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Arquivo de 24 de abril de 2012

Curtas & Finas (Nicolas & Marine)

Sarkozy precisa dos eleitores de Le Pen- Fotos/ AFP

Marine Le Pen disse que dormiu como um bebê, depois de sua vitória no primeiro turno nas eleições presidenciais francesas no domingo. A candidata de extrema direita terminou em terceiro lugar e não irá para o segundo turno, mas foi uma vitoriosa com sua votação acima das expectativas (um em cinco eleitores). Ela comprovou ser uma força política acima das expectativas, o que não me deixa com o sono muito tranquilo.

Vamos repetir que o presidente conservador Nicolas Sarkozy (que terminou em segundo lugar no domingo atrás do socialista François Hollande) precisa de forma desesperada dos eleitores da extrema direita em 6 de maio. E o frenético presidente irá trabalhar freneticamente para conseguir estes votos. Já Marine Le Pen fará o contrário. Por que um frenesi para emplacar Sarkô? A expectativa é de ela recomende a abstenção aos seguidores no turno final da eleição.

Para Le Pen, interessa a derrota do presidente conservador (que ela considera tão nocivo à sua visão de França antiimigrante, antiislâmica e antieuro, como o socialista Hollande). Sarkozy quer seduzir os eleitores da extrema direita, mas nada de ir para a cama (metaforicamente) com a Marine. O negócio dele (a transa política e econômica) é mesmo com a Angela Merkel.

E, de fato, não faz sentido a traição. Vive Merkozy! Em caso contrário, é a morte do projeto europeu da França. Marine Le Pen quer a implosão do euro e da agremiação de Sarkozy, a União por um Movimento Popular (UMP), para que seu partido de extrema direita se torne o o núcleo duro de resistência contra uma esquerda no poder. E não podemos esquecer que a Frente Nacional, de Marine Le Pen, espera manter o pique nas eleições parlamentares de junho. A UMP hoje tem maioria no Legislativo.

Pessoalmente, eu creio ser deprimente que um em cinco franceses tenha votado na Frente Nacional no domingo. Nada de minimizar a gravidade da proeza, mas aqui um ponto interesante. Na verdade, Marine Le Pen teve apenas cerca de 1.5% de votos a mais do que seu pai, Jean-Marie Le Pen, nas eleições de 2002, que fora até domingo passado o recorde da Frente Nacional. E, imagine, eram tempos de prosperidade econômica e o então presidente conservador Jacques Chirac era razoavelmente popular. E imagine algo mais, realmente aterrador. Pére Le Pen teve apoio expressivo, apesar de suas reflexões de que as câmaras de gás dos campos de concentração do nazismo eram um “detalhe histórico”.

A filha, que abandonou o antisemitismo da velha Frente Nacional, concorreu em tempos amargos na economia e é inegável que se trata de uma política menos repugnante do que papai, mas com uma mensagem ainda alarmante. Poderia, portanto, ter sido até pior. Acho que vou dormir um pouco, só um pouquinho, mais tranquilo.

***
Nada isento sobre Marine Le Pen, dou logo cedo colher de chá para a Carmem (dia 24, 9:03) por seu comentário sobre o que a líder da extrema direita representa. 

 

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