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Intrínseca

27/06/2014

às 10:57 \ Livros da Semana

‘Caso Harry Quebert’: um thriller morno e fácil de esquecer

joel dicker

Meire Kusumoto

Impossível não abrir o volume de A Verdade sobre o Caso Harry Quebert (tradução de André Telles, Intrínseca, 576 páginas, 39,90 reais a versão impressa ou 24,90 o e-book) com franca curiosidade: afinal, o que tem esse livro que fez críticos ao redor do mundo caírem de amor por seu autor, o suíço Joël Dicker, e que chegou a desbancar Inferno, o último romance do gigante Dan Brown, da lista dos mais vendidos na Europa? No entanto, ao encarar o calhamaço de quase 600 páginas fica claro que toda essa badalação é exagerada: o livro é um thriller morno e fácil de esquecer, que falha em explorar a inicial criatividade da trama.

Dicker conta a história de Marcus Goldman, um jovem escritor que encontra o sucesso já com o lançamento de seu primeiro romance. Inebriado pelo reconhecimento, ele mergulha de cabeça no mundo das celebridades, com direito a namorar atriz de Hollywood e dar enormes festas em seu apartamento de Manhattan. A dura realidade não demora a bater à porta: em um mundo de personalidades descartáveis, que não ficam em evidência por mais do que alguns meses, ele é pressionado por sua editora a escrever o segundo romance.

Goldman enfrenta um bloqueio criativo e não consegue gostar de nada que produz. Desesperado ao perceber que ele é substituído aos poucos por outros escritores-celebridades, ele vai passar alguns dias na casa de seu mentor, o renomado romancista Harry Quebert, na pequena cidade fictícia de Aurora, New Hampshire, mas sua inspiração não volta. Poucos meses depois, Goldman é surpreendido por notícias de que o corpo de uma garota de 15 anos foi encontrado no quintal de Quebert, enterrado junto com um exemplar do mais conhecido livro do escritor veterano.

a verdade sobre o caso harry quebert 2Ela é identificada como Nola Kellergan, uma menina cujo desaparecimento deixou a cidade em polvorosa cerca de trinta anos antes. Quebert é visto como o principal suspeito do assassinato e é levado preso. Ao conversar com Goldman, ele nega o crime, admitindo, porém, que mantinha um caso amoroso com a garota quando ela tinha 15 anos e ele 34. Sem conseguir acreditar que seu mentor é um assassino, Goldman começa a investigar o caso por conta própria.

O jovem vasculha as histórias dos moradores da cidade, procurando alguém que teria motivações para perseguir e matar Nola. Aos poucos, a garota se mostra uma personagem cheia de segredos – um prato cheio para qualquer escritor. E é aí que Dicker decepciona: com a chance nas mãos de trabalhar as nuances de Nola e torná-la uma personagem mais complexa, o sueco decide enveredar por outros caminhos, mais fáceis, típicos de thrillers de banca de jornal.

A maneira como Quebert é retratado também deixa a desejar. O escritor renomado, considerado o maior romancista de sua geração, é um poço de frases de autoajuda regado a clichês sobre o amor e sobre a própria arte da escrita.

- Se os escritores são criaturas frágeis, Marcus, é porque são passíveis de conhecer dois tipos de sofrimentos sentimentais, ou seja, duas vezes mais que os seres humanos normais: as dores de amor e as dores literárias. Escrever um livro é como amar alguém: pode acabar sendo muito doloroso.

Reflexões desse tipo aparecem na abertura de cada um dos capítulos do romance e são reproduções de conselhos de Quebert a Goldman. Enquanto descobre o passado da cidade, o jovem relembra diversos momentos de sua vida: os primeiros anos da adolescência, a ida para a faculdade, as lições de literatura com Quebert, o sucesso. As lembranças do mentor e da população local também se misturam à narrativa, formando um emaranhado de histórias e uma polifonia de vozes.

O recurso funciona: faz com que o leitor seja tragado pela colcha de retalhos da história ali contada e avance com rapidez pelas páginas em busca de respostas – nada diferente do que um thriller deve fazer. Ao dar resoluções fáceis e burocráticas, o autor parece querer cumprir um simples protocolo para resolver os mistérios que propôs, deixando para trás personagens promissores, que de tão rasos acabam sendo esquecidos também pelos leitores.

12/09/2013

às 7:42 \ Eventos

Balanço da Bienal do Livro 2013: a vez dos infantojuvenis

A escritora Paula Pimenta (foto: Leo Drumond/Nitro)

A escritora Paula Pimenta (foto: Leo Drumond/Nitro)

Se a Bienal do Livro de São Paulo de 2012 foi praticamente dominada pelas capas pretas do romance Cinquenta Tons de Cinza, que vendeu 2.200 exemplares e impulsionou o crescimento de 140% da Intrínseca no evento, o perfil dos campeões de venda da Bienal do Livro do Rio foi bem diferente. A ficção erótica de E.L. James sequer apareceu na lista dos cinco títulos mais procurados da Intrínseca, preenchida por dois romances para o público jovem de John Green, A Culpa É das Estrelas e Cidades de Papel, além dos também juvenis Extraordinário, de R.J. Palacio, O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick, e O Ladrão de Raios, o primeiro livro da saga de Percy Jackson, escrita por Rick Riordan.

