos civis. Entre eleitores democratas, há setores que resistem ao casamento gay. Um exemplo é o eleitorado latino, mais conservador em questões morais. O mesmo acontece entre negros. A maior evolução no apoio ao casamento gay acontece entre mulheres, base crucial de apoio aos democratas

Para Obama, até hoje foi conveniente ficar na pista lenta, embora tenha assumido posições históricas como o repúdio ao compromisso “não pergunte, não conte”, em que militares escondiam sua orientação sexual. Mas agora o presidente foi ultrapassado por seu próprio vice Biden, que pertence a uma geração mais velha. Claro que a declaração de Biden também serve como um lance para apaziguar setores que votam nos democratas e que estão decepcionados com a reticência de Obama na questão do casamento gay. Com oportunismo, os democratas tentam se cobrir como podem, tanto com setores mais abertos, como os mais comedidos.

Sei, sei dos cálculos políticos, mas seria legal (em todos os sentidos) que a prevaricação política fosse alijada e o presidente se casasse com seus princípios. Do republicano Mitt Romney não se espera audácia na questão. Ele também está evoluindo, se desviando já para o acostamento à direita da pista. Romney firmou a promessa do grupo antigay Organização Nacional pelo Casamento, cobrando do Congresso, entre outras coisas, a aprovação de uma emenda na Constituição federal banindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Hoje ele é legal em oito estados e na capital Washington.

O estado de espírito do país sobre homossexualismo se desloca na direção certa de mais tolerância (em meio a estes bolsões de resistência principalmente encastelados no Partido Republicano e no universo evangélico), mas um líder (e este é o cargo de Barack Obama) deveria de vez em quando assumir mais riscos, abandonar a pista lenta e fazer a sua parte para acelerar a marcha para uma guinada moral e cultural.

ATUALIZAÇÃO: A evolução do presidente Obama finalmente terminou. Na tarde de quarta-feira, em entrevista `a rede de televisão ABC,  ele deu apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. É o primeiro presidente no exercício do cargo a assumir a corajosa posição. Obama deixou claro que se trata de sua opinião pessoal e que a decisão a respeito cabe a cada estado.  Considero a decisão correta, como cerca de metade da opinião pública americana. O anúncio presidencial obviamente terá implicações na campanha eleitoral, pois o candidato republicano Mitt Romney tem posição diametralmente oposta à opinião do presidente.  O lance de Obama é, repito, correto,  mas também esperto e, ao mesmo tempo, arriscado.

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Não consigo me divorciar de leitores. Colher de chá para o Amauri, Felipe e Maisvalia que me cercaram logo cedo (dia 9) para debater o tema da coluna. Pedi um “break”, não para fugir do debate ou por falta de argumentos, mas simplesmente por estar casado com outros compromissos. 

As lições francesas para o président Obama

O que espera Obama? Foto Kevin Lamarque/Reuters

Em cerca de 350 pesquisas de opinião pública, o socialista François Hollande era o favorito para derrotar o conservador Nicolas Sarkozy. Portanto, foi até uma proeza para o quase ex-presidente francês (mais uma semaninha no cargo) ter perdido por uma margem tão apertada. Antes de tudo, alternância de poder é coisa de uma sólida e saudável democracia (e isto a França é) e, depois de tudo, este é o paradigma na Europa em crise econômica: o governo de plantão paga a conta e é espirrado do poder. Cartas socialistas e conservadoras estão saindo do baralho europeu, de acordo com as circunstâncias do jogo em cada país.

Hora de falar do jogo americano. Será que a mesma sorte do conservador Sarkozy (incapaz de conseguir a reeleição) estará reservada dentro de seis meses para o democrata Barack Obama? Pela lógica do voto punição, voto desabafo, voto frustração, Obama deverá encorpar a legião sem emprego (aposentadoria precoce, à la europeia), mas o presidente  é um coringa.

Ele está no sufoco de um Sarkozy, mas seu discurso populista contra o excesso de austeridade pregado pelos republicanos pode dar para o gasto e garantir a reeleição em novembro. Obama é um Sarkollande  (mistura de Sarkozy com Hollande). No comício que lançou “oficialmente” sua campanha sábado passado (foto acima), ele tinha temas “hollandeses” como justiça, inclusão e mais taxação dos ricos (embora menos draconiana), mas sua inicial mensagem personalista de mudança em 2008 tinha um toque de Sarkô. Qual deles irá sobressair?

