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Arquivo da categoria VEJA Meus Livros

19/12/2012

às 13:05 \ VEJA Meus Livros

Saem os vencedores do concurso de micro-contos. Confira

A equipe de VEJA fez a primeira triagem. O público votou nos 20 melhores. E agora uma comissão especial, formada pelo crítico Sérgio Rodrigues, pelo editor-executivo do site de VEJA, Carlos Graieb, e por um comitê editorial da Globo Livros, elegeu os três vencedores do primeiro concurso de micro-contos do blog VEJA Meus Livros. A disputa pelo primeiro lugar foi apertada. Confira, abaixo, os autores dos micro-contos que vão levar pacotaços da Globo Livros:

“EXTRA! Meliante encantadora ludibria marido com 1001 noites insones de mentiras das Arábias! O manso está perdidamente apaixonado!”, de Marcelino Antonio de Medeiros Nobrega, Jaboatão dos Guararapes – PE (nota 9,1)

“se parar, morro nas mãos de meu marido. aí invento noites, marujos e ventanias até que o sol renda a lua. invento noites para ter os dias”, de Ana Rüsche, São Paulo – SP (nota 9)

“Mil e um dias de bendita sorte, mil e uma noites que brinquei com a morte: afinal, tudo que fiz foi contar”, de Maira Moreira de Moura, Rio de Janeiro – RJ (nota 8,5)

Os vencedores receberão em casa os pacotes de títulos da Globo Livros, que incluem, em todos os casos, os quatro volumes do Livro das Mil e uma Noites, mote do concurso. O primeiro lugar ganhará 15 títulos, entre os quais Últimas Palavras (Christopher Hitchens), Neil Young – A Autobiografia (Neil Young), Deixa Ela Entrar (John Ajvide Lindqvist) e A Fugitiva (Marcel Proust), livros que o segundo colocado também receberá, em, seu pacote de 10 livros. O terceiro lugar ganha, além da saga de Sherazade, Últimas Palavras, de Christopher Hitchens.

 

Livro das Mil e Uma Noites - Volume 1

Tradução de Mamede Mustafa Jarouche

Globo Livros

Últimas Palavras

Christopher Hitchens

GLOBO Livros

Neil Young - A Autobiografia

Neil Young

Globo Livros

Deixa Ela Entrar

John Ajvide Lindqvist

Globo Livros

 

15/12/2012

às 9:31 \ Prêmios, VEJA Meus Livros

Conheça os 20 finalistas do concurso de micro-contos

Falta pouco para o anúncio dos três ganhadores de pacotaços da Globo Livros. Dos 50 primeiros classificados no concurso de micro-contos que o blog VEJA Meus Livros promove inspirado em O Livro das Mil e uma Noites, que está sendo lançado pela editora, 30 foram tirados da disputa pela participação do leitor. Os 20 sobreviventes passarão agora pela avaliação de uma banca de especialistas indicados por VEJA e pela Globo Livros. Os vencedores serão anunciados na próxima quarta-feira, dia 19.

Confira abaixo quais foram os 20 micro-contos selecionados para a grande final:

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10/12/2012

às 14:07 \ VEJA Meus Livros

Os 50 primeiros finalistas do concurso de micro-contos

Chegou ao fim, com sucesso, a primeira fase do concurso de micro-contos promovido por VEJA Meus Livros com inspiração em O Livro das Mil e Uma Noites, lançado pela editora Globo Livros (/globolivros | @globolivros | +globolivros). A equipe do blog já selecionou os 50 melhores micro-contos inscritos, que agora serão julgado pelos leitores. Até sexta-feira, você poderá votar nos três textos que considera os mais aptos a levar pacotaços da editora Globo Livros. Os 20 melhores serão conhecidos no sábado e em seguida submetidos a  uma comissão especial de literatos que inclui o colunista Sérgio Rodrigues, do vizinho Todoprosa. Em 19 de dezembro, serão revelados os três grandes vencedores, eleitos pela comissão.

PARTICIPE: Indique os três micro-contos que devem ir à final

Confira abaixo os 50 primeiros finalistas do concurso de micro-contos. Compartilhe os preferidos.

