Curtas & Finas (Rabiscos Estratégicos II)
Uma grande contribuição da visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA, pelo menos para mim, é permitir rabiscos estratégicos e traçar o papel do Brasil no desenho. Tratei do tema na coluna de segunda-feira e agora recomendo a abordagem de Walter Russell Mead, um dos meus sacadores favoritos, professor do Bard College e incansável blogueiro no site da publicação American Interest. Num texto no Wall Street Journal (sorry, exclusivo para assinantes), com o sugestivo titulo O Mito do Declínio Americano, Mead faz os seus rabiscos estratégicos.
Ele passa a borracha na idéia mecânica de declínio americano, argumentando que o processo é mais complexo. É um processo de reequilíbrio global. As alianças forjadas pelos EUA na Guerra Fria são insuficientes para encarar os novos desafios. E assim, desde o governo Bush, Washington tem costurado novas e difíceis parcerias. A era trilateral (de hegemonia americana e de seus parceiros da Europa Ocidental e Japão) foi atropelada em termos econômicos e geopolíticos. A chave do argumento de Mead é o declínio mais deste sistema trilateral e menos dos EUA.
Europa Ocidental e Japão, no raciocínio de Mead, são poderes estagnados, o que mina os pilares de uma ordem a grosso modo baseada em livre mercado e democracia ocidental. O sistema trilateral cede lugar a uma nova ordem. Em adição aos “três amigos”, temos China, Índia, Brasil e Turquia. Mead questiona se existe um lugar para a Rússia neste design. Eu questiono Mead. O desenho está mais para octógono. Mas é inquestionável que os EUA continuam sendo o principal player global.
O desafio para os EUA será aprofundar a conversa estratégica com novos parceiros, caso do Brasil, sem negligenciar os antigos e absorvendo demandas destes síndicos novatos no condomínio mundial. Mead arremata que a a influência global americana é toda-poderosa e, apesar de falhas e limites, segue sendo a melhor. De fato, não existe um projeto alternativo global, além deste projeto erguido pelo original sistema trilateral. O outro caminho seria uma ordem multifacetada ou caótica. Obama e Dilma não devem ter conversado nestes termos, mas este novo G-7 (ou G-8) dará as cartas e não a marquetagem dos Brics.
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Colher de chá para o infatigável Maisvalia (dia 10, 8:19), leitor literalmente de primeira hora desta coluna, ouvinte dos meus comentários com péssima dicção na rádio Jovem Pan e espectador do Manhattan Connection. No final das contas, sou um fracasso para fazer lavagem cerebral da massa, pois ele nunca muda de idéia. E uma colher de chá vespertina para os rabiscos de G. Carvalho (dia 10, 14:45).






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