Não vamos nos estender aqui, mas a realidade eleitoral americana é diferente da europeia. Obama, por exemplo, ainda é pessoalmente popular (o que não era o caso de Sarkozy). O Partido Republicano está tão desgastado como o Partido Democrata, mas eleitores não têm canais multipartidários para extravazar a fúria (apesar de ensaios como Occupy Wall Street e outras ruas, o circo não pegou fogo). O primeiro turno das eleições já acabou, aconteceu nas primárias republicanas. Dentro de alguns meses, os americanos irão realmente se concentrar no turno final de novembro, no mano a mano entre Obama e o oponente republicano Mitt Romney.

A economia americana se mostra molenga, porém não tão capenga como na Europa. Ressalva:  divisões na zona do euro sobre políticas de austeridade e caos político, como na Grécia, podem agravar a crise. Por extensão, afetariam a economia americana e as chances de reeleição de Obama. Já se a dobradinha Merkel/Hollande segurar o rojão, ponto para o presidente americano. Mas este é um comentário recheado do “por outro lado”. Se um político incolor como o socialista Hollande conseguiu (assim como o conservador Mariano Rajoy na Espanha), por que não o republicano Mitt Romney? Eles compensam a falta de carisma, com o excesso de problemas associados ao ocupante no cargo.

Começamos falando da praga de pesquisas neste comentário, vamos terminar no mesmo tom. Aqui nos EUA, as centenas de pesquisas mostram uma disputa equilibrada, ao contrário da França, onde sempre sinalizaram a vitória de Hollande. Nenhum dos dois candidatos americanos está em uma posição avassaladora ou arrasadora. Podemos torcer por um ou outro ou estimar o favoritismo de um ou outro, mas realmente não sabemos para quem François Hollande telefonará na noite de 6 de novembro para dar os parabéns.

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Colher de chá para Sanidade Republicana (dia 8, 8:38), lembrando a lição básica: a eleição americana ainda está distante, no remoto novembro.

02/05/2012

às 6:00 \ China, Direitos Humanos, Eleições 2012, EUA

Dissidente cego desafia visão estratégica dos EUA na China

Guangcheng fez um apelo por justiça ao premiê Jiabao

A história do dissidente chinês Chen Guangcheng é de doer o coração, mas agora ele é uma tremenda dor de cabeça para o governo Obama, pois este negócio de direitos humanos atrapalha os negócios dos EUA com a China. Guangcheng é a verdadeira audácia da esperança e, na perspectiva das autoridades dos dois paises, ele escolheu a pior hora para um gesto heróico.

Dissidente, cego e advogado autodidata, de 40 anos, em campanha infatigável contra abortos forçados e esterilizações, ele está na linha de frente na resistência à política de filho único no país de partido único. Guangcheng também é um campeão na defesa dos deficientes e batalha em geral contra abusos, arbítrio e corrupção, especialmente na sua província de Shandong, no leste do país. Na humilhação suprema ao regime vigilante, o dissidente cego conseguiu fugir na semana passada da prisão domiciliar, perto da cidade de Linyi, e se refugiou na embaixada americana em Pequim.

 

A peripécia do dissidente cego aos olhos do mundo (ele divulgou um vídeo no YouTube, depois da grande escapada, com um apelo direto ao primeiro-ministro Wen Jiabao pelo respeito às leis e fim dos desmandos) aconteceu dias antes da chegada a Pequim (em visita agendada) de uma delegação da pesada dos EUA (chefiada pela secretária de Estado, Hillary Clinton, e do Tesouro, Tim Geithner, para mais uma rodada de diálogo estratégico e econômico.