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01/12/2012

às 14:00 \ Prêmios, VEJA Meus Livros

Mil e uma noites em um tuíte

VEJA Meus Livros dá partida neste sábado, 1º de dezembro, a um  novo concurso literário. Agora, os leitores do blog poderão soltar a veia literária — e tecnológica — para concorrer a pacotaços da editora Globo Livros (/globolivros | @globolivros | +globolivros). Quem melhor resumir, no formato de um tuíte, a saga de Sherazade no clássico Livro das Mil e uma Noites receberá 15 títulos, incluindo os quatro tomos da série, que está sendo lançada pela Globo Livros. O segundo e o terceiro colocados ganharão, respectivamente, 10 e 5 títulos cada um. Uma grande bagagem para as férias de janeiro.

Os micro-contos, com até 140 caracteres, poderão ser enviados para o e-mail vejameuslivros@abril.com.br até as 23h59 do dia 9 de dezembro, juntamente com o nome completo, endereço e número de identidade do candidato (sem essas informações, pedidas no regulamento, o micro-conto será desconsiderado). Na semana de 10 a 14 de dezembro, o público poderá participar da escolha dos vencedores, indicando 20 entre os 50 melhores micro-contos selecionados pela equipe do site de VEJA e disponibilizados no blog.

A seleção dos leitores será conhecida no dia 15. E, em 19 de dezembro, serão revelados os três ganhadores, escolhidos por uma comissão especial de literatos que inclui o colunista Sérgio Rodrigues, do vizinho Todoprosa. Participe! Concorrer já é uma saga.

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CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O REGULAMENTO DO CONCURSO

 

Livro das Mil e Uma Noites - Volume 1

Tradução de Mamede Mustafa Jarouche

Globo Livros

29/11/2012

às 2:16 \ Jabuti, Prêmios, VEJA Meus Livros

Juvenil tira do romance ‘Nihonjin’ o troféu principal do Jabuti

Miriam Leitão e Stella Maris Rezende: as vencedoras da noite

“Foi uma surpresa, não foi?” Com esta pergunta, o curador do Jabuti, José Luiz Goldfarb, resumiu ao site de VEJA a cerimônia de entrega do prêmio, realizada na noite desta quarta-feira na Sala São Paulo, no centro paulistano. A festa terminou com a vitória inédita de uma escritora juvenil, a mineira Stella Maris Rezende, que faturou de uma vez os dois primeiros lugares na categoria Juvenil e o troféu principal da noite, o jabutizinho dourado de Livro de Ficção do Ano por A Mocinha do Mercado Central, lançado pela Globo Livros — o segundo título premiado de Stella, autora com 33 anos de mercado, foi A Guardiã dos Segredos de Família, editado pela S/M. O outro jabutizinho dourado, de Livro de Não Ficção do Ano, ficou com a jornalista Miriam Leitão por Saga Brasileira – A Longa Luta de um Povo por Sua Moeda, da Record. Cada uma vai receber 35.000 reais. Os vencedores de cada uma das 29 categorias do Jabuti recebem 3.500.

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15/11/2012

às 21:58 \ VEJA Meus Livros

Escritor mineiro Alcione Araújo morre aos 67, de enfarte

O escritor mineiro Alcione Araújo morreu na madrugada desta quinta-feira, aos 67 anos, vítima de um enfarte. Ele estava em Belo Horizonte, hospedado com a  namorada e os sogros em um hotel, onde sofreu o infarto. Além de escritor, Araújo era um dramaturgo premiado, cronista, roterista de TV e de cinema.

Mineiro de Januária, localizada no norte de Minas Gerais, Araújo morava desde 1978 no Rio de Janeiro, para onde seu corpo foi transportado, de acordo com notícia do jornal O Estado de S. Paulo. O velório do escritor deve acontecer nesta sexta-feira no Memorial do Carmo, no Caju, onde também será cremado.