LEIA TAMBÉM: Gigantes da internet usam Bienal para reforçar marca

Os livros infantojuvenis foram de fato dominantes nesta Bienal. Fenômeno do ramo, Paula Pimenta, colunista do site de VEJA, puxou o crescimento de sua editora, a Gutenberg, do grupo Autêntica, que quadruplicou seu faturamento. A editora não revela números de receita ou de exemplares comercializados, mas afirma que os livros de Paula, como a série Fazendo Meu Filme, foram responsáveis por 40% das vendas do estande.

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29/07/2013

às 19:03 \ mercado, Páginas estrangeiras

Tradutora de ‘Crepúsculo’ vai verter policial de JK Rowling

A escritora britânica JK Rowling, autora de Harry Potter (Jeff J Mitchell/Getty Images)

Ryta Vinagre, a tradutora da série Crepúsculo no Brasil, vai assinar a versão nacional de The Cukoo’s Calling, com lançamento previsto para novembro pela Rocco. A editora já havia comprado os direitos do livro, que foi lançado no exterior por JK com o pseudônimo Robert Galbraith, antes de a criadora de Harry Potter ser desmascarada como a verdadeira autora do policial, o primeiro de uma série que deve contar com três volumes.

A Rocco é, por coincidência, a mesma editora que lançou Harry Potter no país. Morte Súbita, a primeira (e enfadonha) investida de JK Rowling no público adulto, saiu no Brasil pela Nova Fronteira, no fim do ano passado. The Cukoo’s Calling ainda não tem título em português, mas a sua tiragem inicial, inflacionada depois da revelação da autoria do livro, será de 100.000 exemplares. Antes, a Rocco pensava em 15.000. A mudança segue a lógica do mercado. As vendas do policial chegaram a subir 1.400% depois de JK Rowling assumir tê-lo escrito.

Enquanto a Rocco traduz o livro, estúdios de Hollywood brigam pelos direitos de adaptá-lo. A Warner Bros., responsável pela franquia Harry Potter, está na dianteira.

05/04/2013

às 14:35 \ Livros da Semana

‘Garota Exemplar’ leva às ultimas consequências os perigos do casamento

A escritora Gillian Flynn (foto: Heidi Jo Brady)

O novo livro da jornalista americana Gillian Flynn, Garota Exemplar (Intrínseca), segue a linha de mistério de suas duas obras anteriores, Sharp Objects e Dark Places, e apresenta um thriller intrigante sobre uma esposa desaparecida, um marido suspeito e um complicado caso a ser resolvido. A obra ganhou notoriedade ao anotar no currículo a proeza de desbancar Cinquenta Tons de Cinza do primeiro lugar dos mais vendidos do site da Amazon e entrar para o topo da lista de bestsellers do New York Times.  Lançado em junho de 2012 nos Estados Unidos, o livro vendeu em 37 semanas três milhões de exemplares. O feito rendeu à sua autora um contrato para adaptar a história para o cinema pela produtora da atriz Reese Witherspoon, que se encaixaria com perfeição no papel principal, mas ainda não confirmou se atuará ou não no longa. David Fincher (A Rede Social, Os Homens que Não Amavam as Mulheres) está em negociação para assumir a direção.

Lançado em março no Brasil, a história foca em Nick e Amy Dunne, casal que vive à risca o papel de um conto de fadas moderno, com seus hábitos de estilo cult e metropolitanos na cidade de Nova York. Ambos gostam de se destacar dos demais casais comuns, aparentando uma relação tranquila, despreocupada e que parece não exigir esforços. O rumo da história muda quando Nick, um jornalista cultural, enfrenta a crise que atinge a profissão e é demitido da revista em que trabalha. Amy, que é psicóloga, mas também trabalhava escrevendo para uma publicação feminina, passa pelo mesmo destino e perde o emprego. Ao contrário do marido, Amy é uma garota rica e por isso não se preocupa tanto com a situação. Seus pais construíram um império ao escrever uma série de livros infantis chamados Amy Exemplar, claramente inspirados na filha. As obras renderam uma fortuna à família e Amy poderia viver tranquilamente com o marido por um longo período por causa desse dinheiro. O que eles não imaginavam é que os pais da jovem eram péssimos administradores e acabaram gastando quase todas as economias para saldar dívidas.

