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27/04/2011

às 6:00 \ Grã-Bretanha, Monarquia

Deus salve as rainhas

Tim Graham/Getty e Divulgação

Advertência ou boa notícia: além desta referência adiante, o texto não irá mencionar os termos Obama e Oriente Médio. Já entenderam, né? Vou tocar naquele assunto do momento. O mundo está cheio de pseudoeventos. O casamento Will and Kate é apenas mais um, embora um pouco excessivo.

Nada, porém, de fazer diatribes. Este pessoal sabe organizar um show. Um pouco de distração não deve escandalizar. Por que não tratar o espetáculo com indiferença, sem hostilidade? Estou com o punhado de republicanos britânicos, mas não vou me insurgir pela causa antimonárquica. Estou aqui me curvando ao inevitável e tampouco quero ver as cabeças da realeza rolarem.

Monarquia é uma idiossincrasia da briosa democracia em Britannia. E os súditos podem se dar ao luxo desta indulgência, a favor ou contra, ou seja, mesmo aqueles furiosos com a extravagância. Afinal, são dias de menos civilidade e mais amargura no país-ilha. A economia não ajuda. Vamos nos preocupar mais em denunciar ditaduras por aí e não fazer galhofa do Reino Unido (nem, em contrapartida, tratar de forma muito solene). Também não me interessa expor as travessuras da corte. Tablóides e paparazzi dão conta do recado (e com galhardia). E já existe um excesso de picardia entre colunistas. Quem sou eu, por exemplo, para competir com Christopher Hitchens? Entrem no site Slate.

Melhor ainda. Vou poupar meus súditos de muita sociologia sobre o que representa a entrada de Kate Middleton (tataraneta de mineiro de carvão pelo lado materno) na Casa de Windsor. O casamento não diz muito sobre mobilidade social, cinderelas, a plebéia e o príncipe. A possível futura rainha conheceu Willliam na Universidade St. Andrews, que, como lembra o jornal Financial Times, é famosa pelo campo de golfe e pela reputação para moças e moços de famílias afluentes (aristocratas e burguesas) conseguirem um bom casório.

Chega de Kate e William. Vamos ser corteses e desejar que sejam felizes para sempre no casamento. Parece ser um bom par. Meu negócio é com a rainha Elizabeth. Ela tem mais tempo de trono do que eu de vida. É uma figura familiar, que transmite segurança e reconfortante continuidade (não estendo as sensações ao longevo Fidel Castro). A rainha, de fato, é parte da minha vida. Sou paulistano e desde moleque fui sócio do “clube inglês” (o São Paulo Atlhetic Club), lá numa travessa da Consolação. A rainha está emoldurada na minha memória. O retrato dela pendurado na sede do clube, além de outros royals.

É verdade que ultimamente ficou tudo misturado. E é para confundir, pois a monarquia em Britannia é um espetáculo institucionalizado. Adorei o filme A Rainha, que, no final das contas é um manifesto a favor da monarquia. Sua Majestade do cinema, Helen Mirren, está venerável naquele retrato da capacidade da rainha dar a volta por cima depois da morte da princesa Diana e salvar a monarquia da desmoralização total e do frenesi populista. Nem vou discutir aqui se a rainha errara ou não com sua reação inicial (frígida e distante) à morte de Diana, mas impressiona a monarca estóica naquela comoção. A rainha ficou e a carruagem da comoção passou. Elizabeth e Helen transmitem o senso de dever, acima das contingências. A rainha está aí para servir, ela é uma funcionária pública (embora com muitas mordomias, que ficam mais gritantes nestes tempos de cortes orçamentários).

A rainha Elizabeth tem se provado uma boa presidente (opa!) da firma (a expressão também é do Financial Times), antenada para recauchutar a marca, quando a legitimidade da Casa de Windsor é questionada. A aquisição de Kate Middleton aparentemente valoriza a marca. A rainha se sobrepõe à imagem da realeza ser apenas um flagrante de celebridades metidas em escândalos, ociosidades ou negociatas. Há os privilégios, mas também o sacrifício entediante em nome das instituições, aguentando o primeiro-ministro de plantão, solenidades inúteis e espetáculos de dança folclórica em quaquer viagem pelo exterior.

A Casa de Windsor têm estes componentes Disney-Hollywood-tablóide-paparazzi, mas também é o elo de coesão social, nacional e nos resquícios da Comunidade Britânica. O segredo para os sucessores do trono será exercer o papel com a mesma mecânica e arcaica dignidade da rainha Elizabeth, mesmo sendo um pouco mais moderninhos.

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220 Comentários

  • Maria Cavalcanti [née Machado]

    -

    14/9/2012 às 7:22

    Há herdeiros do trono.

