08/08/2010
às 11:13 \ EventosBrasileiros correspondem: príncipe se diz fã de Azar Nafisi
A escritora iraniana Azar Nafisi já revelou ter ficado fã do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem assistiu em um debate sobre Maquiavel com o anglo-indiano Salman Rushdie, na última quinta-feira. Um dos nomes que mais se destacaram nesta Flip, onde vem sendo frequentemente requisitada a dar opiniões sobre a situação política do Irã e de Sakineh Ashtiani, iraniana condenada à morte por apedrejamento, Azar também ganhou admiradores em Paraty. Entre eles, o príncipe João de Orleans e Bragança, presença sempre constante na festa literária.
“Tenho admiração por quem luta por seu país e por liberdade”, contou Dom João durante o Sarau do Príncipe, evento que reuniu na sua casa, na noite deste sábado, poetas de dentro e de fora de Paraty. Azar conhecerá o lugar neste domingo, quando almoça com o príncipe. Para o encontro, Dom João convidou também a cubana Wendy Guerra, escritora crítica à falta de autonomia individual sob o regime de Fidel Castro. “Também admiro a (blogueira) Yoani Sanchez, que escreve sobre a vida em Cuba. É uma pena, mas a esquerda se desvirtuou na América Latina. Ela hoje é representada por regimes restritivos como o de Fidel e o de (Hugo) Chávez. Isso para mim não é esquerda. No Brasil, mesmo, há gente no governo tentando controlar os meios de comunicação. Isso me assusta.”
Entre velas e versos como “Eu moro em Paraty, embora Lula presidente, aqui quem manda é o polvo”, disparados por um autor local, Dom João admitiu não ser um grande consumidor de literatura. “Prefiro ler jornais, filosofia, sociologia e política.” E por que participa ativamente de todas as Flips, promovendo almoços e saraus? “É pela minha ligação com Paraty. Quem está conectado à cidade sente desejo de se envolver com a vida comunitária local.”
Bastante engajado com a Flip, Dom João dá um conselho para a organização do evento. “A Flip tem de tomar o cuidado de não se expandir demais. É importante que o evento mantenha o seu formato, em que os leitores podem encontrar os autores pelas ruas, e conversar com eles.” O príncipe, aliás, é também um autor: na última quinta-feira, lançou O Olhar de João, um livro que reúne parte da sua produção fotográfica.
E é também político. Ao se dizer leitor de sociologia, foi questionado sobre a obra de Gilberto Freyre, homenageado dessa Flip. O príncipe concorda com a crítica que afirma que o antropólogo pernambucano açucarou as relações sociais do Brasil colônia? “É um assunto polêmico. É preciso ver o contexto da época e… bom, acho que não tenho conhecimento suficiente para opinar.”
Maria Carolina Maia
Tags: Azar Nafisi, Flip, Flip 2010, príncipe João de Orleans e Bragança






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