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O capitalismo e seus protagonistas. A estratégia das empresas. A tal da mão invisível. O espírito animal. E as políticas públicas que ajudam e atrapalham.

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Geraldo Samor foi correspondente no Brasil do The Wall Street Journal, da agência Dow Jones e da International Financing Review (IFR). Foi produtor do Podcast Rio Bravo e consultor de hedge funds americanos com investimentos no Brasil. Desde 2014, é responsável pelo VEJA Mercados.

Planos de saúde: como consertar?

A receita das operadoras para combater custos médico-hospitalares fora de controle

Por: Geraldo Samor

A alta persistente dos custos médicos e os preços cada vez mais doentios dos planos de saúde não serão resolvidos com apenas um remédio. Será preciso um verdadeiro coquetel de medidas, mas o Governo e o setor privado ainda não estão engajados numa discussão substantiva sobre o assunto.Marcio Coriolano

O diagnóstico é do presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que reúne 18 operadoras de planos privados de saúde, em conversa com a coluna.

Economista de formação, Coriolano também é presidente da Bradesco Saúde e membro do conselho de administração da Odontoprev e do Grupo Fleury.

Nos últimos anos, muitas operadoras — incluindo a Bradesco Saúde e a Amil — pararam de oferecer planos individuais, cujos preços são controlados pelo Governo.

Os planos individuais se tornaram fonte de prejuízo para as operadoras por dois motivos principais.

Primeiro, porque a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) historicamente concede reajustes abaixo da chamada ‘inflação médica’ (o custo dos equipamentos e serviços usados nos exames e procedimentos). Entre 2007 e 2014, a ANS aprovou um reajuste acumulado de 76,6% nos planos individuais, enquanto a variação de custos médico-hospitalares, calculada pelas operadoras, foi de 158%

Segundo, porque todo ano a Justiça (ou a ANS) obrigam as operadoras a cobrir novos tratamentos e procedimentos.

A coluna já abordou o assunto numa entrevista com o CEO da Qualicorp, no início deste ano.

Coriolano defende que o Brasil copie as melhores práticas de sistemas de saúde de outros países, como o Reino Unido, onde há planos menos abrangentes, com uma cobertura básica e portanto mais baratos, e onde o sistema de saúde incentiva os pacientes/consumidores a ir primeiro ao clínico geral, evitando os custos de consultas desnecessárias junto a especialistas.

“No Reino Unido, o general practitioner [clínico geral] é a porta de entrada,” diz Coriolano. “Dali, o paciente é encaminhado ao especialista correto depois do diagnóstico.”

O tema vai ser debatido no 1º Fórum da Saúde Suplementar, que acontecerá em 24 e 25 de novembro em São Paulo.

No complexo debate sobre como tornar a saúde um bem verdadeiramente acessível — uma discussão na qual inevitabilidades econômicas competem com sensibilidades políticas — essa conversa com Coriolano é um bom começo para se entender as variáveis envolvidas nessa equação tão delicada.

 

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  1. Antonio Vinotti Filho

    Acredito que a forma mais adequada é forçar aos associados de plano de saúde fazer medicina preventiva, ou seja, entrou no plano começa a utilizar a prevenção e não correção e desta forma a médio e longo prazo os custos certamente serão menores. Outra coisa é ofereçer planos apenas para hospital e não valido para consultas.
    Disponível para consulta e discussão do assunto.

  2. Fábio Francisco Santos

    Bom Dia !
    Todas estas questões de controle e equilibrio da saúde finaceira dos planos e seguro saúde; somente será resovido quando tivermos a participação de todos que estão envolvidos; incluindo os: corretoras,hospitais,laboratorios,clinicas,medicos e principalmente as operadoras junto com os associados/segurados.
    Um pequeno exemplo: o valor de um plano da Sul América (adesão qualicorp) para uma pessoa na faixa etaria acima de 59 custa R$ 1.170,00 o por que deste valor ? é muito cara ! uma outra empresa; a prevent Sênior, Custo R$ 567,00. O que existe por tras destes valores; Alem dos custos operacionais? é isso que tem que ser analisado, e muito mais % pois hoje uma venda nova paga se até 300% de comissão .

  3. DIABÉTICO

    Essa falência da Unimed Paulista , da qual eu era conveniado, me é bastante suspeita de ter sido uma manobra realizada com o beneplácito da reguladora governamental, onde presumo ter a mãozinha do ex presidente amigão do chefão da intermediária administradora. O chefão concede ao amigão ex presidente a hospedagem em faustoso palácio em bela praia badalada do Rio de Janeiro (não lembro se Angra ou Búzios) com direito a colocação de transporte de jatinho pessoal e cachaça à vontade.