  • Maria Cavalcanti [née Machado]

    -

    14/9/2012 às 7:10

    Nao ha sucessores do trono.

  • Carlos Maia

    -

    6/2/2012 às 17:14

    Acho que a monarquia já devia ter acabado há muito tempo. E o povo devia se revoltar e acabar com eles. O mesmo povo que paga impostos para este bando de previlegiados (para não dizer outra coisa) viver só no bem-bom com riquezas exorbitantes tudo comprado com o dinheiro do próprio povo. Enquanto o povo trabalha para viver este bando da realeza só vive em festas, jantares, caçadas, comemorações, bailes suntuosos, erc. Até agora não um membro da realeza que trabalhe de fato. E quando uma pessoa não faz parte da realeza e tenta fazer algo de bom, eles (a realeza) ignora e tenta de todas as maneiras desmoralizar esta pessoa como exemplo a “princesa” Diana.
    É por isso que eu sou contra eles e espero que o povo abra cada vez mais os olhos e cuide de parar de sustentar este bando de v.

  • Honneur Monção

    -

    6/11/2011 às 12:00

    Pode não ter nada a ver com a realeza ou com a rainha, mas fui, recentemente, a Inglaterra e fiquei impressionado com a limpeza e organização das estradinhas e pequenas cidades do interior. Tudo limpo, pavimentado, arrumado. Em Londres, salta à vista o cuidado com o metrô. Apesar de antigos, os vagões são impecáveis. Andei pelo Hyde Park, intencionalmente à procura de um palito de fósforo, um papel de bala ou uma bituca de cigarro, uma sujeirinha qualquer: não encontrei. Minha conclusão é a de que ainda temos muito que caminhar para chegar lá. Não importa a economia, mas o estado de espírito dos cidadãos…
    Meu caro Honneur, interessante a observaçao, mas lembro que os demais leitores que frequentam a seçao de comentários nao leem comentarios postados em colunas tao distantes, como esta, é sempre mais dinâmico comentar os textos da semana, abs, Caio

  • Jefff

    -

    23/5/2011 às 16:21

    Um falso elogio patrulhado de republicanismo. A monarquia não para ser entendida é para ser admirada. Quanto a republica é um lindo sonho de igualdade que até agora não existiu de fato.

  • Geraldo

    -

    7/5/2011 às 23:54

    Esse mundo esta perdido, ninguém vai achar mais, então tanto faz falar do casamento ou de sei lá o que. Nada vai adiantar mesmo, é falar por falar, mesmo.

  • Mica

    -

    4/5/2011 às 15:58

    Davidz (1/05/2011) às 14:51
    Vale destacar que não estou endossando nada do que Marx afirma. Não sou marxista (embora já tive uma namorada socialista e tenho amigos conservadores, liberais e esquerdistas. Gosto de gente inteligente e, de preferência, mente aberta) mas eu sugiro que antes de acreditar e repassar histórias, questione todo tipo de informação e verifique na fonte.

    Tranquilo, David, pode ir em frente, só nao quero mais ataques pessoais a este leitor (que gosta de fazer as provocacoes e ser centro de atencoes), mas como é material mais objetivo e extremamente educado, acho legal, abs, Caio, mas como é material mais objetivo e extremamente educado, acho legal, abs, Caio

    Caro David, É óbvio ululante que você não está endossando nada do que Marx afirma, é exatamente o contrário! Você está contestando a autoria da frase, da forma que lhe enviei!  (Please don’t  try to be a smart ass, OK?) Quanto a sua assunção especulativa,  que eu repasse histórias ingenuamente, sem questionar todo tipo de informação, deixando de verificar a fonte, não é prova a favor daquilo que tenta me tachar.
    E quanto a você, Caio, o que me causa uma certa espécie, é que diz não querer mais ataques pessoais a “este leitor” e na afirmação  entre parênteses, logo em seguida, apresenta exatamente o oposto! Que nome iluminado daria a isto, se isto partisse “deste leitor” ou de outro entrevado qualquer?

  • trainsppotting

    -

    4/5/2011 às 2:13

    “eu fui grosseiro. só isso”
    os caras se matam para implantar uma cruzada 2.0 da forma mais light possivel….
    o Lula foi la do outro lado do mundo como estadista e demonstrando capacidade de não misturar business com estilos de vida ou culturas diferentes e outras questões….
    eu tb cometo minhas grosserias, e não quero que me entenda como tal, mas depois que as rainhas abraçam o estilo ocidental de ser, e se comportarem dentro e fora de seu pais desta maneira e isto ser encarado como uma “fachada”.

