Literatura como missão
O retorno de um autor à Flip, ainda que seja um grande nome, não costuma empolgar: não representa uma novidade e ainda dá aquele receio de que o evento, ou ao menos a sua capacidade de atrair convidados interessantes, esteja se esgotando. Como se estivesse de olho nisso, o inglês Ian McEwan, 64, volta à festa guarnecido de um livrão. É dele o maior lançamento da Flip deste ano. Serena (tradução de Caetano W. Galindo, Companhia das Letras, 384 páginas, 39 reais) é daqueles livros que exemplificam a importância de um autor. Nas lojas desde a última sexta, o romance, que aliás sai primeiro no Brasil e só no decorrer do segundo semestre chega aos leitores da Inglaterra e dos Estados Unidos, conta uma história de espionagem para, a partir dela, discutir a investigação presente em toda relação humana e na própria literatura.
Serena leva no título – ao menos no Brasil, já que o original é Sweeth Touth, nome da operação secreta que estrutura a principal ação do livro, aqui chamada de Tentação – o nome da protagonista. A personagem, que é também a bem humorada narradora do livro, é uma leitora voraz de romances que, impulsionada pela mãe, a mulher de um bispo anglicano de postura feminista não declarada, vai estudar matemática em Cambridge, embora tivesse como sonho cursar letras. Por meio de um namorado da universidade, ela conhece um professor de 54 anos que se tornaria seu amante e mentor, e que a indicaria para o MI5, o já lendário braço do serviço de inteligência britânica.
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