Formado em engenharia e com mestrado em filosofia, Alcione Araújo ingressou ainda jovem em um curso de formação de atores. Aos 29 anos, teve sua primeira peça encenada, Há Vagas para Moças de Fino Trato, com direção de Aderbal Freire-Filho. Ele ganhou projeção nacional quando o texto foi montado em São Paulo, com Glória Menezes, Yoná Magalhães e Renata Sorrah, sob a direção de Amir Haddad. Araújo também escreveu Doce Deleite, de 1981, outra peça de grande sucesso, inicialmente encenada por Marília Pêra e Marco Nanini.

Entre 2003 e 2007, ele se entregou a um projeto ambicioso: costurar a trajetória de personagens diversos que viveram no Brasil nos séculos 19 e 20, e, por isso mesmo, se confundiram com importantes momentos históricos. O resultado foi o romance Pássaros de Voo Curto (Record).

No ano passado, também  pela Record, ele lançou seu terceiro romance, Ventania.

 

Pássaros de Voo Curto

Alcione Araújo

Record

Ventania

Alcione Araújo

Record

02/08/2011

às 9:22 \ VEJA Meus Livros

Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni vencem Prêmio São Paulo de Literatura

O Governo do Estado de São Paulo anunciou na noite de segunda-feira (01) os vencedores da 4º edição do Prêmio São Paulo de Literatura, que premia nas categorias Melhor Livro e Melhor Livro de Autor Estreante. Rubens Figueiredo, autor de Passageiro do Fim do Dia, e Marcelo Ferroni, de Método Prático da Guerrilha, receberam o prêmio de 200 mil reais cada um. A cerimônia foi realizada no Museu da língua Portuguesa. Os dois livros foram publicados pela Companhia das Letras.

Passageiro do Fim do Dia narra a história de um homem preso em um engarrafamento que, a partir daí, passa a refletir sobre a própria vida até o destino final, na periferia de um grande centro urbano. Método Prático da Guerrilha, de Ferroni, se detém sobre parte da vida do argentino Che Guevara, reconstituindo fatos a partir de fragmentos de diários, biografias e depoimentos. O júri de premiação é composto por Ignácio de Loyola Brandão, Alexandre Martins Fontes, Ruy Altenfelder, Regina Dalcastagnè e Francisco Foot Hardman.

Ao todo, 221 romances concorreram ao prêmio, sendo dez os selecionados em cada categoria.

26/10/2010

às 9:18 \ VEJA Meus Livros

Dicas para ser um escritor (2)

Foto de Tereza Yamashita/Divulgação

No início desta pequena série, linkada à discussão sobre a idade certa para escrever, VEJA Meus Livros apresentou as dicas para escrever bem da escritora e crítica de arte gaúcha Veronica Stigger. Confira agora o decálogo do escritor Nelson de Oliveira, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de livros como Naquela Época Tínhamos um Gato, Subsolo Infinito A Maldição do Macho, e organizador de duas antologias de contos Geração 90: Manuscritos de Computador (2001) e Geração 90: Os Transgressores (2003), além de autor da coletânea A Oficina do Escritor: sobre Ler, Escrever e Publicar, da qual retirou este decálogo:
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1. Ler muito. Ler de tudo. Ler sem preconceito. Os prosadores devem ler bons poemas. Os poetas devem ler boa prosa. Digo isso porque tenho notado que a maioria dos prosadores não aprecia a arte poética, assim como a maioria dos poetas não aprecia a arte da prosa. Isso não é sinal de inteligência. O escritor iniciante também precisa cultivar o gosto pela reflexão teórica. Livros de filosofia, de crítica e de história da literatura precisam freqüentar sua mesa de trabalho.

2. Ler muito. Ler de tudo. Ler sem preconceito. Ler o passado e o presente, o cânone e a atualidade. Digo isso porque tenho notado que metade dos escritores iniciantes aprecia somente a literatura contemporânea, enquanto a outra metade aprecia somente os clássicos. Isso não é sinal de inteligência. O passado e o presente precisam estar em perpétuo diálogo.

3. Ler muito. Ler de tudo. Ler sem preconceito. Ler os brasileiros e os estrangeiros, os daqui e os de lá. Digo isso porque tenho notado que metade dos escritores iniciantes aprecia somente a literatura brasileira, enquanto a outra metade aprecia somente os estrangeiros. Isso não é sinal de inteligência. Certo, eu confesso: eu pertenço ao primeiro time, esse mandamento vale pra mim. Aprecio muito mais a prosa e a lírica brasileiras do que a prosa e a lírica estrangeiras. Por isso tenho me obrigado, ao menos profissionalmente, a estar sempre em contato com os de lá. Minha tese de doutorado foi sobre a lírica portuguesa contemporânea.