    Depois da inquisão agora temos um “ransso” eterno.Pior, isto nunca foi caracteristica de brasileiro.

    Claro, reconheçemos que parte significativa da evolução nossa enquanto nação se deve a fotores históricos e suas influencias inevitáveis, mas tais influencias cedem naturalmente a customização das culturas locais em todos os lugares do mundo.

  • paula

    -

    3/5/2011 às 6:03

    curioso Caio…..
    Quando são rainhas ocidentais são damas…..
    Quando são rainhas arábes são P……

    Curioso……..
    Oi Paula, tudo bem? Qual é o ponto? Sei que ofendi com minha grosseria no Manhatan Connection e já pedi desculpas, abs, Caio

  • Rone

    -

    2/5/2011 às 0:23

    Não chegou a ser rainha ;mas lady Diana consegui sem ser mais que a rainha ser mais admirada que a propia ,alias lembraram que ela existia!
    Diana foi admirada não só pelos suditos ingleses como em muitos paises não pertencetes ao imperio britanico, a avó do Will transmite ser bem sizuda, antipata, esperemos que com o passar dos anos esse sorriso “Kate” não se apague e que ela consiga se não igual se igualar a “uma verdadeira rainha “que se foi essa ;se não salva por Deus mas abençoada!

  • alexadre

    -

    1/5/2011 às 23:41

    parece que o obama resolveu eleger o trump como seu inimigo particular,numa tatica obvia para desmoralizar os republicanos,só que ele exagerou no tempo dedicado a ele e as piadas estavam muito sem graça,ainda prefiro a pompa e tradiçao da monarquia britanica

  • alexadre

    -

    1/5/2011 às 23:36

    o que me assusta é que essa compulsão pela magreza das mulheres chegou até a realeza,leticia da espanha e rania(amiga do caio)estão anoreticas,a lady dy idem e a propria kate ficou excessivamente magra para o casamento(tanto que homens ficaram de olho no bumbum da pipa)
    enquanto isso nós homens estamos cada vez mais gordos e ainda tem gente que cita marx/engels!

  • Verônica

    -

    1/5/2011 às 22:54

    Ah tá! Essa rainha você não ofende, né? Entendi.
    Ok, Veronica, gracinha registrada. Se a crítica é grosseira ou erro o foco, eu peço desculpas. Abs, Caio

  • daniel

    -

    1/5/2011 às 21:24

    defendender a monarquia porquê?um estrageirismo espanhol da idade média, todo retrógrado mas “moderno” com o “bonarpatismo” de kate middleton ? pô,marx e engens não se naturalizaram ingleses e morreram na grâ-bretanha?ou a inglaterra não podia estar mmelhor hoje?
    Caro Daniel, não entendi muito bem a tese, abs, Caio

  • maisvalia

    -

    1/5/2011 às 21:01

    “Maisvalia, não sei porque ainda perco tempo com suas infantilidades, mas, vamos lá.”

    Meu direito de resposta ao CC ou CCM.

    Cara, infantil são seus comentários, com bandidos daqui e dali, só não chama de bandidos os cumpanheiros fidel, mao, stalin, chavez, morales, correia, che, lula,et caterva de esquerda.
    Será que todos os seus homônimos pensam igual a você e são petralhas, hehehehehe
    Ok, mas seria legal evitar muita conversa paralela, tão personalizada, nenhum problema com um pouco de brincadeira, futebol, etc, mas precisamos tomar cuidado para este espaço nao virar ambiente de vestiario ou um excesso de Brasil, pois já há muitos espaços para estas conversas, abs, Caio

  • carlos cezar

    -

    1/5/2011 às 19:39

    Boa noite, Caio,
    Permita-me fazer uma defesa aqui.
    Maisvalia, não sei porque ainda perco tempo com suas infantilidades, mas, vamos lá. Você disse que viu comentários meus em outros lugares. Já ocorreu a você que pode haver dezenas de carlos cezar marques neste país? Eu mesmo já encontrei homônimos por aí.
    Ok, mas seria legal evitar muita conversa paralela, tão personalizada, nenhum problema com um pouco de brincadeira, futebol, etc, mas precisamos tomar cuidado para este espaço nao virar ambiente de vestiario ou um excesso de Brasil, pois já há muitos espaços para estas conversas, abs, Caio

  • Carmem

    -

    1/5/2011 às 19:28

    Oi Caio ,
    O filho q talvez não o seja e netos q nunca existiram…
    No comments.
    Ps: tb achei a parte soviética uma barra meio forçada.
    Abs
    Este é um filho playboy que foi estudar em Munique, se meteu em rolos com a policia e nao terminou o curso. Dos netos nao sei nada, abs, Caio

  • maisvalia

    -

    1/5/2011 às 18:41

    A CARA MONARQUIA PETRALHA, HEHEHEHEHE

    Cartão corporativo
    se equipara a casamento real

    Os gastos do governo Dilma com cartões corporativos, somente nos dois primeiros meses, foram equivalentes aos custos do casamento do príncipes William e Kate: R$ 12 milhões. A diferença é que o governo britânico estima o retorno de pelo menos R$ 1,5 bilhão de receitas com a festa, incluindo os gastos dos mais de 600.000 turistas estrangeiros e direitos de transmissão de tevê para cerca de dois bilhões de pessoas.

