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09/03/2013

às 8:34 \ Livros da Semana

Napoleão, o mito, ainda é capaz de surpreender

Existem biografias que, no afã de apresentar a maior quantidade possível de detalhes, acabam não dando a ênfase adequada aos aspectos mágicos e enigmáticos que moldam uma vida. Não é o que acontece com Napoleão, de André Maurois (tradução de Vera Giambastiani, Globo Livros, 160 páginas, 34,90 reais), publicado originalmente em 1963 e que chega agora ao Brasil. Maurois (1885-1967) foi um intelectual francês atuante em várias frentes, tendo escrito contos, romances e ensaios. Mas a excelência de sua prosa ganha ainda mais destaque no campo da biografia: além de Napoleão, se dedicou a Marcel Proust, Balzac, Victor Hugo e George Sand, entre outros.

O livro de Maurois não é apenas informativo, mas também dinâmico em sua linguagem e em sua abordagem da história, apresentando a vida de Napoleão com um uso mínimo de citações bibliográficas e um uso máximo de inventividade na recriação textual dos eventos mais importantes da vida do personagem. Maurois consegue transmitir uma espécie de incredulidade diante da trajetória de Napoleão, mesmo que essa história já tenha sido contada e recontada muitas vezes antes. Ao frisar as características contraditórias da personalidade e dos atos do Imperador francês, Maurois dá um tom quase folhetinesco à sua biografia, um tom que estimula o leitor a seguir página por página até o final:

“O verdadeiro perigo para ele seria uma derrota, ou uma conspiração de generais. Um militar que triunfa tem mais a temer de seus iguais que de um chefe civil. Todo general vencedor se perguntaria: ‘Por que não eu?’ Assim sendo, Napoleão sempre age de forma a dar a seus generais a impressão de que podia acabar com eles a qualquer momento. Tratava-os bruscamente, até mesmo com grosseria. Em contrapartida, Bonaparte assegura a devoção da tropa. Visita os bivaques, belisca a orelha dos bravos, usa um redingote cinza muito simples e um pequeno chapéu preto. A afeição dos soldados o protegerá por muito tempo contra as traições dos chefes”.

Napoleão é qualificado como “gênio” e “semideus”, uma mente alerta que soube tirar proveito das situações propícias que o “Destino” colocou em seu caminho. Nascido na Córsega apenas um ano depois dessa ilha ter se tornado francesa, Napoleão desde cedo teve que conviver com a desconfiança por ser estrangeiro. Quando foi levado à França, com nove anos, Maurois afirma que Napoleão falava “apenas o dialeto local”. Além de estrangeiro na própria nação, o Napoleão de Maurois é também um leitor voraz, dono de uma memória prodigiosa e de uma confiança inabalável na própria capacidade de trabalho e de liderança. “Ele era mesmo um super-homem”, escreve Maurois, “fora e acima das paixões, das quais não partilhava”. Sua leitura predileta eram os escritos do historiador romano Plutarco, que complementava com obras de Tácito, Rousseau, Montaigne, Montesquieu e Corneille.

Para aqueles acostumados a ver Napoleão como o conquistador da Europa, será uma surpresa constatar a quantidade de batalhas que ele teve de lutar e ganhar no interior da própria França. Liderou parte do exército na campanha de defesa da fronteira sul, na divisa com a Itália, e também reprimiu manifestações na capital, Paris. Napoleão chegou a ser encarcerado no início da carreira por não acatar ordens, característica que lhe garantiu uma série cada vez maior de desafetos – inimigos burocratas que conspiravam sempre que ele se ausentava em direção ao campo de batalha. O crescimento de seus domínios era também o crescimento de sua angústia: ele próprio duvidava da possibilidade de manter suas conquistas, afirma Maurois, pois “a Europa é muito pesada, muito grande para que um só homem consiga segurá-la com braços abertos”.

Não bastava apenas cuidar dos movimentos do inimigo na guerra, era preciso multiplicar a atenção e jamais descuidar da retaguarda, dos flancos, dos rumores, dos atentados e das demandas dos governantes aliados. Napoleão adquiriu essa capacidade muito cedo: aos dezesseis anos já era oficial e, com vinte e cinco anos, no posto de general de brigada, comandou uma longa e vitoriosa campanha na Itália. Suas vitórias no campo de batalha garantiam a tranquilidade dos políticos em Paris, e foi essa mistura de inigualável destreza militar com a capacidade de inspirar confiança que levou Napoleão ao topo. É aqui que a história do Imperador se torna enigmática, pois é difícil explicar como tantos fatores convergiram em direção a um mesmo propósito, ou seja, o de favorecer Napoleão. Soldados, políticos, donas de casa e comerciantes: todos acompanhavam os movimentos do general e celebravam suas conquistas como conquistas da França, recebendo-o com festa sempre que voltava a Paris. Além das vitórias e da confiança dos políticos, Napoleão também tinha o povo ao seu lado.

