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27/07/2015

às 6:00 \ Férias

Estou de férias, não precisam segurar o mundo para mim

Bronze colossal de Lee Lawrie no Rockefeller Center, Nova York

O Atlas de bronze de Lee Lawrie no Rockefeller Center, Nova York

Pessoal, eu vou tirar alguns dias de férias a partir de agora, NOW! Leitores, não precisam bancar Atlas e segurar o mundo para mim até 17 de agosto, quando voltarei ao batente (no day after ao protesto). Marotamente (ok, ok, podem chamar de preguiça), republico o que já considero o meu texto clássico de anúncio de férias (saiu inicialmente em julho de 2011; divido as férias anuais em duas partes).

Bem, tenho alguns compromissos com os leitores e assim tentarei liberar comentários o mais cedo possível, com assessoria (para isto servem filhas, né?). Há leitores cativos por aqui e que deverão trazer manifestos e material relativo a diferentes causas e assuntos. Peço duas coisas: vamos evitar trolhas e manter um debate cordial. Comentários nesta coluna repetitiva ficaram preservados. Espero que os novos não sejam repetitivos

Abaixo, uma variação condensada do texto original, que explica o título e a ilustração. Até breve (infelizmente, muito em breve, pois adoro férias).
***
Férias! O trabalho cansa e o descanso dignifica o homem (este que escreve). Estarei de férias por alguns dias. Não vou para Marte, mas espero me desligar um pouco dos problemas terrestres. Estes problemas podem piorar ou até serem suavizados sem meus palpites. Aqui me lembro de uma história que preciso confirmar com meu amigo e mestre Carlinhos Brickmann. Paulo Francis, senhor do universo, estava acompanhando alguma reunião de cúpula na época da Guerra Fria. Um outro jornalista brasileiro pediu um favor: “Francis, segure o mundo, enquanto eu vou ao banheiro”.

Pessoal, eu vou por aí, planejando a dolce vita, pois sou um planejador. Posso mudar de planos. Férias têm estas vantagens. Há outras, como menos ansiedade para acompanhar o noticiário. Posso ignorar os jogos de palavras nas colunas do Thomas Friedman, no New York Times, mas não sei se terei coragem de não passar os olhos na sabedoria de alguns dos meus gurus como David Brooks, também do NYT. Outro guru, este de economia, o Martin Wolf, do Financial Times, também terá minha atenção. As reviravoltas na economia sempre preocupam. Nunca tiram férias.

Espero resistir à tentação das breaking news. Afinal, não sou senhor do universo. O mundo quebra ou tem conserto sem minhas pensatas.

 

 

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26/07/2015

às 12:24 \ Lula

O 13 tatuado no braço?

CAPA-VEJA-LULA-O-Número-um-364x480Cá está Mr. Blinder em terras paulistanas, no seu veraneio masoquista. Quero estar de férias, inclusive da coluna, mas o Brasil não deixa. Sou assediado por parentes, amigos e estranhos. Todos querem desabafar sobre o estado de coisas, muitos estão em pânico.

Cruzei com um amigo de toda a vida, pessoa muito cerebral, cool, mas desta vez estava apoplético com a situação. Reclamou da “gente” (da imprensa). Ele perguntou: por que a VEJA e o resto da imprensa dão tanta trela (somos de outra geração, gíria nossa) para o Lula?

Tentei quixotescamente explicar que Lula é um fato jornalístico. O amigo (não judeu) disse que estava particularmente indignado com a infâmia lulista da comparação dele e do PT com os judeus perseguidos pelos nazistas.

Aí, disse para o amigo, que Lula, quem sabe, como as vítimas nos campos de concentração, deveria tatuar o braço. O número a ser selecionado é fácil: 13.

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25/07/2015

às 8:26 \ Donald Trump

Trump e Mr. Blinder vão ao Mundo Livre

Com Duda Teixeira e Natália Watkins

Com Duda Teixeira e Nathalia Watkins

Cá estou em terras paulistanas, caminhando pelas buracovias da minha terra natal. O judeu errante conseguiu chegar (de carro) na Marginal do Pinheiros. No estúdio de VEJA.com conversou sobre o falso profeta Donald Trump. Até onde ele vai? Assista a esta edição do Mundo Livre.