  • maisvalia

    -

    1/5/2011 às 17:51

    Bumbum de Pippa Middleton é mais falado que vestido de noiva na internet.

    E NÃO É NA INTERNET DA BANÂNIA COMO VOCÊS LERAM E PENSARAM, HEHEHEHE

    O bumbum de Pippa Middleton, 27 anos, madrinha do casamento real e irmã de Kate, causou mais discussões na internet do que o vestido da noiva, de acordo com o jornal “The Sun”.

    A página do Facebook que tratou de falar sobre o bumbum da bela madrinha, que usou um vestido branco e justo no casamento, atraiu mais de 36 mil pessoas nas primeiras 24 horas. Já a página sobre o vestido de Kate atraiu 33 mil visitantes.

    A irmã mais nova de Kate ainda ficou por um bom tempo no Trending Topics do Twitter e no topo das sugestões do Google.
    Sem os inevitáveis trocadilhos de mau gosto, abs, Caio

  • Carmem

    -

    1/5/2011 às 15:58

    Oi Caio,
    Dei uma copiada no texto do Calligaris que segue. Achei muito bom e de certa forma serve como um complemento aos comentários, muito bons, do Davidz.
    abs
    Tudo ou nada
    por Contardo Calligaris

    As potências interventoras na Líbia têm interesses escusos e motivações duvidosas. E daí?

    Ninguém tem simpatia por Gaddafi, e todos concordamos: se a intervenção da Otan não tivesse protegido a cidade de Benghazi, as milícias do ditador líbio teriam perpetrado um massacre.
    Por isso mesmo, desde que a Otan começou sua intervenção (cujo êxito ainda está incerto), as vozes de dissenso não discutem o mérito da ação; “apenas” levantam dúvidas sobre as intenções dos interventores: quais são seus “reais” motivos? Suspeitas levantadas:
    1) As potências interventoras obedecem a interesses escusos: é o petróleo; é a cobiça neocolonialista; para algumas, é a proximidade de eleições domésticas e a necessidade de ganhar a simpatia da direita antiárabe.
    2) Quando elas invocam grandes princípios, as potências estão mentindo. Prova disso: por que elas intervêm na Líbia e não em outros países que sofrem sob ditaduras tão ferrenhas quanto? Aparentemente, quando se trata de ditadores que são cúmplices ou aliados, as potências se esquecem facilmente de seus nobres ideais, não é?
    3) Ao escolherem seus alvos, as potências se orientam, antes de mais nada, pela facilidade das operações. Gaddafi não tem amigos a fim de entrar em guerra para defendê-lo. Além disso, o deserto da Líbia facilita o bombardeio aéreo seletivo, e a proximidade com a Europa faz com que seja possível intervir a partir de bases da própria Otan, sem pedir a ajuda ou a autorização de ninguém. Se a Líbia estivesse no meio do continente africano e fosse coberta de florestas e montanhas, provavelmente, as potências fechariam os olhos, como de fato os fecharam no caso de Ruanda.
    Pois bem, concordo com todas essas “suspeitas” e com mais algumas, mas pergunto: e daí?
    Ao longo da história, muitas das melhores ideias avançaram graças a ajudas e alianças duvidosas. O ideal democrático e republicano apareceu e prosperou na guerra de independência dos Estados Unidos, exitosa graças também à ajuda da França de Luís 16, o qual certamente não simpatizava com os revolucionários e queria apenas dificultar a vida dos ingleses.
    Alguns maldizentes contam, aliás, que a ajuda se deveu sobretudo a um caso entre a rainha Maria Antonieta e Thomas Jefferson, embaixador dos EUA em Paris. Pouco importa, o curioso é que tanto Luís 16 quanto sua rainha foram atropelados pelas ideias a cujo triunfo eles contribuíram.
    O princípio de autodeterminação dos povos se afirmou na Europa do século 19. Ora, você acha que Napoleão 3º ajudou o Piemonte a formar a Itália porque acreditava nos ideais de independência nacional e vontade popular ou porque queria enfraquecer o Império Austro-Húngaro e também curtia a ideia de ganhar a Saboia e um pedaço de Liguria em troca pela sua ajuda?
    Mais uma: a partir de 1920, mundo afora, as lutas sociais foram sustentadas pelo apoio econômico da União Soviética (note-se que o declínio das esquerdas europeias desde os anos 1990 coincide com o fim desse apoio).
    Nada contra isso, os avanços obtidos foram preciosos, e eu adorava as edições gratuitas de Marx em capa dura, impressas em Moscou, assim como as férias pagas nos cursos intensivos para militantes na Iugoslávia. Mas, cá entre nós, você acha que a intervenção soviética era a pura expressão da nobre solidariedade internacional-socialista?
    Em suma, as dúvidas levantadas quanto às intenções de potências interventoras não me escandalizam. Ao contrário, elas me levam a constatar a extraordinária e inquietante sedução que exerce, entre nós, o argumento do tudo ou nada.
    Pelo argumento do tudo ou nada, uma ação só tem legitimidade moral se sua motivação for perfeitamente pura, sem mistura alguma com interesses e cálculos “oportunistas”. Corolário: a pureza das intenções seria por si só garantia indiscutível de legitimidade moral. E essa é uma ideia que me dá calafrios.
    “Omnia munda mundis”, diz a epístola de Paulo a Tito: tudo é puro para os puros, ou seja (é fácil desenvolver), para quem age com intenções puras tudo é permitido, pois, para ele, tudo é moral.
    Os impuros são minha turma: mesmo em seus piores momentos, são sensíveis à contradição, pois lidam sempre com a complexidade atrapalhada de suas próprias intenções e com a falta de legitimidade de seus atos. Enquanto os puros… Pois é, tente conversar com os puros.
    Oi Carmen, já que voce esteve nela hoje….este texto é minha praia (com um pouco de purismo me incomoda só a parte sovietica, mas de resto, sensato), obrigado, abraços, Caio
    PS: há uma versao um pouco diferente do nuncio do Vaticano em Tripoli, menos categorica. Jornalismo é complicado no nevoeiro da guerra, na guerra de propaganda, abs, Caio