O biógrafo jamais perde de vista a profunda repercussão que o “fenômeno Napoleão” teve em toda Europa – em seus aspectos sociais, políticos e culturais. Ele dá o exemplo da realeza, mostrando como Napoleão remodelou o continente colocando seus irmãos e irmãs nos principais tronos do continente. Os reinos de Nápoles e da Holanda, o principado de Lucca e Piombino, o reino da Baviera, todos eles nas mãos de parentes. O que o Imperador ganhava em fidelidade e controle, no entanto, ele perdia em competência e efetividade. Essa distribuição de figuras inadequadas para a administração dos territórios conquistados, argumenta Maurois, foi um dos fatores que facilitou a posterior interferência inglesa nos planos de Napoleão. O general estava sobrecarregado, tendo que cuidar de domínios que iam da Espanha à Rússia, pensando não apenas nos campos de batalha, mas em todas as minúcias políticas daquilo que Maurois chama “teatro dos poderes europeus”. O destino de Napoleão se resolve nesse acúmulo de funções, pois foi por conta disso que a Inglaterra conseguiu, pouco a pouco, fechar o cerco em torno de seu Império.

Mas existe um outro fator que contribui muito para a qualidade desse livro, e a indicação está dada já no subtítulo – Napoleão: uma biografia ilustrada. Praticamente todas as páginas contém imagens (às vezes mais de uma), todas elas identificadas com legendas e cobrindo um gama de registros que vai do retrato às cenas de batalha, passando pelas caricaturas, pelas moedas, pelos documentos escritos oficiais e pelas cartas pessoais manuscritas. Ainda mais digno de atenção é o fato das imagens não servirem somente como apoio ao texto da biografia. Existe, ao final do volume, um conjunto de notas denominado “Painel das ilustrações”, que indica, além da página na qual se encontra a imagem, os títulos e as circunstâncias de realização. As notas, além de oferecerem informações sobre as imagens, acrescentam detalhes que não estão no corpo do texto, que funcionam como complementos minuciosos ao painel geral delineado por Maurois.

Em sua biografia, André Maurois opta pela brevidade e aposta no potencial didático das ilustrações e das notas. Curiosamente, é essa brevidade que salienta o apurado trabalho de corte e montagem que o autor alcançou, pois o montante exaustivo de informação que ele teve que acessar é apenas vislumbrado na execução da obra final. Nas linhas finais, Maurois escreve que a “França moderna sabe que foi modelada” pelas ações e pela presença de Napoleão. Essa modelagem, longe de estar restrita apenas à França moderna, é reconhecível ainda hoje em muitos aspectos do mundo que nos circunda. O livro de Maurois, operando através do resgate crítico de uma figura histórica, tem o mérito de abrir a percepção do leitor às possibilidades de encontrar o passado no cotidiano do presente.

Kelvin Falcão Klein

02/03/2013

às 8:42 \ Livros da Semana

Jane Austen dá surra de chicote em ’50 Tons de Cinza’


A trilogia erótica Cinquenta Tons de Cinza (Intrínseca), criada pela escritora britânica E. L. James, não é só um fenômeno pelos números que possui. Depois de vender 70 milhões de cópias no mundo (3,5 milhões no Brasil) e ter garantida uma adaptação para o cinema que recheou em 5 milhões de dólares a conta bancária da autora, a série se multiplica em referências, títulos de oportunistas de plantão e paródias divertidas da quente relação sadomasoquista entre Christian Grey e Anastasia. Entre as paródias, merece destaque o livro Cinquenta Tons do Sr. Darcy (tradução de Natalie Gerhardt, Bertrand Brasil, 307 páginas, 27 reais), lançado em dezembro no Brasil. O título combina um dos maiores clássicos da literatura britânica de todos os tempos, o oitocentista Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, com aquele que é o maior best-seller britânico da história. E não é só isso. São duas representações antagônicas do feminino, que aqui se chocam para ridicularizar o pornô de menininha que vem dominando a lista dos mais vendidos. E também para lembrar como é mal escrito o livro de E. L. James.

Cinquenta Tons do Sr. Darcy

Feito por uma pessoa que não quer se identificar – talvez por ter vergonha de assumir que leu a obra de E. L. James –, o livro é assinado por pseudônimos. Quem dá nome ao autor na versão brasileira é Emma Thomas e, na americana, William Codpiece Thwackery. Como no Cinquenta Tons original, a protagonista da paródia é virgem e pobre e se apaixona por um rico e charmoso sadomasoquista. A diferença é que a mocinha é Elizabeth Bennet e o rapaz, Fitzwilliam Darcy, o casal do romance de Jane Austen. Lizzie, como é chamada a protagonista, é uma mistura equilibrada da heroína do clássico e de Anastasia Steele, a personagem insossa da trilogia erótica do século XXI.

Ela é apresentada ao ricaço Darcy e, ao mesmo tempo em que não consegue tirá-lo da cabeça, não quer se deixar envolver por considerá-lo pretensioso e orgulhoso – além de pervertido. O tempo todo, a mocinha se vê nesse conflito entre a sua consciência, que lhe diz para não ceder aos encantos de Darcy, e a sua “deusa interior” (detalhe vergonhoso emprestado por pilhéria do Cinquenta Tons original), que tenta convencê-la a se entregar a ele. A história se passa à época de Orgulho e Preconceito, na Inglaterra do começo do século XIX. E, por saber que nesse período as mocinhas não se submetiam tão facilmente aos prazeres da carne, o autor da paródia não é tão explícito quanto E. L. James é na obra que o inspirou.

