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Alejandro Zambra

13/08/2012

às 16:30 \ Entrevista, Eventos

Alejandro Zambra: escrever é aventurar-se

Apontado como o nome da vez na literatura chilena, o escritor Alejandro Zambra faz dupla atuação no Brasil este ano. Autor convidado da Flip 2012, ele participa nesta segunda-feira da Bienal do Livro de São Paulo. Aqui, em entrevista gravada em Paraty, ele fala sobre o processo criativo na literatura. No seu romance Bonsai (Cosac Naify), o único lançado no país até agora, os namorados Julio e Emilia se perdem um do outro para que o livro prossiga. Uma perda que, segundo Zambra, é parte da rotina literária.

 

 

Bonsai

Alejandro Zambra

COSAC NAIFY

08/07/2012

às 10:01 \ Entrevista, Eventos

Cinco perguntas para Alejandro Zambra, o chileno da vez

Escritor chileno da vez, sendo apontado até como o sucessor do fenômeno Roberto Bolaño (1953-2003) – que ganhou os círculos literários europeus com romances caudalosos em que se mesclam referências de literatura e história –, Alejandro Zambra é o principal representante da nova literatura latino-americana na 10ª edição da Flip. O evento conta também com a argentina Paloma Vidal, o haitiano Dany Laferrière e a cubana Zoé Valdés.

No Brasil, Zambra ainda é conhecido apenas por seu romance de estreia, o premiado Bonsai, publicado em 2006 no Chile e este ano por aqui, pela Cosac Naify. O livro conta a história de um casal jovem, Julio e Emilia, que estuda literatura e tem uma relação amorosa e sexual intensamente conectada com o ato de ler e com a formação literária e intelectual dos dois. O relacionamento se desdobra com a aparição e intervenção de outros personagens secundários e é pontuado por referências literárias, constantes em todos os capítulos do livro.

“O amor como tema me interessa muito. A minha geração foi a primeira a crescer sabendo que tudo tem um custo, que o amor não é para sempre, que todo mundo se separa, que a decisão de ter filhos é muito complexa”, diz Zambra, 37, destacando que a forma de encarar um relacionamento mudou em sua geração.

Além da mesa de que participou na quinta-feira, ao lado do espanhol Enrique Vila-Matas, o chileno Alejandro Zambra marcou presença na noite de Paraty – na sexta, foi à festa que a sua editora, a Cosac Naify, promoveu em um barco ancorado no cais da cidade. E conversou com VEJA Meus Livros. Confira abaixo uma seleção de cinco perguntas para Alejandro Zambra.
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04/07/2012

às 8:41 \ Eventos

Quem é quem na Flip 2012

 

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) chega à sua 10ª edição nesta quarta-feira, com uma programação em homenagem ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Apesar dos 110 anos de seu nascimento, porém, Drummond não é a figura principal do evento, que conta com expoentes da literatura contemporânea como o americano Jonathan Franzen, o inglês Ian McEwan e o espanhol Enrique Vila-Matas. Ao todo, são 39 escritores convidados, 20 deles estrangeiros. Até domingo, eles se revezarão em vinte mesas de debate no palco principal da festa, a tenda dos autores, em volta da qual outros duzentos eventos, entre festivais paralelos, uma edição infantil, lançamentos de livros e coquetéis de editoras, vão orbitar.

ACOMPANHE as mesas da Flip 2012 pelo blog Todoprosa

ENTREVISTAS, bastidores e notícias exclusivas pelo VEJA Meus Livros 

É difícil saber que rumos para a literatura aponta uma programação tão ampla e heterogênea. Ou, isso dito de outra forma, é fácil ficar desnorteado e com a sensação de que a indústria cultural, aquele dito ser autômato que vomita lançamentos sem descanso na cabeça das pessoas, está vencendo o leitor pelo cansaço. Mas não é bem assim. Uma análise mais acurada da programação permite uma seleção dos autores da festa, assim como das leituras sugeridas pela Flip em que é possível investir com segurança. VEJA Meus Livros dá sua mãozinha.

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01/07/2012

às 8:46 \ Eventos, Livros da Semana

Literatura como missão

O escritor inglês Ian McEwan, um mestre da narrativa

O retorno de um autor à Flip, ainda que seja um grande nome, não costuma empolgar: não representa uma novidade e ainda dá aquele receio de que o evento, ou ao menos a sua capacidade de atrair convidados interessantes, esteja se esgotando. Como se estivesse de olho nisso, o inglês Ian McEwan, 64, volta à festa guarnecido de um livrão. É dele o maior lançamento da Flip deste ano. Serena (tradução de Caetano W. Galindo, Companhia das Letras, 384 páginas, 39 reais) é daqueles livros que exemplificam a importância de um autor. Nas lojas desde a última sexta, o romance, que aliás sai primeiro no Brasil e só no decorrer do segundo semestre chega aos leitores da Inglaterra e dos Estados Unidos, conta uma história de espionagem para, a partir dela, discutir a investigação presente em toda relação humana e na própria literatura.