    Bishop Giovanni Martinelli, the top Catholic clergyman in Tripoli, said he was shown six bodies in a hospital in the capital on Sunday. He said he was told that one of the bodies was that of Seif al-Arab Gadhafi, but that it was so badly disfigured that he could not make a positive identification, AP reported.

    .”We saw the body. The body was completely disfigured,” the bishop told the Associated Press. He said he was told that among the bodies were those of the three children.

  • Rone

    -

    1/5/2011 às 15:54

    Carmen sol no Rio agora aqui em São Paulo muita chuva muita mesmo,a formula Indy teve que ser interrompia , Toni Kanaan e o Helio Castro (não o Fidel) rodaram e bateram não só eles como muitos,só pra lembrar as duas prmeiras a sair foram duas mulheres Danica Patrick e a Simona de Sivestro, a Bia não bateu tambem tava em ultimo; como a chuva deu uma parada vão ter a oportunidade relargar só que com nove voltas de diferença em relação aos primeiros.Bem na hora do jogo porcos X gambas(brincadeira vai que o Caio tambem é corintiano)
    Muita coisa me une ao Maivalia (nenhuma ideologica, ufa! ainda bem), mas fatores muito importantes: raizes na Barra Funda, a maternidade promatre, 1957 e o Santos, abs, Caio

  • Davidz

    -

    1/5/2011 às 14:51

    Caio desculpa novamente reincidir nessa conversa, é que agora estou mais desocupado e podendo ler com calma, mas essa é para o Mica – 30/04/2011 às 14:11:
    Mica, não estou fazendo ataques pessoais a você, pode ficar tranqüilo, mas eu li a frase que você atribuiu a Karl Marx e fiz uma busca para verificar a validade/falsidade da declaração. Encontrei comentários em blogs e vídeos no YouTube que são postados por usuários comuns. Coloquei trechos da frase em inglês e achei um link:
    http://www.marxists.org/archive/marx/works/1853/03/04.htm
    Um texto de Karl Marx para o New York Tribune (4 de Março de 1853). O título é “Forced Emigration” e o artigo é sobre economia basicamente. Transcorre sobre a migração dos países britânicos para fora durante a revolução industrial, a fome irlandesa e ainda faz um paralelo com outras civilizações:
    “(…) The classes and the races, too weak to master the new conditions of life, must give way. But can there be anything more puerile, more short-sighted, than the views of those Economists who believe in all earnest that this woeful transitory state means nothing but adapting society to the acquisitive propensities of capitalists, both landlords and money-lords? In Great Britain the working of that process is most transparent. The application of modern science to production clears the land of its inhabitants, but it concentrates people in manufacturing towns. (…)”
    Vale destacar que não estou endossando nada do que Marx afirma. Não sou marxista (embora já tive uma namorada socialista e tenho amigos conservadores, liberais e esquerdistas. Gosto de gente inteligente e, de preferência, mente aberta) mas eu sugiro que antes de acreditar e repassar histórias, questione todo tipo de informação e verifique na fonte.
    Tranquilo, David, pode ir em frente, só nao quero mais ataques pessoais a este leitor (que gosta de fazer as provocacoes e ser centro de atencoes), mas como é material mais objetivo e extremamente educado, acho legal, abs, Caio

