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Jojo Moyes: ‘As pessoas se apaixonam mais quando estão em risco’

Autora de best-sellers como 'Como Eu Era Antes de Você' comenta literatura, romantização da tragédia e feminismo em entrevista exclusiva para VEJA

O mito do “felizes para sempre” já não convence os adolescentes, que hoje estão mais para as tragédias românticas. Livros sobre câncer, suicídio e acidentes terríveis como A Culpa É das Estrelas e Os 13 Porquês angariam leitores ao redor do mundo, garantindo seu lugar no ranking dos mais vendidos. A britânica Jojo Moyes, autora de best-sellers açucarados com um quê de trágico, como A Última Carta de Amor, vê o fenômeno como o reflexo de um instinto de sobrevivência: “Humanos são pré-programados para se apaixonar mais quando suas vidas estão em risco, muito para manter a humanidade”. Sua obra mais famosa, Como Eu Era Antes de Você, acompanha a vida de um jovem milionário que fica tetraplégico e deprimido, até conhecer a estranha Lou. O livro de Jojo Moyes foi adaptado para o cinema, com Emilia Clarke e Sam Claflin nos papeis principais, e atraiu milhões de espectadores. 

Confira entrevista exclusiva da autora Jojo Moyes à  VEJA:

Como surgiu a trama de Como Eu Era Antes de Você? Como Eu Era Antes de Você surgiu a partir de duas situações. Na época em que escrevi o livro, dois membros da minha família precisavam de cuidados 24h, vítimas de doenças degenerativas. Convencer as pessoas nessas condições de que têm alguma qualidade de vida ou que existe algum prazer em viver é muito difícil. Isso ficou ecoando na minha cabeça, até que um dia eu estava dirigindo e ouvi no rádio a história de um ex-atleta que ficou tetraplégico e, alguns anos depois, convenceu os pais a levá-lo a um centro de suicídio assistido. Eu fiquei bastante chocada, não conseguia entender como alguém concordaria em fazer algo do tipo com o próprio filho, aquele que você quer proteger acima de tudo. Mas, quanto mais eu lia a respeito, mais percebia que o suicídio assistido não era “preto no branco” —  ia muito além disso. Eu imaginei como seria ser aquele rapaz, sua mãe, alguém que o amava, e como seria possível fazê-lo mudar de ideia.

Seus livros são muito românticos, apesar de trágicos. Você acredita que a tristeza valoriza a vida? Com certeza! Basta olhar para os grandes romances escritos durante as guerras — quando o medo de morrer é constante e deixa você mais sensível ao entorno. Humanos são pré-programados para se apaixonar mais quando a vida está em risco, muito para manter a humanidade (risos).

Você procurou supervisão ou ajuda especializada para escrever sobre o suicídio assistido? Sim! Eu conversei com o responsável pelo maior centro de suicídio assistido no mundo. Ele até me convidou para visitar o local, mas achei que seria invasivo para as famílias naquela situação terem uma estranha fazendo perguntas. Li o máximo que pude a respeito, no entanto.

Você assistiu à série 13 Reasons WhyAinda não! Mas, engraçado, na Inglaterra muitas escolas estão enviando cartas aos pais com instruções sobre como prevenir o suicídio infantil. Como mãe, eu recebi uma.

Paris para Um é mais feliz que seus outros livros. Afinal, você acredita em “felizes para sempre? Eu tenho que acreditar, sou casada há 19 anos! (risos) Falando sério, eu não acredito que a vida seja tão simples quanto “felizes para sempre”, sempre vamos enfrentar situações que nos deixam para baixo. Mas, se você tiver sorte, pode atingir uma grande felicidade e ter um grande amor, como um humano acho que este é o máximo que podemos desejar.

Algum outro livro seu irá paro cinema, ou quem sabe, a televisão? Olha, eu espero que sim! Já escrevi o roteiro de Paris para Um, que, com sorte, começará a ser gravado neste ano. O de A Última Carta de Amor também está pronto e do Um Mais Um.

Você imagina algum ator para os protagonistas desses três roteiros? Não, acredita? Na minha cabeça, eu já criei uma pessoa. Eu tive sorte em Como Eu Era Antes de Você porque me deixaram ver os testes de elenco, mas na verdade isso é o trabalho do diretor e do diretor de elenco.

Recentemente, você ficou brava com o jornalista italiano Claudio Gatti por expor a identidade de Elena Ferrante. Para você, qual o limite entre o público e o privado? Você é uma leitora de Elena Ferrante? Sim! Eu amo os livros da Elena, acho que ninguém soube colocar em palavras a complexidade da amizade entre mulheres como ela. Seu trabalho é sensacional e inovador. Quanto ao Gatti, acho que a determinação com que ele quis revelar a identidade da Elena ultrapassou qualquer barreira ética. Ela não deve nada a ninguém, e escolheu não expor sua vida pessoal. Em entrevistas, ela explicou que acredita que não seria capaz de escrever do jeito que escreve se tivesse sua identidade revelada — uma forma bastante clara e educada de dizer “me deixem em paz”. Ele escolheu sobrepor o desejo de Elena, algo muito agressivo e petulante. De verdade, espero que ela esteja em paz.

Você comentou que ela retrata a amizade entre mulheres como ninguém. A literatura de Elena Ferrante é feminista? E você, é partidária do movimento? De verdade, eu não entendo como alguém pode não se considerar feminista nos dias de hoje. É muito simples: me pague o mesmo que os homens, me trate igual a eles.

Você já leu algum autor brasileiro? Eu li Paulo Coelho, mas sinto que meu conhecimento literário está desfalcado neste departamento (risos).

 

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