4. Ler muito. Ler de tudo. Ler sem preconceito. Ler desconfiando do que está lendo, ler desconfiando do autor, do editor, do livreiro. Desconfie dos livros de sua predileção, desconfie mais ainda dos autores de sua predileção. Livros e autores, ame-os intensamente, sim, mas jamais se entregue à idolatria cega, pois os escritores são mestres na arte da sedução e do engano.

5. Ver muito. Ver de tudo. Ver sem preconceito. Cinema, dança, artes plásticas, teatro, seriados de tevê. Ouvir muito. Ouvir de tudo. Ouvir sem preconceito. Música erudita e popular, clássica e contemporânea. Ler muito. Ler de tudo. Ler sem preconceito. Quadrinhos, quadrinhos, quadrinhos. Jogar muito. Jogar de tudo. Jogar sem preconceito. Videogame, RPG, cosplay.

6. A literatura é antes de tudo linguagem. Linguagem articulada com sensibilidade e talento. Linguagem estética, subjetiva, conotativa, que ultrapassa a linguagem ordinária, objetiva, denotativa. O escritor não deve procurar com avidez o mínimo denominador comum: apenas a linguagem que é acessível à maioria das pessoas. Quem faz isso são os autores de best-sellers, simples contadores de histórias, simples versejadores, não os verdadeiros escritores.

7. Evite o estereótipo, fuja do clichê, corra do chavão, não marque encontro com o lugar-comum. O critério originalidade não é exclusivo apenas do desfile das escolas de samba, ele ainda faz sentido também na atividade literária.

8. Bons sentimentos não fazem boa literatura. Afaste-se do tratamento edificante, repleto de boas intenções. A sociedade está cheia de defeitos, porém a melhor forma de propor soluções não é produzir literatura doutrinária, militante, moralista.

9. A função da boa literatura não é entreter e deleitar, mas inquietar e provocar o leitor. Se a narrativa e o poema passam o tempo todo adulando o leitor, dando-lhe somente o que ele deseja, evitando constrangê-lo ou contrariá-lo, essa narrativa e esse poema são péssimas peças literárias.

10. Prosadores, evitem as formas consagradas, evitem o conto e o romance realista, inventem sua própria forma, a teoria do efeito único e concentrado (Poe e Tchekov) e a do iceberg (Hemingway e Piglia) pertencem ao passado glorioso. Poetas, evitem as formas clássicas, evitem o verso de medida fixa, inventem sua própria métrica, fujam da rima, o poema regularmente metrificado e rimado pertence ao passado glorioso.

19/10/2010

às 6:06 \ VEJA Meus Livros

Dicas para ser um escritor (1)

No início desta pequena série, linkada à discussão sobre a idade certa para escrever, VEJA Meus Livros traz a escritora e crítica de arte gaúcha Veronica Stigger, que condensa em três dicas o que acredita ser essencial para quem deseja escrever bem.

1. Um bom escritor tem que ser, antes de qualquer coisa, um ótimo leitor. Portanto, minha primeira dica para quem pretende ser escritor é ler bastante. Ser um ótimo leitor significa prestar atenção no modo como o texto se organiza, nos recursos de que o autor lança mão, nas palavras que ele escolhe.

2. Outra coisa importante  é, antes de tudo, fazer um grande esquema do texto que será escrito: pensar bem, antes de começar a escrever, sobre como será a história, a partir de que ponto de vista ela será contada, quem será o narrador, como serão os personagens etc. Quando se sabe exatamente o que se quer contar e qual é a melhor forma de fazê-lo, fica mais fácil ter domínio do texto ao longo de sua redação.