Diante das circunstâncias, soma-se o fato de a mãe de Nick estar com câncer e precisar de ajuda em uma cidade no interior de Missouri. Sem dinheiro e sem perspectiva, o perfeito casal nova-iorquino precisa abandonar toda a vida construída até então para se mudar para um lugar provinciano e altamente afetado pela crise financeira nos Estados Unidos, que se arrasta desde 2008, e gerou um elevado índice de desemprego na região. Os problemas minam o amor do casal, que se entrega ao marasmo e a uma vida distante do que sonhou para si.

Insatisfeita com o relacionamento, Amy decide preparar uma surpresa para o marido no aniversário de cinco anos do casamento. Porém, ao chegar em casa, Nick encontra uma sala revirada, sinais de luta e sua esposa desaparecida. No desenrolar da história, o caso ganha notoriedade nacional, e a polícia, a mídia e toda a população do país apontam o marido como o principal suspeito do desaparecimento e possível morte de Amy.

Este é o quadro inicial do livro Garota Exemplar. Assim como os personagens principais, Gillian Flynn também escrevia para uma revista cultural sediada em Nova York, a Entertainment Weekly, e passou dez anos como crítica de cinema e TV na publicação. Mais tarde, decidiu se dedicar totalmente à carreira de escritora de ficção e demonstrou uma queda por histórias com assassinatos e personagens psicologicamente instáveis.

A obra é organizada em capítulos intercalados com Amy e Nick como narradores. O primeiro a expressar seu ponto de vista sob a história é Nick, que já está enfadado com o casamento e infeliz pela situação de abandonar a cidade grande e perder o emprego. No capítulo seguinte, a voz passa para Amy e suas memórias em um diário, retratando como foi conhecer Nick e como nasceu o romance entre eles. A dinâmica interposta se mantém até o final, e enquanto Amy relata a felicidade do início, Nick mostra a frieza da relação no presente. O jovem amor de Amy vai amadurecendo, enquanto Nick, após perder a esposa, revive o passado na mente e renova seus sentimentos. Isso cria um gráfico, de um lado crescente e do outro decrescente – em certo ponto, os lados se encontram para caminhar juntos e lineares em emoção e também em cronologia até o final.

Gillian brinca com o leitor, que se vê constantemente enganado pelos personagens, ambos mentirosos e cheios de segredos que se revelam ao longo da história. Personalidades ora admiráveis, ora maquiavélicas, em um jogo de manipulação constante que tenta convencer o leitor — e os outros personagens do livro — a torcer por um deles e separar qual é o vilão e qual é o mocinho.

A leitura prende e a cada fim de capítulo o instinto é continuar lendo para descobrir o que vem em seguida. Sem gorduras desnecessárias na construção, a história é repleta de acontecimentos surpreendentes, porém peca no final, que destoa do restante do enredo para cair no lugar comum. Mas isso não desqualifica o livro como bom entretenimento. E seus personagens, bem construídos e envolventes, garantem o ritmo da obra e plantam a dúvida sobre os perigos de viver e dormir com alguém que te conhece tão bem – e que, ao mesmo tempo, pode se tornar seu pior inimigo.

“Querido marido, é agora que aproveito o momento para dizer que o conheço melhor do que você jamais poderia imaginar. Sei que algumas vezes você acha que desliza por este mundo sozinho, sem ser visto, sem ser percebido. Mas não acredite nisso nem por um segundo. Eu analisei você. Sei o que vai fazer antes que faça.”

Raquel Carneiro

20/08/2012

às 19:34 \ Páginas estrangeiras

Intrínseca dispara ‘Caixa Preta’, de Jennifer Egan

Tem início daqui a pouco, às 22h, a versão brasileira de Caixa Preta, conto que a americana Jennifer Egan publicou em fatias pelo Twitter da revista The New Yorker, e que aqui será publicado no microblog da Intrínseca. A editora de Crepúsculo e Cinquenta Tons de Cinza é também a casa de O Torreão e A Visita Cruel do Tempo, livros de Jennifer lançados no Brasil.

Antes de sua mesa na Flip deste ano, o britânico Ian McEwan concedeu uma entrevista coletiva em que foi levado a falar de Jennifer, com quem dividiria o palco principal da festa literária de Paraty. McEwan então se derreteu por Black Box, que o leitor brasileiro vai conhecer agora.

O conto será publicado por partes, diariamente  até 30 de agosto, sempre das 22h às 23h, e por inteiro como e-book, ao final da empreitada.

