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Arquivo de 6 de setembro de 2012

06/09/2012

às 9:50 \ Bill Clinton, Democratas, Eleições 2012, Obama

Missão cumprida para Bill Clinton (até a próxima?)

Clinton não deu as costas para Obama

Texto atualizado às 8:50 do dia 6.

Caso Hillary Clinton não seja candidata à presidência, Bill Clinton fez, provavelmente, na quarta-feira a noite na convenção democrata, o último grande discurso de sua vida política. Autoindulgente, como se esperava, ele foi um pouco longo. Mas também, como se esperava, Clinton foi didático, persuasivo e charmoso. Em termos técnicos, mesmo comentaristas da Fox News, que abominam Clinton, se curvaram.

Pessoalmente, eu destaco o argumento de Clinton, justificando os dissabores de Barack Obama, de que nenhum presidente (nem ele) poderia consertar as coisas em menos de quatro anos. Obama não poderia ter um melhor advogado para fazer a sua defesa ou um melhor promotor para indiciar os republicanos. Resta saber se o próprio Obama terá esta habilidade no seu discurso de aceitação nesta quinta-feira. O veredito final obviamente caberá aos eleitores exatamente em dois meses, 6 de novembro. Se o discurso persuadir um punhado de indecisos e resgatar alguns democratas brancos de classe social mais baixa que se bandearam para os republicanos nas últimas décadas, a missão terá um resultado triunfal. De qualquer forma, para Willliam Jefferson Clinton, missão cumprida na quarta-feira (não sabemos se terá adiante, na estrada política, outras tão dramáticas, porém  mais familiares).

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Texto original, publicado em 4 de setembro

Bill Clinton é um grande animal político, carne de primeira. Prestará um grande favor para Barack Obama ao discursar na convenção democrata, na quarta-feira, em Charlotte, que irá formalizar o nome do presidente para um segundo mandato. Sem dúvida, Bill gostaria de mobilizar a base democrata em nome de Hillary e não do político noviço (hoje veterano de guerra e desgastado) que derrotou sua mulher nas primárias de 2008. Mas não agora. Quem sabe, na convenção democrata de 2016.

Clinton fará algo nesta quarta-feira que nenhum outro ex-presidente fez em convenção. Ele vai formalizar aos delegados o nome de Obama como candidato do partido. Isto dá uma medida da importância de Clinton para Obama nesta campanha eleitoral. O ex-comandante-em-chefe vai cumprir seu papel de soldado leal. A relação pessoal entre Clinton e Obama é desconfortável, mas eles estâo unidos por compromissos polticos e inimigos comuns. No entanto, com Bill Clinton, tudo é pessoal (eu, eu, eu).

Ao que consta, o ex-presidente fará um esforço para blindar o atual presidente dos ataque republicanos de que seja um fracasso de liderança, especialmente em temas da dívida, déficit e nas distorções de comerciais de campanha de Mitt Romney de que Obama quer depenar a reforma social aprovada em 1996, na gestão Clinton, num acordo com o Congresso republicano. Na distorção destes comerciais, Obama quer dar assistência social sem exigir nada em troca dos beneficiados.

Não há dúvida que Clinton seja um político de posições mais centristas do que as de Obama, embora os republicanos exagerem para caricaturar o atual presidente como um esquerdista radical. Aliás, um papel-chave de Clinton na campanha eleitoral será seduzir um eleitorado branco de renda mais baixa, mais conservador, que tradicionalmente votava nos democratas, mas que desde os tempos de Ronald Reagan nos anos 80 se bandeou para para republicanos.

Clinton considera um espanto a o tom indignado dos republicanos depois do descalabro da era Bush, quando foi evaporado o superávit engendrado na sua administração. Aliás, o único Bush que apareceu na convenção republicana que consagrou Mitt Romney foi o irmão Jeb, que reclamou dos democratas, que não se cansam de culpar o ex-presidente republicano. Engraçado. Os democratas convidaram o último presidente do partido deles para um grande discurso na sua convenção. Por que os republicanos não fizeram o mesmo? Complexo de culpa?  Os republicanos entregaram George W. para os leões democratas na arena para ser devorado.