  4. Sidney Goldenzon

    O diagnóstico do Jorge está correto, mas o tratamento do Edu é muito melhor. O governo deve se afastar completamente da saúde privada e deixar o mercado agir. Não é o governo quem tem q determinar cobertura ou reajuste, muito menos obrigar os pacientes a frequentar programas de prevenção ou proibir sair da rede.
    As operadoras reclamam, mas também não mudam um sistema totalmente baseado no pagamento por complexidade. Só pode ser piada falar em clínico como porta de entrada pagando R$ 70 a consulta. Numa conta hospitalar o honorário médico equivale a 1%, mas gera os 100%. Será que não está aí a distorção?
    Enquanto tivermos uma cultura em que pacientes acham que tem direitos independente do que contrataram, operadoras que consideram que a melhor maneira de controlar custos médicos é dificultar a utilização, médicos que querem reserva de mercado sem ônus, governos que acham que somos todos crianças indefesas que não podemos escolher o que nos interessa e juízes que acham que os pacientes são coitadinhos a serem protegidos, vamos continuar reclamando uns dos outros e nunca vai dar certo.
    Minha sugestão:
    1. Descredenciamento universal – todos os médicos podem atender todos os pacientes, recebendo diretamente do paciente, que pede o reembolso total ou parcial dependendo do seu contrato
    2. Seguro com franquia (caso alguma seguradora queira oferecer sem franquia, faz parte do show)
    3. Cobertura limitada ao contrato (a ANS poderia, se servisse para alguma coisa, determinar um modelo de contrato para que as coberturas ou exclusões ficassem claras para os contratantes). Ao contrário do que afirma o Erik, isso não é ingenuidade, mas realidade. Ninguém pode achar que tem um seguro ILIMITADO apenas porque saúde não tem preço. Saúde custa caro e cada um tem de arcar com seu próprio custo e responsabilidade. Cobertura ilimitada tem um custo muito alto e faz com que a maioria acabe ficando com cobertura NENHUMA. Melhor poder optar por uma cobertura limitada, sabendo que fora desta terá que sair de outra fonte (SUS, próprio bolso, família, amigos, doadores caridosos, etc.)
    4. Reduzir impostos sobre insumos médico-hospitalares

  5. Rafael

    De fato é necessário a sociedade brasileira e o governo repensarem sobre o papel das operadoras no auxílio à assistência médica. Há operadoras no mercado quebrando e muitas outras numa situação de penúria, enquanto isso vemos o setor público consumir cada vez mais recursos, num momento difícil para o país. É necessário que os nossos políticos entendam e estimulem os planos de saúde a atuarem em um determinado nível de primeiro grau, deixando casos mais complexos aí poder público não é possível que a sociedade imagine que planos de saúde paguem tratamentos que chegam à 150k mensal sem que o preço do produto seja extremamente alto

  6. Daniel

    A questão é simples. Os planos de saúde subiram 100% no preço quando colocaram intermediários. Tirem os intermediários e pronto. Fim de papo…

  7. erik

    De fato, no Reino Unido o atendimento médico geralmente começa pelo clínico geral. Acontece que isso só funciona porque o NHS (o SUS de lá) é extremamente bem organizado, eficientes e atende a TODAS intercorrências médicas.
    É uma imensa ingenuidade supor que criar planos mais baratos, EXCLUINDO intervenções médicas mais complexas, será solução para os conveniados dos planos privados de saúde.

  8. Jorge

    1- usuário: cartão sem limites! 2- justiça irresponsável… Usuário compra um fusca e o juiz manda lhe entregar uma Ferrari( Sírio Libanês e Alb.Einstein são os hospitais mais caros do MUNDO!! E sob liminares gastam o QUE QUEREM!!!; 3- AnS/governo, irresponsáveis, criam uma série de eventos desnecessários (e outros necessários) sem olhar a custos! ( e são pouco espertos..o plano de saúde poderia auxiliar o SUS…); 4- Médico: pouco esperto em observar que muitas vezes o excesso de custo/cobrança recaí sobre ele mesmo (ex: cooperativas médicas).
    Como resolver: 1- usuário: reduzir direitos, A-proibir sair da rede (exceto em casos onde seu plano não lhe forneceu o serviço),B- proibir livre escolha de médicos ( reservado o direito á segunda opinião) o médico de fora do convênio ONERA IRRESPONSAVELMENTE o plano; c- obriga-lo a frequentar programas de prevenção e qualidade de vida (controle de peso, hipertensão artéria, diabetes) etc!!!
    4- Governo: leis DECENTES que não permitam ao juiz decidir sobre um assunto que de NADA ENTENDE!! Quando se criará no Brasil uma PERICIA MÉDICA JUDICIAL que faça parte da justiça (!!) e assessore os juízes em questões médicas??? Clientes: INSS, funcionários públicos, casos trabalhistas médicos, planos de saúde ,etc!! E que tal OBRIGAR O JUIZ A RESPEITAR ASSIM A PROVA TÉCNICA??? HOJE ASSISTIMOS A UMA MUDANÇA POLITICO…ESTAMOS MUDANDO DE UMA CLEPTOCRACIA… PARA UMA DITADURA JUDICIAL!!!!!

  9. Ricardo Santana

    As operadoras de planos de saúde reinam no Brasil, pois os políticos ganham muito com isto. Ou vocês acham que o sistema de saúde pública do país é péssimo a troco de nada?