Na quinta-feira, horas antes do inicio formal dos encontros em uma espécie de arranjo diplomático, Guangcheng deixou a embaixada, na companhia do embaixador americano Gary Locke e foi para um hospital receber tratamento médico. De sua parte, as autoridades chineses protestaram e exigiram um pedido de desculpas de Washington como parte do teatro diplomático. As primeiras informações são de que os americanos receberam garantias chinesas de que Guangcheng poderá ter uma vida livre no país, não partindo para o exílio. Nestes acertos, muita coisa pode resultar em erros, especialmente se o dissidente fizer bom uso de sua suposta liberdade. Vamos ver. (atualização às 11:30, horário NY: e em uma confirmação dos lances convolutos nesta saga, as mais recentes informações dão conta de que, na verdade, Guangcheng estaria relutante em ficar no país e teria saído da embaixada americana devido `as ameaças que sua família estava recebendo).

O fato é que Guangcheng fugiu da prisão domiciliar, criou um fato consumado e Obama faz o que pode para se esconder. Em campanha pela reeleição, Obama não pode parecer banana. Para os republicanos de Mitt Romney, o dilema sobre o que fazer com o dissidente é um prato cheio, com as advertências de que o presidente não pode se curvar aos chineses (curioso ver como Romney se comportaria em uma saia-justa como esta, caso ganhe o poder).

Washington precisa de Pequim numa relação complicada de cooperação e competição, seja em questões da economia, seja em geopolítica, em crises como as do Irã, Síria e Coréia do Norte. Já na China, há uma tortuosa transição de poder no final do ano, bem menos suave do que se projetava, como ficou comprovado na defenestração da estrela em ascensão Bo Xilai. E agora a linha-dura pode ensaiar resistência com as concessões aos americanos no caso do dissidente.

Guangcheng também é linha-dura. Nunca quis partir para o exílio, que em princípio teria sido uma solução cômoda nesta crise. Fora do país, seu impacto se esvaziaria. Por esta razão, Guangcheng quer ficar em liberdade na China, com garantias de que não ira se repetir o prontuário de abusos contra ele e sua família. Mesmo com restrições, seu papel pode ser significativo, como tem sido o caso do artista e ativista Wei Wei.

Em um mundo ideal, os setores mais reformistas na China poderiam usar a encrenca para ganhar pontos, mostrando ao mundo que a China emergente é, de fato, um país mais maduro, capaz de conviver com dissidentes e enquadrar uma cultura de abusos. Num mundo ideal, Obama mostraria mais coragem e, ao invés de esconder direitos humanos debaixo do tapete, diria para os chineses que realismo e pragmatismo devem nortear as relações entre as duas superpotências do século 21, mas que princípios não podem ser tratados como mercadoria barata, made in China.

O drama é que está cada vez mais difícil conciliar pragmatismo e princípios. A China é um país cada vez mais importante e espera ser tratada com respeito, enquanto desrespeita cidadãos como Chen Guangcheng. Não gosta de receber lições de moral e detesta estas interferências em assuntos internos, especialmente quando se sente mais confiante e menos acuada. Ironicamente, foi a própria secretária de Estado, Hillary Clinton, que ao assumir o cargo, argumentou que “direitos humanos não deveriam interferir” em outros assuntos vitais nas relações EUA-China. Esta é a tradicional posição realista, advogada pelo bruxo diplomático Henry Kissinger desde que os dois países normalizaram as relações há 40 anos.

A palavra-de-ordem em Washington (em democratês ou republicanês) é tratar, na medida do possível, de forma discreta problemas ao estilo Guangcheng. Claro que cada partido age com oportunismo e cria constrangimentos quando o outro está na Casa Branca. Ao mesmo tempo, se a nova estratégia americana, como apregoa Obama, é se consolidar como potência dominante na área Ásia-Pacífico, inclusive arregimentando forças na região para neutralizar o avanço chinês, é preciso oferecer um modelo atraente de liberdades políticas e econômicas, e não apenas pragmatismo beirando o cinismo.

Há riscos políticos, econômicos e estratégicos com este desafio ao modelo chinês de vamos fazer negócios e se dane gente como Guangcheng? Claro que há, mas é igualmente perigoso tentar manter um modus-vivendi com os chineses quando a sociedade local é cada vez mais dinâmica e inquieta. Basta ver a incrível atividade de microblogs repercutindo o caso, apesar da censura oficial. Outra situações como a de Cheng Guangcheng aparecerão. Perdão pelo trocadilho, mas não adianta se fingir de cego.

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Colher de chá para Chen Guangcheng e outros visionários dissidentes chineses. 

