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O capitalismo e seus protagonistas. A estratégia das empresas. A tal da mão invisível. O espírito animal. E as políticas públicas que ajudam e atrapalham.

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Geraldo Samor foi correspondente no Brasil do The Wall Street Journal, da agência Dow Jones e da International Financing Review (IFR). Foi produtor do Podcast Rio Bravo e consultor de hedge funds americanos com investimentos no Brasil. Desde 2014, é responsável pelo VEJA Mercados.

Roger Agnelli morre em acidente aéreo

Fez carreira no Bradesco e presidiu a Vale durante o 'boom' das commodities

Por: Geraldo Samor

O ex-presidente da Vale, Roger Agnelli, morreu neste sábado quando o avião em que estava caiu perto do Campo de Marte, em São Paulo.

Também morreram na tragédia sua mulher, dois filhos, uma nora e um genro, filho da jornalista Angela Bittencourt, do Valor.Roger AGnelli

O avião caiu sobre o número 110 da rua Frei Machado, a cerca de 200 metros do Campo de Marte. Era um monomotor experimental registrado em nome do executivo, mais conhecido no mercado como Roger.

Funcionário de carreira do Bradesco entre 1981 e 2000, Roger foi presidente da Vale entre 2001 e 2011, durante um dos raros superciclos de commodities da história. Em sua gestão, viu o minério de ferro sair de 20 dólares/tonelada para 190 dólares/tonelada. Saiu da empresa depois de um desgaste em seu relacionamento com o Palácio do Planalto, causado, principalmente, por ter feito demissões na mineradora em 2008, em meio à crise global.

Um de seus maiores feitos na Vale foi a compra da canadense Inco em outubro de 2006, então a maior aquisição de uma empresa brasileira no exterior e uma das maiores no setor de mineração em todo o mundo. Seu investimento mais controverso foi a compra da licença para explorar Simandou — uma mina na Guiné com teor de ferro parecido com Carajás. A Vale se comprometeu a investir 2,5 bilhões de dólares em Simandou em associação com o empresário israelense Benny Steinmetz: 500 milhões de dólares à vista e o resto em parcelas. Quando o presidente da Guiné mudou, o desenvolvimento da mina enfrentou obstáculos, forçando a Vale a provisionar todo o investimento.

Roger era presidente do conselho da Bradespar quando foi convocado pelo Bradesco para ser presidir o conselho da Vale, em substituição a Benjamin Steinbruch. Quase um ano depois, passou a ser o CEO da empresa, substituindo o Embaixador Jório Dauster. Era conhecido por sua personalidade forte e encarnou o arquétipo do ‘superexecutivo': um CEO poderoso, que frequentemente atropelava o conselho pela força dos resultados que estava conseguindo na empresa — e um pacote de remuneração correspondente.

Em 2005, sua decisão de pedir um aumento de 90% no preço do minério mudou para sempre uma indústria até então marcada pelas relações fraternais entre fornecedores e compradores. A Vale conseguiu 71,5% de aumento, capturando para as mineradoras uma parte da bonança do crescimento chinês de dois dígitos.

Roger também teve uma relação próxima com o então Presidente Lula, a convite de quem integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico ligado à Presidência.  Mas com o passar dos anos, as tentativas do Planalto de intervir em decisões estratégicas da Vale minaram a relação.

Roger também foi conselheiro da CPFL, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Petrobras.  Fora do País, foi do conselho da suíça ABB e integrou um conselho consultivo, formado por executivos e empresários, que aconselhava o então-presidente da África do Sul, Thabo Mbeki.

Quando saiu da Vale, Roger fundou a AGN Participações, uma companhia de investimento focada em mineração e petróleo.

Roger faria 57 anos em 3 de maio.

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