Dilma Rousseff vai a Gabrovo, eu não vou a Soroca
Vou poupá-los do sofrimento e não dar uma aula sobre Soroca. A Moldávia está em piores condições do que a Bulgária (mas tem boas vínícolas). Soroca é pior do que Gabrovo. Confiem nas minhas palavras. Minha avó partiu fugida. Nunca pensou em voltar, nunca teve nostalgia. Em comparação a Soroca, o bairro da Barra Funda, em São Paulo, onde meu pai nasceu, era e ainda é paraíso. do qual tenho maravilhosas memórias de infância. Pobre do meu pai. Lamentava que países como Moldávia e Ucrânia (de onde veio o resto da minha família para o Brasil) jamais seriam aceitos na União Européia. Nada de passaporte europeu para os Kraisers (meu outro sobrenome) e os Blinders. Até os búlgaros conseguiram. E agora tem europeu tentando descolar passaporte em tudo quanto é lugar.
Aprendi com repórteres brasileiros forçados a conhecer Gabrovo devido à viagem histórica da presidente que a cidade de 60 mil habitantes é capital do humor búlgaro. E aprendi sozinho, por cortesia do Wall Street Journal, que os grafiteiros e artistas também sabem fazer humor em Sófia, a capital do país. Esta aí na foto acima do texto.
Recentemente, os artistas vandalizaram um horrendo monumento construído em homenagem às tropas soviéticas que libertaram o país dos nazistas em 1944 para, aí, erguer outra ditadura. No monumento, saem os heróis soviéticos, entram superheróis como Super-Homem e Capitão América, além do Ronaldo McDonald, Papai Noel e o Coringa, do Batman. Tive até premonição, pois em setembro do ano passado, pouco antes da vitória eleitoral de Dilma Rousseff escrevi um texto sobre a Bulgária, com uma referência ao homem-morcego. Aproveito para republicar, abaixo deste texto monumental.
Voltando ao horror da arte comunista, os ex-comunistas (hoje fantasiados de socialistas) ainda têm muito capital político na Bulgária. E ficaram escandalizados com o bom humor dos grafiteiros. Querem punições severas (imagine quais seriam nos velhos tempos da Cortina de Ferro?). Mesmo o governo, hoje corrupto, mas de centro-direita, se mostrou insatisfeito com o vandalismo. Disse que só ele pode “destruir os monumentos do socialismo”. Existe uma certa nostalgia dos austeros tempos comunistas agora que o governo implantou um governo de austeridade, mas, para reavivar a memória das massas, as autoridades abriram um museu que reúne a arte pavorosa e kitsch daqueles velhos tempos. Entre outras coisas, há um amontoado de imensas estátuas de Lênin.
O ministro das Finanças, Simeon Djankov, deve ser de Gabrovo, pois tem senso de humor. Ele disse não aprovar o vandalismo no monumento em homenagem às tropas soviéticas, mas reconheceu apreciar as qualidades artísticas dos responsáveis e arrematou: “Eu sou mais fã do Super-Homem do que de Lênin”. E quem não é? Dilma Rousseff já foi mais do Lênin.
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Colher de chá monumental para o Alberto (dia 5, 9:01), por divagar sobre novas caras pintadas no Monumento aos Bandeirantes em São Paulo. Como reagiriam as famílias quatrocentonas? E uma colherzinha ao Lucas R (dia 5, :12), que gosta do Lênin. Que ideologia kitsch.



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