Serena leva no título – ao menos no Brasil, já que o original é Sweeth Touth, nome da operação secreta que estrutura a principal ação do livro, aqui chamada de Tentação – o nome da protagonista. A personagem, que é também a bem humorada narradora do livro, é uma leitora voraz de romances que, impulsionada pela mãe, a mulher de um bispo anglicano de postura feminista não declarada, vai estudar matemática em Cambridge, embora tivesse como sonho cursar letras. Por meio de um namorado da universidade, ela conhece um professor de 54 anos que se tornaria seu amante e mentor, e que a indicaria para o MI5, o já lendário braço do serviço de inteligência britânica.

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12/05/2012

às 9:09 \ Livros da Semana

Folhas de árvore, folhas de livro

Alardeado como uma das vozes mais instigantes da novíssima literatura latino-americana, o chileno Alejandro Zambra, nascido em 1975 em Santiago, tem seu romance de estreia, Bonsai (tradução de Josely Vianna Baptista, Cosac Naify, 64 páginas, 23 reais), publicado agora no Brasil. O livro obteve diversos prêmios importantes e foi adaptado para o cinema por Cristián Jiménez, em 2011. Mais importante do que repassar o currículo da obra, porém, talvez seja observar como nela Zambra parece seguir caminhos abertos por Roberto Bolaño, escritor que também é de origem chilena e se tornou um verdadeiro fenômeno editorial na América Latina.

Costuma-se dizer que a Europa e os Estados Unidos “adotam” um escritor latino a cada década, e o último a ser assimilado, sem a menor dúvida, foi Bolaño. Na América Latina, o nome do chileno se converteu em algo fantasmagórico – espera-se que as obras dos novos narradores e poetas dialoguem, de certa forma, com a produção do autor de 2666 e Noturno do Chile.

Publicado em 2006, Bonsai conta a história de um casal jovem, Julio e Emilia, que estudam literatura e têm uma relação amorosa e sexual intensamente conectada com o ato de ler e com a formação literária e intelectual dos dois. O relacionamento se desdobra com a aparição e intervenção de outros personagens secundários e é pontuado por referências literárias, constantes em todos os capítulos do livro.

O narrador de Bonsai não cria suspense em relação à trama nem apela para métodos tradicionais de contar uma história de amor. Desde o início do livro, ele anuncia o final, e a cada começo de capítulo deixa o máximo possível às claras, destruindo qualquer possibilidade de criar uma narrativa que empolgue o leitor e o obrigue a folhear com voracidade as páginas. Pelo contrário: o narrador de Zambra é distante e esquarteja a própria história que conta com a frieza de um agente funerário. Apesar da brevidade do romance (que, não fosse por questões mercadológicas, poderia ser chamado de novela ou mesmo de conto), o texto é construído aos poucos, como quem poda uma árvore de bonsai uma folha por vez.

Em muitos sentidos, a trama remete a Os Detetives Selvagens, romance icônico de Roberto Bolaño. Assim como na primeira parte de Os Detetives Selvagens, observamos em Bonsai uma união entre descobertas amorosas e achados literários. A formação literária dos protagonistas se dá juntamente com as suas formações eróticas. Mais do que isso: com o desenrolar da narrativa de Bonsai, surgem vários indícios de que parte da história pode ser interpretada como uma metáfora sobre o ato de escrever. Assim como em Roberto Bolaño, no universo de Zambra, literatura e vida estão indissociavelmente unidas.

Isso não quer dizer, de modo algum, que Alejandro Zambra não tenha voz própria ou que seja um mero descendente de outro autor chileno de maior destaque. É apenas um sinal de que o escritor está ligado a certa tendência contemporânea – metaliterária, pode-se dizer – de usar o espaço ficcional para pensar o próprio fazer literário, nem que seja ao contar a história de amor de um casal no Chile dos dias de hoje. Assim como o espanhol Enrique Vila-Matas, outro autor de amplo destaque entre os literatos de língua hispânica, Zambra dá vida a personagens que estruturam seu mundo como se este fosse mediado pela literatura, pelos romances que devoram e que leem em voz alta para a namorada.

O resultado, em Bonsai, é uma narrativa incomum, que se mostra desmistificadora — explicitando recursos narrativos e anunciando eventos na trama muito antes de acontecerem — ao mesmo tempo em que está envolta em uma atmosfera de estranheza e obscurece certos ângulos da trama. Pode-se especular que a concisão de Zambra seja decorrente de sua experiência com a poesia. Por enquanto, com apenas um trabalho publicado no Brasil, o autor chileno seguirá para os brasileiros enigmático como seu romance.

Antônio Xerxenesky

 

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