  • Etienne Douat

    -

    1/5/2011 às 14:48

    Caro Caio, uma palavra, ao final do teu texto, sintetiza tudo: “instituições”. Remete a história, memória, respeito, enfim, cultura, tradição, desgraçadamente, coisas que nós, desse continente aculturado, cá do sul do mundo, temos uma imensa dificuldade em entender. Normalmente tendemos a confundí-los com burrice, babaquice – pra ficar em um termo tão caro ao nosso mais recente ex-… ex-presidente!, vá lá!
    Quanto à nova Duquesa, convenhamos, elegante, bonita, tremendamente carismática, é perfeita para o marketing real dos novos tempos. Arrisco dizer que superará a saudosa e eterna Lady Di. Pensando bem, o problema de Lady Di talvez tivesse sido o príncipe e não a rainha mãe. William, aparentemente, tem mais genes da mãe. É a figura perfeita para ter chance de brilhar ao lado da nova “princesa”. O tempo dirá.
    Depois, cada um mostra ao mundo o que tem de melhor. Eles mostram a realeza. Já, nós, mostramos favelas, PPPs, carnaval, bundas de fora, caipirinha, bordéis… pensando bem, faz sentido!
    O tempo dirá, mas sou anglófilo, costumo torcer por eles (menos no futebol), também na Libia, abs, Caio

  • Carmem

    -

    1/5/2011 às 14:15

    Oi Caio,
    Realmente ainda não dá para saber o q aconteceu nesse bombardeio, não se pode acreditar no q o porta-voz do Kadafi diz.
    Acabei de voltar da praia Karen, mais um dia glorioso aqui no Rio, sol sem nuvens.
    abs
    Cheguei em casa agora e houve há pouco a confirmaçao da morte do filho de Kadafi pelo núncio apostolico do Vaticano em Tripoli, numa entrevista a televisao italiana, sendo isto é uma vitoria de propaganda para o Kadafi, abs, Caio

  • Anouk

    -

    1/5/2011 às 13:03

    Brejil é ótimo! Agora sou brejileira. Nunca pensei chegar tao baixo.

  • Rone

    -

    1/5/2011 às 12:09

    Obama se iguala ao Busch ou tá tentando
    só falta eles mataresm o Kadafi,tá dificil,
    tão tentando ,já mataram um filho alguns netos,
    como fizeram no Iraque com o Sadan e os filhos ,
    lá chegaram a promover uma mentira pro intento
    (cade as armas de destruição em massa),
    só muda a cor
    ( IGUAL DITADO CHINES NÃO IMPORTA A COR DO GATO O QUE IMPORTA É (?)
    a sigla e as intenções são a mesmas
    tomar mais um
    POSTO de Gasolina Arabe!
    Por isso de tanta segurança no casamento dos ingleses?
    Caio Melhor ver o timão jantar um pernil logo mais!

  • maisvalia

    -

    1/5/2011 às 11:06

    Karen, não seja como os democratas daí e os petistas daqui.
    SEJA ORIGINAL, NÃO COPIE A IDEIA DOS OUTROS, HEHEHEHEHEHE

  • Rodrigo

    -

    1/5/2011 às 10:59

    John Bolton: “Obama’s incompetence may force me to run”.

  • Karen

    -

    1/5/2011 às 10:38

    Agora imagina o nome do show com a Sarah Palin, Michele Bachmann e Trump? A gaiola das loucas.
    Boa, abs, Caio

  • cristiane Rebola

    -

    1/5/2011 às 8:39

    Caio , em meio a tantas tragédias uma pequena distraçao nao faz mal a ninguém !!! Estamos cansados de escandalos, crimes hediondos, petralhas, corrupçao…… …
    Oi Cristiane, toda razão, abs, Caio

  • maisvalia

    -

    1/5/2011 às 7:28

    Mais uma vez o seu vizinho e amigo está perfeito sobre o moleirão humanitário:
    Voltei
    Muita gente já morreu na Líbia dos dois lados. É o caso de se espantar com o ocorrido? É o caso de apontar a desordem que está em curso. Só o mais descarado cinismo poderia dizer que um ataque dessa natureza está abrigado pela resolução da ONU. O que se viu ontem foi uma tentativa de assassinar Kadafi — muitos podem até achar justo, mas as Nações Unidas não deram esse mandato a ninguém. A resolução nem mesmo afirma que o objetivo da missão é depor o ditador.

