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05/08/2010

às 19:08 \ Entrevista, Eventos

Yehoshua, mais um apaixonado por Clarice


Pouco antes de receber a reportagem de VEJA Meus Livros, o israelense Abraham B. Yehoshua parou para um descanso na pousada que serve de base oficial à Flip. Aos 74 anos, sua visita a Paraty tem sido agitada por todas aquelas novidades que aguçam o olhar estrangeiro no Brasil: as cores, os sons, as comidas. Recomposto, falou com entusiasmo – usando voz e mãos – sobre seu último livro, sobre o caráter militar de Israel e sobre uma escritora que descobriu recentemente: a brasileira Clarice Lispector.

“Eu li A Hora da Estrela e um livro de contos de Lispector, e fiquei encantado. É incrível como ela descreve o íntimo da mulher”, disse. “E não tem nada a ver com o fato de ela ser judia. Era uma grande escritora, é uma pena que tenha morrido tão jovem.”

A respeito de Israel e de seu último livro, Fogo Amigo, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, Yehoshua contou que, como o personagem Yirmiyahu, que sofreu perdas pessoais devido à guerra, também deseja, algumas vezes, romper com Israel. “Cansa abrir o jornal e ler notícias de guerra”, afirmou. “Mas essa é a nossa realidade. A guerra faz parte de Israel.”

Ao lado da iraniana Aar Nafisi – representante do país que, na opinião de Yehoshua, é hoje o maior inimigo de Israel -, o escritor participa nesta sexta-feira, da mesa “Promessas de um velho mundo”, na Flip.

Maria Carolina Maia

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