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24/07/2015

às 6:00 \ Rússia, Ucrânia

No radar ucraniano

Moscou sabota as investigações sobre o desastre do voo MH17

Moscou sabota as investigações sobre o desastre do voo MH17

O Instituto Blinder & Blainder, como os leitores sabem, tem suas obsessões. Seus analistas (em todos os sentidos) se deram conta de que a crise ucraniana estava fora do radar há um bom tempo. Hora de dar uma atualizada. O triste é que o conflito continua grave e congelado, um bom negócio para a Rússia de Vladimir Putin.

No entanto, as lições e o modus operandi de nosso homem em Moscou são sempre ilustrativos. A derrubada no leste ucraniano do avião da Malaysia Airlines, que fazia a rota Amsterdã-Kuala Lumpur, ocorreu há pouco mais de um ano (17 de julho de 2014). Morreram todos os 289 passageiros e tripulantes a bordo.

Investigadores, liderados pela Holanda, salientam que o  “cenário mais provável” é que o Boeing 777 tenha sido derrubado por míssil disparado do território controlado por separatistas ucranianos pró-Rússia. Moscou sabota as investigações e esta semana alertou que usará seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para impedir a criação de um tribunal internacional para julgar os responsáveis.

Usando um palavrão, as teorias conspiratórias abundam na Rússia (e no leste ucraniano) e a máquina da agitprop continua a todo vapor. Tudo é feito para embaçar e desinformar. O objetivo é negar a brutalidade da intervenção de Moscou na Ucrânia. Na televisão russa, controlada pelo Kremlin, é martelada a versão de que a derrubada do avião foi obra das forças governamentais ucranianas, com possível conivência dos serviços secretos ocidentais.

Nas teorias mais alopradas, um míssil foi disparado para tentar matar Putin, cujo avião presidencial passara horas antes pela região do desastre em 17 de julho de 2014. Outra munição de propaganda usada por um influente jornalista chapa-branca, Sergei Markov, é a de que os americanos foram responsáveis. De acordo com Markov, a prova é que não havia cidadãos americanos a bordo do avião. De fato, havia um (dano colateral, então?).

Desinformação e teorias conspiratórias fazem parte do modus operandi de Putin, ex-agente da KGB. Pesquisas encomendadas por redes de televisão russas revelam que menos de 5% dos russos acreditam que a derrubada do voo da Malaysia Airlines tenha sido responsabilidade dos separatistas ucranianos ou de Moscou. Como diz Sam Greene, diretor do Instituto Russo do King’s College, em Londres, “Putin comeu os cérebros de toda uma geração de russos”. Um entre tantos desastres.

 

 

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23/07/2015

às 6:00 \ Brasil, Dilma Rousseff, Michel Temer

Dilma 30% (II)

Como sair da crisezinha?

Como sair da crisezinha?

Para os desavisados, a manchete acima não se refere a índices de rejeição da presidente. Está aí a pesquisa CNT-MDA estampando 70,9%. E 60% dos brasileiros são favor do impeachment de Dilma Rousseff. Os avisados sabem do monitoramento que o Instituto Blinder & Blainder faz dos relatórios da empresa de consultoria americana Eurasia, uma referência para investidores e analistas.

Apesar do agravamento da “crisezinha” (expressão do vice-presidente Michel Temer), a Eurasia mantém em 30% a probabilidade de impeachment de Dilma. Vale relembrar que nos critérios da Eurasia, esta é uma probabilidade alta e a consultoria levou um tempão para o ugrade de 20% para 30%.

Na sua análise, a Eurasia destaca que a remoção da rainha Dilma I do cargo cerimonial (aqui a piadinha é minha e não obviamente da consultoria) não resolveria a crise política brasileira ou removeria os obstáculos para a passagem da agenda fiscal do governo. Para a Eurasia, a movimentação rumo a um impeachment seria um período de intensa polarização política e as investigações sobre escândalos e o tsunami de corrupção obviamente continuariam no day after. Configurado o impeachment, seria muito difícil para o substituto Michel Temer governar. Maior crisezinha!