 

Caixa Preta

Jennifer Egan

Intrínseca

Crepúsculo

Stephenie Meyer

Intrínseca

Cinquenta Tons de Cinza

E.L. James

INTRÍNSECA

O Torreão

Jennifer Egan

Intrínseca

A Visita Cruel do Tempo

Jennifer Egan

Intrínseca

28/04/2012

às 8:29 \ Livros da Semana

‘O Circo da Noite’, a promessa juvenil que não se realiza

Celia tinha cinco anos de idade quando foi enviada ao pai Hector Bowen junto com um bilhete de suicído de sua mãe. Hector viajava o mundo todo se apresentando como Próspero, o Mágico, mas não era magia o que ele praticava. Ele tinha poderes sobrenaturais e fazia de tudo para que seu público pensasse que não passava de ilusionismo. Em pouco tempo, Hector percebeu que a filha tinha os mesmos poderes. Ela conseguia destruir um relógio e, logo em seguida, fazê-lo voltar a funcionar só com a força do pensamento. Para desenvolver suas habilidades, Hector fazia coisas inimagináveis: cortava as pontas dos dedos da garota uma a uma até que ela fosse capaz de curar as dez de uma só vez. Os poderes de Celia levaram Hector a propor um desafio a um antigo rival, Alexander H., um homem misterioso que sempre surgia trajando um terno cinza. Alexander treinaria alguém para o duelo que acontece em O Circo da Noite (tradução de Claudio Carina, Intrínseca, 368 páginas, 34,90 reais na versão impressa e 19,90 reais na versão e-book), livro de estreia da artista multimídia americana Erin Morgenstern.

Foi em Londres do final do século XIX que Alexander escolheu um pupilo a ser moldado para o confronto. Marco, o eleito, vivia num orfanato e saiu de lá com o homem de terno cinza sem saber o que lhe aconteceria. Anos mais tarde, Marco e Celia se encontrariam no Cirque des Rêves (Circo dos Sonhos) para o tão esperado jogo. O circo foi montado por um grupo liderado pelo excêntrico Chandresh Lefèvre, mas nem ele nem a maioria dos responsáveis por idealizar o palco daquela disputa sabiam do que se tratava. Mas aquele não era um circo comum. Era formado por várias tendas, como a Labirinto de Nuvens ou a Jardim de Gelo, que ofereciam experiências sensoriais aos visitantes. A construção dessas tendas e toda a engrenagem do circo eram obras de Celia e Marco e faziam parte do desafio. “Como você impede que todos envelheçam? – pergunta Celia depois de um tempo. – Com muito cuidado – responde Marco. – E eles estão envelhecendo, só que muito lentamente.”

O resumo da história é simples: o circo percorre muitos lugares e Marco e Celia se apaixonam, dificultando o jogo. Os contendores não conhecem as regras da disputa, tampouco o leitor. Aparece uma tenda aqui, outra acolá, mas não ocorre um embate verdadeiro entre os dois. Ao final da história, o jogo termina sem que o leitor tenha se dado conta de como os movimentos dos adversários influíram no duelo. Aí, o leitor ainda é apresentado a Bailey, um garoto de Massachusetts que não pertence ao circo, mas está envolvido no desfecho da história. Sua participação, quase sempre narrada num tempo futuro, também é algo obscuro e difícil de relacionar com o principal do romance, que é o jogo.

Em uma entrevista, Erin Morgenstern disse que escreve a partir de imagens que vislumbra. “Pego pedaços e os coloco juntos. Escrever é quase como fazer uma colagem.” A sensação de percorrer O Circo da Noite é exatamente a de estar lendo partes de uma história, já que o texto tem inúmeros capítulos pequenos, escritos em parágrafos curtos que mais descrevem os ambientes do que encadeiam uma narrativa. Trechos como este recheiam a obra: “Velas de diferentes cores e formatos em candelabros de prata, queimando em conjuntos de três, rodeiam a mesa no centro do recinto. Sobre a mesa há uma xícara de chá que esfria devagar, um cachecol parcialmente emaranhado numa bola de algodão carmesin”. A exposição minuciosa do cenário não é ruim, pelo contrário, leva o leitor a imaginar cheiros, texturas e a ordenação dos objetos, mas essa capacidade descritiva não se reflete no enredo. O livro começa como se prometesse alguma ação e muita emoção, mas isso não acontece.

O Circo da Noite foi apresentado na Feira do Livro de Frankfurt, em outubro de 2010, e gerou um certo bochicho. O livro só seria lançado em setembro do ano seguinte, mas bem antes disso, em janeiro de 2011, a Summit Entertainment, a produtora da saga Crepúsculo, se adiantou e comprou os direitos de adaptar a obra, hoje publicada em 30 países. A crítica internacional chegou a dizer que O Circo da Noite poderia encantar os órfãos de Harry Potter e de Crepúsculo (vale lembrar que a autora já disse que não escreverá uma continuação para a história), mas é difícil equiparar o livro de Erin Morgenstern com esses dois fenômenos editoriais. Especialmente, com Harry Potter, que tem de fato alguma qualidade literária.