01/05/2012

às 6:00 \ Eleições 2012, EUA, Obama, Romney, Terror, Uncategorized

Curtas & Finas (Obama & Osama)

O vivo e o morto no palanque eleitoral

Há um ano, Osama Bin Laden foi justiçado. Que não descanse em paz, onde estiver. Justiça seja feita. Foi uma grande proeza de Barack Obama. Foi uma decisão presidencial, com margem de risco, a operação lançada para dar cabo do terrorista número 1. Um ano depois, os olhos estão à frente, pois as eleições serão dentro de seis meses. O presidente democrata, o oponente republicano Mitt Romney e as respectivas campanhas passaram a segunda-feira trocando alfinetadas.

Obama tem o crédito Osama e abusa com politicagem. Estamos chocados, chocados. Os republicanos de Mitt Romney também aprontam. Estamos chocados, chocados. Eles querem diminuir o crédito democrata na proeza. E com razão, acusam a campanha presidencial democrata, com participação do ex-presidente Bill Clinton, pelo vídeo mesquinho de propaganda, questionando se Romney seria capaz de uma decisão tão audaciosa, como a que levou à morte de Bin Laden no Paquistão. E também mesquinho, Romney tenta associar Obama a um ex-presidente democrata desacreditado em segurança nacional, dizendo que “até Jimmy Carter teria ordenado o ataque contra Bin Laden”.

Bem visível na politização democrata, o vice de Obama, Joe Biden, tem repetido uma frase que dá um bom slogan de campanha eleitoral sobre feitos da administração em segurança nacional e economia: Osama Bin Laden está morto e a General Motors está viva (graças ao resgate de Detroit). Mas aí o verborrágico Biden arrematou num discurso que Romney reverteria o slogan.

São abusos de campanha democrata, como os feitos pelo republicano George W. Bush na campanha de reeleição em 2004 (estamos chocados, chocados), tirando proveito do patriotismo pós-11 de setembro e da remoção do poder de Saddam Hussein. Momentos históricos convertidos em pequenez eleitoral bipartidária. Política externa provavelmente não irá determinar a próxima eleição presidencial americana. De qualquer forma, para os democratas, a morte de Bin Laden é a prova de que Obama não é um fracote em segurança nacional. Para os republicanos, haverá esta condenação de abuso de campanha ao mesmo tempo em que minimizam o feito.

Se o que aconteceu em maio passado (a morte de Bin Laden) se revelar um fator decisivo em novembro, podemos levantar duas hipóteses: 1) Obama está desesperado e precisa apregoar qualquer coisa para ganhar pontos eleitorais. 2) A economia vai bem e com isto segurança nacional se torna um foco de campanha. E aí, será mais desespero dos republicanos.

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Em dia de demagogia trabalhista deste feitor, colher de chá para todos os leitores que se prestaram a trabalhar e comentar neste feriadão.   

Primeira Impressão (Partidos Americanos)

Paridade entre partidos

O nome do analista eleitoral Sean Trende permite trocadilhos com “trend” (tendência, em inglês) e ele é bom no assunto, tema do seu primeiro livro, Lost Majority, sob medida quando esquenta a corrida eleitoral americana. Um dos negócios de Trende, analista do obrigatório site RealClearPolitics,  é descartar falsas tendências nos EUA., especialmente quando envolvem teorias partidárias de realinhamento. Na época em que George W. Bush governava o país na década passada, seu guru Karl Rove anunciava uma “maioria republicana permanente”. A “sólida” tendência foi substituída com a vitória de Barack Obama em 2008 pela narrativa da “emergente maioria democrata”. Na sequência, os republicanos triunfaram nas eleições para o Congresso em 2010. E o que vem pela frente?

No seu livro de desconstrução dos mitos de realinhamento permanente, Trende caracteriza o atual quadro político, partidário e eleitoral como o “mais difícil de ser entendido em décadas, pois são “tempos de quase paridade entre os partidos”. Um termo muito usado por analistas é de extrema volatilidade eleitoral. Os partidos não conseguem saborear uma vitória, na medida em que ela escorrega rapidamente.