O discurso de Clinton na quarta-feira será marcado por sua habitual autoindulgência. Está aí um animal político muito narcisista (quais não são? Mas alguns são excessivos). Clinton vai olhar para trás e saudar seus anos brilhantes no poder. No final das contas, para ele, o passado clintoniano é melhor do que o presente obamista e o passado (e o futuro) dos republicanos.

Clinton já venceu esta convenção 2012. Um prêmio de consolação. O maior eventualmente adiante. Com derrota ou vitória de Obama em novembro, existem oportunidades para o casal Clinton em 2016.  E  será que Obama vai discursar na convenção democrata dentro de quatro anos?

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Well, colher de chá para William Jefferson Clinton. 

 

 

06/09/2012

às 6:00 \ Eleições 2012, Obama, Romney

Bons presidentes e maridos (e pais) nada exemplares

Famílias adoráveis

Barack Obama tem uma família adorável. Mitt Romney tem uma família adorável. Michelle é maravilhosa. Ann é maravilhosa. Fiz as frases casadinhas para deixar claro que existe pelo menos um consenso nacional (nos EUA). Barack e Mitt são pais e maridos exemplares. É o que se espera do paizão da nação e a família nacional se sente reconfortada na noção de que para alguém ser bom presidente deve ter um casamento sólido (até feliz) e relações gratificantes com os filhos.

Abençoado seja o historiador Michael Kazin que detona esta fantasia política justamente numa temporada de convenções partidárias em que candidatos cometem abuso de família e os respectivos clãs são coniventes. Obama elogia sem parar até a sogra.

Bem, nem precisamos ir muito longe na história americana para desmascarar a narrativa (e se for universal, esta coluna seria uma enciclopédia de falta de moral e bons costumes). Podemos meramente ir até a noite desta última quarta-feira. Bill Clinton, o marido nada exemplar e um bom presidente, discursou na convenção democrata em Charlotte para alavancar a candidatura de Obama. Mas não foi apenas com Clinton que a Casa Branca não era uma casa de família. John Kennedy não perguntava apenas o que cada americano poderia fazer por seu país, mas também o que cada americana poderia fazer para ele. Imagine, até Jimmy Carter traiu em pensamento.

Baseado no prontuário histórico, Kazin diz que poucos presidentes correspondem aos padrões tão impolutos dos dias de hoje (o que, é verdade, não impede a popularidade de Clinton, alta até entre os  republicanos mais caretas).

O casal não exemplar Franklin e Eleanor Roosevelt na saída da igreja em 1941

Aliás, o grande herói republicano Ronald Reagan, o divorciado que tinha um casamento sólido e feliz com Nancy, nunca foi grande coisa como pai. Outro presidente-herói do século 20, Franklin Roosevelt, ao estilo Clinton, tinha ótima parceria política com a mulher Eleanor, mas na cama as coisas não aconteciam já bem antes da chegada dele à presidência. E se a primeira-dama tinha vida sexual era com outras damas.

Pressões religiosas, sociais e de marketing eleitoral levam ao casamento de políticos americanos com as convenções familiares. E obviamente é melhor um presidente que seja um marido fiel ou um pai sensível aos filhos. Mas é isto que o fará um bom líder na guerra, na árdua missão de tirar o país do buraco econômico ou na ingrata tarefa de forjar a reconciliação nacional? Não necessariamente.

Como arremata Michael Kazin, os americanos ainda estão à espera do presidente não casado (homem ou mulher, hetero ou homo) que estoure a bolha sentimental. Será adorável.

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Cedinho vamos para a primeira colher de chá:  comentário do Davi (dia 6, 9:16), pontos certeiros.

 

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