A Eurasia discorda de  uma certa visão otimista entre “alguns investidores” de que o impeachment seria positivo para o mercado. Pela visão otimista, Temer criaria as condições políticas para a execução dos ajustes econômicos. Para a Eurasia, antes de mais nada, o cenário em torno do impeachment seria “confuso” e lento. Mais importante: seria “precária” a governabilidade sob a administração Temer.

A análise da Eurasia entra nos intestinos do dilema do PSDB sobre o impeachment. Se o partido votar a favor, se tornaria um parceiro da coalizão de governo com Temer. Alguns segmentos do PSDB, a destacar José Serra, estão abertos a esta parceria. No entanto, uma imensa parcela do partido está “veementemente” contrária a esta parceria. Indo além: vastas parcelas dos eleitores veriam um governo Temer como formado por co-conspiradores do PT. Isto, no raciocíonio da Eurasia, sugere que o PMDB acabaria paralisado entre um PT radicalizado e um PSDB recalcitrante.

A Eurasia veicula mensagens importantes para investidores estrangeiros. Ela termina o seu texto em inglês falando de um Brasil “volátil e frágil”.  Em português, a tradução é crisezinha (com ou sem aspas).

A análise da Eurasia sugere que o cenário de convocação de novas eleições, em contraste ao impeachment,  seria “menos dramático” para o Brasil em crisezinha. Este é o recado para os investidores estrangeiros. Aqui na coluna, espaço aberto para especulações dos leitores.

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Pessoal, 100% de tolerância comigo. Em trânsito. Colher de chá acumulada como o futuro do Brasil.

 

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22/07/2015

às 6:00 \ Donald Trump

A trumpada

Quando o sabor caju de sorvete vai derrter?

Quando o sabor caju de sorvete vai derreter?

Eu devotei a maioria das minhas colunas na semana passada a um acontecimento histórico: o acordo sobre o programa nuclear iraniano. Nesta semana ignorei um acontecimento histórico, mas jurássico: as reaberturas das embaixadas de Cuba e EUA, respectivamente, em Washington e Havana. E qual o meu foco esta semana? The Donald. Estou no ritmo da imprensa americana, devotando minha energia, cérebro e verve ao tio doido Donald Trump, que assumiu a liderança no batalhão de candidatos republicanos na pesquisa The Washington Post/ABC News.

A maioria de eleitores republicanos e inclinados aos republicanos foi entrevistada antes das declarações de Trump desqualificando o senador e ex-candidato presidencial republicano John McCain como herói de guerra, porém ele alcançou os 24% na pesquisa apesar (ou em razão) de seus comentários indecentes contra mexicanos. Na demagogia xenofóbica de Trump, entre os mexicanos até que há gente boa, mas o que os EUA recebem entre os imigrantes ilegais são estupradores e criminosos.

O magnata bilionário também investe de forma virulenta e destrambelhada contra a imprensa (acusa a cobertura de ser “realmente desonesta” sobre the Donald). No entanto, a imprensa investe com gosto no personagem Trump. A revista Time avaliou a atenção devotada ao batalhão de candidatos republicanos (já são 16) por dez órgãos de imprensa de 8 de junho a 19 de julho . The Donald só perde para Jeb Bush, mas com o carnaval desta semana já deve ter assumido a liderança em visibilidade.

É assim que o patologicamente autopromocional Trump gosta. Ele faz justiça ao sobrenome. Quem fizer uma pesquisa sobre as variações do significado de trump (o verbo)  irá encontar opções como trombetear, elogiar a si próprio, trunfar e levar a melhor. Na invenciocine do Instituto Blinder & Blainder, Trump é o rei das trumpadas.

Marqueteiros estão debatendo se Trump já alcançou o seu pico e quando mais este sabor de sorvete eleitoral irá derreter (pelo cabelo, podemos dizer que ele é sorvete de caju). Trump suga o oxigênio no palanque político e sem dúvida atrai para sua órbita eleitores furiosos e frustrados “com o que está aí”. Nenhum surpresa que na pesquisa The Washington Post/ABC News, haja mais simpatia por ele entre eleitores de menor nível educacional. O que surpreende é o capital de sedução entre republicanos moderados e não apenas na base muito conservadora, como era de se esperar.