Trende argumenta que não devemos vislumbrar tão cedo maiorias duradouras republicanas ou democratas. Ele não é muito camarada com triunfalismos partidários. Claro que a teoria será colocada `a prova nas eleições de novembro, embora, de novo, não se espere um triunfo avassalador de nenhum dos dois partidos.

Trende descarta estes realinhamentos duradouros, mas argumenta que um cenário plausível na política americana são os “partidos racializados” e também com componentes de guerra dos sexos, algo duplamente preocupante. Homem branco, especialmente de classe sócio-econômica mais baixa, é republicano, enquanto a coloração dos democratas é marrom (negros e latinos), com toque feminino.

As causas são históricas: ressentimento de brancos sulistas, que eram democratas contra os direitos civis, o que resultou em uma longa marcha deles para o Partido Republicano (lembram-se? O partido de Lincoln), a deserção de brancos conservadores (filhos de imigrantes ) do Partido Democrata no norte do país, especialmente quando os republicanos asssumiram posições mais conservadoras e os democratas mais liberais nas chamadas guerras culturais. Em contrapartida, muitas mulheres buscaram refúgio no ninho democrata pelos mesmos motivos. E a agenda democrata favorecendo cotas raciais e subsídios sociais reforçou os laços do partido com minorias e mulheres.

As tendências para um Partido Republicano mais macho e mais branco e um Partido Democrata mais marrom e feminino se cristalizaram ao longo de décadas devido a mudanças constitucionais, sociais e econômicas. E hoje os políticos têm incentivos para seduzir o eleitorado com base nestes traços. No entanto, mudanças sociais e econômicas podem levar, por exemplo, o eleitorado latino a afrouxar seus laços com os democratas. Isto pode acontecer se imigração deixar de ser um cavalo de batalha para os republicanos ou o partido der um “upgrade” a políticos latinos (como candidato a vice-presidente). Já do outro lado, o Partido Democrata não pode se dar ao luxo de alienar o bloco de homens brancos, cada vez mais alinhado com os republicanos.

Partidos “racializados” movidos a guerra dos sexos seriam um péssimo caso de realinhamento político duradouro nos EUA.
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Com meu espírito bipartidário (really), colher de chá para o João Felipe e o Pablo, pelos vários comentários na sexta-feira.

Curtas & Finas (Nicolas & Marine)

Sarkozy precisa dos eleitores de Le Pen- Fotos/ AFP

Marine Le Pen disse que dormiu como um bebê, depois de sua vitória no primeiro turno nas eleições presidenciais francesas no domingo. A candidata de extrema direita terminou em terceiro lugar e não irá para o segundo turno, mas foi uma vitoriosa com sua votação acima das expectativas (um em cinco eleitores). Ela comprovou ser uma força política acima das expectativas, o que não me deixa com o sono muito tranquilo.

Vamos repetir que o presidente conservador Nicolas Sarkozy (que terminou em segundo lugar no domingo atrás do socialista François Hollande) precisa de forma desesperada dos eleitores da extrema direita em 6 de maio. E o frenético presidente irá trabalhar freneticamente para conseguir estes votos. Já Marine Le Pen fará o contrário. Por que um frenesi para emplacar Sarkô? A expectativa é de ela recomende a abstenção aos seguidores no turno final da eleição.

Para Le Pen, interessa a derrota do presidente conservador (que ela considera tão nocivo à sua visão de França antiimigrante, antiislâmica e antieuro, como o socialista Hollande). Sarkozy quer seduzir os eleitores da extrema direita, mas nada de ir para a cama (metaforicamente) com a Marine. O negócio dele (a transa política e econômica) é mesmo com a Angela Merkel.

E, de fato, não faz sentido a traição. Vive Merkozy! Em caso contrário, é a morte do projeto europeu da França. Marine Le Pen quer a implosão do euro e da agremiação de Sarkozy, a União por um Movimento Popular (UMP), para que seu partido de extrema direita se torne o o núcleo duro de resistência contra uma esquerda no poder. E não podemos esquecer que a Frente Nacional, de Marine Le Pen, espera manter o pique nas eleições parlamentares de junho. A UMP hoje tem maioria no Legislativo.

