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Entre Israel e Gaza, um jogo de tensão e acomodação tática

Escalada de ataques em Gaza e sul de Israel - Fotos Reuters/Getty

De uns dias para cá, ocorreu uma escalada de violência nas bandas de Gaza/Israel, com os ataques aéreos/assassinados seletivos praticados por israelenses contra terroristas palestinos (e nas ações morreram também civis) e lançamento de foguetes contra cidades israelenses por radicais islâmicos mais radicais do que o Hamas. Existe um interesse tanto de Israel como do Hamas de impedir que a coisa se degringole. A disposição mútua é tática, manifestada em negociações indiretas mediadas pelo Egito. Naquelas bandas, tréguas são frágeis. Vamos ver.

O foco de Israel no momento é a questão nuclear iraniana, enquanto o Hamas tenta se ajustar a uma nova realidade regional (em função da primavera árabe). O grupo, ao que tudo indica, se distancia dos seus patronos sírios e iranianos (isolados no mundo árabe-sunita) e obviamente fortalece os laços com a Irmandade Muçulmana, na qual tem suas raízes, e que está a um passo do poder no Egito. No cálculo do Hamas, luta política e o mero reconhecimento tático que Israel existe talvez tragam mais ganhos do que a via armada/terrorista. Entre outras coisas, enfraquece a narrativa israelense de que não dá para negociar com um bando de terroristas que prega a destruição do estado de Israel.

Para o Hamas, e por extensão os palestinos, até que convém a eliminação da ameaça nuclear iraniana e a queda do regime Assad na Síria. Entre as ramificações, estaria a recolocação da questão palestina no centro dos acontecimentos no Oriente Médio. Claro que não podemos prever com precisão os desdobramentos em Gaza e na Cisjordânia caso ocorra um ataque israelense às instalações militares iranianas.

O que aconteceria, por exemplo, se o Hezbollah libanês lançar foguetes contra Israel como parte de uma retaliação iraniana? O Hamas ficaria de braços cruzados, apesar de garantias dadas recentemente por alguns dos seus dirigentes? Um dado importante aqui: nesta última escalada de violência, o estrago apenas não foi maior em Israel  devido à taxa de sucesso (70%)  do sistema de interceptação de foguetes disparados contra áreas povoadas. Maiores estragos talvez resultassem em retaliações mais severas. E vale lembrar que existe um racha no Hamas sobre mais resistência ou algum tipo de acomodação tática com Israel. Em contrapartida, interessa a iranianos e sírios botar lenha na fogueira palestina para desviar as atenções dos desafios que enfrentam.

Na questão palestina em si, um desafio é que o processo de paz, estabelecido com os acordos de Oslo em 1993, está essencialmente morto há três anos com o fracasso de negociações entre o então primeiro-ministro israelense Ehud Olmert e o presidente palestino Mahamoud Abbas sobre um status final em questões como fronteiras, refugiados, segurança e Jerusalém.  Com Olmert e seu antecessor Ehud Barak, Israel fez propostas que os palestinos não deveriam ter recusado. Foram maximalistas e perderam uma chance histórica. O de sempre, os palestinos não perderam nenhuma oportunidade de perder oportunidade. Já o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é minimalista e quer apenas manter um processo diplomático em curso com os palestinos, mas sem avanços substantivos. É o processo pelo processo.

Do lado palestino, tampouco existe algo substancial. Abbas sabe que suas posições em questões como o direito de retorno de refugiados palestinos a Israel são irreconciliáveis com a realidade (este retorno é inaceitável para Israel,  seria um suicídio demográfico) e que a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia (que deve ser contida por si) não é o único obstáculo em conversações. Abbas tem uma posição fraca, pois não controla Gaza e a perspectiva de reconciliação do seu grupo, o Fatah, com o Hamas é duvidosa, apesar de infindáveis negociações. Ironicamente, se isto acontecesse seria até uma desculpa para mais imobilismo diplomático israelense.

Temos, portanto, acomodação tática, negligência, falta de foco, farsa diplomática e ausência de paradigmas que substituam a fórmula dos acordos de Oslo. Este status quo provisório não pode se tornar crônico. É insustentável

***
Estou surpreso, assim como alguns leitores, como o tom calmo dos comentários sobre esta coluna. Debates civilizados. Parabéns aos leitores. Portanto uma colher de chá (de cactus do deserto?) para todos.

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78 Comentários

  • selminha

    -

    16/3/2012 às 16:53

    Caio, creio que você, com sua santa paciência, conseguiu explicar aos leitores a complicada questão israelense/palestina. Assim, o índice de bobagem e/ou antissemitismo baixou consideravelmente. Parabéns. Continue com energia esta árdua missão esclarecedora. Daqui do Rio de Janeiro, meus aplausos!
    oba, assim me anima, muito obrigado Selminha, fico com mais energia, abs, Caio

  • Lexikon

    -

    16/3/2012 às 12:59

    A política de comentários aqui tem sérios problemas. Quem move um “a” em desfavor às politicas israelenses recebe, quase que instantaneamente, um puxão de orelha, uma réplica ou ainda uma rara moção de concordância.

