10/12/2012
às 6:00 \ África do Sul, Berlusconi, Brasil, Chávez, Dilma Rousseff, Egito, Itália, Mandela, Merkel, Mursi, Obama, Primavera Árabe, Romney, Síria, VenezuelaCurtas & Finas (Nocautes & Pontos)
- Para o espanto de muita gente, o ícone filipino do boxe Manny Pacquiao foi nocauteado no sexto round pelo mexicano Juan Manuel Márquez na luta de sábado à noite em Las Vegas. Para o espanto do meu sogro, em Manila, pugilista amador na juventude, e de Mitt Romney, perdedor profissional no pugilato eleitoral. Romney apareceu no vestiário antes da luta para desejar boa sorte a Pacquiao e disse: “Alô, Manny, eu concorri à presidência e perdi”. Pacquiao já é deputado nas Filipinas e quem saiba um dia dispute a presidência do seu país. Não precisa do endosso de pé-frio.
- Já aquele pugilista ágil que nocauteou Romney em novembro continua com bom desempenho. Barack Obama vai derrotando por pontos os republicanos, que controlam a Câmara dos Deputados, na disputa sobre o chamado abismo fiscal. O presidente democrata encurrala os adversários no corner do ringue político, desferindo seus golpes sistemáticos. Nada da letargia de embates anteriores.
O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, já deu uma enquadrada no seu plantel e prepara o terreno para concessões no aumento de impostos, anátema para os mais conservadores. Obama, porém, não pode bailar demais no ringue, nada de arrogância Muhammad Ali. Precisará fazer suas concessões no corte de benefícios sociais. Dito isto, o presidente vai ganhar por pontos neste seu segundo e último round presidencial.
Lá no ringue da Primavera Árabe, são várias lutas. No Egito, o presidente Mohammed Mursi forçou a barra para ter mais poderes. Os adversários revidaram. É gente que brigou na praça Tahrir até nocautear a múmia Hosni Mubarak, há pouco menos de dois anos. Mas, Mursi, treinado pela Irmandade Muçulmana, é peso-pesado.
Ele entregou alguns pontos simbólicos nesta questão de poderes adicionais, mas segue firme com a data do referendo, o próximo sábado, sobre o projeto de Constituição que com razão assusta gente mais moderada, temerosa do projeto de hegemonia islamista. No entanto, nesta primeira fase da Primavera Árabe não dá para reverter totalmente a vitória dos islamistas egípcios, talvez suavizá-la. É vital manter a guarda para impedir o nocaute de uma frágil democracia. Serão anos, décadas de embates na Primavera Árabe.
Já na parte do ringue com o pugilato dos sírios, não existe nada suave. É a brutalidade da guerra civil. Eu e tantos comentaristas subestimamos a duração da luta, mas no final das contas será um nocaute horrendo desferido contra Bashar Assad, com o sangue de muita gente na lona.
E tem lutador que não sabe que chegou a hora de pendurar as luvas. Silvio Botox Bunga-Bunga Bersluconi anunciou que vai concorrer novamente ao governo. Que coisa. A Itália mal se levanta com Mario Monti e agora este lance de Berlusconi, que pode nocautear o país. Pelo menos na Alemanha, ninguém derruba Angela Merkel. E se Berlusconi partiu e agora quer voltar, Hugo Chávez, outro lutador ególatra, ficou quando deveria ter partido devido a seu câncer e agora talvez seja forçado a partir.
Enquanto isto, o mundo aguarda a partida de Nelson Mandela, um modelo de lutador magnânimo e, aliás, sem metáfora, o ícone sul-africano foi boxeador na juventude.
E vamos arrematar com lutas menores. A presidente Dilma Rousseff estrilou com um mero editorial da revista The Economist, que gosta de bancar o juiz global em qualquer briga (por mim, tudo bem), pedindo a cabeça do peso-pena Guido Mantega. O Brasil dos golpes autodesferidos não espanta, que um dia seja salvo por algum gongo.
No primeiro round, colher de chá para o Jorji (dia 10, 10:07), pelas analogias.







Comissão da Verdade diz que Marinha ocultou mortes e defende revisão da Lei da Anistia
Argentina autoriza entrega do corpo de Videla a família
Ministério da Saúde não consegue cumprir meta de vacinação contra a gripe entre gestantes e indígenas
Acompanhe: Microsoft apresenta novo videogame
Oklahoma está na rota de outros tornados, dizem meteorologistas