Pessoalmente, eu creio ser deprimente que um em cinco franceses tenha votado na Frente Nacional no domingo. Nada de minimizar a gravidade da proeza, mas aqui um ponto interesante. Na verdade, Marine Le Pen teve apenas cerca de 1.5% de votos a mais do que seu pai, Jean-Marie Le Pen, nas eleições de 2002, que fora até domingo passado o recorde da Frente Nacional. E, imagine, eram tempos de prosperidade econômica e o então presidente conservador Jacques Chirac era razoavelmente popular. E imagine algo mais, realmente aterrador. Pére Le Pen teve apoio expressivo, apesar de suas reflexões de que as câmaras de gás dos campos de concentração do nazismo eram um “detalhe histórico”.

A filha, que abandonou o antisemitismo da velha Frente Nacional, concorreu em tempos amargos na economia e é inegável que se trata de uma política menos repugnante do que papai, mas com uma mensagem ainda alarmante. Poderia, portanto, ter sido até pior. Acho que vou dormir um pouco, só um pouquinho, mais tranquilo.

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Nada isento sobre Marine Le Pen, dou logo cedo colher de chá para a Carmem (dia 24, 9:03) por seu comentário sobre o que a líder da extrema direita representa. 

19/04/2012

às 6:00 \ Eleições 2012, Obama, Romney

Curtas & Finas (Pesquisas EUA)

Meio a meio - Fotos/Getty

Se fizerem uma pesquisa comigo sobre pesquisas, estou dividido: tenho uma relação de amor e ódio com elas, especialmente pesquisas eleitorais. Leio na hora quando são divulgadas e acho o assunto uma chatice. São uma praga, pois teleguiam os governantes, os políticos e candidatos eleitorais. Esta semana, foi o paraíso-inferno de sempre com a divulgação de uma pilha de pesquisas sobre o duelo Barack Obama x Mitt Romney.

Refletindo uma tendência, a pesquisa CBS News/New York Times, divulgada na quarta-feira, deu empate: 46% dos eleitores registrados para cada candidato. No mês anterior, o presidente democrata tinha uma vantagem de 3 pontos sobre seu oponente republicano. Pew, uma pesquisa muito respeitada, mostra a vantagem de Obama se estreitando. Foi de 12 pontos para 4. O Gallup coloca o republicano com uma vantagem de 4 pontos sobre o presidente democrata.

É o que se espera no começo da jornada de uma eleição geral. Romney, o candidato presidencial desafiante, depois de vencer a maratona das primárias, consolida seu status partidário. O foco se transfere para o duelo supremo. Uma nota de alerta é que, embora fosse esperada esta consolidação do status de Romney, as pesquistas eleitorais de mês a mês têm mostrado grandes oscilações. Por exemplo, a taxa de aprovação de Obama chegou a cair 9 pontos no curso de um mês para então se recuperar e no seu embate com Romney em questão de dias oscilou de vantagem até perto de 10 pontos para cair para zero ou mesmo desvantagem.

Os próximos meses serão uma gangorra, uma farra para os institutos de pesquisa de opinião pública e uma zorra para os analistas. Será uma jornada marcada por marchas e contramarchas na economia, possíveis surpresas geopolíticas, previsíveis gafes dos candidatos, a corrida para mobilizar as bases, a tarefa inglória para arrecadar fundos de campanha, o esforço descomunal para caricaturar o adversário e o desempenho nos debates. Será uma eleição apertada em novembro e dois candidatos com flancos escancarados. Alguma divisão sobre isto?

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Nesta coluneta sobre pesquisas, colher de chá para a Carmem por sua pesquisa (dia 19, 11:45), uma homenagem a leitores fiéis.

06/04/2012

às 6:00 \ Eleições 2012, Obama, Romney

Curtas & Finas (Romney & Obama)

O início do duelo - Fotos AFP/Reuters

Estamos em abril. A eleição presidencial americana vai acontecer apenas em novembro. Mas o clima eleitoral parece outubro. Mitt Romney e Barack Obama já desembainharam informalmente as afiadas espadas retóricas, enquanto prossegue formalmente o duelo menor nas primárias presidenciais republicanas, onde Rick Santorum briga com canivete contra Romney.