As conexões entre os dois livros se acentuam ao longo da história, o que dá a impressão de que o autor de Cinquenta Tons do Sr. Darcy de fato leu cada volume de James. Mas, desde as primeiras palavras, a paródia deixa claro o que é: uma grande piada. O problema é que, de tanto insistir na graça e nas frases de duplo sentido, que se repetem sem parar, a leitura se torna cansativa.

Ainda assim, o livro tem o trunfo de tornar patente, de forma bem-humorada, a duvidosa qualidade literária de Cinquenta Tons de Cinza. Durante uma discussão acalorada com Darcy, Lizzie admite: “Pois saiba que o senhor é um personagem mal desenvolvido e unidimensional. Cinquenta tons? Está mais para dois: desesperado por sexo e mal-humorado”. Precisa dizer mais?

Meire Kusumoto

22/02/2013

às 15:46 \ Eventos

Evento no Museu Lasar Segall discute cultura russa

O matemático, filósofo e artista russo Pavel Florensky

O Museu Lasar Segall, em São Paulo, recebe a segunda edição do Sábado Russo, organizado pela Editora 34 em parceria com Grupo de Estudos Eisenstein no Século XXI, da USP. O evento acontece no dia 2 de março, e começa às 14h com o lançamento do livro A Perspectiva Inversa (tradução de Neide Jallageas e Anastassia Bytsenko, Editora 34, 144 páginas, 34 reais), de Pável Floriênski, e do terceiro volume dos Cadernos de Pesquisa Kinorus Sokurovianas – História e Poder (projeto independente, gratuito, digital, clique aqui para baixar).

Às 15h, será exibido o documentário Os Dias Brancos – Anotações sobre a Filmagem de Nostalgia, Andrei Tarkóvski, feito pelo cineasta espanhol José Manuel Mouriño. Em seguida, às 16h, o evento terá a exibição do filme Dmítri Shostakóvitch – Sonata para Viola, de Aleksandr Sokúrov e Semion Aránovitch.

Após as sessões de cinema, às 17h30, as pesquisadoras Elena Vássina, Claudia Valladão de Mattos e Neide Jallageas participam da mesa redonda “Visões de Guerra e Paz na Rússia Moderna e Contemporânea”. O debate abordará a trajetória e as realizações da arte e o conhecimento de artistas russos, como o matemático e filósofo Pável Floriênski, o artista plástico Lasar Segall, os cineastas Andrei Tarkóvski e Aleksandr Sokúrov e o compositor Dmítri Shostakóvitch.

O encerramento do Sábado Russo ficará por conta dos atores Luiz Pimentel e Tieza Tissi, que farão a leitura de versos de Anna Akhmatova e do poema A Noite Dissolve os Homens, de Carlos Drummond de Andrade, nos jardins do museu.

06/02/2013

às 15:44 \ mercado

Brasil terá ‘Bridget Jones 3′ já em novembro

Após treze anos sem novidades, a personagem Bridget Jones está de volta à literatura pelas mãos de sua criadora, Helen Fielding. A terceira parte da série sobre a solteirona atrapalhada está sendo escrita e chegará às livrarias em novembro, mesmo mês de lançamento em português no Brasil, pela editora Paralela, selo comercial da Companhia das Letras.

A narrativa, que conquistou o público ao retratar sem pudores o cotidiano da jornalista londrina sem sorte no amor e nas dietas, nasceu em uma coluna escrita por Helen em um jornal do Reino Unido na década de 1990, e mais tarde deu origem ao livro O Diário de Bridget Jones, de 1996.

O sucesso da obra levou à continuação Bridget Jones: o Limite da Razão, de 1999. Juntos, os livros venderam mais de 15 milhões de exemplares, foram publicados em 40 países e ganharam duas adaptações para o cinema, com Renée Zellweger no papel principal, e Hugh Grant e Colin Firth como Daniel Cleaver e Mark Darcy, respectivamente.

Segundo Helen, o novo episódio trará uma fase diferente na vida da protagonista, que agora tem mais de 40 anos e ainda vive dilemas parecidos, como a eterna vontade de perder peso e suas tentativas frustradas de parar de beber e fumar. Em entrevista à rádio BBC, a autora disse que costuma rir muito enquanto escreve, e espera que os leitores se divirtam tanto quanto ela.

Ao falar sobre o famoso cabeçalho dos capítulos, que trazia informações sobre quantos cigarros a personagem havia fumado, ou quantas calorias havia perdido, a escritora disse que novos itens mais modernos serão adicionados, como a quantidade de seguidores no Twitter.

A fase informatizada também deve trazer influências sobre a vida amorosa de Bridget. Helen se diz interessada por amores virtuais e sobre como pessoas conseguem ter relacionamentos inteiros através de mensagens escritas e se sentirem emocionalmente satisfeitas. Vale avisar que o retorno dos dois grandes amores da protagonista, Daniel e Mark, não está confirmado.

Atualmente, um terceiro filme de Bridget Jones está sendo produzido com Renée Zellweger e Hugh Grant no elenco, porém a história não será baseada no livro que está por vir, e sim em alguns dos contos antigos da escritora. O longa está previsto para estrear em 2014.

