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Arquivo de 17 de julho de 2012

Rabiscos Estratégicos (Israel & Oriente Médio)

Protesto estudantil no Cairo contra Israel

Não é segredo que Israel acompanha com apreensão a volatilidade geopolítica no Oriente Médio. Por este motivo, é interessante acompanhar o raciocinio de Barry Rubin, judeu americano e acadêmico conservador influente, que circula nos meios militares e de inteligência em Israel. Na sua avaliação, as coisas estão melhores do que parecem para Israel na esteira da Primavera Árabe.

Para Rubin, será um período de batalhas internas, instabilidade e conflitos contínuos que irão reduzir a capacidade de países árabes lutarem contra Israel. Existe a óbvia ressalva do aventureirismo para desviar as atenções. Mas mesmo que ocorra algo neste sentido -e aqui Rubin é específico sobre Egito e Síria pós-revolução- , os países árabes terão menos capacidade militar para atuar de forma efetiva contra Israel. Hostilidade popular contra Israel não é novidade e já servia de válvula de escape antes da Primavera Árabe. Não mudou, por exemplo, nas ruas egípcias, mas, na estimativa de Rubin, os militares ainda controlam política externa e vão conter os ímpetos da Irmandade Muçulmana, agora no poder formal.

E as coisas não estão brilhantes para estrelas que buscam hegemonia regional no mundo árabe (embora não sejam árabes), casos da Turquia e Irã. A ascensão de movimentos islamistas sunitas na Líbia, Tunísia, Egito e Síria turva as ambições de um país que é herdeiro do império otomano e de outro que é persa e xiita. A condescendência do primeiro-ministro turco Recep Erdogan irrita o mundo árabe e os iranianos estão praticamente sem ativos não xiitas. Barry Rubin pontifica que o grande conflito no Oriente Médio no futuro não será entre árabes e israelenses, mas entre sunitas e xiitas e haverá a competição pelo controle de zonas mais movediças como Líbano, Síria Iraque e Bahrein.

Rubin é daquela escola mais otimista de que mesmo os regimes conservadores que sobrevivem em meio aos tumultos (a destacar Arábia Saudita) sabem que a maior ameaça deriva do Irã e de movimento revolucionário islamista e não de Israel. Na verdade, estas autocracias percebem que Israel é uma espécie de protetor.

Sobre a questão palestina, Rubin diz que os dirigentes palesitinos como Mahmoud Abbas mais uma vez desperdiçaram uma oportunidade histórica. Não tiraram vantagem das rusgas entre Israel e os EUA. Para Rubin, o governo Obama estava pronto para se tornar o mais pró-palestino da história americana. No entanto, a liderança palestina se recusou a cooperar com Obama, sequer topando em retomar negociações com Israel. Numa dura campanha eleitoral, Obama retorna para uma zona de conforto mais tradicional e mais pró-Israel.

Na sua análise, Barry Rubin passa quase batido pela questão nuclear iraniana (“ameaça no futuro” e fatores de contenção como pressões externas e problemas logísticos para construir a bomba).

Apesar de tudo, Rubin avalia que Israel e sua segurança estão em “boa forma”.  Ele não está tão apreensivo, embora naquelas bandas seja perigoso ser muito primaveril.
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Hoje vou ser leviano, primaveril. O assunto é sério, mas a colher de chá vai para a piada do Maisvalia (dia 17, 11:39)
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PS: Israel pode até estar relativamente em boa forma estratégica, mas dentro de casa é outra história. As informações nesta terça-feira são de implosão da grande coalizão de governo forjada há dois meses.

 

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