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joaquim maria botelho

14/08/2012

às 9:30 \ Eventos, mercado

Então, né?

O poeta e tradutor Claudio Willer, ao lado de Joaquim Maria Botelho, presidente da UBE

A mesa Literatura, Carreira e Mercado, que era para ser um dos destaques da noite desta segunda-feira na Bienal do Livro de São Paulo, teve ar tragicômico. Além de começar atrasado, como é quase uma regra no evento, o debate foi esvaziado. Não mais de trinta pessoas assistiram à discussão entre o poeta e tradutor Claudio Willer e o moderador Joaquim Maria Botelho, presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), sozinhos após o cancelamento de Marcelino Freire e a ausência de Rodrigo Lacerda. Ao segundo não se sabe o que aconteceu. Ao primeiro, ocorreu a desorganização da Bienal: depois de convidado para participar do espaço Livros & Cia., Freire não recebeu mais nenhum contato por parte do evento, e, dando o convite por suspenso, agendou outro compromisso.

Restaram então Willer e Botelho para discordar um do outro. Enquanto o poeta sustentava que a literatura era, via de regra, uma atividade de baixa remuneração, da qual não se podia viver, o presidente da UBE defendia a regulamentação da profissão, com a possibilidade de o escritor se aposentar pelo INSS, e a busca do autor por fazer da literatura o seu ganha-pão — houve nesse campo uma boa intervenção de uma estudante de Letras que apontou para a falta de disciplinas de escrita criativa nas universidades.

Mas curiosa mesma foi a observação que Botelho fez do desrespeito com que os escritores são tratados no país. Ao enumerar as três coisas que, segundo ele, tornariam possível aos autores nacionais viver de escrever — respeito (dos outros para com eles), profissionalismo (a questão do direito autoral versus pirataria) e fomento (incentivo governamental, com uma “moralização” da Lei Rouanet, hoje a reboque de empresas privadas) –, o presidente da UBE lamentou o fato de autores não receberem cachê para participar de eventos, sob o pretexto de terem a oportunidade de divulgar seus trabalhos. Exatamente o que ocorre na Bienal. Nem ele nem Willer — nem Freire nem Lacerda — tiveram cachê anexado ao convite.

Nenhum dos poucos presentes parece ter se dado conta da saia-justa que podia se formar. Talvez não tenham ouvido direito a queixa de Botelho, abafada pela poluição sonora que vazava de outros ambientes da feira. Às vezes, a profissionalização parece mesmo distante.

 

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