    Sem conseguir vencer Kadafi, restou tentar matá-lo. É triste que a indagação de Musa Ibrahim faça sentido e que as explicações da Otan não façam? É! Não se pode dizer que o Ocidente viva um momento especialmente feliz. O que se viu ontem foi um ato de guerra, não uma ação destinada a proteger civis.

    Os “rebeldes” comemoraram a morte de Saif al-Arab Kadafi e de três crianças. É um sinal do que será a Líbia quando os humanistas de Obama, Sarkozy e Cameron mandarem no pedaço. Pois é… Sou assim: acho que as impotências ocidentais têm de respeitar a resolução da ONU.

    Afinal, o Jabor sempre achou que Obama é muito mais humano do que George W. Bush, né? A propósito: na guerra do Iraque, não havia, ao menos, resolução a jogar no lixo…
    Sã0 10 da matina em NY. Por ora os fatos sao os seguintes: temos a versao do porta-voz de Kadafi (primo dele), não foram apresentadas evidencias, nem os nomes dos tres netos dados como mortos. As informacoes sao de que este filho de Kadafi nao é casado, nem tem filhos. Seriam portanto sobrinhos ou sobrinhas. Temos tambem as denuncias indignadas de Hugo Chavez. Portanto, por ora, estamos em ritmo de propaganda. Nao tenho, por ora, nada esperto e categorico para dizer sobre o assunto, abs, Caio

  • maisvalia

    -

    1/5/2011 às 7:23

    Lula = Obama = Trump

    Dava os novos Tres Patetas, para a Karen The new Three Stooges e em Portugal os actuais Três Estarolas, hehehehe

  • Karen

    -

    30/4/2011 às 23:11

    Carmem, fico solidaria e olha que para mim e uma vez ao ano. Crianca e lindo, mas estas manifestacoes ou celebracoes infantis e chato, na maioria das vezes. Boa praia amanha se for a uma, que inveja…abs

  • alexadre

    -

    30/4/2011 às 22:12

    a monarquia da lucro para inglaterra,o retorno de midia do casamento(2 bilhoes de espectadores)e a injeçao de dinheiro na economia tornam seu custo insignificante,muito melhor que esse bando de politicos parasitas sem nenhum charme.
    o sistema republicano da em populistas como lula,obama e se bobear,trump.
    Lula = Obama = Trump? Abs, Caio

  • Mauricio

    -

    30/4/2011 às 21:41

    Morreram filho mais novo e netos do Kadafi. Uma tragédia, não? Vale uma coluna. Que mundo mais triste. A resposta mais obvia aqui será: não se faz omelete sem se quebrar os ovos. Mas eu ainda sonho que podemos fazer melhor que isso.
    Caro Mauricio, possibilidade de coluna extra para segunda, vamos ver, abs, Caio

  • Carmem

    -

    30/4/2011 às 21:38

    Eu me solidarizo com vc Karen, aqui do lado tem uma casa de festas infantis. Xuxa around the clock, vc não tem idéia..
    abs

  • maisvalia

    -

    30/4/2011 às 21:29

    Tirando o Palestra Rodrigo, o resto foi ótimo, hehehe

  • Rone

    -

    30/4/2011 às 21:08

    Será que esse cavalo paraguaio(brincadeira maisvalia) vai ser campeão(?) e eu que já dava o São Paulo na final e como campeão!
    Infelismente nem sempre o melhor time vence!(minha opinião)
    Talves por isso o futebol seja emocionante!
    Essa final deveria ser por pontos corridos com os quatro se enfrentando!
    Mas como dizem por aqui futebol, religiao ,politica e meio complicado…

  • Karen

    -

    30/4/2011 às 20:54

    Rodrigo, vc parece ser uma pessoa legal mas sobre a Palin sua nota e zero se o ” maneira singular” significar algo positivo. Boa noite.

  • Rodrigo

    -

    30/4/2011 às 20:24

    Karen, pior é ter de ouvir o Créu, algo que você e o Blinder nem suspeitam o que é. Pois tive de ouvir isso durante um Carnaval de rua vagabundo. Sarah Palin é uma mulher que reúne plebeísmo e nobreza de maneira singular. E o Palmeiras não quer saber de Campeonato Paulista, algo que só interessa a quem não é dazelite.

