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Carlos Drummond de Andrade

22/10/2012

às 7:00 \ poesia

Drummond pauta Cadernos de Literatura Brasileira do IMS

A 27ª edição dos Cadernos de Literatura Brasileira, do Instituto Moreira Salles (IMS), será dedicada ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, que completaria 110 anos de nascimento no próximo dia 31 de outubro, data de lançamento do especial.

A obra reúne ensaios de renomados escritores, como Ferreira Gullar, Antonio Carlos Secchin, Humberto Werneck e Eucanaã Ferraz, além de datiloscritos dos poemas Nota Social (publicado em Alguma Poesia, de 1930), Carta a Stalingrado (que está em A Rosa do Povo, de 1945) e um manuscrito de 1911, feito pelo poeta aos 9 anos.

Os Cadernos trazem também um guia elaborado por Eduardo Sterzi com referências bibliográficas e três textos, de Alexandre Eulalio, José Guilherme Merquior e Rubens Rodrigues Torres Filho, que ajudam a compreender a obra de Drummond.

Em comemoração ao Dia D – Dia Drummond, iniciado no ano passado, o IMS também promove, no Rio de Janeiro, uma mostra de cinema com filmes estrelados por Greta Garbo, que inspiraram poemas e crônicas do poeta, e um curso de Antonio Cicero, Drummond: o Tempo e a Poesia. A programação completa dos eventos pode ser conferida na página www.diadrummond.com.br.

 

A Rosa do Povo

Carlos Drummond de Andrade

Companhia das Letras

17/05/2012

às 16:02 \ Eventos

Flip chega à 10ª edição com Drummond e um Nobel


No ano em que completa uma década de existência, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) escolheu como homenageado o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, que em 2012 faria 110 anos. Entre as vinte mesas programadas para os cinco dias de evento, que acontece de 4 a 8 de julho em Paraty, no Rio de Janeiro, três serão dedicadas ao poeta, além de uma exposição, uma peça e a conferência de abertura Drummond 110, com a participação de Antonio Cícero e Silviano Santiago. Além disso, uma das mesas da festa literária terá o crítico Antonio Carlos Secchin falando sobre o livro 25 Poemas da Triste Alegria, uma compilação de textos feitos por Drummond antes da publicação de seu primeiro livro, Alguma Poesia (1930), e nunca publicados. O lançamento da obra, pela editora Cosac Naify, acontece dia 21 de junho.

Escritor francês Le Clézio (Getty Images)

Diferentemente do ano passado, em que o número de mesas havia sido reduzido para três por dia, o evento, agora sob a curadoria do jornalista Miguel Conde, volta a ter cinco mesas diárias. Volta também a ter a mesa de encerramento Livro de Cabeceira, na qual alguns escritores leem trechos de seus livros favoritos. Ao todo, participarão do evento 40 autores de 14 nacionalidades.

Entre os destaques da programação deste ano, está o encontro entre dois grandes nomes da literatura de língua espanhola: o chileno Alejandro Zambra e o espanhol Enrique Vila-Matas, que estará pela segunda vez na Flip para falar de seu livro Aire de Dylan. Em comum, além da língua, eles têm o gosto por falar de literatura, grande tema de seus livros. No dia 7, um encontro semelhante, entre um nome novo e outro já consagrado de uma mesma língua, se dá entre o britânico Ian McEwan e a americana Jennifer Egan. Os dois conversarão sobre a necessidade de se colocar no lugar de outra pessoa para fazer literatura. No evento, McEwan também fará o lançamento mundial de seu novo romance, Serena.

Escritor americano Jonathan Franzen

O americano Jonathan Franzen, de Liberdade, nome badalado do evento, também terá mesa exclusiva. A mesa de maior destaque no evento, a da noite de sábado, no entanto, ficou com o francês Le Clézio, ganhador do Nobel de literatura em 2008.

Neste ano, a organização da Flip lançará dois livros e um DVD em comemoração a seus dez anos. A obra 10/Ten, editada pela criadora do evento, Liz Calder, reúne contos e ensaios inéditos de autores brasileiros e cinco contos de escritores estrangeiros nunca publicados no país. O livro Flip – Dez Anos conta histórias relevantes das nove edições já realizadas. O DVD Uma Palavra Depois da Outra: A Arte da Escrita faz uma montagem temática das apresentações de mais de cem autores que passaram pela festa.

Raissa Pascoal

 

Liberdade

Jonathan Franzen

Companhia das Letras

31/10/2011

às 11:43 \ Eventos

Drummond ganha seu Bloomsday

Longe da cultura do dia das bruxas, o Brasil pode criar uma tradição própria para o 31 de outubro: o Dia D. Inspirado no Bloomsday, o dia dedicado ao escritor irlandês James Joyce, o Dia D é um tributo ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, nascido na data, em 1902. Considerado por muitos o maior poeta brasileiro, Drummond, morto em 1987, será o homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2012.