    Agora, cade o puxão de orelha, a crítica ou o desmerecimento de comentários como esses aí dos tais “Direitos humanos my ass”, “direito dos manos” e coisas semelhantes? Isso é pura ignorância.
    Nao fale bobagem, aqui há de tudo, todas as correntes, gente que tambem move um z contra Israel, abs, Caio

  • ricardo salazar

    -

    15/3/2012 às 19:52

    há,e completando,o hamas pode virar um partido conservador despindo-se do viés religioso.

  • ricardo salazar

    -

    15/3/2012 às 19:49

    bom seria se o hamas sentasse na mesa com israel(num governo mais tolerante) e abbas pra se realizar eleições na palestina com fatah e hamas,não como grupos armados e sim como partidos políticos.

  • Vera

    -

    15/3/2012 às 18:11

    Ah sim CArlos, quisera que minha torcida valesse alguma coisa para a paz naquela região. O óbvio p’ra mim é que eu não acredito que tivessem visto o óbvio para a sua repentina conversão. Se mudarem a tática, deixam discípulos. Isso p’ra mim é que é o óbvio.

  • Pedro I.

    -

    15/3/2012 às 17:49

    A una colher de chá que o Hamas merece é colher de chá de sumiço.

  • Andrea

    -

    15/3/2012 às 14:02

    valeu pelas respostas, Caio.

    Tb quero ver um desfecho positivo antes
    mas tava pensando tipo “com as posturas q eles estão tomando hj
    onde eles se imaginam mtos anos para frente?”.
    Às vezes, me pergunto se ambos governantes querem a paz como endgame.

    Nao quero estar preaching to the choir mas sinto mais pelos israelenses (o povo)
    pois eles são sempre vistos como os bad guys da história,
    deve ser difícil carregar esse stamp. Mas os dois povos sofrem mto.

  • Felipe Goltz

    -

    15/3/2012 às 11:57

    “é insustentável inclusive em termos morais”

    >>> Eu sei, caro Caio. Tudo o que você escreveu é verdade. Acho que eu perdi a fé em uma solução que seja boa, justa e duradoura para todos naquela região, sei lá. Um pouco de descrença de minha parte, só isso. Abs, Felipe

  • carlos cezar

    -

    15/3/2012 às 10:33

    Nossa mãe, a Vera hoje não dá nem uma colherzinha de chá ao hamas. O que é isso, menina? Torcida a favor também vale, sabia? De repente o Hamas enxergou o óbvio e quer partir pra outra. Nem tudo é pau ou pedra. Há maleabilidade às vezes.

  • Vera

    -

    15/3/2012 às 9:52

    O Hamas combater a insurgência de novos terroristas? Ora, não esperemos isso, estes vão continuar o trabalho sujo do Hamas por conta do seu suposto abandono das táticas de violência.
    Então tudo fica mais ou menos assim; o Hamas se aproxima da via diplomática (suspeitíssima conversão) e faz vistas grossas (ou escondido, apóia) novos grupos terroristas e diz tentar, mas não conseguir impedí-los.
    Quem não conhece que te compre.

  • Anouk

    -

    15/3/2012 às 8:39

    Oi Caio,
    Também vejo o paralelo Hamas IRA. Os moderados do Hamas se quieserem mesmo encontrar um convívio civilizado com Israel – pelas razoes expostas ao comentário do Queiroz, vao ser selvagens com os seus pela insubmissao(controle de radicais). Como aconteceu na Irlanda do norte.
    Oi Anouk, um pouco prematuro, mas vamos ver, abs, Caio

  • maisvalia

    -

    15/3/2012 às 8:17

    Vera
    -

    É isso mesmo Betty…, a má fé da tchurma (ativistas) dos direitos humanos.
    Muita hipocrisia!
    BETTY, NÃO ESCREVAM ERRADO POR FAVOR!
    SÃO ATIVISTAS DOS DIREITOS DOS MANOS, POIS SEMPRE TEM UM VIÉS ESQUERDOPATA A SEGUIR.
    PODEM VER QUE NÃO EXISTE VIES CONSERVADOR EM NENHUM DESTES “ATIVISTAS”.
    PORQUE SERÁ?
    AQUI NA BANÂNIA, A MINISTRA DOS DIREITOS DOS MANOS QUER A COMISSÃO DA INVERDADE E AO MESMO TEMPO VAI CONFRATERNIZAR COM OS TIRANOS CUBANOS, PODE?