Por ora, Trump é um sabor que dá azia para o establishment republicano. Um dado muito ilustrativo na pesquisa Washington Post/ABC News: caso Trump decida concorrer como independente em 2016, ele sugaria 20% dos votos na corrida com três competidores. A democrata Hillary Clinton venceria com 46% e Jeb Bush receberia 30% dos votos. No duelo das dinastias, sem o sabor caju de sorvete, a margem é mais estreita: 50% para Hillary e 44% para Jeb. The Donald, que trumpada (ao avesso)!

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Colher de chá para as intervenções de Aleph Andrade.

 

 

 

 

 

 

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21/07/2015

às 6:00 \ Donald Trump, Eleições EUA 2016, Grécia, Tsipras

A pavorosa hora T

Seguidores do bufão

Seguidores do bufão Trump

O que existe em comum entre Donald Trump e Alexis Tsipras, além de sobrenome que começa com a letra T? Um bom sacador global, Moisés Naím, conseguiu construir a ponte entre as fantasias do magnata americano que ambiciona a Casa Branca e as do primeiro-ministro grego que ambiciona ao menos permanecer no poder.

Trump é uma marca do capitalismo brega e gosta de ostentar riqueza. Tsipras tem uma vida pessoal modesta e gosta de ostentar sua retórica contra o capitalismo. Nos últimos tempos, estes dois personagens fulgurantes (eu prefiro o cabelo de Tsipras) estão no centro do palanque.

O primeiro-ministro armou as maiores encrencas em seis meses de poder à frente de uma coalizão de extrema esquerda em aliança com um partido de extrema direita. Ele blefou como pôde para reverter a austeridade, mas acabou se curvando à União Europeia depois da palhaçada de  um referendo em que os gregos disseram Não ao aperto. Situação está em um sufoco tão grande que até o FMI, que costumava ser achincalhado por esquerdistas como Tsipras, acha que é preciso dosar a pílula da amargura para os gregos.

Os líderes republicanos, assim como a maioria dos candidatos presidenciais do partido, engoliram a pílula Trump até onde deu (para apaziguar parte da base conservadora), mas o bufão passou dos limites com os insultos disparados contra o venerável senador John McCcain (ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, fazendo pouco do seu heroísmo e patriotismo).

Autopromocional, bufão e demagogo crônico, Trump já criara encrenca ao hostilizar a comunidade latina nos EUA (e a América Latina em geral) ao apontar os tantos “estupradores e criminosos” entre imigrantes ilegais (embora tenha dito que conhece alguns mexicanos de bem).

Seguidores do demagogo Tsipras

Seguidores do demagogo Tsipras

A grande maioria dos líderes europeus veem Tsipras com horror e ele perdeu o capital de confiança com seus rompantes e demagogia (isto antes de se curvar à realidade). Líderes republicanos estão horrorizados face aos danos que Trump pode causar à credibilidade de um partido empenhado em impedir que os democratas ganhem um terceiro mandato consecutivo na Casa Branca com Hillary Clinton nas eleições de 2016.

O ponto essencial de Moisés Naim é que Alexis Tsipras e Donald Trump estão no centro dos debates sobre duas questões cruciais para a humanidade: “Como resgatar uma economia que está fora dos trilhos e como lidar com o desafio da imigração”. São problemas complexos e quando no meio do caminho surgem bufões e demagogos a busca de soluções viáveis torna-se ainda mais difícil.

O consolo é que Trump nunca será presidente dos EUA. No caso grego, há o desconsolo de um país que se mostra inviável, com ou sem Tsipras. O fato é que, como arremata Moisés Naím, “Tsipras e Trump “ficarão marcados como os protagonistas de duas farsas imperdoáveis”.

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Colher de chá para a premonição de Felipa (dia 21, 13:17).

 

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20/07/2015

às 6:00 \ Donald Trump

Trump, o perigoso tio doido

Para ele, polegar para baixo

Para ele, polegar para baixo

Como tratar um bufão como Donald Trump? O Partido Republicano e seus principais candidatos presidenciais fizeram o possível para não conceder o palanque para o bilionário falastrão, mas não dá mais. Nas pesquisas, Trump está entre os favoritos na corrida das primárias republicanas (ele lidera em algumas delas) e mobilizou a base com seu discurso indecente contra imigrantes ilegais. No entanto, agora é hora da moblização da cúpula contra Trump, hoje persona non grata na comunidade latina.