Iniciativa do Instituto Moreira Salles (IMS), com curadoria de Flávio Moura, ex-Flip, o Dia D começa nesta segunda com diversas atrações pelo país, além da manifestação virtual de fãs e editores da obra do poeta. ”‘Vai, Carlos! ser gauche na vida.’ #DiaD”, postou a equipe da Companhia das Letras no Twitter. A editora passa a deter os direitos sobre a obra do poeta em 2012, quando dá início a uma reedição dos livros, a partir de março.

Um dos destaques da programação será a exibição do filme Consideração do Poema, produzido pelo IMS justamente para a data, no qual nomes importantes da cultura brasileira leem poemas de Drummond, entre eles Milton Hatoum, Fernanda Torres, Adriana Calcanhotto, Cacá Diegues, Antonio Cícero, Paulo Henriques Brito e Marília Pêra. Em Belo Horizonte, uma exposição de fotos e poemas marca a data. Confira aqui a programação completa do Dia D, preparada pelo Instituto Moreira Salles.

Com a programação, os curadores pretendem incentivar fãs anônimos a também ler suas poesias preferidas: todos podem enviar seus próprios vídeos com leituras de poema por e-mail para o site oficial do evento. O material vai inspirar um novo filme. Vale tanto famosos como Poema de Sete Faces (Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra /falou: Vai, Carlos, ser gauche na vida) como o emblemático No Meio do Caminho (No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / tinha uma pedra / no meio do caminho tinha uma pedra), que Mario de Andrade considerou formidável mas fruto de um cansaço intelectual.

Um terceiro vídeo também produzido pelo IMS estará disponível no site: No Meio do Caminho (2010) conta com 11 versões em língua estrangeira do poema mais conhecido de Drummond declamadas por personalidades diversas, como David Arrigucci Jr., Matthew Shirts, Jean-Claude Bernardet e Heloisa Jahn. E, para que a iniciativa ganhe as ruas, inúmeros adesivos foram espalhados por livrarias e centros culturais.

17/07/2011

às 16:56 \ Livros da Semana

Em versos, Drummond para os íntimos

O poeta Carlos Drummond de Andrade era conhecido entre seus pares pela afeição à memorabilia. Ao contrário da recomendação feita por ele mesmo em uma crônica nos anos 1960, de que cartas não deveriam ser guardadas, Drummond recolhia em casa correspondências, livros e recortes. Guardava de um tudo. Foi a partir desse mazaroio de coisas que o poeta Eucanaã Ferraz organizou Versos de Circunstância (Instituto Moreira Salles, 288 páginas, 55 reais), uma reunião de 295 poemas, 229 deles inéditos, tirados de três cadernos onde o autor da pequena cidade mineira de Itabira registrava as dedicatórias feitas em verso para familiares, amigos e leitores anônimos, desdizendo a recomendação do cronista.

O conjunto da obra é irregular, mas nem por isso sensabor. Nos poemas-dedicatórias, fulanos e sicranos desconhecidos do grande público se misturam a nomes expressivos como Otto Maria Carpeaux, Thiago de Mello e Lygia Fagundes Telles, em textos em que poesia e familiaridade se misturam. Ao colocar a sua criação a serviço da generosidade com que trata cada um a quem dedicava um poema, Drummond afiava o próprio verso, de palavras bem escolhidas e feitura aparentemente simples, mas de verdadeira riqueza lírica, e cativava velhos e novos admiradores.

Tal hábito o aproximava de uma declaração do pernambucano Manuel Bandeira, seu amigo, que se dizia poeta de desabafos e circunstâncias. Para Bandeira, aliás, Drummond dedica alguns versos de Viola de Bolso, livro publicado em 1955, entre a diversão e a reverência: “Querido Manuel, a minha / musa de pescoço fraco / a ver-te, mete a violinha / no saco”. Com a escritora cearense Rachel de Queiroz, também sua contemporânea, o poeta foi mais solene: “‘Cultiva o teu jardim’. Rachel o sabe, / mas, na Ilha Feliz, ela não deixa / de guardar em ternura quanto cabe / no coração, e ouvir a humana queixa”. Entre uma e outra dedicatória, se nota a versatilidade do seu estilo, ora pendendo para o picaresco ora para o terno.

A opção do Instituto Moreira Salles de publicar a transcrição dos poemas ao lado das copias fac-símile dos cadernos onde eram anotados – e que carregam na capa uma etiqueta com o agora título do livro – ajuda a boa apreciação. A letra cursiva do autor de Alguma Poesia (1930) e Boitempo (1968), o cuidado com a métrica e as rimas que muitas vezes lembram chistes – a depender da proximidade com o destinatário – transformam a nova obra em algo que era caro ao poeta e que agora se percebe melhor: verter sentimento pródigo em palavras gentis e, no seu caso, de valor literário.

Rodrigo Levino

 

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