04/02/2013

às 18:42 \ Eventos

Escritora francesa Lila Azam Zanganeh vem para a Flip

Nesta segunda-feira, a escritora francesa Lila Azam Zanganeh teve a presença confirmada na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano, que tem o escritor Graciliano Ramos como homenageado. Considerada uma das presenças mais ilustres do evento, Lila vai ter seu primeiro livro lançado no Brasil em junho. O Encantador – Nabokov e a Felicidade chega às livrarias pela editora Alfaguara.

Nascida em Paris de pais iranianos exilados, Lila estudou literatura e filosofia na Ecole Normale Supérieure e se mudou para os Estados Unidos para dar aulas na Universidade de Harvard. Ela fala fluentemente seis línguas e já escreveu para os jornais The New York TimesLe Monde e La Repubblica. Em 2011 foi vencedora do Roger Shattuck Prize for Criticism, prêmio concedido pelo The Center for Fiction, que escolhe dois críticos ou ensaístas emergentes.

Misto de ensaio e biografia, o primeiro livro da autora trata do escritor russo-americano Vladimir Nabokov, venerado por ela. Na publicação, aclamada pela crítica especializada, ela trata de literatura, conhecimento e felicidade. Atualmente a escritora trabalha em seu primeiro romance, The Orlando Inventions.

A escritora alemã Herta Müller, ganhadora do prêmio Nobel de literatura em 2009, também deve vir ao Brasil para a Flip de 2013, mas sua participação ainda não foi confirmada pela organização. A 11ª edição da Festa acontece de 3 a 7 de julho e repete a curadoria de 2012 do jornalista Miguel Conde.

03/02/2013

às 8:00 \ Entrevista

William Shakespeare: o poeta dos fragmentos

As frases mais famosas de William Shakespeare já fazem parte do cotidiano de quase todo usuário da internet. Presença garantida em redes sociais como Facebook e Twitter, o bardo deve se revirar no túmulo toda vez que vê uma parte de sua obra estampada como frase de efeito. Em uma proposta que provavelmente seria mais agradável a Shakespeare, o poeta e roteirista Geraldo Carneiro lança O Discurso do Amor Rasgado (Nova Fronteira, 136 páginas, 39,90 reais), que tenta contar uma história de amor com fragmentos de textos do inglês: o começo da relação, com a devida sublimação da pessoa amada, os desenvolvimentos problemáticos e o fim trágico.

A ideia, ousada por deslocar e rearranjar trechos de um dos maiores escritores da literatura mundial, acaba se tornando problemática. A história criada pelo tradutor não fica clara, o que dá margens a questionamentos sobre os critérios para seleção dos fragmentos. A impressão é a de que Carneiro escolheu as partes mais impactantes, com a intenção de apresentar aos leitores apenas os momentos-chave na obra do bardo. O processo que culminou com esses momentos — e que é igualmente importante numa história — não ganha espaço no livro.

Carneiro, roteirista do remake de O Astro, novela de Janete Clair, traduz Shakespeare há 30 anos e tenta fugir de palavras complicadas e da erudição. Para ele, alguns tradutores até se valiam de vocabulário difícil de ser compreendido 20 ou 30 anos atrás, mas os profissionais agora procuram ser mais claros e o país vem avançando nas versões brasileiras de Shakespeare. “Eu tenho a impressão de que daqui dez ou vinte anos o Brasil terá um acervo de boas traduções. Estamos no meio do caminho”, disse.

O poeta figura dentre os nomes da poesia marginal, movimento dos anos 1970 que defendia uma linguagem mais espontânea, como a predominante durante o primeiro momento do Modernismo brasileiro, levado adiante por escritores como Oswald de Andrade e Mario de Andrade. Mas, de acordo com Carneiro, as limitações da poesia marginal foram responsáveis por sua tentativa de “esconder a métrica” de suas traduções de Shakespeare. “Não era muito chique o camarada gostar de métrica. São essas modas literárias, a cada quinze anos tudo muda.”

Confira a entrevista de Geraldo Carneiro ao blog VEJA Meus Livros.

 

De onde veio a ideia do livro? Há 30 anos eu traduzo Shakespeare. O primeiro texto que trabalhei foi A Tempestade, a última peça que ele escreveu e que foi encenada em 1982, no Parque Lage, no Rio de Janeiro. Depois disso, me encomendaram a tradução de muitas outras peças dele, como Trabalhos de Amor Perdidos, Antonio e Cleópatra, Romeu e Julieta e, recentemente, o Juca de Oliveira me pediu para verter para o português O Rei Lear. Desse trabalho, eu tive a ideia de reunir em livro os fragmentos amorosos extraídos de textos do Shakespeare. Sou poeta também, então seria praticamente impossível não traduzir as coisas dele, que são tão poéticas.

Qual recorte o livro traz para a temática amorosa de Shakespeare? O livro fala do começo das relações amorosas e vai seguindo até chegar ao final trágico dos amores. É um roteiro que imita uma paixão verdadeira, com os diversos protagonistas shakespearianos. Eu sempre soube que iniciaria a publicação pelo Soneto 76 e terminaria com o Soneto 116; queria também inserir trechos de Romeu e Julieta e Antonio e Cleópatra. Traduzi alguns fragmentos novos e fiz grandes alterações em textos que já havia trabalhado, muitas delas sugeridas pela professora de literatura inglesa e especialista em poemas de Shakespeare Fernanda Medeiros.

