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É cacto ou fraude? Evite a pegadinha botânica

Plantas espinhentas são todas iguais aos olhos dos desavisados. Saber distingui-las é um barato - e também uma forma de evitar incidentes desagradáveis

Responda rápido: uma planta espinhenta e de aspecto agressivo como a da foto acima só pode ser um cacto, certo?

Assim reza o senso comum, mas é bom você rever seus conceitos: nem toda planta espinhenta e de aspecto agressivo como a da foto acima é necessariamente um cacto.

Mandacaru: cacto de verdade (//iStock)

Eis uma das mais fascinantes pegadinhas que desafiam botânicos e jardineiros de primeira viagem. A família das cactáceas, à qual pertencem obviamente os cactos, tem uma dublê com a mesma carinha dela, mas absolutamente distinta: trata-se das eufórbias, plantas da família das euphorbiaceas.

“E qual o problema disso, se todas são tão parecidas?”, perguntará o cético entediado com post tão frugal quando o Brasil atravessa tempos tão espinhudos. Mas existem utilidades práticas em saber distingui-las. Embora de aparência pouca amistosa, os cactos em geral não são nocivos ao ser humano e aos bichos de estimação. Alguns deles são até comestíveis. Os frutos da pitaya e do figo-da-Índia são deliciosos. As folhas da ora-pro-nobis são um ingrediente clássico da culinária mineira (vão bem que é uma beleza com um franguinho ou uma costelinha de porco feita na panela de ferro). O exemplo mais eloquente, contudo, é o mandacaru, cujas bagas acodem o gado e até gente faminta nas secas bravas do Nordeste. No México, é obrigatório provar a refrescante salada de nopal, uma palma espinhosa  cortada em tirinhas e temperada com limão e – claro – muita pimenta. Todas essas plantas são cactos acima de qualquer suspeita.

Flor do mandacaru (Vinícius Doido/Divulgação)

Já as eufórbias revelam-se igualmente valorosas para embelezar os jardins, mas apresentam uma característica traiçoeira: elas exsudam leite com grau de toxicidade que varia do risco de queimadura leve na pele ao envenenamento grave, se ingerido em certas doses proibitivas. Na dúvida, deve-se evitá-las em locais de passagem ou dentro de apartamentos com crianças e bichos. E é preciso levar em conta outro inconveniente: por causa do leite, sua poda pode resultar em contratempos desagradáveis. Pode-se manter um cacto como cerca-viva topiada, mas nada a ver usar uma eufórbia para esse fim.

Pronto para o desafio? Vamos lá:

# A planta solta leite quando folhas e caules são cortados? É eufórbia!

# Produz no máximo uma seiva espessa, mas nunca leite, ao ser podada? É cacto?

# Possui apenas espinhos, sem nenhum sinal de folhas? É cacto!

Euphorbia trigona – as folhas entregam a fraude (Ezequiel Coelho/Divulgação)

# Em meio aos espinhos, há folhas discretas e minúsculas, principalmente na ponta dos ramos? É eufórbia!

A propósito: a imagem principal deste post é uma fraude.

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  1. Tenho os dois aqui em casa. Agora você é meu colunista preferido. Na Veja.

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  2. Voltei. Queria que você decifrasse uma dúvida. Sempre tive samambaias e, usávamos vasos de xaxim. Agora são de fibra de coco, mas os preços são muito altos. Não parece lógico. Afinal, sobra muito resíduo de coco. Qual é a explicação? Quero trocar uns 5 vasos velhos.

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