  10. marcelo

    A inflação referida na entrevista não pode ser confundida com o simples reajuste do preço de um serviço ou equipamento, p. ex., a variação do preço de um estetoscópio.
    A maior parte da “inflação” mencionada ocorre com os constantes acréscimos de novos procedimentos e tratamentos em planos de saúde já contratados, por decisão da ANS ou mesmo do Poder Judiciário. Exemplo disso é a inserção da cobertura de medicamentos quimioterápicos orais, que implicaram em custos altíssimos para as operadoras, e que não estavam previstos na formulação de preços de planos de saúde já contratados.

  11. Gonzaga

    Inflação médica é um termo usurpado e utilizado pelos operadores de planos e seguros com o objetivo de manipular a opinião pública, pois um dos grandes fatores do aumento dos custos da saúde suplementar é o aumento do consumo com o envelhecimento da população. Nos últimos anos, as tarifas hospitalares e os honorários médicos não foram corrigidos seguindo a inflação. Foram muito abaixo. O que realmente está acontecendo é um expressivo aumento de consumo pelo envelhecimento da população, que deveria ser considerado nos cálculos atuariais das operadoras. O verdadeiro produto oferecido pela rede prestadora de saúde suplementar (hospitais, clinicas e médicos) é TEMPO (tempo de vida, aumento da expectativa de vida) e tempos … não tem preço. Todavia, não são os médicos ou hospitais que definem suas tarifas, mas as operadoras de planos. Como comparativo: um seguro de um automóvel popular custa anualmente por volta de 1’800 Reais. quem o faz não o faz para “usar” seu seguro. Minguei sai da concessionária e entra num poste para usar seu seguro de automóvel. Se por ventura ele o utilizar, terá uma franquia de mais 1’500 Reais, levando o custo de um seguro para um automóvel (lata amassada) a 3’300 Reais/ano. No caso do seguro saúde, o ticket médio deve se situar por volta de 2’400 Reais ano. A conta fica muito difícil de fechar, pois um caso oncológico pode custar de 30 à 900 mil Reais, um caso cardiológico pode custar de 30 à 500 mil Reais … e um automóvel popular, para chegar nestes gastos com sinistros, deveria “amassar” algumas Ferraris ….

  12. Gerson Thomé Marino

    O papo deste Coriolano é irreal , bom
    apenas para as Operadoras, os médicos
    são vilipendiados , remunerados semelhante
    ao SUS.
    O saúde da Inglaterra demorou mais de 50 anos para implantá-lo.
    Não se faz por decreto.
    Pergunte a esta pessoa os resultados da Bradesco Saúde, Amil e Odontoprev.

  13. Luiz Alberto

    – Inflação médica? Basta fazer um pesquisa -erros médicos- para se justificar parte da inflação, Ex duas cirurgias em lugar de uma, Fazer uma segunda cirurgia para retirar material que foi esquecido dentro do/a (vítima) paciente. Médicos que batem o ponto e vão para seus consultórios, isso quando não deixam um carimbo com suas impressões digitais para alguém bater o ponto.
    Planos individuais, quase todos participativos (meu caso 50%) para consultas e exames. Porem não há acesso a tabela de valores.
    Quem faz o cálculo da dita inflação, a ANS, as operadoras? Quem faz, ou deveria fazer a fiscalização?

  14. edu

    É fácil…o governo se retira da saúde privada, pára de tentar regulá-la, e vai cuidar somente da saúde pública. O mercado resolve. Erros e abusos são tratados na justiça.

    Samor, uma curiosidade, sobre modelos de negócio, por que não há planos que funcionem como um seguro saúde, como os que compramos ao viajar para o exterior? Acho que o modelo econômico de saúde privada faria mais sentido se funcionasse como os seguros (você paga um prêmio, e tem direito a uma cobertura, mas terá que pagar uma franquia sempre que usar). Se o “plano de saúde” fosse apenas para cobrir os casos muito sérios, seria bem mais barato. Do jeito que é hoje, você cobra uma mensalidade fixa e o cliente pode ir a médicos e fazer exames sem limites. Do ponto de vista do cliente, como após pagar a mensalidade do plano ele passa a gastar o dinheiro dos outros, não há incentivo para ser prudente ou cuidadoso.

  15. Silvio Luiz

    Planos menos abrangentes podem ser bons para as operadoras, mas para o consumidor é paliativo e uma ilusão que pode custar caro.

  16. Sonia

    Gostaria muito de ter todos os detalhes da chamada ‘inflação médica’. Mas, por favor, com todos os detalhes que justifiquem essa nova inflação tão única e que a torne realmente compreensível. A colocação acima não responde ao fato de os reajustes dos planos de saúde serem absurdos diante da inflação. Por que é que a ‘inflação médica’ é tão superior à inflação do tudo que existe neste país? Desculpe-me, ela não pode ser tão especial assim do que o resto da inflação dos pobres mortais. É inadmissível o valor cobrado pelos planos de saúde. INADMISSÍVEL. E o fato de não haver controle dos preços por uma agência de saúde é mais inadmissível ainda.

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