Por que o título contém o termo ‘amor rasgado’? Amor rasgado é aquele que ousa se expor sem subterfúgios. O título talvez ecoe um pouco o livro do Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso.

Na nota introdutória do livro, o senhor diz que a permanência de Shakespeare se dá pela força de suas palavras, sobretudo as de amor. Por que esse discurso se tornou inesquecível? Ele tem uma visão muito rica do ser humano, multifacetada. O crítico literário Harold Bloom diz que Shakespeare praticamente inventou o ser humano moderno e, embora eu ache isso um pouco exagerado, considero que ele realmente sintetizou diversos tipos humanos através de seus personagens. É um dramaturgo que nos representa no que temos de melhor, de pior, de pitoresco, de mais grotesco, de mais ridículo. Tudo isso faz dele um retratista espetacular, talvez inigualável.

O que acha das traduções que são feitas de Shakespeare para o português? Se uma pessoa fosse procurar uma tradução boa há 30 anos, seria difícil encontrar. Eu comecei nessa área por causa disso, os grupos de teatro me pediam encarecidamente para traduzir porque não havia texto de qualidade para as montagens. Atualmente, existem versões muito boas, como as do Millôr Fernandes. Hoje tem cada vez mais gente no Brasil que se dedica a estudar academicamente a tradução shakespeariana. Eu tenho a impressão de que daqui dez ou vinte anos o Brasil terá um acervo de boas traduções. Estamos no meio do caminho.

No livro, o senhor afirma que quer passar longe de termos eruditos demais. Qual o problema que o senhor enxerga nisso? Shakespeare usava um vocabulário muito vasto com palavras que nem ele próprio sabia direito o que significavam. Então, é uma tentação para o tradutor metido a erudito usar palavras raras, difíceis de serem compreendidas, e isso aconteceu muito há 20 ou 30 anos. Eu sempre procuro o entendimento, sem baratear o texto nem torná-lo simplório ou pobre. Essa é minha estratégia como tradutor. Seria um crime complicar Romeu ou Marco Antônio, por exemplo, personagens praticamente transparentes na sua fala sobre o amor.

Há algum aspecto do texto que deve ser privilegiado ao traduzir uma obra? Tudo, tem que ter tudo. Métrica (medida do verso), rima, o sentido, a beleza. Nas primeiras traduções, eu tinha vergonha de escrever com métrica, eu fingia que era prosa, com os decassílabos escondidos. Depois fui perdendo a vergonha e, hoje, eu tenho vergonha do contrário.

Por que tinha vergonha? Era um tempo em que os decassílabos (versos com dez sílabas poéticas) ou os pentâmetros iâmbicos (versos decassílabos com ênfase nas sílabas pares) não eram muito bem vistos, era a época da poesia marginal. Não era muito chique o camarada gostar de métrica. São essas modas literárias, a cada quinze anos tudo muda.

Nesse sentido, o senhor acha que a poesia brasileira está em um bom momento? Acho que sim. Algo que me agrada muito é não ter a dominância de certa poética sobre as outras. Por exemplo, no concretismo, tudo deve ser concreto, na geração de 45, tem que predominar um tipo de formalismo, no modernismo, tudo tem que ser transgressor. Acho esses momentos muito limitadores, porque cada poeta tem a sua dicção, a sua voz e, por mais que a gente tenha sido influenciado pelas escolas, acho que essa voz se forma exatamente pelas diferenças e não pelas semelhanças com essas predominâncias.

Meire Kusumoto

25/01/2013

às 9:00 \ Livros da Semana

A solidão é uma soma

Mar Azul (Rocco, 176 páginas, R$ 29,50), o quarto livro e segundo romance de Paloma Vidal, é um livro sobre memória, mas também sobre solidão, busca, desamparo, medo. Ou sobre um espaço apertado onde tudo isso consegue transitar em silêncio, em uma série de desencontros. Em Mar Azul, o silêncio é nomeado o tempo todo, o silêncio é o momento em que tudo é dito (“meus silêncios às vezes pareciam eloquentes”) e em que as coisas acontecem (“foi quando ficamos pela primeira vez em silêncio que percebi que havia amor”). E é a matéria de que parece feita a protagonista, que nem sequer tem um nome. O silêncio é, assim, também um personagem do romance, como a solidão, que parece tanto uma condição imposta à protagonista, uma órfã, como uma opção dela.

O livro começa e termina com uma série de diálogos entre a personagem e sua única amiga, Vicky, travados na adolescência de ambas em Buenos Aires. São conversas bobas que lembram seriados adolescentes, capazes de angustiar o leitor. Na verdade, a proposta da autora é interessante, embora se alongue demais: entregar pistas da história e dos personagens por meio de diálogos diretos, aparentemente (mas só aparentemente) escolhidos ao acaso.  É deixar que as personagens falem por si mesmas. Quarenta páginas depois, desaparecem as meninas e os travessões e quem entra em cena é uma senhora solitária, beirando os 70.