Se Erin abusa da criação de poderes sobrenaturais para seus personagens, seguindo a onda deflagrada pela americana Stephenie Meyer em Crepúsculo, não consegue fazer de Celia e Marco personagens capazes de mesmerizar os adolescentes. Crepúsculo não fez sucesso por sua qualidade, mas por ter conquistado o público juvenil com seu romance gótico entre Bella, a moça determinada mas inocente que se apaixona por Edward, um vampiro meio mórbido, porém bonito e amável. Celia e Marco, ao contrário, não têm características marcantes, já que a autora trata muito mais do funcionamento do circo que de seus protagonistas. Só depois de mais de metade do livro é que eles se aproximam e, por mais que o leitor pressinta que isso vá ocorrer, a situação é um tanto quanto abrupta e sem graça, pois o casal interage poucas vezes antes desse momento. E, depois dele, os encontros entre os dois continuam escassos e carentes de uma boa pitada de paixão.

O livro se compara menos ainda à série Harry Potter, da inglesa J.K. Rowling. O Circo da Noite está o tempo todo com o pé no acelerador. Pode-se afirmar que os personagens de Rowling são unidimensionais, mas ela, no entanto, é uma grande argumentista. Já Morgenstern não consegue construir um enredo para o cenário que criou. O máximo de ação que se vê no livro são personagens percorrendo as tendas do circo e se deparando com “criaturas feitas de papel”. “Sinuosas serpentes brancas com suas línguas negras faiscantes.” À falta de uma boa história, soma-se uma maneira simplória de descrever emoções. É comum alguém que “franze a testa” ou “faz uma careta”. Há ainda frases desengonçadas como “Acima deles, o relógio continua a virar suas páginas, desenrolando histórias pequenas demais para serem escritas”. Um crítico americano chegou a afirmar que O Circo da Noite é “um Romeu e Julieta envolto em magia” – o que deve ter feito Shakespeare revirar na tumba- e, de um modo geral, todos foram bastante condescendentes com Erin Morgenstern. Resta saber se o livro lhe renderá um séquito de fãs.

Até aqui, semanas depois de lançado, ele não decolou no país. Não aparece nem entre os vinte mais vendidos.

Simone Costa

 

O Circo da Noite

Erin Morgenstern

Intrínseca

Crepúsculo

Stephenie Meyer

Intrínseca

07/04/2012

às 8:04 \ Livros da Semana

Ritual de passagem

Mathilda Savitch, protagonista e título do livro que marca a estreia do americano Victor Lodato na literatura (tradução de Vera Ribeiro, Intrínseca, 216 páginas, 29 reais impresso e 19 reais o e-book) é uma adolescente quase comum. Alterna momentos de insegurança com rompantes de audácia, transita entre ações infantis e decisões sensatas, e é capaz de emitir opiniões triviais e argumentos sólidos no mesmo diálogo. O que difere Mathilda das demais garotas da sua idade – que o livro não diz, mas dá indícios que seja algo entre 12 e 14 anos – vai sendo revelado à medida que a história avança.

Sua família passa por uma crise diante de uma tragédia: a morte acidental de Helene, irmã de Mathilda, aos 16 anos. A narrativa, contada em primeira pessoa pela protagonista, se desenvolve pouco antes da morte de Helene completar um ano. Em tão pouco tempo, as cicatrizes não estão curadas. A mãe de Mathilda apresenta súbitas mudanças de humor e tendência ao alcoolismo. O pai passa a ser uma figura enigmática, caladão e de uma frieza glacial em relação ao mundo que o cerca. Mas estranho mesmo seria se ambos perdessem uma filha de maneira banal e reagissem com alegria e entusiasmo diante do fato.

E, no centro da família abalada, temos nossa heroína tocando sua vida, conciliando a perda da irmã-modelo com todos aqueles “problemas” da adolescência: “a escola é chata”, “meus pais não me entendem” e “meus amigos, bem, meus amigos parecem não ser tão amigos assim”.

A impressão que fica é que, romancista de primeira viagem, Lodato optou por não correr riscos. Com uma história linear, personagens convencionais e nenhuma ousadia estética ou linguística, o título pode ser visto como um livro adulto ruim ou uma obra infanto juvenil regular. Talvez o motivo de seu sucesso – já foi traduzido para 11 idiomas e bem recebido mundo afora – venha justamente de sua estrutura simples e de sua história familiar bonitinha e inofensiva, que ficaria muito bem num filme de sessão da tarde.

De mais interessante, o que o livro oferece é o pano de fundo em que a história se passa: nos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001. Em doses homeopáticas, o autor nos mostra que as mudanças que o acontecimento despertou na sociedade americana foram profundas, criando margem para traumas sociais e paranoias individuais ou coletivas.

Por exemplo, sem nenhum constrangimento, Mathilda desconfia que uma muçulmana com dois filhos pequenos em um vagão de trem possa ser uma terrorista prestes a mandar tudo pelos ares. Desconfia também que um colega de origem árabe, com “o sorriso mais branco e belo que já existiu”, possa ser um potencial homem-bomba. Os pais de Mathilda assistem aos noticiários trágicos, mas abalados pela perda recente, são incapazes de esboçar reações que vão além das lamentações.