  • Karen

    -

    30/4/2011 às 20:04

    Hoje na rua onde moro fizeram uma feira de rua para celebrar o encerramento do Tribeca Film Festival, e a barraca do canal de tv Disney ficava quase embaixo do meu endereco, tive que ouvir Justin Bieber repetidas vezes. Alguem merece isto?
    maisvalia, e bom mesmo arrumar outra musa porque a Palin so inspira asco e urticaria.
    Guys, o que aconteceu com o Palmeiras? Tinha ouvido falar que e o melhor time do Brasil….hahaha

  • carlos cezar

    -

    30/4/2011 às 19:26

    Parabéns ao Santos.

  • Mica

    -

    30/4/2011 às 18:30

     Com o pretexto de me conceder o  direito à resposta, você mesmo se concedeu a mais uma sessão de argumentos contra a minha pessoa, muito espertinho! Espero que você e seus flatterers me desculpem do desconforto pneumático que lhes causei.
    Cheers, old years, queers and engineers.

    Me parabenizo com o maisvalia: Saaaaantooos! Vai uma costelinha de Bambi pra tiragosto?

  • maisvalia

    -

    30/4/2011 às 17:53

    conversa paralela
    Mais uma, hehehe
    SAAAAANNNNNNNNNTOOOOOOOOOOOOSSSSSSSSSSS
    SEMPRES SANTOS, DENTRO E FORA DO ALÇAPÃO.
    E AÍ CC OU CCM???
    O OCTACAMPEÃO GANHOU DO HEXACAMPEÃO.

  • Rodrigo

    -

    30/4/2011 às 17:34

    Brejil= brejo + Brasil.

  • Rodrigo

    -

    30/4/2011 às 17:25

    E o que mais entristece é saber que a Primeira Leitura jamais teve a publicidade de que necessitava para manter-se em pé. Uma publicação que defendia o capitalismo não era querida dos capitalistas por causa do…governo. Brasil, Brejil.

  • Rodrigo

    -

    30/4/2011 às 17:02

    O vocábulo petralha foi criado pelo Reinaldo Azevedo. Parece que já entrou em um dicionário. Aliás, por falar em Reinaldo, que saudade eu tenho da Primeira Leitura, que se foi tão cedo. A National Review, do Buckley, há quanto tempo existe? Pobre Brasil…
    Nem me fala, Rodrigo, tambem sinto saudades imensas da revista. Reinaldo foi um dos editores mais brilhantes que ja tive. A National Review é de 1955, já foi mais influente, mas ainda é uma referencia, o mesmo para The Nation, que corre pela esquerda, abs, Caio

  • Davidz

    -

    30/4/2011 às 16:51

    Ao Mica – 29/04/2011 às 23:42
    1) Eichmann não era judeu. A única coisa que sei é que ele já tentou se introduzir no judaísmo pra depois se transformar num virulento monstro anti-semita.
    2) Confesso que desconheço os livros de Marx, nunca fui marxista nem socialista, li sobre o assunto no segundo grau e em algumas disciplinas esporádicas na faculdade (eu sou engenheiro, mas cursei uma disciplina de introdução à sociologia) e em debates com colegas, mas a essência do marxismo não é o racismo (você deve estar confundindo com nazismo?) e sim transformar uma economia de livre mercado e propriedade privada numa sociedade de economia planejada com propriedade coletiva controlada por um estado/partido único para, teoricamente, dar as mesmas condições de vida para quem nasce pobre que uma pessoa que nasce rica, mas isso aí todo mundo sabe que não deu certo nem nunca dará. A realidade é bem mais complexa.
    3) Eu li todo seu comentário, sim. Apocalipse (3:9) é uma passagem que já foi interpretada com trezentas versões diferentes inclusive com propósitos anti-semitas.
    Meu caro David, obrigado pela contribuiçao didática, raramente perco a paciencia com leitores como este do Apocalipse (3:9), abs, Caio

  • Cleyde Teixeira

    -

    30/4/2011 às 16:46

    Eu acredito que nada acontece por acaso.E nada, do plano material e temporal, dura para sempre.Assim,o que tiver de ser,será!!!!!E,a divuçgação da vida da familia real, já dura longos dias…terminou o casamento,e tudo continua.Pois é muito bom ver e ouvir o que encanta a alma.
    Cara Cleyde, isso aí, um pouco de encanto real nao deve causar tanta comoçao, abs, Caio

  • maisvalia

    -

    30/4/2011 às 16:33

    Tirou o marques CC?

 

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