  • Queiroz

    -

    15/3/2012 às 4:39

    O Hamas só está calculando que o Irã e a Síria já eram, e agora tentam fazer um approach com o Egito. Não tem nada de civilizado é apenas manutenção de seu status quo. O cenário nebuloso de Israel, se realmente vingar o acordo com a Irmandade Muçulmana no Egito, é o Irã.
    Não acredito que o Egito vai se atrever a perder o Sinai de novo.
    Porém, repito, como assim o Hamas tirou o corpo fora?! Tem responsabilidade sim, e se um dia quiser ser formalmente líder de um Estado Palestino, tem que controlar esses radicais. E não adianta dizer que são dissidências ou braços militares, o que importa é o fato dado, estão, novamente, lançando foguetes a torto e a direito em Israel.
    *
    Quanto ao Irã, eu entendo que é sempre melhor ir pra briga com o irmão mais velho a tira-colo. Só que esse irmão, está com uma namorada (Obama) muito pacifista, e pró-diplomacia. Quer dizer, Israel está vendo sua política existencial em um beco sem saída, e vai ficar imobilizado por conta das eleições americanas?! Em Julho o Irã vai levar a produção para um bunker nas montanhas. A GBU-28 não tem esse alcance, e aí como é que fica?!
    *
    O que chateia na ingenuidade dos americanos (Obama) é pensar que não poderão ser atacados também.
    Caro Queiroz, se o Hamas joga politicamente, Israel precisa jogar politicamente, abs, Caio

  • Petrus

    -

    15/3/2012 às 0:29

    Boa noite Caio, creio que o estado de Israel esta, como sempre, em uma boa partida de xadrez, pois o Oriente Médio nunca foi uma região fácil de decifrar, até por isto que o Mossad tem que ser muito bom, é uma questão vital para Israel
    Em relação aos últimos fatos eu concordo com a sua visão, uma guerra entre Hamas e Israel neste momento não interessa a ninguém e muito menos a Israel (a última é opinião minha), pois o Irã sim é a ”bola da vez”
    Caro Petrus, o problema é que o Irã parece interessado em jogar a bola em Gaza, abs, Caio

  • Felipe Goltz

    -

    14/3/2012 às 23:29

    “Este status quo provisório não pode se tornar crônico. É insustentável”

    >>> Insustentável? Acho que não, Caio. Se é verdade que temos uma situação de verdadeira penúria diplomática neste imbroglio israelo-palestino há décadas, com momentos ocasionais e um tanto raros ora de chuvas e trovadas ora de tempo bom, também é verdade que o peso deste “monolito” é tal que nada parece que vá mexê-lo do lugar, por mais que se torça pelo contrário. Acho importante este debate, claro, mas às vezes tenho a impressão de que discuti-lo é de uma inutilidade sem tamanho, verdadeiro esforço de Sísifo.
    Abs, Felipe
    Caro Felipe é insustentável inclusive em termos morais, voce nao pode perpetuar uma situacao que ameaca o carater judaico e democratico do estado judeu, voce nao pode perpetuar uma cultura de martirio palestino ou o poder de um grupo como o Hamas em Gaza, é insustentavel preservar o status palestino como um povo sem estado,abs, Caio

  • Vera

    -

    14/3/2012 às 22:41

    É isso mesmo Betty…, a má fé da tchurma (ativistas) dos direitos humanos.
    Muita hipocrisia!

  • Betty

    -

    14/3/2012 às 21:22

    correcao de texto:
    Só mais um dado curioso: há 4 dias alguns milhares de crianças israelenses nAo podem ir a escola, graças a chuva de kassans. As escolas de Gaza, continuam a funcionar, porque eles sabem que as escolas nAo serão bombardeadas, ainda que os lançamentos de rockets tenham dos centros com população civil.
    agora acrescentando: isso nao pode continuar por muito tempo. Os Israelenses terao de agir e e’ claro, vai comecar a gritaria dos “direitos humanos”
    agora chega. vou fechar a matraca. abs
    Direitos Humanos my a–.

  • Betty

    -

    14/3/2012 às 21:14

    Mahmoud Abu Rahma, um ativista em Gaza, escreveu um artigo que apareceu em 2 websites palestinos em dezembro, em que ele descreve que os terroristas ignoraram os insistentes pedidos das populacoes civis para que parassem de lancar os kassans perto das suas residencias. E ele finaliza perguntando quem vai proteger os cidadaos do mal causado pelo seu governo ou a muqawama [resistencia armada]?”.
    Deve ser “ma’ fe’” do ativista.