O autor peca em deixar o assunto mais palpitante do livro diluído em comentários de uma adolescente. Talvez, se fosse narrado em terceira pessoa, o romance tivesse seu cenário mais bem explorado e construído, assim como as reações dos personagens às alterações vividas no cotidiano. Com isso, a obra cresceria muito e a descrição da transformação física e mental da adolescente teria maior força e estofo quando colocada no mesmo palco das mudanças ocorridas no país.

A passagem em que Mathilda esboça nos contar um curioso treinamento antiterrorista que recebeu na escola não merece mais que algumas linhas. Os capítulos do livro dedicados à insensatez que impregnou mentes e comportamentos – como de estocar alimentos e preparar abrigos antibombas – também ficam relegados a segundo plano e não passam de relatos superficiais vistos por olhos quase infantis.

Chamada por alguns jornais estrangeiros de “versão feminina de Holden Caulfield” (o protagonista adolescente de O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger), Mathilda Savitch não chega à altura. Falta-lhe a picardia e a personalidade cáustica e autodestrutiva de Caulfield. Mathilda não entende o que se passa com o mundo e nem procura entender. Sua busca no livro é pelo entendimento próprio, numa jornada de amadurecimento que acaba sendo a transição do mundo infantil para o mundo adulto.

Muitas sociedades têm ou tiveram rituais de passagem. Os jovens índios amazônicos Satere-Mawé, por exemplo, têm de enfiar a mão em um buraco cheio de formigas-bala, insetos com ‘mordida’ fortíssima. Só após sofrerem picadas e passarem por dores intensas (alguns chegam a convulsionar) serão considerados adultos. O ritual de Mathilda não é tribal, mas não deixa de ser doloroso. Se o livro está muito distante de ser uma obra-prima, Mathilda e sua história, por outro lado, estão longe de ser desinteressantes para um público infanto-juvenil.

Diego Braga Norte

03/03/2012

às 8:04 \ Livros da Semana

Só as mães são felizes?

Sessenta e nove anos, baixa, cabelos grisalhos com permanente, maçãs do rosto salientes, de blusa azul-celeste, casaco branco e saia bege pregueada. Foi assim que Chi-hon descreveu a mãe, Park So-nyo, no panfleto que a família distribuiria para tentar encontrá-la depois de ela se perder do marido numa estação de metrô de Seul, na Coreia do Sul. O casal saiu do interior para uma comemoração com os filhos na capital e, já em Seul, o marido entrou no vagão do metrô e não percebeu que a mulher ficara para trás. Não é o desvendar do mistério do desaparecimento de Park So-nyo que o leitor acompanhará em Por Favor, Cuide da Mamãe (tradução de Flávia Rössler, Intrínseca, 240 páginas, 29,90 reais na versão impressa e 19,90 reais na versão e-book), best-seller da sul-coreana Kyung-Sook Shin que acaba de ser lançado no país. Seu sumiço é praticamente o fio da meada que conduz filhos e marido a um mergulho no passado para tentar compreender quem era aquela mulher que desapareceu aos 69 anos sem que eles realmente a conhecessem.

A ida de Park So-nyo e do marido para Seul tinha por objetivo a celebração, junto com os filhos, do aniversário de ambos. Fazia tempos que os filhos haviam deixado de ir até a aldeia onde os pais viviam para festejar. Pensando que era um fardo fazer duas comemorações, Park So-nyo sugeriu que se reunissem apenas no aniversário do marido, um mês antes do seu. “Então, todos começaram a dar o presente de aniversário de Mamãe no dia do aniversário do Pai. Por fim, a data de aniversário de Mamãe acabou naturalmente deslocada.” Park So-nyo é mãe de quatro filhos — ela teve um quinto, que nasceu morto — já adultos, que vivem em Seul. Ela e o marido moravam numa propriedade rural, que ela tocava como uma fábrica desde que se mudou para lá ao se casar, aos 17 anos. Pouco tempo havia se passado desde a Guerra da Coreia (1950-1953) e a família era muito pobre, mas ela fazia de tudo para não deixar os filhos passarem fome: fazia molhos, criava bicho-da-seda, fermentava malte, ajudava a fazer tofu, cultivava alimentos, criava galinhas e até cachorros, cujos filhotes vendia para ganhar algum dinheiro. E ainda tinha tempo para preparar todos os rituais ancestrais: um na primavera, dois no verão e dois no inverno.

A vida atribulada de Park So-nyo vai se tornando conhecida a partir da narrativa de seus filhos Chi-hon e Hyong-chol, e de seu marido, e também dela própria, que rememora o que passou. Os dois filhos e o marido carregam uma enorme culpa pelo seu desaparecimento e começam a perceber que nunca olharam para ela como um ser humano que também tinha sonhos, tristezas, alegrias. Apenas a viam como mãe e esposa. “Para você, Mamãe era sempre Mamãe. Jamais lhe ocorrera que ela tivesse tido 3, 12 ou 20 anos de idade. Mamãe era Mamãe. Já tinha nascido Mamãe”, refletia Chi-hon, uma escritora de sucesso, que se martiriza ao lembrar que estava na China para uma feira de livros quando a mãe desapareceu e só ficou sabendo do que ocorrera quatro dias depois. Ela se entristece ao recordar que a mãe era analfabeta e também ao relembrar o dia em que descobriu que ela tinha terríveis dores de cabeça sem dizer nada a ninguém. Chi-hon ainda se atormenta por não ter tido paciência com a mãe quando, por exemplo, ela lhe pedia para que não viajasse mais de avião.

