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(Sem título. Sobre ‘A Menina que Roubava Livros’)

Alemanha, 1939. Todos sabemos o que isso quer dizer: nazismo; guerra; mortes. Apesar de existirem tantos livros sobre o assunto, poucos autores conseguiram descrever o período com tanta profundidade quanto Markus Zusak, escritor australiano descendente de alemães. A narradora personagem-observadora de Zusak é a própria Morte, uma entidade que, contrariando o senso comum, consegue apresentar humor, tristeza, horror e poesia em doses iguais. Só isso já demonstra uma criatividade enorme do autor, mas, com o progresso da leitura, ele se supera cada vez mais em originalidade e capacidade literária. A sua principal ferramenta é a mistura de poesia e sinestesia (mistura de sentidos), ambos os recursos usados à exaustão de forma que cada frase aparenta ter sido lapidada até a perfeição.

A história é complexa, dando voltas e voltas de forma que o leitor sabe desde o início qual será o final da narrativa. Isso não o impede de se chocar quando as páginas chegam ao fim. Esse é o maior trunfo de Zusak: surpreender o leitor a cada capítulo, cada página, a cada comentário perturbador da Morte sobre a vida da pequena Liesel Meminger.

Liesel é uma menina que perde tudo, gradativamente, com a guerra. A primeira coisa que ela perde é a família biológica, sendo levada a morar com os Hubermann, sua família adotiva que logo se torna a sua família verdadeira. A última coisa que ela perde é o livro que ela escreve sobre sua vida. Entre essas duas perdas, muitas coisas acontecem.

Ela conhece Rudy, seu vizinho na Rua Himmel (Himmel significa céu. Como a Morte diz sobre isso: que senso de humor!). Rudy passa anos implorando por um beijo de Liesel. Uma pena que, quando esse beijo finalmente acontece, é tarde demais para os dois. Ela se torna amiga de Max Vanderburg, o judeu do porão que rouba o céu e o desenha nas paredes. E ela rouba livros da biblioteca da mulher do prefeito, um crime que ela comete com perfeição e inocência.

A Menina que Roubava Livros é uma obra para suceder O Diário de Anne Frank como retrato do nazismo visto por olhos adolescentes, mas não é um livro para quem gosta de finais felizes. É um livro para quem consegue perceber que, depois de toda a dor, existe esperança.

Thaís Scuissiatto

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  1. Comentado por:

    Anabor Moreira

    Parabéns.

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