  • advogado do diabo

    -

    14/3/2012 às 21:08

    Caio, você é um gentleman com os leitores.
    Obrigado, abs, Caio

  • Betty

    -

    14/3/2012 às 21:00

    Só mais um dado curioso: há 4 dias alguns milhares de crianças israelenses nAo podem ir a escola, graças a chuva de kassans. As escolas de Gaza, continuam a funcionar, porque eles que as escolas nAo serão bombardeadas, assim como os lançamentos de rockets partem dos centros de população. Direitos Humanos my a–.

  • Betty

    -

    14/3/2012 às 20:45

    Fico pensando, Caio, que no dia em que os Palestinos acordarem e analisarem o que seus lideres e seus “MUI AMIGOS” os levam a crer e a se matarem em nome de uma quimera, nao sobra um dirigente Arabe vivo.
    E já que um colega se referiu ao direito internacional, se alguem se desse ao trabalho de ler as tais leis desde as Ligas das Nacoes, ai’ mesmo que nao entenderiam do que os lideres Palestinos estao falando.
    CQD num comentario anterior, se as coisas estivessem tão ruins para eles, a coisa já teria sido resolvida. Abs
    Oi Betty, como disse no e mail ao leitor, só a idéia de argumentar me deu canseira, pois realmente a gente iria cavar e cavar na historia os argumentos, que já foram reciclados por todas as partes, e então, né? Acaba nesta narrativa de vitimização delineada pelo leitor, Abs, Caio

  • Vera

    -

    14/3/2012 às 18:48

    Opa… Não deu p’ra segurar…
    Penso que o que beira a má fé, são suas divagações caro Lexikon. O escritor dessa coluna além de profissional sério e respeitado, tem se postado notoriamente imparcial, principalmente quando o assunto é o conflito árabe/israelense.
    Acho que o senhor tem o direito de defender suas explanações, mas não o de qualificar o escritor de uso de má fé, o que é absolutamente inverossímil e improcedente.
    Muito gentil, Vera, obrigado, abs, Caio

  • Vera

    -

    14/3/2012 às 18:30

    (11:52)… ‘Se Israel, digamos, barrar os invasores da Cisjordânia e exigir que eles permaneçam sob as orientações da Suprema Corte Israelense, não seria um passo excelente de ambas as partes?’…
    Resposta:
    (10:57)…’se Benjamin Netanyahu quisesse manter um processo diplomático sem avanços substantivos, ele não teria congelado as construções na Cisjordânia durante dez meses esperando um mísero reconhecimento de Israel como estado judeu’… que nunca veio.
    Conclusão: Se só um lado cede, não há acordos que sobreviva.

  • J.R.Monteiro

    -

    14/3/2012 às 18:15

    O relacionamento de Israel com seus vizinhos esquizofrênicos e ciclotímicos não deveria ser possivel, nem sustentável. É análogo ao vôo do besouro, não deveria, mas voa.
    Todos são inimigos, mas com agendas diferentes e difusas, não sendo possível negociar com uns, sem desagradar os outros.
    Essa mágica está ficando cada vez mais impossivel, mas talvez aí, resida o grande trunfo. Exatamente porque todos acham que ele não pode, como ele não sabe dissol, ele simplesmente, voa.
    Interessante, abs, Caio

  • amauri

    -

    14/3/2012 às 18:06

    Caio, não sei se é possível uma comparação: qual povo é mais oprimido, o palestino ou os povos que experimentaram primavera arabe. abs
    Nao sei responder, Amauri, definir primavera árabe é dificil, mas em termos abstrados (se livrar de uma tirania, conquistar a liberdade e a dignidade) desejo que os palestinos tambem consigam, abs, Caio

  • Lexikon

    -

    14/3/2012 às 18:05

    A recusa palestina da proposta feita pelo Olmert, longe de ter sido um desperdício de oportunidade, foi um exercício de bom senso. Basta ver o mapa da tal “generosa oferta”: uma série de enclaves na porção ocidental da Cisjordânia para acomodar os assentamentos sob soberania israelenses, até os mais distantes da Linha Verde, como Ariel e Ma’ale Adumim, uma cessão de território inóspito como contrapartida, uma solução para os refugiados insuficiente, e o mais importante, a falta de sustentação do próprio governo Olmert. Lembre-se que a contraproposta feita pela Autoridade Palestina sequer foi analisada, e a oferta tinha sido feita na “11th hour”.