Ele deixou de ser uma figura exótica, uma espécie de tio doido que fala coisas inconvenientes na mesa de jantar, para se tornar uma ameaça ao Partido Republicano, que tem um plantel de bons candidatos (na multidão que passa de 15) empenhados para que os democratas não consigam um terceiro mandato consecutivo na Casa Branca com Hillary Clinton nas eleições de 2016.

Trump foi um espetáculo (dos mais patéticos) no fim de semana. Primeiro, insultou o venerável senador e ex-candidato presidencial John McCain, dizendo que ele não era um herói de guerra. No argumento aloprado de Trump, McCain foi capturado no Vietnã. Logo, onde está o heroísmo? O avião pilotado por McCain foi derrubado em 1967 e ele foi prisioneiro de guerra por cinco anos.

Enquanto McCain era torturado pelos norte-vietnamitas (ele não consegue levantar os braços acima da cabeça), o jovem Trump se safava de servir no Vietnã por ser estudante e apresentar atestado médico.

Agora, o valentão Trump não bateu em retirada e não pediu desculpas a McCain, apesar da fuzilaria de indignação de vários candidados republicanos. Alguns pediram que ele abandone sua candidatura. Trump heroicamente diz que resistirá.

O negócio de Trump é ocupar o centro da cena, mas desta vez ele cruzou a linha vermelha. No passado, ele insistiu na palhaçada de que o presidente Obama forjou sua certidão de nascimento e mais recentemente disparou que existem muitos estupradores entre os imigrantes mexicanos que estão ilegalmente nos EUA. O insulto contra McCain foi a gota d’agua para a maioria dos políticos republicanos, que acaba sendo visto como uma ofensa aos veteranos de guerra em geral.

Trump de fato estava reagindo a McCain que o acusou de ter “atiçado os loucos” com sua arenga contra imigrantes ilegais. Mas McCain estava falando verdades. O resultado é a armadilha tão temida: mais lenha na fogueira é o que justamente interessa a Trump. A sem-vergonhice de Trump contraste com a nobreza de outros candidatos republicanos. Alguns deste o começo do atual ciclo eleitoral não tiveram papas na línguas para denunciar o tonto(aliás, com este termo Trump rotulou McCain).

Eu dou mão à palmatória, pois já fiz muita chacota de Rick Perry, o ex-governador do Texas. No entanto, com classe, ele colocou Trump no seu devido lugar, dizendo que o bufão não é um bom exemplar do conservadorismo e sim do “trumpismo”, com sua mistura de demagogia e falta de bom senso.

As ofensas contra McCain foram simplesmente imbecis, mas Trump pede para ser insultado. Vive do espetáculo. O pesadelo para os republicanos (e para a alegria dos democratas e da imprensa) é que com sua fortíssima posição nas pesquisas, Trump deverá participar do primeiro debate dos republicanos em 6 de agosto. Ao invés de se concentrarem nos ataques contrra o presidente Obama e Hillary Clinton, os candidatos precisarão cuidar de Trump. Será muito pior do que “fogo amigo”. Será fogo desperdiçado, com o território capturado pelo heroico tio doido.

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Colher de chá para Rick Perry.

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19/07/2015

às 6:00 \ Brasil, Imprensa

Sensacional!

Os fatos

Os fatos

Pouco a acrescentar à criatividade da capa da edição corrente de VEJA. Infelizmente a criatividade jornalística foi estimulada por fatos sensacionais e escrabrosos. Na tradição sensacionalista dos tabloides ingleses, VEJA comete a ironia: o escândalo do conteúdo brasileiro libera o escândalo na forma. Minha coluna de sábado destacou a capa da edição corrente da Economist. A venerável revista britânica, como eu escrevi, já teve sacadas melhores nas invencionices. Com esta capa, VEJA deu conta do recado no quesito criatividade. Fico feliz.  Pena que os fatos sejam infelizes.

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18/07/2015

às 14:00 \ Brasil

A agonia do Brasil

E vejam que a foto dele é de 2011. Imaginem o semblante hoje?