Esta semana, o presidente democrata e o seu oponente republicano fizeram discursos que foram o começo do debate mais amplo para as eleições. Ambos abandonaram as gentilezas e deram nomes aos bois, ou seja, tratamento direto. Em um concurso de caricaturas, Obama denunciou o “darwinismo social” dos republicanos, que estariam basicamente interessados em sacrificar os pobres e a classe média s favor de uma plutocracia.  Romney denunciou Obama por brincar de “esconde esconde”, querendo fugir do seu desempenho nota zero na economia, sem nada oferecer ao país.

Adiante, seis meses para desconstruir discursos de campanha. Hoje, serei telegráfico para falar de pontos fortes e fracos dos dois candidatos.

Romney:

Pontos fortes- ele se provou capaz de disciplina na campanha das primárias e talento para arrecadar fundos. A aversão visceral da base mais conservadora a Obama fará com que ela tolere o deslocamento de Romney para o centro, após a guinada excessiva para a direita na corrida das primárias. Romney tem sólido apoio entre homens brancos, em especial mais velhos, gente que comparece às urnas, faça sol ou faça chuva.

Pontos fracos- pendor para gafes, em particular relacionadas à sua riqueza. É incapaz de forjar uma narrativa pessoal atraente, investindo mais no argumento de ser um bom gerente. Cadê a visão? Tem dificuldades para seduzir mulheres e hispânicos. No final das contas, Romney é um candidato enfraquecido.

Obama:

Pontos fortes- estar no cargo ajuda um candidato à reeleição, é bom de campanha, pessoalmente popular, sucesso na guerra contra o terror neutraliza a fuzilaria republicana de que seja frouxo em segurança nacional e foi impulsionado por uma recuperação econômica que tem se revelado um pouco menos tênue do que estimara. Mostrou-se hábil para trazer mulheres e hispânicos de volta ao ninho democrata.
Pontos fracos- pendor para a arrogância professoral, sua reforma de saúde é impopular, é incapaz de seduzir homens brancos, tem o desafio de levar às urnas grupos essenciais de sua base como os jovens e a recuperação econômica ainda é tênue. No final das contas, Obama é um candidato vulnerável.
Romney quer transformar a eleição em um referendo sobre Obama.
Obama quer transformar a eleição em um referendo sobre Romney
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Colher de chá para o J.R. (dia 6, 12:42), pelo panorama eleitoral. 

A saúde de Obama e a justiça americana

Maioria conservadora na Corte Suprema, mas... Foto Getty

Para quem está cansado de acompanhar a maratona das primárias presidenciais americanas, existe uma opção a partir desta segunda-feira. São três dias de extenuantes apresentações de argumentos orais na Corte Suprema, em Washington, sobre a lei de reforma de saúde do governo Obama, aprovada há dois anos por uma margem estreita no Congresso. Serão seis horas de argumentos, a favor e contra. Desde 1966, a Corte Suprema não dedicava tanto tempo a um tema individual. E, ilustríssimos leitores e leitoras, vou tratar do tema com a merecida aridez. Fiquem despertos!

A decisão dos nove juízes será em junho, quando -esta é a suposição- os republicanos já terão seu candidato presidencial e assim os desdobramentos da decisão judicial serão cruciais na campanha para as eleições de novembro. Em uma situação extrema, a suprema vitória legislativa de Barack Obama poderá resultar na sua derrota eleitoral (o triunfo no Congreso em março de 2010 já foi fugaz, pois contribuiu para os democratas perderem o controle da Câmara nas eleições de novembro daquele ano). A politização do tema é inevitável e a decisão será histórica, pois irá além da eleição, na medida em que envolve questões como o modelo de relação entre o estado e os cidadãos, a alocação de poder entre o governo federal e os estados e a autoridade do Congresso para lidar com os problemas nacionais.

Não estão em julgamento aspectos da reforma de saúde como a eficiência de serviços ou os custos econômicos, mas sua constitucionalidade. Em termos essenciais, os três dias de audiência vão examinar o desafio legal ao mandato individual da lei de 2010, que força quase todos os consumidores a terem seguro de saúde através de planos privados ou programas públicos (haverá subsídios para quem não puder pagar). Num país com seu DNA individualista, um argumento visceral do desafio é que este mandato universal é uma ameaça à própria liberdade individual. Revogar a reforma de saúde se converteu em uma cruzada conservadora.

