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Arquivo de 12 de julho de 2012

12/07/2012

às 6:00 \ Uncategorized

Curtas & Finas (FHC & Tea Party)

A premiação de FHC em Washington - Foto Alex Brandon/AFP

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi festejado e deu entrevistas durante sua passagem esta semana por Washington para receber o prêmio John W. Kluge, da Biblioteca do Congresso, por sua contribuição intelectual e acadêmica à humanidade. Na imprensa brasileira, obviamente, os destaques foram para as declarações que FHC deu sobre economia e política no Brasil, o inevitável Lula, a Venezuela e o Paraguai.

Mas aqui vou ficar com um pitaco sobre algumas coisas que ex-presidente brasileiro disse ao jornal americano The Washington Post. A manchete destacou as opiniões de FHC sobre a situação europeia e o Tea Party, este último é tema constante nesta coluna, que tem como uma bandeira de luta a necessidade de compromisso nos EUA, em um clima tão polarizado.

Para FHC, o drama europeu é encontrar um equilíbrio entre as necessárias medidas de austeridade e manter um certo grau de crescimento. No alerta do sempre sociólogo FHC, o corte de políticas sociais sem a abertura de oportunidades para a população é uma receita de instabilidade social.

Daí, a repórter do jornal arremata a pergunta sobre o americano Tea Party, obcecado com o déficit fiscal galopante e gastos governamentais descontrolados. FHC diz ser “difícil para um brasileiro entender este tipo de radicalização”‘ (a do Tea Party), ressaltando que “democracia exige um grau de compromisso, algo que não faz parte do modus-operandi do movimento que mobilizou os conservadores americanos. Princípios são fundamentais na política, mas, como diz o ex-presidente, e eu concordo, o “fundamentalismo” do Tea Party é ruim para a democracia e também para a economia.

O rompedor Leszek Kolakowski

No começo da entrevista, FHC diz que quando era jovem confundia sociologia com socialismo. Bom ponto. Aliás, o primeiro agraciado com o prêmio Kluge, em 2003, foi o venerável filósofo polonês Leszek Kolakowski, que morreu em 2009. Ele começou como um marxista ortodoxo. A desilusão foi gradativa e por uns tempos suas críticas foram dentro do sistema, mas aí Kolakowski foi expurgado do PC polonês e partiu para o exílio em 1968, dedicando-se então à carreira acadêmica no Canadá, EUA e Grã- Bretanha. Também serviu de guia para movimentos que resistiram ao comunismo soviético, como o Solidariedade, em seu país natal, do que foi ativo partidário no exílio.

O prêmio Kluge foi criado para reconhecer não apenas conquistas mas a “trajetória” de uma vida intelectual. No caso de Kolakowski , foi uma jornada de adesão, de ceticismo e de demolição do marxismo, que ele definiu como a maior “fantasia” do século XX. Foi a trajetória de uma ideologia criada com uma ilusão humanista e que culminou na “monstruosa tirania stalinista”.

Em comum, Kolakowski e FHC têm o Prêmio Kluge e um papel na trajetória por um mundo melhor.

***
Pessoal, vou ser previsível. Colher de chá para o sociólogo FHC e o filósofo Leszek Kolakowski.  E premio também os leitores Amauri e Marcio Silva com a colher de chá, vozes dissidentes nesta quinta-feira, por vários comentários. Ufa, e mais uma para o Claudio, voz dissidente por outro ângulo (dia 12, 21:07).

 

 

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