Hyong-chol, o filho mais velho de Park So-nyo, diretor de marketing de uma construtora de prédios em Seul, não tinha muito tempo livre, mas no momento em que sua mãe desapareceu, ele estava numa sauna. Hyong-chol chegou até a pensar que o irmão mais novo estava exagerando quando ligou para informá-lo do que tinha acontecido. Ele foi o filho mais mimado pela mãe, que não deixava que os irmãos comessem antes dele e dava toda a carne do seu prato para o primogênito. Ao recordar as visitas da mãe a Seul, ele se lembra bem de quando ela chegava de madrugada, limpava toda a casa, cozinhava e ia embora ao anoitecer, dizendo que tinha trabalho na aldeia, quando na verdade só não queria tirar os filhos, que naquele tempo moravam juntos, de suas camas. Mas é o marido de Park So-nyo, no entanto, o mais aflito. Algum tempo depois do sumiço da mulher, ele decide voltar para o interior. Na casa vazia, ele a chama constantemente como se ela fosse responder. “Sua esposa, de quem você se esquecera durante cinquenta anos, estava presente em seu coração.” Por várias vezes, ele saiu de casa com outras mulheres, mas ela sempre o recebia de volta e cuidava dele.

Mais de 1 milhão de cópias de Por Favor, Cuide da Mamãe já foram vendidas na Coreia do Sul. O livro, que também foi publicado em duas dezenas de países, está dividido em quatro capítulos e um epílogo, e a maior parte do texto está escrito na segunda pessoa, como se a mãe desaparecida fosse a voz que reaviva dolorosas lembranças ou momentos em que bastaria ter tido uma atitude diferente: “Você se dá conta de que nunca ofereceu à esposa nem um copo de água morna quando ela passara dias sem conseguir segurar a comida no estômago por causa de uma indisposição severa.” Não chega a ser um enredo dramático, mas é bastante lastimoso, cheio de culpa e ressentimentos. O livro leva o leitor ainda a conhecer algumas características culturais da Coreia do Sul, marcada por tradições, mas também por aspectos extremamente modernos. Num país onde há liberdade religiosa, Park So-nyo seguia à risca os rituais ancestrais, contribuía com um templo budista e frequentava a Igreja Católica.

Não deixa de ser interessante comparar a história dessa mãe oriental que abdica de sua própria vida – ainda que guarde alguns segredos íntimos – com a “mãe tigre” de origem chinesa Amy Chua, autora de outro best-seller, Grito de Guerra da Mãe-Tigre” (também lançado pela Intrínseca). Este não é um livro de ficção, mas uma espécie de receituário de como criar os filhos para enfrentar as dificuldades do mundo. Em vez de deixar de comer, como faz Park So-nyo para alimentar o filho preferido que ela quer que estude e se torne um homem de sucesso, Amy Chua apregoa que os filhos não devem ser protegidos das aflições e desconfortos cotidianos. Nem todas as mães orientais são iguais, como o Ocidente muitas vezes faz supor. A crítica americana Maurren Corrigan, da Universidade de Georgetown, não gostou dessa mãe sul-coreana. Para ela, o texto é complemante alheio à “cultura terapêutica” americana ao passar a mensagem de que, se a mãe é completamente infeliz, a culpa é do marido e dos filhos ingratos. “Como uma leitora americana — doutrinada nas resolutas mensagens sobre “limites” e “tomadas de responsabilidade” –, fiquei esperando por ironia, um toque cômico na trama. Esperei até o final do livro, quando entendi que essa era uma ‘soap opera’ (novela) coreana travestida em ficção literária séria”, disse.

Em entrevista a uma TV portuguesa, a autora Kyung-Sook Shin contou como surgiu a ideia do texto. “Escrevi este livro porque, quando tinha 16 anos, fui com a minha mãe de trem para Seul. Durante a viagem, olhei para a minha mãe e ela estava com um ar muito solitário. E então prometi-lhe que um dia escreveria um livro dedicado a ela”. Talvez a intenção da autora fosse apenas dizer “olhe para sua mãe”. O tom muitas vezes acusatório na segunda pessoa pode ter sido o modo que ela encontrou para dizer que não é justo que — em maior ou menor grau, que varia de acordo com a cultura ou a condição financeira das mães –, as mulheres sejam as responsáveis por todo o andamento de uma casa e a criação dos filhos. O que é certo é que, apesar desse moralismo enrustido, ou justamente por causa dele, ao final do texto o leitor vai querer dizer pelo menos um “oi” para a sua mãe.