    Algumas considerações suas beiram a má-fé, Caio. Não se esqueça que as reivindicações dos palestinos são respaldadas no Direito Internacional e nas Convenções de DHs; menosprezá-las seria equivalente a considerar aceitável um cessar-fogo que permitisse, por direito, a continuidade do lançamento de foguetes a alvos civis israelenses, mas em baixa quantidade (solução de compromisso). Não dá.
    Caro “Lexikon”, me dá uma canseira só a idéia de argumentar, realmente não vou entrar no labirinto aqui, mas apenas num exercicio acadêmico, ou seja, se estivéssemos num curso de “”conflict negotiation”, meça a distância. Eu no espectro ideológico israelense estou à esquerda deste governo de coalizão e sou crítico de suas posturas.E para você minhas considerações “beiram a má-fé”. Se você fosse um negociador palestino, como e o que iria negociar com este governo? Caio

  • caioblinder

    -

    14/3/2012 às 18:00

    Pessoal, estarei fora de circulação por algumas horas. Podem seguir escrevendo, comentários serão liberados mais tarde, abs, Caio

  • Queiroz

    -

    14/3/2012 às 17:53

    Caio, vejo a pasmaceira e resolvo entrar chutando a porta e com um galão de gasolina…
    Quer dizer então que o Hamas não tem gerência sobre a faixa de Gaza?! Pq sabemos, é um território estreitíssimo, e se o Hamas é o Poder constituído, um fato como esse não pode lhe escapar o controle.
    Sim, eu sei que existem novos radicais mais radicais que o Hamas, mas cadê a autoridade?! Se então o Hamas não é complacente com o foguetório, pq ele não apresenta às autoridades israelenses os responsáveis pela barbárie?!
    Pq se não tem condições de monitorar e controlar a mísera faixa de gaza não é digno de ser interlocutor palestino com Israel.
    Ainda bem, que ao contrário da imprensa ocidental que acredita em democracia no Egito, na Líbia, na Tunísia, e, agora, até em Hamas bonzinho, o governo de Netanyahu não tá nem aí pra esse lero-lero. O Hamas finge que não tem nada a ver, Israel finge que acredita e retalia.
    Entendo Caio sua postura, e o diálogo é um caminho que sempre tem de estar à mão. Contudo, a história dos Palestinos não condiz com esse ideal. O abismo tecnológico entre os armamentos Palestinos(/Irã), e as defesas israelenses deixa patente o desespero dos Palestinos.
    Incrível é o Hamas, depois de Israel libertar vários criminosos julgados e sentenciados, em troca de um inocente conscrito, estar permitindo esse tipo de ataque, se é soberano não aconteceria essas ingerências, se permite e não pune é conivente, é partícipe.
    Veremos os próximos capítulos.
    P.S. O Likud vai ganhar com folga. Ao contrário de Olmert e outros com postura amena, o povo israelense está vendo o governante lá batendo na porta dos EUA, emparedando Obama, Sarkozy, alinhado com Cameron.
    Abraço.
    Queiroz,voce nao viu nada aqui, hehehe, seu galao de gasolina nao esta cheio, incendios muito maiores, a esquerda e a direita, o seu é médio, hehehe. O Hamas tem algumas coisas parecidas com o Ira norte-irland^es, algumas alas, mais militares, mais politicas. Existe um debate interno, vamos ver, o fato é que o grupo se fortaleceu com a primavera árabe e com esta vertente de “islamismo politicö” e nao terrorista, o que sera um desafio politico para Israel, abs, Caio
    PS- veja as pesquisas em Israel sobre como lidar com o Irã, muita divisão e 60% acham que ataque contra o Irã, se acontecer, deve ser com respaldo americano.

  • carlos cezar

    -

    14/3/2012 às 17:38

    Caro Caio, isso é novo, aqui, um tema tão “explosivo” como Israel/Palestina, nesta calmaria, sem xingamentos e acusações… Mas é um bom sinal, esperando que não signifique uma queda na quantidade de comentários. Eu, por exemplo, estou me esforçando pra me tornar mais “civilizado”, e sua coluna contribui para tal. Vamos aprendendo aos poucos. A gente debate, grita, condena, absolve, pede desculpa, disfarça, dá um tapa, leva outro, sai correndo eheheh, depois volta, discute novamente, esperneia, bate o pé, dá um soco, leva outro, cai, levanta meio bambo, a cara cheia de hematomas… mas desistimos? De jeito nenhum! Vamos pra cima outra vez. Seja pra bater, apanhar ou… trocar ideias, dialogar, aprender etc. Enfim, como dizia o Beckett: não importa, tente de novo, caia de novo, caia melhor!!!
    Hip-hip hurra!!!
    Boa, Carlos, esta num bom nivel, prefiro menos comentarios e menos ar quente. Quanto a mim, tento de novo, caio de novo, caio melhor (que nada, machuca, hehehe), abs, Caio

  • Vera

    -

    14/3/2012 às 17:22

    Alberto (9:46)