3. Por fim, sugiro que se releia com muita atenção o que se escreveu. Aprendi isso com meu marido, que é crítico literário, além de poeta. É extremamente necessário, ao final da escrita, criar um distanciamento em relação a seu próprio texto. É preciso lê-lo como se não fosse seu. Melhor: como se fosse o texto de um inimigo, tentando encontrar todos os furos que possa haver nele. E, a cada frase, você deve sempre se perguntar: isso realmente faz sentido?

15/10/2010

às 9:13 \ VEJA Meus Livros

Com quantos anos se faz um escritor?

Depois de cerca de 500 páginas, o diretor da Leya no Brasil, Pascoal Soto, chega ao fim de Uma Viagem à Índia, romance de Gonçalo M. Tavares que será lançado em Portugal no final de outubro e, por aqui, provavelmente no início do ano que vem. Está emocionado. “É uma obra-prima”, diz. Gonçalo tem apenas 35 anos e já é autor de um catálogo respeitável – premiado e traduzido para diversas línguas, era a aposta de José Saramago para o próximo Nobel de língua portuguesa. O editor se pergunta como pode um autor tão jovem ter feito tanto. Não é preciso idade para escrever bem?

“Gonçalo é gênio”, responde Soto, esvaziando a discussão em torno do português. A pergunta, no entanto, permanece latente. Distante de ser uma ciência exata, a literatura é, antes, uma massa de questões incubadas, a sugerir respostas – e leituras – diversas. Exemplo disso é a sequência de listas recentemente produzidas por dois dos veículos mais respeitados dos Estados Unidos. Depois de a revista The New Yorker fazer uma relação de 20 escritores com menos de 40 anos considerados chaves de sua geração, a 20 under 40, o jornal New York Times parodiou a iniciativa, criando o 10 under 10: o rol dos dez autores com menos de dez anos que mais prometem. O que o jornal ironizava, no fundo, eram os critérios numéricos da revista: por que 20 e, mais ainda, por que 40 anos?

“Alguém já disse que os músicos e os cientistas manifestam sua genialidade na infância e na juventude, ao passo que os escritores e os filósofos, na maturidade e na velhice. Mas é claro que, na realidade dos fatos, isso não se confirma. Clarice Lispector não escreveu Perto do Coração Selvagem com 22 anos?”, indaga o escritor Nelson de Oliveira, que é autor de autor de A Oficina do Escritor: sobre Ler, Escrever e Publicar e ministra oficinas literárias para diferentes idades. “E o que dizer do jovem Rimbaud?”

Oliveira conta ter dado aula para adolescentes de catorze e quinze anos que escreviam “maravilhosamente bem. Uma escrita visceral, às vezes inocente, mas nunca ingênua”.

Exemplo oposto aos citados pelo escritor Nelson de Oliveira, o Nobel Saramago só atingiu sua maturidade literária aos 60 anos. E só então passou a se consagrar como autor de ficção. Nesse caso, a idade não possibilitou apenas acúmulo de experiência de vida ou de leituras, mas, especialmente, maturação do texto. Saramago encontrou um estilo próprio, caracterizado principalmente pela desobediência às regras de pontuação.

É fato que, aos 15 anos, o repertório do autor tende a ser menor do que aos 30. “Eu diria que, sem viver, é impossível escrever, mesmo para o gênio. E que, antes dos 25, 30 anos, não há tempo suficiente para viver o bastante e experimentar o suficiente para ter condições de ser livre e contribuir com algo”, diz Soto, da Leya. “Um escritor tem mesmo de ler muito, experimentar na escrita e, na vida, viver com intensidade. A prática da escrita em si, como se vê no caso do Saramago, é importante. Ela proporciona confiança.”

A escrita é, aliás, o ponto crucial para Alcir Pécora, professor de teoria literária na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Se tivesse de escolher uma única virtude para um prosador, não diria nem vivência nem imaginação, diria que é o domínio da língua. Ou, em termos mais amplos, a consistência do cultivo educacional, intelectual e cultural”, diz. “Onde não há estudo sistemático e institucionalizado de qualidade, onde a maioria dos escritores é monolíngüe e, pior, é estreita no emprego e domínio da própria língua, pode haver sempre o milagre de um escritor extraordinário, mas não pode uma qualidade média alta de produção.”

Maria Carolina Maia

 

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