Simone Costa

17/06/2010

às 10:30 \ Eventos

Novo Stephenie Meyer reúne fãs em 15 cidades

A data é sugestiva. No próximo dia 19, véspera do aniversário do vampiro Edward Cullen, da saga Crepúsculo, leitores da série de Stephenie Meyer vão se reunir em 13 cidades brasileiras. Encontro que se repete dia 26 em Vila Velha e dia 27 em Curitiba (confira programação completa abaixo).

A motivação principal da reunião, porém, não é celebrar mais um ano do imortal Edward. E, sim, a chegada de um novo livro de Meyer ao mercado brasileiro. Lançado no último dia 5, A Breve Segunda Vida de Bree Tanner: uma História de Eclipse é um romance derivado de Crepúsculo, pois tem por narradora Bree, uma vampira recém-criada (leia-se novata nessa coisa de consumir sangue), surgida em uma cena de Eclipse, o terceiro título da série. De personagem secundária, ela passa agora a principal.

Como todos os outros livros da saga, Eclipse é narrado por Bella, a menina que se apaixona pelo ético Edward – ele, juntamente com a família, é um vampiro decidido a não se alimentar de sangue humano. O amor de Edward e Bella é romântico, porque impossível – influência da doutrina mórmon seguida pela autora –, até que ela se torne vampira e possa tocar e ser tocada pelo amado.

A mudança de narradora em A Breve Segunda Vida de Bree Tanner é, para Stephenie Meyer - leia aqui o primeiro capítulo do livro -, uma forma de comprovar a diferença entre os pontos de

Divulgação

Bella e Edward, personagens centrais de 'Crepúsculo'. Bree só deve aparecer no 3º filme da série baseada nos livros de Meyer

vista. E é, também, uma chance de conhecer um pouco mais da personalidade da autora. Vampira caçadora e do tipo monstro, com crueldade a ponto de preparar um ataque a Bella e aos Cullen, Bree tem seu comportamento explicado pelas más companhias. Até que, como anuncia o título do livro, sua segunda vida seja abreviada precocemente.


Confira abaixo a agenda dos encontros, divulgada pela editora Intrínseca:

. Belo Horizonte (MG)
Na livraria Saraiva do shopping Diamond Mall, às 16h
(av. Olegário Maciel, 1.600, lojas 16 a 21)

. Brasília (DF)
Na livraria Saraiva do shopping Pátio Brasil, às 16h
(SCS, Quadra 07, Bloco A, Asa Sul)

. Fortaleza (CE)
Na livraria Saraiva do shopping Iguatemi, às 16h
(av. Washington Soares, 85, Edson Queiroz)

. Goiânia (GO)
Na livraria Saraiva do shopping Flamboyant, às 16h
(av. Jamel Cecílio, 3.300, 3º piso)

. João Pessoa (PB)
Na livraria Saraiva do shopping Manaíra, às 16h
(rua Manoel Arruda Cavalcanti, 805, 1º andar, Manaíra)

. Manaus (AM)
Na livraria Saraiva do Manauara Shopping, às 16h
(av. Mario Ypiranga Monteiro, 1.300, Adrianópolis)

. Natal (RN)
Na livraria Siciliano do Natal Shopping, às 18h
(rodovia BR 101, Km 2, piso L2, Neópolis)

. Porto Alegre (RS)
Na livraria Saraiva do shopping Praia de Belas, às 16h
(av. Praia de Belas, 1.181, 2º piso)

. Recife (PE)
Na livraria Saraiva do shopping Recife, às 16h
(rua Padre Carapuceiro, 777, Boa Viagem)

. Rio de Janeiro (RJ)
Na livraria da Travessa do Barrashopping, às 16h
(av. das Américas, 4.666, loja 220, Barra da Tijuca)

. Salvador (BA)
Na livraria Saraiva do shopping Salvador, às 14h
(av. Tancredo Neves, s/nº, Caminho das Árvores)

. São Paulo (SP)
Na livraria Saraiva do shopping Center Norte, às 16h
(na travessa Casalbuono, 120, loja 414, Vila Guilherme)

Na livraria Saraiva do shopping Morumbi, às 16h
(av. Roque Petroni Jr., 1.089, Morumbi)

. Teresina (PI)
Na livraria Universitária do shopping Riverside Walk, às 16h
(SH CTR Riverside Walk, s/nº, loja V68, Jockey Club)

Dia 26/06
. Vila Velha (ES)
Na livraria Saraiva do shopping Praia da Costa, às 16h
(av. Carioca, 353, SUC 216, piso L2, Praia da Costa)

Dia 27/06
. Curitiba (PR)
Na livraria Saraiva do shopping Crystal Plaza, às 16h
(rua Comendador Araújo, 731, Batel, Centro)

 

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