Em termos técnicos, o desafio, que tem como ponta- de-lança duas dúzias de procuradores-gerais de vários estados governados pelos republicanos, argumenta que o governo federal excedeu de sua autoridade sob a cláusula de comércio interestadual da Constituição, ao exigir que os cidadãos comprem um produto, o seguro de saúde. Esta cláusula permite que o governo federal regule atividades que afetam atividades comerciais nacionais. Para os oponentes, não comprar um seguro de saúde é uma “inatividade’ e não uma “atividade”. Nas inevitáveis hipérboles, o argumento vai ao ponto de alertar que próximos passos serão o governo decidir quantas vezes um cidadão poderá ir ao médico por ano ou que deve comer brócolis para se manter saudável (esta verdura é sempre campeã de escárnio, uma injustiça, pois eu gosto dela).

Já os defensores lembram que o argumento funciona ao contrário. Se a Corte Suprema derrubar o mandato universal na saúde, poderá abrir um precedente, por exemplo, contra o seguro obrigatório de carro. Em termos mais básicos, os defensores dizem que não há como argumentar que o sistema de saúde nos EUA não seja um comércio interestadual.  Nos últimos 75 anos, a Corte Suprema expressou deferência à autoridade do Congresso na esfera sócio-econômica. Os defensores também argumentam que não há como diferenciar ação de inação. Decidir não ter um seguro de saúde é uma ação financeira ou, por exemplo, a inação de não pagar impostos é sujeita à regulamentação governamental e penalidades.

A Casa Branca se diz confiante na vitória judicial e não tem um plano alternativo (numa pesquisa do equivalente americano da OAB, 75% dos especialistas em Corte Suprema disseram acreditar que a maioria dos juizes irá concluir que a obrigatoriedade do seguro médico é constitucional). Ironicamente, nestes últimos dois anos, o governo fracassou na tarefa de “vender” a reforma de saúde para a opinião pública e o tema impulsionou o Tea Party, além de ter se tornado cavalo-de-batalha para os republicanos e munição para os adversários do favorito nas primárias, Mitt Romney, que, quando era governador de Massachusetts, implantou um programa estadual com mandato individual.

Os democratas não se cansam de lembrar que o Romneycare (a assistência Romney) inspirou o Obamacare, assim como propostas da conservadora Fundação Heritage, delineadas para trazer mais eficiência e menos custos para um sistema de saúde que consome quase 20% do PIB americano. Romney hoje insiste que seu objetivo é revogar o ObamaCare.

Existem um foguetório de lobies e mobilização popular em torno desta audiência na Corte Suprema. Para dizer o mínimo, a opinião pública está polarizada (com republicanos esmagadoramente contra a reforma da saúde nos moldes aprovados e democratas, a favor). Existem, porém nuances, com apoio a alguns componentes, caso da proibição para seguradoras descartarem pessoas com condições médicas pré-existentes, e rejeição a outros, caso do mandato individual.

A corte presidida pelo juiz John Roberts é conservadora (com frequentes votações de 5 x 4), Mas isto não significa que seja fácil prever como ela irá se comportar neste caso. Alguns dos juízes conservadores já defenderam a cláusula de comércio interestadual em decisões similares, embora não desta magnitude. Os juízes podem tanto ratificar a lei, rechaçá-la, acolher parte dela ou decidir que é cedo tomar uma decisão na medida em que a reforma da saúde apenas será plenamente implementada em 2014.

A expectativa é de que os juízes não atuem de forma partidária em uma decisão histórica no calor da campanha eleitoral e tendo como pano de fundo a decisão na Corte Suprema no ano 2000 que assegurou a vitória do republicano George W. Bush contra o democrata Al Gore, após uma controvertida recontagem de votos.

Melhor acreditar na isenção da Corte Suprema. Afinal, a independência do Judiciário é fiadora da saúde da democracia americana.

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Colher de chá matinal para o Rodolfo (dia 26, 9:54) e uma vespertina para o Pablo (dia 26, 14:06), pelos argumentos opostos apresentados aqui diante do Supremo (eu, hehehe). E mais uma para J.R. (dia 26, 14:59), pelo depoimento pessoal.


 

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