Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Luc Besson interrompe uma boa fase com uma bola fora. Sugestão: prefira ver ou rever “Lucy”

Pode parecer um contrassenso, mas nem sempre a paixão pelo material que tem em mãos é boa conselheira de um cineasta. Não o foi, pelo menos, para o francês Luc Besson: depois de dois acertos saborosos – A Família (2013), com Robert de Niro, e Lucy (2014), com Scarlett Johansson –, o diretor parou tudo para investir vários anos e 177 milhões de dólares (recorde disparado de orçamento no cinema francês) na adaptação de Valerian, quadrinho dos anos 70 do qual ele é fã de juventude. Má ideia: sem muitos fãs fora da Europa, o quadrinho sobre uma dupla de policiais espaciais seria sempre uma escolha arriscada na qual empatar tanto dinheiro – e mais ainda quando esse dinheiro é colocado em um desenho de produção tão kitsch e fantasioso, e quando se decide entregar o filme a dois atores sem o necessário carisma (Dane DeHaan, que é excelente em papéis de gente problemática, como em Poder Sem Limites, e Cara Delevingne, a Feiticeira de Esquadrão Suicida, que, bem, é muito bonita). Junte-se a isso um roteiro irregular, que na maior parte do tempo não se decide para que lado correr, e tem-se uma receita desandada. Pior: o filme se estende por longos 137 minutos, sem nenhuma razão para tanta demora. Para não dizer que nada se salva da experiência, Rihanna arrasa numa cena-fetiche, com a colaboração de Ethan Hawke. (Por outro lado, Clive Owen, Rutger Hauer, Alain Chabat, Louis Leterrier e Mathieu Kassovitz são desperdiçados). Outro ponto positivo: deu vontade de rever o infinitamente superior Lucy, que está disponível no Looke, Netflix e outras plataformas. Sugiro que você faça o mesmo (leia aqui a resenha), e aguarde, como eu, que Besson recupere o tino.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

(Diamond/Divulgação)

Veja também

Trailer

VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS
(Valerian and the City of a Thousand Planets)
França, 2017
Direção: Luc Besson
Com DaneDeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Alain Chabat, Herbie Hancock, Rutger Hauer, Kris Wu, Ethan Hawke
Distribuição: Diamond

 

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  1. Ernesto Ribeiro

    Considerando que “Lucy” foi eleito O PIOR FILME DO ANO, taí uma recomendação que eu não faria nem ao meu pior inimigo. Aliás, considerando que Luc Besson encabeça uma escola de cinema francesa que os próprios críticos compatriotas rotularam acertadamente de “só para olhar” porque os roteiros são abaixo da crítica, é melhor não se entusiasmar com nada mais. Eu prefiro nem perder tempo lendo as legendas. Luc Besson teve um começo promissor com “Nikita – Criada Para Matar”, até hoje a melhor coisa que ele fez na vida e provavelmente a única realmente visceral. E pela cara de maconheiro do ator principal, não espere nenhuma grande atuação deste herói. Os efeitos especiais atuam melhor, mesmo plagiando “Avatar”.

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