    Muito autêntico o seu depoimento e uma verdade incômoda para o mundo.
    Porém como o Caio diz, como travar uma guerra contra religião? Eu sempre encarei o conflito árabe/israelense como ‘político/religioso’, daí a tremenda dificuldade para sua solução. Se resolver pendengas políticas já não são fáceis, imagine quando se tem o contrapeso religioso como complicador.
    Veja só, temos um conflito com um teor religioso tb no Tibet, mas olha o comportamento de um e olha o de outro. O budismo tibetano é pacífico, amoroso, complacente… O grosso de sua resistência não é violenta. Já não temos a mesma sorte com o islamismo, que não eleva essas premissas como pilar de suas crenças.
    A não ser que futuras gerações se desvencilhem das profundezas desses fundamentos, e partam para algo como tivemos no ocidente equivalente ao iluminismo, dificilmente mudará algo de substancial nessas sociedades. Tenho uma esperança muito especial nas mulheres; espero que venha delas a ruptura necessária para se tornarem uma sociedade mais justa, laica e humana.
    Enquanto isso, o padecimento de Israel como um Estado Democrático de Direito moderno, oposto a esse atraso civilizatório, continua inevitável.
    abs
    Gostei! Abs, Caio

  • jorji

    -

    14/3/2012 às 17:08

    Será que a colher de chá é pelo fato de não ter surgido nenhum comentário anti-semita? como é costumeiro, isso significa que estamos melhorando.
    Gostei! Abs, Caio

  • Henrique

    -

    14/3/2012 às 16:07

    Caramba, fico lisonjeado por receber parabéns de um jornalista da sua envergadura, Caio (dá-lhe jogada de confete, hehe). Quem me dera ler tanto quanto você e a turma dos comentários. Pois é, o artigo vai bem na linha do que você escreveu mesmo. Perturbador porque não sabia dessa de que o Irã ainda mantinha facções de apoio em Gaza. Se são mesmo facções significativas, isso pode ser um contrapeso bem desagradável à suposta nova postura, mais branda, do Hamas, né?
    Imagine, Henrique, sao grupos pequenos capazes de provocar muito estrago, abs, Caio

  • rod

    -

    14/3/2012 às 15:28

    Concordo, o tom dos comentários está calmo. Parece que a turma vermelha revolucionária não resolveu aparecer com suas táticas antissemitas.
    E confesso que nao estou filtrando comentarios, caro Rod, esta saindo tudo, abs, Caio

  • Henrique

    -

    14/3/2012 às 15:07

    Caio, o texto de Jonathan Schanzer na Foreign Policy é bastante perturbador. Leio que os ataques recentes contra Israel foram perpetrados por células localizadas em Gaza que contam com forte apoio iraniano, como os Comitês de Resistência Popular (PRC) e a Jihad Islâmica. Os ataques seriam uma resposta ao assassinato do líder do PRC Zuhair al-Qaissi por forças aéreas israelenses – Qaissi estaria a caminho de Israel para atacar o país em um atentado terrorista. A matéria realmente cita que o Hamas tem dado sinais de estar disposto a dar uma trégua nos conflitos armados a fim de se engajar em negociações com o governo israelense e que, em última instância, toda a tensão vista na Faixa de Gaza nos últimos dias poderia ser interpretada como uma tentativa do Irã de criar fatos novos que desviem a atenção da comunidade internacional do seu programa nuclear. Se é isso mesmo o que está ocorrendo por lá…mais um mau sinal do Irã em relação à corrida pela bomba…

    http://www.foreignpolicy.com/articles/2012/03/13/iran_s_war_in_gaza
    Henrique, voce esta de parabens pelas leituras, esta lendo mais do que eu, hehehe, depois olho este texto, mas me parece interessante e recomendo aos leitores. mais ou menos esta na linha do que escrevi, o Irã quer botar lenha na fogueira, ou a caminho da bomba ou para simplemente mobilizar o mundo arabe contra Israel e nao contra o seu regime com este fortalecimento do bloco suunita contra irã e siria, valeu, abs, Caio

  • jorji

    -

    14/3/2012 às 15:05

    Já repararam que as notícias que vem do Oriente Médio, são sempre conflitos de toda natureza? São guerras, atentados terroristas, revoluções, apedrejamentos como punição, ameaça nuclear, riquezas imensas dos que são líderes, sacrifícios humanos de toda natureza, genocídios de minorias, autoflagelo, etc, dificilmente se houve alguma notícia boa, fora o petróleo, praticamente parece que esses povos não contribuem em nada para o desenvolvimento humano.