E vejam que esta foto dele é de 2011. Imaginem o semblante hoje?

Não era o plano do Instituto Blinder & Blainder trazer tanto Brasil na coluna e nem estamos ainda no agosto agourento. Já basta o mundo aqui fora com seus Irãs e Grécias. No entanto, a urgência do momento exige mais presença brasileira na coluna, O enfoque aqui é trazer a visão de fora. Meus colegas da consultoria de risco Eurasia, no seu último relatório, mantiveram em 30% a chance de Dilma Rousseff não terminar o mandato. No entanto, tomaram nota do agravamento das crises (econômica, política e institucional). E por que não um pouco mais do cadeira cativa Juan Arias, do jornal espanhol El País, no sabático vespertino? Boa leitura (e relativamente pequena), apesar de tanta má notícia.

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Juan Arias

Poucos dias atrás, o ex-presidente Lula se reuniu em Brasília com a presidenta Dilma Rousseff e os seus ministros mais próximos para lhes dar um recado contundente: “A agenda do Governo do Brasil não pode ser ocupada pela Operação Lava Jato”, que investiga a corrupção na Petrobras e está prendendo dezenas de políticos e grandes empresários do país. Lula acrescentou: “Saiam às ruas e mostrem as obras realizadas pelo Governo.”

Pouco depois, chegou a notícia de que a Procuradoria da República do Distrito Federal abriu inquérito também contra Lula por suposto tráfico de influência internacional. Na mesma hora, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, o maior partido aliado do Governo, era acusado por um dos empresários presos de ter recebido 5 milhões de dólares em propina no escândalo da Petrobras. Foi praticamente sua morte política.

A opinião pública está desconcertada diante do quadro de incertezas vivido pelo Brasil, que enfrenta uma dura crise econômica e outra política já considerada uma das mais graves de sua história democrática.

É difícil imaginar como o Brasil poderá sair do quebra-cabeça em que as maiores autoridades políticas aparecem sob suspeita de ilegalidades e corrupção.

Já são dois ex-presidentes (Fernando Collor e Lula) sob investigação, assim como as maiores autoridades do Estado, a presidente Dilma, os presidentes da Câmara e do Senado e outros 30 deputados e senadores de vários partidos.

A pergunta feita pelos brasileiros é quem ainda tem autoridade no Estado para oferecer um mínimo de confiança à sociedade, que já convocou para 16 de agosto uma nova manifestação nacional –apoiada pela oposição – contra o Governo, a crise econômica e a corrupção. O único aplauso hoje da sociedade é para os juízes, que pela primeira vez estão enfrentando os políticos e empresários acusados de corrupção.

O Ministro da Economia, o banqueiro liberal Joaquim Levy, tem se esforçado para fazer um mínimo de ajustes econômicos a fim de conter a sangria da dívida pública e tentar fazer o país voltar a crescer. Seu temor é que o Brasil perca o nível de investimentos – medo que ele mesmo confessou aos parlamentares.

Os esforços de Levy têm sido freados pela disputa entre o Congresso e o Governo, que perdeu a maioria do apoio e não faz mais do que colecionar derrotas.

Este é, de fato, um momento de certa agonia para o Brasil. A crise dividiu seriamente a irritada sociedade entre os que exigem uma mudança de governo e os que acusam a oposição, sobretudo a do PSDB, de “golpismo” e de não aceitar o resultado das urnas, que deu vitória a Dilma.

A abertura do inquérito contra o carismático Lula traz um novo fator de instabilidade, pois ainda não é possível saber qual será a reação do seu partido e dos movimentos sociais. Ao mesmo tempo, afasta a possibilidade da candidatura de Lula em 2018, que acabava de ser lançada por seus correligionários do PT.

Já se chegou a dizer que existem seguidores de Lula “dispostos a morrer” por ele, enquanto fica cada vez mais evidente o seu divórcio com Dilma.

Lula, que foi sempre um dos mais hábeis estrategistas da política brasileira, tem preferido, até agora, a prudência do silêncio.

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Colher de chá aos leitores que aqui compareceram, colher de chá para vocês em intensidade variada de agonia.

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