O que desde o começo sabemos é que a mãe da protagonista está morta e o pai é um homem misterioso e ausente que frequenta reuniões clandestinas sobre política. Certo dia, ele deixa a filha aos cuidados de uma vizinha, a mãe de Vicky, e abandona a casa onde vivem. O ano é 1956, período de ditadura e repressão na Argentina. No ano anterior, um golpe militar – a denominada Revolução Libertadora – havia tirado o presidente Juan Domingo Perón do poder e imposto o autoritarismo de Pedro Eugenio Aramburu. O destino do pai, que era engenheiro, apontou então para o Brasil, que em 1956 tinha Juscelino Kubitschek na Presidência, com a meta de erguer uma nova para o país. A empreitada precisava de engenheiros, e o pai foi para lá, de onde se comunicaria com a filha, nos vinte anos seguidos, por cartas datilografadas.

Duas décadas depois da partida do pai, ela e Vicky, já adultas, dividem um apartamento. Vicky é militante política e desaparece em circunstâncias misteriosas, num episódio que pode ter a participação do ex-namorado da protagonista, um rapaz manipulador e possessivo que frequentou o colégio militar e sempre deixou Vicky ressabiada. Com um misto de medo e culpa, três meses depois do sumiço da amiga a protagonista sobe num ônibus rumo ao Brasil, atrás do pai. Na poltrona ao lado, senta-se Luis, um desconhecido com o qual compartilha uma solidão a dois e consegue estabelecer algo profundo, mesmo que passageiro. Luis desce no sul, mas ela prefere seguir viagem na esperança de um encontro com o pai. Telefona para o número que tem há anos anotado num papel, ele atende, mas a conversa não flui e é entremeada de silêncio e de uma distância que não é mais física, uma distância que já se impôs como parte daquela relação. O encontro não acontece e ela fica pelo caminho, se estabelece numa cidade costeira (o Rio de Janeiro, talvez), o que logicamente não é uma escolha gratuita, já que o mar, como sugere o título, tem uma importância crucial.

Anos depois, na velhice, ela mora ainda na mesma cidade, num condomínio a uma quadra da praia, e recebe uma ligação sobre a morte do pai. Ela voa para Brasília e o encontro, embora tardio, enfim acontece. Na quitinete em que ele morava, há apenas uma caixa de papelão cheia de cadernos em que ele, desmemoriado, escreveu nos últimos anos de vida e nos quais ela tem esperança de resgatá-lo. Dedica-se então à leitura dos cadernos e, no verso das páginas, escreve uma espécie de diário da sua rotina sem graça de professora aposentada, sem filhos nem marido, e das lembranças do passado que vêm à mente. Nas folhas, a sua vida e a do pai se sobrepõem e se sobrepõem também os tempos, o passado e o presente de cada um: um homem velho, solitário e doente cuja memória se vai deteriorando, e uma senhora solitária e também doente, no limiar entre o querer e o não querer lembrar. Nas linhas dos cadernos, pai e filha se confundem como o passado e o presente. A certa altura, ela já se vê preenchendo os espaços vazios que o pai deixara, como se brincasse de ser ele.

À medida que avança em sua leitura, vêm à tona as lembranças da infância, de quando na companhia do pai, numa viagem, viu o mar pela primeira vez. É ali que ela quer se prender, é aquele mar que ela quer resgatar. O mar é uma metáfora múltipla da infância, do pai, da espera, é a sua conexão com as emoções de antes e com a sensação de amparo que só a água consegue lhe oferecer. “Será ele uma espécie de memória?”, ela se pergunta. O fato de matricular-se agora, já velha, na natação é também uma forma de retomar resgate de quando frequentava com o pai uma piscina. Ela confessa: “Desde que recomecei a nadar, a lembrança é mais palpável”. O mergulho é também no passado.

É nas entrelinhas que Mar Azul se constrói. O que às vezes pode parecer sem importância ou fortuito mais adiante se descobre ser uma pista, uma das muitas que, ao sabor das lembranças, fazem as peças bagunçadas de toda uma vida se encaixar. Ela própria, a personagem, parece desencaixada, desde a infância e adolescência no colégio religioso, depois ao morar não na sua casa mas na da amiga, e, mais tarde, num país que não é o seu.

Há uma história que se escreve, sim, por linhas tortas, num contínuo vaivém o tempo todo, e o leitor às vezes precisa voltar algumas páginas para buscar uma ou outra informação que passou despercebida. Um choro de bebê que a personagem ouve na primeira metade do livro, por exemplo, é uma das muitas pistas para a questão mal resolvida da maternidade que vai se impondo aos poucos. A passagem, na adolescência, em que a personagem diz estar lendo Cuardernos de Infancia também não é fortuita. Cuardernos de Infancia é um livro de memórias publicado em 1937 por Norah Lange (1906-1972), uma argentina de Buenos Aires que assim como a protagonista escreve sobre sua infância também. O pai é, veja só, um engenheiro misterioso dado a escrever cartas, e ela precisa de repente lidar com a morte dele. Em certa medida, por algumas coincidências, Mar Azul dialoga com o livro de Norah Lange, mas se distancia largamente dele para seguir um outro rumo.

A escrita de Paloma Vidal é simples, clara, ágil, e até intuitiva, do tipo que não se preocupa em elaborar demais, em procurar a palavra ou frase exata. Não se detém em descrições nem em metáforas para poder seguir adiante, fluir, desprender-se depressa da mão. O livro todo é composto de cinquenta fragmentos, capítulos curtíssimos de duas a quatro páginas, em que os dias passam rápido, permeados de afazeres banais, lembranças, interrogações e sonhos. Foi feito mesmo para parecer um diário, escrito grande preocupação estética.

