25/01/2012
às 6:00 \ Congresso EUA, Crise econômica, Democratas, Eleições 2012, EUA, Obama, RepublicanosO estado da união, de Obama e dos republicanos
O estado da união é de injustiça econômica e de privilégios aos mais ricos, assim falou o milionário Barack Obama no seu discurso na terça-feira, em sessão conjunta no Congresso. Assim, o estado de sua campanha de reeleição é de populismo. E o Congresso foi o cenário para um comercial de campanha, quando Obama precisa dividir o palco com os os republicanos na guerra civil das primárias para escolher o seu candidato.
Há um estado de frustração com o desemprego no país, O presidente acena com dias melhores para os desempregados e investe nos temas de desigualdade social e os impostos pagos (e não pagos) pelos milionários. Obama assume o papel de paladino de uma classe média no sufoco (a maioria dos americano se identifica como integrante da classe média).
O risco deste populismo é que se torne uma mensagem de inveja e de ressentimento. Não é à toa que os republicanos martelam que o negócio do presidente é insuflar a luta de classes, para esconder o fracasso de sua política econômica e porque tem pendores socialistas. Que nada. É mero oportunismo populista e Obama no discurso inclusive deu os ombros a esta acusação de luta de classes, rebatendo que cobrar mais impostos de milionários é, na opinião da maioria dos americanos (entre eles, Warren Buffett), bom senso.
Mas o maior adversário do presidente democrata não são os republicanos e seus slogans de campanha. É a economia, mas ela também pode ser camarada em novembro se estiver melhorando, mesmo aos trancos e barrancos (a destacar com uma diminuição do desemprego). Sei, sei, já falei isto algumas vezes por aqui. Meu estado parece ser de repetição.
Claro que a economia também pode despencar (e o desemprego voltar a subir). Aí não há discurso populista que salve Obama do povo frustrado. Quando o presidente fez seu discurso do gênero há um ano, ele sinalizou um otimismo prematuro. Vieram um tsunami no Japão, a degringolada na Europa, o impasse sobre a elevação do teto da dívida e alta do preços do petróleo. Em meados do ano passado, a conversa era sobre uma volta da recessão.
Hoje na narrativa mais otimista (muito otimista), existe a tênue esperança de que os EUA se descolem de uma Europa em recessão e resistam a um mundo emergente menos acelerado. Sem contar (literalmente) os monstros fiscais que continuam crescendo. Obama praticamente ignorou temas como déficit, dívida e o fardo dos programas sociais no seu discurso. Ele aposta na sorte (uma velha companheira desde que começou a carreira política no estado de Illinois). Sorte existirá se o calendário econômico corresponder ao calendário eleitoral.
Obama no seu narcisismo já recorreu a alguns dos mais importantes presidentes da história americana, como Abraham Lincoln, Franklin Roosevelt e Ronald Reagan (os republicanos, claro, fazem a conexão de Obama com o fracassado Jimmy Carter). Ultimamente os referenciais de Obama são o democrata Harry Truman que investiu contra um Congresso que “não fazia nada” na eleição de 1948 e o republicano Teddy Roosevelt, que no começo do século 20 cavalgou em uma missão populista contra uma plutocracia e a necessidade de mais regulamentação da economia
Mas nesta sincronização entre economia e eleição, talvez seja necessário trazer um outro presidente, um Bush, o primeiro (George H. W. Bush). É possível traçar alguns paralelos entre o momento de Obama e o da campanha de reeleição de Bush em 1992, quando a situação econômica era amarga (bem menos do que agora, evidentemente). Lembram-se do antológico slogan da vitoriosa campanha do democrata Bill Clinton? É a economia, estúpido!
A economia agora começa a ter um conserto. A questão é a velocidade. Bush tinha esta corrida contra o relógio há 20 anos e perdeu. A recuperação não aconteceu com rapidez suficiente para neutralizar a frustração dos eleitores (e quase 20% deles premiaram o independente Ross Perot). A recuperação foi apenas sentida no segundo e terceiros trimestres de 1993 e Clinton, já na Casa Branca, pôde assumir o cédito.
Bush pai, ainda por cima, teve o azar de encarar um bom candidato, Clinton, e houve a distração Perot. Obama comoveu na sua campanha inaugural em 2008 com sua narrativa pessoal e havia o impacto do simbolismo racial, mas ele não é bom de bola como Clinton no quesito empatia com o eleitor, especialmente para se conectar com a profunda ansiedade de uma classe média que se sente empobrecida (a pose populista deu, é verdade, uma melhorada).
Por enquanto, quem parece se conectar melhor com as ansiedades de um setor da população é o candidato republicano Newt Gingrich, mas explorando o ressentimento contra o “state of the union”. Bom para começo de campanha, mas complicado para finalizar. Gingrich carece do otimismo de um Ronald Reagan. Já Mitt Romney e empatia não rimam.
Na terça-feira, havia um texto ilustrativo no Wall Street Journal, de Bret Stephens, um dos mais cáusticos colunistas conservadores. Simplesmente exasperado, Stephens escreveu que os republicanos merecem perder as eleições. Ele simplesmente detonou o time dos quatro sobreviventes na maratona das primárias (Romney, Gingrich, Rick Santorum e Ron Paul). Para Stephens, Romney é só verniz. Carece de convicções. Sobre Gingrich, Stephens divagou que os eleitores nas primárias republicanas estão agora enamorados do candidato, não porque o visualizam na Casa Branca, mas pelo potencial de nocautear Obama num embate.
O estado de união é de campanha eleitoral, o da economia, duvidoso, o de Obama já foi pior e o dos republicanos, por enquanto, de perdição.
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Colher de chá para o Rodrigo (dia 25, 10:53) pelo alerta contra as cansativas e despropositadas analogias entre Obama e Lula. E três colheres de café para o Pablo por três comentários em sequência (dia 25, 16:05, 16:19 e 16:36). Assim, decreto falência. E uma colher de sopa para o Henrique (dia 25, 17:09), pelo espírito cívico.









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