  • Vera

    -

    14/3/2012 às 14:35

    Oi Caio
    Abrí os comentários pensando, lá bem bomba por aí. Qual nada, surpresa, até rí com alguns depoimentos. Que bom, apesar da seriedade do assunto, podemos discutir sem azedumes né? (até o Carlos C. foi moderado (até agora) e usou de sensatez ao se referir ao Hamas!)
    Parabéns, vc como sempre dando um show de imparcialidade numa questão tão cáustica.
    abs
    , Vera, obrigado, na verdade acabo de decidir dar uma colher de chá geral aos leitores pela conversa civiizada sobre o tema, abs, Caio

  • Andrea

    -

    14/3/2012 às 14:27

    Oi, Caio. Será q teremos uma enxurrada de comentários, Israel e Palestina
    é o Fla X Flu ou, sei lá, Santos x Corinthians da coluna, lota e sempre dá briga hehe.
    Pra variar, sei pouco do assunto então só queria fazer uma observação.
    Aqui no Brasil eu só vi matérias falando do ataque de Israel a Gaza
    e só ontem q eu vi uma foto de meninas aterrorizadas usando um onibus escolar
    como escudo, os mísseis vinham de Gaza, as meninas eram israelenses.
    E claro q a foto não estava num site brasileiro, era a foto do dia da Time.com ou
    do The daily beast, não me recordo ao certo.
    Não estou defendendo ninguém mas acho q a nossa imprensa podia ser
    um pouquinho menos biased, sei lá, às vezes cansa, sabe…
    .
    E Caio, uma curiosidade minha, qual é o end game de Israel em relação
    aos assentamentos israelenses nas áreas palestinas? Pq não é algo
    apenas desse governo, né? E qual é o end game da autoridade palestina?
    Tipo daqui a 100 anos, onde parece q cada um quer estar?
    Sempre quis saber isso. Podem parecer perguntas bobas mas não sei se são não.
    Bem, talvez sejam… hehe Pergunto a vc pois sei q vc vai me dar uma resposta maneira,
    sem frases feitas e preconceitos.
    .
    Anywhooo… valeu pelo artigo trés educational.
    abs
    Incrivel, Andrea,mas nao choca este comportamento da midia no Brasil, e como comentei com a Vera acima o clima esta bem calmo, nao esta “faixa de Gaza””, como se diz na giria. O endgame? Oh my God, a unica solucao é Israel devolver o grosso da Cisjordania, com ajustes ao fato de que existem alguns blocos de assentamentos que precisariam ficar em Israel, em troca Israel daria o equivalente em terras para o novo estado palestino. Este é o plano, a autoridade palestina creio que nao tem um endgame, esta pagando por erros historicos de lideranças palestinos e em funcao disso qualquer estado palestino seria menos do que o costurado em negociacoes 10 anos atras. Voce falou em 100 anos, eu gostaria de ver um desfecho positivo antes, sei la, abs, Caio

  • betty

    -

    14/3/2012 às 13:44

    Subsidios essenciais? Entao quero colher de cha…hahaha
    Nao vale pressionar o moderador do espaço, hehehe, abs, Caio

  • Pedro I.

    -

    14/3/2012 às 13:42

    betty:
    Isso demonstrar como o fanatismo religioso não dá epaço para a razão. Esses políticos tem de ser muito estúpidos para pensarem que isso vai trazer qualquer benefício ao Egito.

  • betty

    -

    14/3/2012 às 13:36

    ah, pera ai’! Ainda tem mais gracinhas vinda do chamado “honest broker” o Egito. O seu parlamento votou, ontem, por unanimidade o fechamento da Embaixada Israelense e a suspensao da venda de gas. Ja entendeu esse monte de kassans voando para Israel?

  • betty

    -

    14/3/2012 às 13:32

    Oi, Caio! Ha quanto tempo. Como sempre, uma analise honesta e abrangente. Somente mesmo as entrelinhas incomodam um pouco. E nessas entrelinhas, fcou faltando dizer, que Bibi mostrou o blefe de Abbas, quando por 9 meses e 45 dias, congelou os chamados assentamentos e neca!Nem um pio do outro lado da cerca.E mais: se o status quo e’ insustentavel para os Arabes da Cisjordania, porque simplesmente nao afirmar;dois paises para dois povos? O problema e’ que os milhoes de dolares que fluem para os chamados refugiados iriam parar de jorrar e os seus campos dentro de um territorio que ja e’ Palestino ficariam as claras. Alias, eles ja estao as claras desde que Israel se retirou de Gaza para este se tornar um centro de terrorismo. So nao ve quem nao quer. abs
    Betty, nada de sumir, hein, como sempre abordando os pontos mais pertinentes, mesmo quando nao concordo com tudo, mas isto é o de menos, seus subsidios sao essenciais no debate aqui, abs, Caio

  • Rodrigo

    -

    14/3/2012 às 13:19

    E insustentavel, mas como perguntaria o terrivel Lenin, que fazer?
    Rodrigo, seguramente nada o que o Lenin propôs, hehehe, abs, Caio

  • Carmem

    -

    14/3/2012 às 12:51

    Caldeirão de sopa para o texto do “Terras prometidas” !!! Um dos melhores de todo o livro.
    abs
    Obrigado, Carmem, mas para ficar no trocadiho, nao posso ser self serving, self service, hehehe, abs, Caio

  • maisvalia

    -

    14/3/2012 às 12:13

    E sim, espero que Israel tenha um primeiro ministro mais proximo do Obama no seu segundo mandato, hehehe, abs, Caio
    TÁ SE TRAINDO, HEHEHEHEHE
    … The Reuters/Ipsos telephone poll of 1,084 adults included 554 respondents who identified themselves as Democrats, 421 as Republicans, and 109 as independents. The total respondents included 937 registered voters.