Paloma Vidal é, também ela, uma argentina que vive no Brasil. Chegou ao país aos 2 anos e, portanto, fala e escreve português como brasileira. Hoje, aos 37, mora em São Paulo, depois de muitos anos no Rio de Janeiro. Entretanto, o grau de relação entre a vida da autora e a da personagem da sua obra talvez seja menor, bem menor, do que aquele que pode unir o leitor e o romance, se um se identificar com a solidão e o desamparo que traz o outro. E não é difíciç. Mar Azul representa um pouco de todos nós – sempre sozinhos, mesmo quando não parecemos sós.

Por Lygia Roncel

Mar azul

Paloma Vidal

Editora Rocco

12/01/2013

às 9:01 \ Livros da Semana

Narrativa adulta de JK Rowling é convencional e enfadonha

Um romance de estreia deve ser lido com olhos complacentes. Afinal, escrever requer técnicas, ainda que muitos cheguem a elas de maneira intuitiva, e quem está começando em geral não dispõe de experiência para dominá-las. Ou porque ainda não leu o suficiente ou porque não escreveu tanto quanto deveria para apreendê-las. Mas como encarar o primeiro romance adulto de alguém que fez carreira – e colheu elogios – escrevendo para crianças e adolescentes? Morte Súbita (tradução e edição de Izabel Aleixo e Maria Helena Rouanet, Nova Fronteira, 512 páginas, 49,90 reais), a estreia adulta da criadora de Harry Potter, deve ser lido com benevolência, já que a escritora resolveu correr risco em uma área nova para ela, ou com olhar exigente, uma vez que se trata do novo trabalho de alguém que já escreveu dez livros – os sete de Potter e outros três para o público da série, que vendeu mais de 450 milhões de exemplares pelo mundo e fez de J. K. Rowling a primeira escritora bilionária da história?

É claro que títulos infantojuvenis e adultos têm as suas diferenças. A primeira, e principal, diz respeito ao conteúdo. JK parece ter procurado superar a questão dando uma guinada na sua temática. Em vez de fantasia, da magia de Harry Potter, em Morte Súbita ela investe na realidade, criando um painel do Reino Unido, em crise econômica e com relações sociais pacíficas apenas na superfície, a partir do microcosmos de Pagford, um distrito de West Country, sudoeste inglês.

O romance mostra como se comportam os moradores do vilarejo quando um dos membros de seu conselho, Barry Fairbrother, morre de uma hora para outra de um provável aneurisma, deixando vago um posto que pode ser decisivo para o futuro de dois locais ligados ao distrito: o conjunto habitacional de Fields, que tem a limpeza e a manutenção administradas por Pagford, com verbas insuficientes enviadas pela cidade de Yarvil, e a clínica de reabilitação destinada aos moradores de Fields, que ocupa um prédio pertencente a Pagford. Por tabela, o acesso dos jovens de Fields à ótima escola pública de Pagford também pode ser comprometida, se o bairro popular passar a ser responsabilidade de Yarvil, como quer um grupo rival da turma de Fairbrother. É em torno da disputa pela vaga do conselheiro e pelo destino de Fields e da clínica Bellchapel, que gira o livro.

Gira, mesmo. E está aí uma característica de Morte Súbita que provoca ao mesmo tempo interesse e sono. O romance é escrito numa espiral: JK Rowling está o tempo todo passando de um personagem a outro e a outro e a outro, e cada vez que ela retorna a um personagem sabemos um pouco mais sobre ele. Ela trabalha, assim, com pinceladas, muitas pinceladas, porque são muitos os personagens. O livro apresenta ao menos oito famílias, cada uma com pelo menos três pessoas, além de personagens independentes que se ligam a esses núcleos – como o traficante que fornece heroína para a mãe da única família de Fields a ter destaque na história. Ao escolher essa estrutura e um narrador em terceira pessoa que sabe tudo, ela vai construindo aos poucos o painel que deseja. No começo, a tática pode até despertar admiração, mas depois de 50 páginas começa a enervar. Grosso modo, a primeira metade do livro (e vão aí 250 páginas) é modorrenta. A partir da segunda metade, a coisa finalmente engrena, com a ação dos personagens adolescentes – e JK prova que entende como poucos a cabeça dos jovens.

Se na temática ela deixou para trás a veia infantojuvenil, em termos textuais a autora parece ter estacionado no estilo convencional da sua famosa saga. Basta comparar trechos para notar como ela permaneceu corretinha – e livros infantojuvenis nem precisam ser corretinhos na forma. Em Harry Potter e a Ordem da Fênix:

Quase como se tais pensamentos tivessem entrado pela janela aberta, repentinamente Válter Dursley, o tio de Harry, falou:

- Fico contente de ver que o garoto parou de se meter aqui. Por falar nisso, onde será que ele anda!

- Não sei – respondeu tia Petúnia, desinteressada. – Aqui em casa não está.

O tio grunhiu.

- Assistir ao noticiário… – comentou com severidade. – Gostaria de saber o que é que ele está realmente aprontando. Como se um garoto normal se interessasse por noticiário; Duda não tem a mínima idéia do que está acontecendo; duvido que saiba quem é o primeiro- ministro! Em todo o caso, não há nada sobre gente da laia dele no nosso noticiário

- Válter, psiu! – alertou tia Petúnia. – A janela está aberta!

 

Em Morte Súbita:

Às dez e cinquenta e um, Krystal entrou feito uma bala, batendo a porta atrás de si. Jogou-se na cadeira diante de Tessa, com os braços cruzados sobre os seis avantajados e os brincos vagabundos balançando nas orelhas.

- Diz pro seu marido – principiou ela, com voz trêmula – que eu não ri porra nenhuma, viu?

- Por favor, Krystal, nada de palavrões na minha frente – replicou a orientadora.

- Eu não ri coisa nenhuma… ok? – gritou a garota.

Estão aí os verbos descritivos (grunhiu, replicou), que melhor fariam se dessem lugar a verbos diretos e objetivos como dizer e falar, e o itálico para ressaltar mudanças no tom de voz, de que o próprio teor das palavras deveria dar conta. Mas ainda há coisas piores no livro, como a descrição às vezes excessiva dos personagens (“Seguindo o seu hábito tão profundamente arraigado, Gavin tratou de impedir a eclosão de um conflito que parecia iminente e deixar que o futuro se resolvesse por si só. [...] Mas com a sua evidente falta de entusiasmo tentou deixar bem claro algo que poderia vir a usar mais tarde: Você sabia que eu não estava a fim de vir. Não gostei, não. Não pretendo repetir a dose”) e as digressões feitas entre parênteses (mais desnecessários que esses aqui). Para piorar, o texto esbarra por vezes em clichês (“Os limpadores de para-brisa funcionando a todo vapor”, ”A chuva caiu por dias e noites a fio”).

E então, como julgar Morte Súbita, com a complacência destinada a romances de estreia ou a exigência sobre o trabalho de uma escritora experiente? Ainda que se opte pela primeira opção, não se salva a leitura. Como dizer para alguém que vale lutar contra 250 páginas – a metade enfadonha do livro – se há tanta coisa boa para se ler por aí? Mas a decisão, ao contrário do que faz o narrador de JK Rowling, que subtrai boa parte das nuances da história, é do leitor.

Maria Carolina Maia

 

Morte Súbita

J. K. Rowling

NOVA FRONTEIRA

19/12/2012

às 13:05 \ VEJA Meus Livros

Saem os vencedores do concurso de micro-contos. Confira

A equipe de VEJA fez a primeira triagem. O público votou nos 20 melhores. E agora uma comissão especial, formada pelo crítico Sérgio Rodrigues, pelo editor-executivo do site de VEJA, Carlos Graieb, e por um comitê editorial da Globo Livros, elegeu os três vencedores do primeiro concurso de micro-contos do blog VEJA Meus Livros. A disputa pelo primeiro lugar foi apertada. Confira, abaixo, os autores dos micro-contos que vão levar pacotaços da Globo Livros:

“EXTRA! Meliante encantadora ludibria marido com 1001 noites insones de mentiras das Arábias! O manso está perdidamente apaixonado!”, de Marcelino Antonio de Medeiros Nobrega, Jaboatão dos Guararapes – PE (nota 9,1)

“se parar, morro nas mãos de meu marido. aí invento noites, marujos e ventanias até que o sol renda a lua. invento noites para ter os dias”, de Ana Rüsche, São Paulo – SP (nota 9)

“Mil e um dias de bendita sorte, mil e uma noites que brinquei com a morte: afinal, tudo que fiz foi contar”, de Maira Moreira de Moura, Rio de Janeiro – RJ (nota 8,5)

Os vencedores receberão em casa os pacotes de títulos da Globo Livros, que incluem, em todos os casos, os quatro volumes do Livro das Mil e uma Noites, mote do concurso. O primeiro lugar ganhará 15 títulos, entre os quais Últimas Palavras (Christopher Hitchens), Neil Young – A Autobiografia (Neil Young), Deixa Ela Entrar (John Ajvide Lindqvist) e A Fugitiva (Marcel Proust), livros que o segundo colocado também receberá, em, seu pacote de 10 livros. O terceiro lugar ganha, além da saga de Sherazade, Últimas Palavras, de Christopher Hitchens.

 

Livro das Mil e Uma Noites - Volume 1

Tradução de Mamede Mustafa Jarouche

Globo Livros

Últimas Palavras

Christopher Hitchens

GLOBO Livros

Neil Young - A Autobiografia

Neil Young

Globo Livros

Deixa Ela Entrar

John Ajvide Lindqvist

Globo Livros

 

15/12/2012

às 9:31 \ Prêmios, VEJA Meus Livros

Conheça os 20 finalistas do concurso de micro-contos

Falta pouco para o anúncio dos três ganhadores de pacotaços da Globo Livros. Dos 50 primeiros classificados no concurso de micro-contos que o blog VEJA Meus Livros promove inspirado em O Livro das Mil e uma Noites, que está sendo lançado pela editora, 30 foram tirados da disputa pela participação do leitor. Os 20 sobreviventes passarão agora pela avaliação de uma banca de especialistas indicados por VEJA e pela Globo Livros. Os vencedores serão anunciados na próxima quarta-feira, dia 19.

Confira abaixo quais foram os 20 micro-contos selecionados para a grande final:

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