    Er, that would mean that 51.1% of the respondents to the poll were Democrats, and 38.8% were Republicans. Now, I grant you that Republicans have been slightly overrepresented in this sample, as the 2010 exit polls showed 35% of voters were Republicans. However, Democrats also only comprised 35% of the vote that year, not 51.1%, and only 39% the year Obama won election.

    So the big news for Obama is that in a poll that consists of 51.1% Democrats, he gets a 50% approval rating? Yeah, that’s a boost, all right. And Reuters needs to go back to polling school…
    PARECE QUE AI TAMBÉM AS PESQUISAS NÃO SÃO UMA BRASTEMP, HEHEHE
    SERÁ QUE O BIBI SE DARÁ BEM COM O MITT?
    A pesquisa da Bloomberg é mais camarada com o Obama, mas de fato a semana nao é a melhor para O ELEITO, hehehe. O Mitt, o Gingrich e o Santorum sao mais sionistas do que o Bibi. Estao à direita do Likud, hehehe, abs, Caio

  • amauri

    -

    14/3/2012 às 12:11

    Tem uma historinha que vou adaptar:
    O Likud no governo é ruim (para progressistas)mas só vão saber que não era tão ruim quando eles saírem do governo. abs’
    Amauri, vou fazer uma confissao, desde a infância sou geneticamente antiLikud e seus antecessores. Tem um texto meu que publiquei nos 50 anos da independencia de Israel no Globo e esta no meu livro Terras Prometidas e que circula na Internet (por amigos e inimigos,hehehe). Explica esta coisa genetica, abs, Caio
    http://blogdokc.blogspot.com/2007/09/um-pedao-do-kibutz-dentro-de-mim-caio.html

  • Pedro I.

    -

    14/3/2012 às 12:09

    cc:
    Qualquer sinal de paz será sempre bem vindo e deve ser explorado. Porém, com mais de 60 anos de agressão para com Israel (e mais para com os judeus em geral), acho difícil de acreditar. A doutrina de incitação do ódio aos judeus e Israel é muito forte no Hamas.

  • carlos cezar

    -

    14/3/2012 às 11:58

    Se surgir outro grupo extremista na jogada, o Fatah e o Hamas, unidos, terão força suficiente para pedir ajuda internacional e derrotar a minoria.

  • carlos cezar

    -

    14/3/2012 às 11:52

    Mas, espera, Pedro, se o Hamas começa a revelar uma tendência, pequena que seja, de se submeter a uma política de reconciliação, tanto com o Fatah como com Israel, por que não explorar esse “veio”? Se Israel, digamos, barrar os invasores da Cisjordânia e exigir que eles permaneçam sob as orientações da Suprema Corte Israelense, não seria um passo excelente de ambas as partes? Um comecinho que seja, para aliviar um pouco as tensões, pode desencadear um caminho de concessões dos dois lados e desembocar, quem sabe, numa convivência amigável. Não é proibido sonhar.

  • amauri

    -

    14/3/2012 às 11:51

    Caio, quem voce acha que seria um bom candidato para as próximas eleições em Israel? Em matéria de politica externa, este seu candidato, poderia ser como o Obama é para os EUA em matéria de politica externa? abs
    Oi Amauri, Há algumas movimentacoes de novos politicos, menos manietados com estes pequenos partidos religiosos, é um jornalista chamado Lapid, filho de um ex candidato (vale lembrar que estamos falando de lista parlamentar), mas ele deve roubar votos da Livni, do Kadima,partido de centro, os trabalhistas tambem estao um pouco menos anemicos. Para mim tudo isto é bom, nao sou chegado do Likud, mas imagino que o Netanyahu irá ganhar. E sim, espero que Israel tenha um primeiro ministro mais proximo do Obama no seu segundo mandato, hehehe, abs, Caio

  • Praetor

    -

    14/3/2012 às 11:50

    Repensando quanto a Irmandade, parece que voce tem razao, não faria sentido político a Irmandade entrar nesta parada. É paranóia supor que a geografia da coisa (Libia=>Egito=>Gaza) explique tudo e permita presumir que a Irmandade conhecia e aprovou. Pode ter sido mero contrabando . Abs
    Libia + Egito/Sinai/Gaza = contrabando, hehehe, abs, Caio

 

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